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14 minutos pras 08:00 é hora de Jet Lag com a Filomena Martins. Bom dia, Filomena.

Bom dia.

Para onde vamos nesta sexta-feira, véspera de fim de semana?

Tu queres é viajar sempre, não é?

Sempre pronta.

Vamos para Düsseldorf, na Alemanha, mais uma. Onde um homem condenado por roubar bancos se recusou a sair da prisão, apesar de já ter cumprido a pena, e disse que se for preciso, faz mais um assalto pra voltar lá pra dentro.

Isso é que gostou. Gostou. Foi uma boa experiência.

É, mas ele disse que foi mesmo.

Mas é melhor lá dentro do que cá fora?

Ele diz que sim. O senhor Robert, 64 anos, foi condenado em 2002 a nove anos de prisão, mas queria que a pena fosse perpétua. Depois de ele cumprir a sentença numa cela individual de 13 metros quadrados, com televisão, equipamento musical e até uma pequena biblioteca, e ainda com direito a ginásio e cantina com os outros prisioneiros, que na Alemanha as prisões não é qualquer coisa. Não quis sair.

Percebe-se.

Diz que não estava preparado para enfrentar a vida em liberdade. Escreveu às autoridades a dizer que sem ter trabalho e com as poucas ajudas sociais a que tem direito, voltaria de novo ao crime, portanto era melhor ficar.

E como é que isso acabou? Obrigaram-no a sair? Prenderam-no cá fora ou não?

Expulso da prisão.

Foi expulso da prisão. Disseram-lhe que o Estado não pode dar assim casa, cama, comida e roupa lavada a qualquer um.

Não só aos criminosos.

Já não era considerado um perigo público, como dizia a sentença pro roubo. E claro, também já não havia perigo de fuga. E então em março, um tribunal concluiu que não havia riscos de reincidência e em maio ele foi libertado contra a sua vontade e foi viver com uma namorada. Não sei onde é que arranjou, mas foi.

Se calhar o segredo está na namorada. Se calhar era assim um bocadinho chata. Mas realmente se uma pessoa não pode querer estar presa, então se ele quiser.

Espera, que a história da prisão ainda não acabou aqui.

Ainda não.

Ele arranjou um advogado, fez a mala e apresentou-se à porta da prisão pra ser preso de novo. É tipo a guerra do Raul Solnado. Ele tocou a campainha do intercomunicador da porta e pediu pra entrar dizendo que era um ladrão de banco.

Isso é tão bom.

Foi presente ao diretor da prisão, invocou o artigo seis da lei de segurança daquela região alemã, que prevê que se houver risco de reincidência, os anteriores detidos devem continuar presos. Disseram-lhe que iam estudar o caso e ele foi claro: "Se for preciso, volto mesmo a roubar um banco, porque eu não quero ser livre."

Que sentido. É aquela do: "Segurem-me, segurem-me, só não tomem ele".

Pronto. Acabou, ok?

Muito bem. E agora vamos pra onde?

Agora vamos pro quentinho. Vamos até Miami, na Flórida, só menos quatro horas. Dizem que está sempre sol, 365 dias por ano.

Tão bom.

Eu garanto que é mentira.

Eu já lá estive.

E apanhei durante uma semana chuva. A culpa foi de um furacão, mas não interessa, passamos à frente. E não se riam, mas uma daquelas obras de arte vanguardista, muito vanguardista, foi vendida por 120 mil euros na grande feira Art Basel de Miami Beach.

Espera lá, explica lá isso do vanguardismo. Não foi o extintor da sala que foi vendido por engano, não?

A Filomena disse muito vanguardista. Isto tem aqui qualquer coisa. O que é?

Neste caso, foi uma banana. Uma banana.

Um fruto de banana?

Um fruto de banana, que estava preso a uma parede com uma fita-cola, daquela larga, cinzenta.

Estás a brincar. Não.

Não, eu mandei-vos foto.

Já estamos a receber da Sofia, sim.

Mas vocês podem ver isso no Instagram.

É uma brincadeira.

Temos que pôr esta foto depois no site do Observador, as pessoas têm que ver isto.

Isso podem ver ao Instagram da Art Basel Miami Beach, podem lá ir ver.

E parece uma banana da Madeira. Tenho tanta arte lá em casa. Tenho tanta arte desta.

E fita-cola desta cinzenta.

Pois, isso é que não sei. Se calhar já não tem tanto valor a minha.

Vai comprar.

Pois conta lá.

Aliás, melhor dizendo, havia três obras destas com as bananas em posições diferentes.

Já há criatividade, ok.

E já foram vendidas duas.

Por 120 mil euros?

Sim, dólares. É um bocadinho mais, tem um bocadinho de diferença.

Menos, são cumpridos 110 mil euros para aí.

Pronto. A obra é de Maurizio Cattelan e foi apresentada na quarta-feira pela Perrotin, uma galeria de artes contemporânea fundada em Paris, que trabalha muito com este artista italiano. É a primeira vez que este Cattelan se faz representar nesta feira de arte, que existe há 15 anos e é muito conhecida. O Cattelan, para quem não possa saber, não é um artista qualquer. Ele tem várias esculturas divertidas e irreverentes da cultura popular. É dele, por exemplo, aquela sanita de ouro de 11 quilates que vale seis milhões de dólares, roubada há pouco tempo da casa do Churchill. Vocês já ouviram falar.

Não é Churchill, já.

Pronto.

Confesso.

E da retrete de ouro não te lembras? Há pouco tempo roubada, seis milhões de dólares.

Não, o Paulo é mais bananas.

Confesso.

Paulo é mais bananas.

É mais vanguardismo, eu.

É mais vanguardismo. Bananas e fita-cola, sim.

Mas há alguma razão pra isto. Eu aposto que há uma explicação para esta instalação. Antes de apodrecer. Era isso que eu ia dizer, tem que ser dada antes de apodrecer.

Eles dizem que tem. A obra chama-se Comediante. Sim, o fundador da galeria explicou que as bananas são um símbolo do comércio mundial por terem duas pontas. Não perguntes mais nada.

O que eles dizem pra explicar estas coisas, é impressionante.

Dizem que também as bananas são um clássico usado no humor. Isso são palavras dele, não são minhas. Depois disse ainda que o artista converte os objetos mundanos em obras de deleite e de crítica Quando ficarem podres, também há instruções. Ou melhor, não há. O artista disse que quando isso acontecer, não havia nada a fazer.

Isto é profundo. Isto é digno de se ver. Porque, de facto, há aqui muita interpretação. É porque é mesmo assim, vale a pena depois pôr no site. É uma banana colada numa parede branca com aquela fita-cola larga cinzenta. É só isto.

Eu acho que se fosse castanha também era. A minha é aquela larga que tem-

Devia variar. Devia haver aí uma interpretação sobre a cor.

Pronto, então é.

Que história. Que história, Filomena, só tu. E vamos para onde agora?

Vamos para o Alabama. Menos seis horas, continuamos nos Estados Unidos, porque eu acho que antes do fim de semana ainda é importante contar-vos este truque de uma mãe americana para a filha não pedir todos os brinquedos nas lojas, agora antes do Natal.

Conta. Conta já.

Há aqui vários candidatos a aplicar essa tática.

Eu confesso-vos que pela experiência que tive aqui há uns tempos, há uns aninhos já, duvido que funcione. Mas presumo que quem tem miúdos ainda pequenos passe pelo desespero nesta altura do ano, de os ver a pedir todos os brinquedos que vê nas lojas, nas prateleiras dos supermercados, nos folhetos que surgem na caixa do correio, nos anúncios da televisão. É um pesadelo sair de casa, estão sempre a parar e a pedir: "Mãe, compra, pai, dá, mãe, dá, olha ali." E a pegar nas caixas e nos bonecos, depois há birras, choros, discussões, eu não quero nada disso.

Como é que esta mãe resolveu esse problema de todos nós? Só querem a solução, agora.

Elas só querem a solução.

Eu tenho os tais anúncios das lojas cheios de cruzinhas lá em casa.

Eu sei, comigo também era assim, com recados. Só que era muito mais as cruzinhas do que aquilo que eu podia dar.

Claro, todo o catálogo era uma cruz.

É. Parece que com a filha desta senhora o truque funcionou. Ela passou a tirar uma foto da miúda com cada um dos brinquedos que ela pedia.

Uma espécie de Marcelo Rebelo de Sousa dos brinquedos.

Exatamente. Tirava selfies dela com os brinquedos. Depois dizia para ela enviar a foto e o pedido para o Pai Natal ou para os Reis Magos, que também dão brinquedos, ou para os avós, ou para os tios, ou para os amigos, para quem fosse que dão brinquedos. A criança ficava toda contente. Uma vez mandava as fotos e as cartas, outra limitava-se a ver as fotografias no telemóvel. E na maioria das vezes esquecia-se e nunca mais se lembrava de nada. Portanto, é experimentar.

E ficava ela a responsável, de facto. "Pois, não enviaste?".

"Esqueceste? Nunca mais te lembraste?"

Há problemas de rede, muitos problemas de rede. Ou a culpa é dos correios, também funciona assim.

Ou da rede, é das pontas que quiserem. Olha, experimentem, está bem? Eu vou experimentar, já não com brinquedos, mas com os gadgets. Vou tentar habituá-los que esqueçam.

Tu é mais catálogos da Fnac e da Worten e essas coisas.

É.

E a terminar esta música, Filomena.

Pronto, cada um tem o que pede.

Exato. "All I Want for Christmas Is You."

É um clássico.

Tão bom.

Vamos pôr os clássicos de Natal todos na tela.

Exatamente, já só faltam 18 dias para a noite de Natal.

Aos abrigos, todos aos abrigos.

Até já, Filomena.

Até já.

Até já. "All I Want for Christmas Is You", Mariah Carey a fechar este Jet Lag com a Filomena Martins. Segunda-feira mais histórias surpreendentes para conhecer. Contamos consigo.