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Abrir o gabinete de guerra, mas para já está na hora de ideias feitas.
Desfazemos ideias feitas com o Alberto Gonçalves. Olá, Alberto.
Olá, Vanessa, boa tarde.
Não podíamos ter outro tema hoje e como prometido, vamos falar do novo governo. Como é que acolhes estas escolhas de António Costa?
Acolho como uma lição. Uma pessoa tem a tendência para achar que as coisas não podem piorar. Costuma-se dizer: "Pior do que isto não fica." Mas pode piorar e pode ficar pior do que isto, como se prova. O governo anterior tinha bem espremido um ministro, só consigo me lembrar de um, que valia por si mesmo, que era um nome autônomo, e que não foi um mau ministro, resumindo muito, que era o Augusto Santos Silva nos Negócios Estrangeiros. Era o único caso que eu me consigo lembrar. Agora, nem ele. Parece que vai para presidente da Assembleia da República, que é um cargo absolutamente decorativo, que não conta. E quem fica neste governo, eu nem chamaria a isto um governo de saldos, é mesmo um governo de liquidação total. Ficam aquelas pessoas que devem obediência absoluta ao doutor Costa e que não representam, pelo menos para já, qualquer espécie de obstáculo ao doutor Costa, ou que se possam afirmar como tendo um pensamento independente ou uma carreira fora completamente afastada do Partido Socialista. E nos casos que o têm, por exemplo, a nova senhora que é ministra da Defesa, não se percebe o que é que justifica a designação para o cargo. Não por ser uma senhora, mas por ser uma pessoa que tem uma vida universitária ligada ao estudo da paridade no meio militar. Não se percebe como é que isso habilita alguém para ser, por exemplo, ministra da Defesa, mas também como a nossa defesa é o que é, não é daí que virá o mal ao mundo, não é essa a pasta decisiva.
Mas Helena Carreiras também foi presidente do Instituto de Defesa Nacional, Alberto.
Sim, mas é um cargo de nomeação também, é um cargo de nomeação política. E não é por ser senhora, todo. Vanessa, já vi por aí algumas pessoas darem a entender, talvez não tenham assumido tão diretamente, que não se percebe como uma senhora pode ser ministra da Defesa. Claro que uma senhora pode ser ministra de Defesa. Não me parece é que tenha exatamente a competência necessária. Eu falei disto e até podia nem ter falado. Não é mesmo um ministério decisivo, mesmo na situação atual, não é todo o ministério decisivo, porque o peso de Portugal na Europa e na NATO em matéria militar, mesmo nestas circunstâncias em que estamos agora, muito delicadas, o nosso peso é absolutamente nulo, portanto não faz diferença ser essa senhora ministra da Defesa, outra senhora qualquer, outro senhor qualquer, outro indivíduo qualquer, não faz diferença absolutamente nenhuma. Agora há outros cargos cuja nomeações são quase insultuosas. Por exemplo, ontem já falei aqui do doutor Medina, que é uma pessoa que não foi aproveitada sequer, não serviu sequer como presidente da câmara, que foi corrido pelos eleitores. E ao que eu sei, justamente, eu não voto em Lisboa, nem moro em Lisboa. Quer dizer, deixou as finanças da autarquia em farrapos e agora é nomeado ministro das Finanças, com o brinde daquela relação peculiar que a Câmara de Lisboa, sob a sua alçada, teve com a Embaixada de Moscovo, em Lisboa, em Portugal, ao delatar os nomes daqueles três ou quatro ativistas anti-Putin. Portanto, o doutor Medina mereceu, pelos vistos, ser recompensado por isso. E não há muito a dizer, ninguém percebe o que é que está o doutor Medina a fazer enquanto ministro das Finanças, a não ser por ser um nome absolutamente dependente, uma pessoa absolutamente dependente do poder do doutor Costa, que é isso que o doutor Costa gosta. Não gosta de ter ninguém que o desafie, não gosta de ter ninguém que ponha em questão as suas ordens, questione a sua autoridade, e então arranjou no doutor Medina e nos outros membros todos que vão por ali fora do executivo, porque aquela Mariana Vieira da Silva.
Que saiu forçada agora nesta nova composição do governo.
Forçada, sim, dizem que é a número dois do governo, tanto faz ser a número dois como a 17. Quer dizer, o poder deles todos, Vanessa, parece-me absolutamente irrelevante comparado com o poder do doutor Costa. Isto é um governo feito de pessoas que provavelmente vão... Isto é uma figura que se costuma às vezes usar de forma metafórica, mas se calhar é mesmo literal, são pessoas que habitualmente vão jantar à casa do doutor Costa, o doutor Costa vai jantar à casa destas pessoas. São os amigos que ele arranjou. Por um lado, isto tem uma coisa boa, ou pode ter, não sei se é essa a explicação. Isto mostra que as pessoas com algum pingo de vergonha ou de pudor, as pessoas que têm alguma valia pelas suas carreiras, já não estão dispostas a juntar-se a este governo. Agora, também acho que talvez não seja tão boa notícia assim, porque provavelmente essas pessoas também nem sequer foram convidadas. Isto provavelmente são tudo primeiras escolhas do doutor Costa, e as primeiras escolhas do doutor Costa são buscar as pessoas que lhe são mais subalternas, que são mais previsíveis, que estão mais dispostas a obedecer-lhe sem provocar quaisquer grandes ruídos, grandes rebuliços.
E agora os quatro potenciais sucessores de António Costa também estão todos no governo.
Sim, são potenciais sucessores, mas três deles, a Mariana Vieira da Silva, o doutor Medina e a Ana Catarina Mendes, é aquela senhora que vai à quadratura do círculo ou à circulatura do quadrado, ou lá como é que aquilo se chama, dizer umas banalidades absolutamente extraordinárias. Sim, mas esses três são produto do doutor Costa direto. E há um subproduto do doutor Costa, que é o ministro dos Transportes, que continua no seu trabalho brilhante em prol da TAP, e que às vezes é apresentado como uma espécie de De desafiador do líder. Ora bem, é desafiador quando o líder quiser, quando o líder não tiver poder. Face à situação atual, o poder do Pedro Nuno Santos é absolutamente nulo e é absolutamente dependente do doutor Costa. E o doutor Costa sabe disso e presumo que o Pedro Nuno Santos também saiba disso e, portanto, não vai tentar grandes aventuras ou aventuras nenhumas. Vai prosseguir a sua política. Ele parece uma espécie de infiltrado. Infelizmente, não será o único infiltrado bloquista neste governo. O governo abdicou da aliança com o Bloco e com o PCP, mas ainda tem lá uns marxistas irredutíveis, como o Pedro Nuno Santos, que vão prosseguir aquela política de estatização dos transportes o mais possível e de asfixia das alternativas privadas. Mas enquanto desafiador do líder, enquanto alternativa ao líder, não me parece, a não ser quando o líder quiser. Ou seja, o doutor Costa manda nisto tudo, vai continuar a mandar. Ainda temos aquele senhor para a Economia.
António Costa Silva.
António Costa e Silva, ou Silva. Aquele senhor que conseguiu fazer em poucos minutos ou em dois dias, amanhar os destinos do PRR.
Plano de Recuperação e Resiliência.
Exatamente. E que era fácil, não foi um trabalho difícil, foi 99,5% para o Estado e umas migalhas para os privados, para os cidadãos e para as empresas. Portanto, não foi um trabalho muito difícil, mas graças a esse trabalho, apesar de não ter sido difícil, graças a isso, o doutor Costa entendeu que ele merecia o Ministério da Economia. A propósito do doutor António Costa Silva, eu recomendo a sua carreira, não como economista, mas como poeta, porque ele tem uns livros editados de poesia que para quem gostar de comédia mais refinada, pode consultá-los, que encontra ali material rico. Mas resumindo e para terminar, Vanessa, não há muito mais a dizer, é mesmo uma espécie de refugo do meio socialista em que se foi buscar os nomes que não têm qualquer problema ou qualquer decoro em prestar vassalagem ao doutor Costa e não oferecer qualquer desafio às decisões do chefe. É verdade, a senhora Ministra da Saúde continua, tem feito um trabalho brilhante, vai poder continuar a desenvolvê-lo. Dificilmente podia ser pior. E vou-me lembrando de nomes. Ainda há aquele rapaz das comemorações do 25 de Abril, que foi premiado com a Cultura.
Pedro Adão e Silva.
Pedro Adão e Silva podia ter sido premiado com o desporto, com a agricultura. Agricultura continua aquela senhora que no início da Covid nos disse que a Covid podia ser uma oportunidade para Portugal aumentar a exportação de carne para o Oriente. Não sei se foi, se não foi. Depois nunca mais se ouviu falar dela, a não ser agora, dois anos depois, quando se percebe que ela vai ser reconduzida no cargo pelos excelentes serviços prestados. Falando mesmo a sério, é difícil imaginar pior, não sei. Agora estou a cair no erro que denunciei no início. Parece impossível imaginar pior. Se daqui a dois ou três ou quatro anos, depende de se cumprirmos o calendário normal ou não, houver novo governo socialista, provavelmente ainda se vai conseguir arranjar pior, porque isto realmente é um buraco que parece sem fundo, mas já nos vamos habituando a ele. É melhor não fazer previsões, é melhor imaginar que ainda pode ser pior do que isto.
Não há nenhuma escolha positiva para ti, Alberto?
Não, sinceramente, não. O único ministro pelo qual uma pessoa podia ter uma réstia de consideração, de facto, não conheço o senhor de lado nenhum, não tenho nenhuma empatia ou simpatia pelo que ele diz ou pelas suas posições políticas, normalmente, mas era, de facto, o Augusto Santos Silva, que mostrou ser um ministro dos Negócios Estrangeiros com a noção mínima do cargo, com aqueles atributos básicos que devem fazer parte daquilo que é um ministro. Do resto, não, sinceramente. E depois há nomes agora que também não vou avaliar porque não conheço, porque este governo que ia ser pequenino, afinal é um governo que nunca mais acaba e há nomes que não vou avaliar porque não tenho conhecimento para isso.
Teremos tempo para isso depois.
Sim, provavelmente vamos sentir na pele o efeito das medidas de cada governante e depois teremos tempo para isso, com certeza, e oportunidade.
E o único ministro que o Alberto Gonçalves até poderia aqui dar uma nota positiva é Augusto Santos Silva, que agora se prepara para ser presidente da Assembleia da República. Alberto Gonçalves, marcamos novo encontro amanhã.
Até amanhã, Vanessa.
Até amanhã.