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Olá, boa tarde.

Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves quer regressar aqui a um tema que são as comemorações do 25 de Abril.

Sim, porque eu ontem temo ter sido demasiado negativo nos comentários às comemorações do 25 de Abril, porque achei que era chato ou prepotente os políticos impedirem as pessoas de trabalhar, de sair, de viajar, de festejar datas religiosas, no caso cristãs, como a Páscoa, para que uns poucos políticos, ou uma série deles, pudessem celebrar a sua religião, que é a ideologia, e a pudessem celebrar à vontade. Mas acho que me precipitei e venho aqui retratar-me, porque se eles podem comemorar Abril e se eles vão comemorar o 25 de Abril, é um sinal de que todos podemos, com certeza, pensar em regressar à vida normal. Muitos políticos têm idade avançada e pertencem ao grupo etário de risco. Se eles podem juntar-se aos magotes para assinalar um evento que ocorreu há meio século, estão a deixar absolutamente claro que todos temos o direito e até a obrigação de nos dedicarmos a coisas muito mais importantes, que são as nossas vidas. Não quero acreditar que depois do dia 25 de Abril e das respetivas comemorações, possam continuar a existir estas paragens policiais, este abuso que é perguntar às pessoas de onde vêm e para onde vão, esta possibilidade de as autoridades se imiscuírem na vida privada das pessoas, que possa continuar a haver diretivas da DGS, aqueles discursos afetuosos do professor Marcelo sobre a mola e a pressão na mola, etc. Porque se isto tudo continuasse depois do dia 25 de Abril, seria o mesmo que admitir que o 25 de Abril original, o de 1974, quer dizer, que não serviu para instaurar liberdade nenhuma, mas apenas para criar uma espécie de quadro de regalias que favorecesse uns poucos em detrimento dos milhões que trabalham para sustentar um imenso pagode. Eu repito, eu não acredito e não quero acreditar que o 25 de Abril tenha sido feito para impor uma autocracia. Acredito que a partir do 25 de Abril, e no caso do 25 de Abril de 2020, a quarentena acabou e cada um de nós é livre de voltar a ser responsável por si mesmo. Espero que as pessoas o façam de forma responsável, porque há aí um vírus realmente com alguma gravidade à solta, mas julgo que as pessoas são capazes de tomar conta de si dentro de certos limites. Não me parece que os portugueses sejam malucos e não me parece que os políticos sejam prepotentes a ponto de desprezar isso e de estar em público.

Entretanto, a Assembleia da República já disse numa nota que está publicada no site oficial do Parlamento, que a estimativa é de que na cerimónia de evocação do 25 de Abril estejam cerca de 130 pessoas, já incluindo deputadas e deputados. Ainda assim, é mais de uma centena de pessoas. Parece-me um número exagerado.

Parece-me, porque na rua julgo que não podemos andar mais de duas ou três, não sei exatamente se há um limite para ajuntamentos, mas julgo que o limite não chegará a cento e tal. De qualquer maneira, é um progresso, porque até agora estavam 350 pessoas previstas. Agora já estão em cento e tal, vamos ver. Agora falando mesmo a sério, eu não percebo o que vai na cabeça destas pessoas para insistir na comemoração de uma data quando ainda agora se proibiu. Eu estou à vontade para falar disso. Proibiram as festividades da Páscoa. Há pessoas proibidas de assistir a funerais de familiares ou de amigos. Quer dizer, acho que o 25 de Abril, quer gostemos mais ou menos do que aconteceu, que não justifica este descaramento e esta falta de vergonha dos políticos para com os cidadãos numa altura destas. Acho que há limites e convinha que não se ultrapassassem.

Obrigado, Alberto Gonçalves. Mais uma vez hoje a desfazer ideias feitas sobre o 25 de Abril, sobre essas cerimônias que vão decorrer, ao que tudo indica, na Assembleia da República. Alberto Gonçalves que falava dessa questão, por exemplo, dos funerais. Ainda hoje o governo voltou a afirmar que essas restrições nessas cerimônias fúnebres serão para manter.

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