Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Ideias Feitas com o comentador observador Alberto Gonçalves. Viva, Alberto.
Olá, boa tarde.
Ideias Feitas de hoje: Alberto Gonçalves quer tecer considerações sobre uma denúncia do Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado, que acusa a Ministra da Administração Pública, Alexandra Leitão, de ter entrado aos berros numa Loja do Cidadão. Boa tarde, Alberto.
Olá, boa tarde. Nos últimos dias, antes desta notícia relacionada com a ministra, correu por aí um vídeo viral, como se diz agora, de um juiz que, pelos vistos, já não é exatamente juiz, o juiz Fonseca e Castro, que tem sido apresentado pelos media como o juiz negacionista. Esse vídeo mostra o juiz a desafiar a autoridade da polícia. Isto foi no contexto de uma manifestação qualquer e o juiz entendeu que a polícia poderia agredir os manifestantes. Não sei se poderia ou se não, não faço ideia, nem isso me interessa muito. E o juiz vira-se para os polícias que estavam naquela circunstância e diz que é superior a eles hierarquicamente e que eles não mandam nele, e ele é que manda neles e umas coisas desse gênero. Os polícias mantiveram a calma, há que dizê-lo, pelo menos no que se vê do vídeo, e isto causou muita indignação por aí contra o juiz. Eu devo dizer que não simpatizo que uma pessoa, seja juiz suspenso de funções ou não, mesmo um juiz que exerça, possa ter poderes extra sobre outro cidadão. Também não aprecio especialmente que a polícia possa ultrapassar os poderes que tem, em circunstância nenhuma. Acho que os poderes são limitados e devem sê-lo assim. E de resto, somos todos pessoas de igual valor ou falta dele, mas devemos ser todos iguais e tratados como iguais. Portanto, não gostei muito da atitude do juiz, na medida em que se invocou uma pretensa superioridade. Mas de resto, apesar disso, o juiz falou em nome próprio e sozinho. Sozinho, penso que tinha alguns manifestantes que presumivelmente estariam do lado dele, mas deu o rosto, assumiu aquilo que disse e voltou-se para uns polícias, que apesar de tudo, têm mais força, pelo menos física, no conjunto do que ele, com certeza. E isso causou este pequeno escândalo e esta indignação contra o juiz em causa, ou ex-juiz, que pelos vistos vai ser expulso de funções de forma definitiva. Agora, o que aconteceu também, e isso já não tem exatamente a mesma carga, isso tem uma carga mais grave, mas suspeito que terá menos impacto nas notícias, é esta revelação do Sindicato dos Trabalhadores do setor a propósito de uma invasão da Ministra da Administração Pública a uma Loja do Cidadão, suponho que em Lisboa ou na zona de Lisboa, no passado sábado, em que por causa de um cidadão que estava a aguardar o passaporte, pelos vistos há 11 horas, e a senhora ministra Alexandra Leitão foi avisada disso e resolveu entrar pela Loja do Cidadão em causa aos gritos, insultar os funcionários e destratar as pessoas, etc. É curioso que essa ministra já era conhecida enquanto secretária de Estado, pelo menos ficou-me na retina na altura em que ela combatia os contratos de associação das escolas dos colégios privados e mantinha as filhas a estudar num colégio privado, porque, dizia ela, as filhas precisavam de estudar num colégio privado pra terem acesso ao curso que queriam. Aquilo dava lhe jeito, a ela e às filhas. Pelos vistos, as outras pessoas não tinham o mesmo direito, no que dependesse da vontade dela, de poder ter acesso a colégios privados, porque lhes daria jeito. Ou seja, não era uma prerrogativa das demais pessoas. Portanto, essa hipocrisia desta senhora doutora Alexandra Leitão já vem de longe. A hipocrisia dela agora revela-se de outra forma, porque ela ainda aqui há uns dias, a apresentar a hipótese das autarquias se candidatarem a terem Lojas do Cidadão, apresenta as Lojas do Cidadão como, e passo a citá-la, senhora ministra: "As Lojas do Cidadão são espaços vocacionados para facilitar a vida aos cidadãos e às empresas que podem, no mesmo local, tratar de vários assuntos poupando tempo." Ora, pelos vistos, ela descobriu no sábado passado que afinal não é bem assim, que se quisermos fazer uma marcação numa Loja do Cidadão, se quisermos tratar de uma coisa qualquer, e sobretudo neste último ano e meio, normalmente remetem-nos para uma data passado três, quatro, cinco, seis meses para uma coisa tão simples como tratar de um cartão de cidadão, de um passaporte, de uma minudência qualquer desse gênero. A senhora ministra descobriu agora, porque um cidadão estava à espera há 11 horas para tratar do seu passaporte, que as coisas públicas não funcionam tão bem como ela gosta de apregoar. Seria curioso saber quem é esse cidadão e que acesso esse cidadão tem à senhora ministra, de modo a levar a tomar uma posição com este vigor todo. Eu presumo que isto não seja uma coisa recorrente. Acho que a Ministra da Administração Pública não anda de Loja do Cidadão em Loja do Cidadão pelo país fora a gritar com os funcionários. Primeiro, porque não é competência dela, há direções para isso, etc. A função do ministro não é andar a ralhar com funcionários, muito menos em público. E depois, não parece que ela o faça. É de crer que a pessoa em causa teria um acesso privilegiado à senhora ministra ou a alguém das relações da senhora ministra. Eu já tive de esperar não sei quantos meses para conseguir renovar um documento na Loja do Cidadão, como todos nós já estivemos E a senhora ministra não entrou para lá em fúria, aflitíssima com a minha espera ou com a espera de outra pessoa qualquer. Portanto, isto aqui já revela uma situação de privilégio. Depois revela uma situação de inadequação completa ao cargo que desempenha. Repito, não é função do ministro andar a prestar-se a estes papéis. Mostra que não tem grande noção do lugar que ocupa ou então que o lugar que ocupa já foi desvalorizado de tal maneira que já permite estas cenas infelizes. E depois mostra, sobretudo, como é que eu hei de colocar a questão? Mostra, sobretudo, uma noção de que a qualidade da função pública, dos serviços públicos, eu não quero agora avaliar se os funcionários em causa são competentes, se não são, deviam ser despedidos e trocados por outros mais competentes. Se esses funcionários, como eles se queixam, não têm recursos, o ministério deveria providenciar esses custos ou então parar de abrir lojas do cidadão para as quais não conseguem fornecer esses recursos todos. A questão não é essa. A questão é que para consumo público, para propaganda, propaganda é o termo exato, os serviços públicos são excelentes. Quando algum amigo nosso, um conhecido de um conhecido, um amigo de um conhecido, sofre na pele os problemas que todos nós sofremos com os serviços públicos, alto lá que a senhora ministra, aí sim, se enfurece e vai tratar imediatamente da questão. Não tenho muito mais a dizer sobre o assunto, a não ser que isto muito provavelmente vai ter menos impacto público do que teve o tal vídeo do tal juiz ou ex-juiz a desafiar o polícia. É que a ministra está a falar para funcionários, pessoas que não lhe podem responder, ao contrário do tal juiz. Pessoas que se lhe responderem vão ter, de certeza, problemas e muito provavelmente serão despedidas. O juiz, ao falar, acaba ele a ser despedido. A senhora ministra nunca poderá ser despedida por fazer o que fez. E deveria, porque uma pessoa que faz estas figuras e que se presta a estes papéis, obviamente não tem capacidade. Duvido que tivesse capacidade para ser sequer diretora de uma pequena loja do cidadão ou funcionária até da mesma. Não tem, de certeza absoluta, competência para ser ministra. Para cúmulo ainda disto tudo, a somar, a agravar tudo, nem sequer podemos dizer que esta doutora Alexandra Leitão, apesar da sua hipocrisia, apesar da sua falta de modos, etc, é das piores ministras do governo, porque pelo menos no caminho de onde ela estava até à loja do cidadão, que se saiba, não atropelou ninguém. O que já é um progresso. Há pior ainda do que esta senhora, mas esta senhora, sinceramente, é muito fraquinha e noutros tempos, ou noutros países, em países normais, uma pessoa que crie uma situação destas, obviamente tem os dias ou as horas contadas nas funções que ocupa. A certeza é que neste caso não vai acontecer absolutamente nada e a senhora ministra continuará a ser ministra pelo tempo que o doutor Costa entender.
Ideias Feitas desta quinta-feira sobre a acusação do Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e Notariado, que acusa a ministra Alexandra Leitão de ter destratado os trabalhadores de uma loja do cidadão por causa dos tempos de espera registados. O governo rejeita as acusações.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto