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Ideias Feitas. Ideias Feitas na Rádio Observador com Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo. Boa tarde.

E hoje as garrafas do Volta.

É, isto é um tema que tem marcado a atualidade.

Estás pronto para um tema fraturante.

Exatamente. Não, mas segundo estão aos jornais, pelo menos do que eu vi, este sistema de reembolso de embalagens ou garrafinhas de plástico, não sei exatamente que tipo de vasilhames isto cobre, o Volta está a criar um problema inesperado em Lisboa, e não só em Lisboa, nas cidades, sobretudo, porque cada vez mais pessoas remexem nos contentores e nas papeleiras à procura das garrafinhas que tenham depósito ou que valham no depósito e deixam o lixo espalhado pelas ruas. E é de facto um problema inesperadíssimo. Isto não passava pela cabeça de ninguém que pudesse acontecer ou, melhor, não passava pela cabeça de ninguém entre os sujeitos que se entretêm a decidir estas coisas. Acho que qualquer outra pessoa conseguiria adivinhar que a primeira consequência do Volta, que é um sistema criado alegadamente para proteger o ambiente, seria justamente encher o ambiente de esterco. Bastava para isso presumir duas coisas óbvias. A primeira é que nem todos os consumidores em Portugal são pobres ou ecologicamente conscientes, vamos admitir, pobres o suficiente para andar a juntar garrafas a fim de recolher os 10 cêntimos do depósito. A segunda coisa que era fácil prever ou presumir, mais exatamente, é que há em Portugal gente pobre o suficiente para andar a vasculhar o lixo a fim de ganhar uns cobres e atribuir um valor ao lixo teria de descambar nisto. Agora, perante este inesperado desenvolvimento, debate-se a autoria do Volta, com certeza para oferecer uma comenda ao génio por detrás deste avanço civilizacional. Os que gostam do PSD recordam que a base da legislação do Volta é uma lei de 2018, aprovada pela Assembleia da República, naturalmente, durante um governo do doutor Costa, com votos favoráveis PS, PSD, Bloco, CDS e PAN, e os que gostam do PS insistem que a medida só foi posta em prática durante o atual governo do doutor Montenegro, só foi posta em prática muito recentemente. Ambas as correntes de pensamento cometem a injustiça de ignorar que a paternidade, não exatamente do Volta com este nome, mas do sistema do tipo Volta, e também aqui de forma inesperadíssima, é a União Europeia, que em 2019 decidiu impor uma coisa chamada diretiva dos plásticos de uso único. E nestes temas, sobretudo no que toca aos plásticos, a União Europeia está sempre na vanguarda. Enquanto os restantes grandes blocos políticos se preocupam com insignificâncias, o comércio global, a geoestratégia militar e assim, a União Europeia especializou-se naquilo que realmente conta, ou seja, em produzir legislação relativa às garrafas de plástico. Já tinha sido a União Europeia a exigir que a tampinha das garrafas estivesse presa ao resto da garrafa, que é uma medida que sem dúvida mudou o mundo tal como conhecíamos e que demonstrou o atraso de vida do resto da humanidade, anos-luz de distância do pioneirismo europeu. Por isso, não espanta nada que tenha sido a Europa a abrir caminho na história do reembolso das garrafas, que os nossos governos, como ótimos alunos, correram logo a aplicar. Eu sei que já havia reembolsos antigos das garrafas de vidro, mas o propósito era outro, era o valor do vidro. Não vale a pena, portanto, isolar heróis nacionais nesta história. O governo do doutor Costa esteve bem. O governo do doutor Montenegro também esteve espetacular. E as ruas das cidades portuguesas vão ficar ainda mais sujas do que já eram, graças ao Volta. E mais uma vez, é isto que importa assinalar, a União Europeia deixou bem clara a sua superioridade moral e ambiental face aos bárbaros. Vamos pôr as coisas nestes termos. Sempre que um americano, por exemplo, vier para aí falar do poderio do seu país em matéria económica, política, tecnológica, científica, militar e por aí fora, os europeus podem calá-lo num instante com os avanços do nosso continente no que toca às garrafinhas de plástico. E para os que pensam que não há maneira de a Europa progredir ainda mais, eu recordo que depois das garrafinhas ainda falta mexer nos garrafões de plástico, que por enquanto mantêm a tampinha solta e não estão abrangidos pelo programa Volta. Há, de facto, muito a fazer ainda e um futuro grandioso à nossa frente.

Obrigado, Alberto. E volta amanhã.

Volto. Até amanhã, Ricardo.

Vamos falar sobre economia circular? Já está disponível um novo episódio da terceira temporada de Vozes Circulares, em parceria com a Associação Smart Waste Portugal e com o apoio de diversas empresas. Para ouvir no site do Observador e nas plataformas de podcast.

Penalty.

Não é nada penalty.

Não vai ao VAR isto.

No mundial, cada decisão conta. Sem falta.

Tenho que dar nota negativa em função deste lance.

Dos lances duvidosos às certezas da arbitragem, na Rádio Observador, tudo é escrutinado ao detalhe.

Até porque é sempre mau quando a arbitragem ou as questões relacionadas com a arbitragem têm protagonismo.

Pedro Henriques, antigo árbitro internacional, analisa cada decisão com o rigor de quem esteve lá dentro.

Então da expulsão, do vermelho.

Sem falta, depois de cada jogo de Portugal e no final de cada semana do torneio, fazemos o resumo da arbitragem nos relvados. Este programa tem o apoio de Betclic. Podem até vir pedras rolantes, relâmpagos e fogos gigantes. Pode ser como nunca, pode ser como dantes. Com este amor, venha lá quem for, corra bem, corra mal, é uma sorte apoiar Portugal. Betclic, patrocinador oficial da seleção.

Mãe, se o vidrão no vidrão, papel no papelão e pilhas no pilhão, as desculpas para não separar o lixo, tipo: "Estou de férias e não faz diferença", vão pra onde? Pro desculpão?

Começa por reciclar as desculpas e nas férias não deixe de separar o lixo. Vamos lixar o lixo. Um apelo da Agência Portuguesa do Ambiente, com apoio do Fundo Ambiental e com financiamento do Sustentável 2030, Portugal 2030 e União Europeia.