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Para já entramos em jet lag. Está conosco a Filomena Martins. Olá, Filomena. Boa tarde, bem-vinda.

Olá, boa tarde.

Ora viva. Filomena, hoje queres começar por ir até aos Estados Unidos, até à Flórida.

Não se estará mal. Nós vamos estar com bom tempo, eles já devem estar com bom tempo, mas Flórida é sempre a Flórida. E vamos falar de uma coisa que não é ficção científica, é mesmo já uma consequência da pandemia e parece que se tornou num dos grandes investimentos dos milionários, quiçá diriei, preocupados com o fim do mundo, nunca se sabe. Trata-se do negócio da construção de bunkers, muito fechadinhos e prontos para o que der e vier, e que está a ter um auge nunca antes visto, desde o Bill Gates à Kim Kardashian, desde o Tom Cruise ao Donald Trump, todos eles têm ao final um destes bunkers e é um capricho das celebridades.

Mas são aqueles bunkers que costumamos ver nos filmes de guerra?

Estás a brincar?

Não. A Kim Kardashian, não estou a ver a Kim Kardashian num desses.

Não, nem um Bill Gates, presumo eu, nem um Donald Trump. São autênticas mansões de luxo debaixo de terra, com todas as comodidades e para todos os gostos. Há como tu quiseres, é só escolher. Há os mais tradicionais, os minimalistas, com cinema, com zona de jogos, alguns até com jardins subterrâneos.

Minimalistas com cinema, não é? Não quero imaginar os maximalistas.

Sim, minimalista é o estilo, João. Estilo minimalista, linhas retas, essas coisas.

Não têm mesas e comem no chão.

É mais ou menos isso. Já estão equipados com comida, água e essas coisas todas para passares lá semanas, meses ou anos, caso seja preciso. Portanto, podes ficar lá. O Bill Gates e a Kim Kardashian parece que foram dos últimos a comprar. O Bill Gates deve ter preparado para o divórcio, nunca se sabe o que é que pode acontecer no divórcio. O Donald Trump mandou construir um desses bunkers agora na propriedade que ele tem na Flórida, mas parece que também tinha um na Casa Branca, não sei onde é que fica, acho que o local desses bunkers são sempre escondidos e nunca se sabe. E o Tom Cruise, apesar de ser um crente na Cientologia, tem dois, um na mansão de Beverly Hills e outro no rancho do Colorado.

Assim pode escolher.

Pode escolher. Mas parece que há uma outra moda dos milionários, que quem tem dinheiro pode ter modas, que é comprar também um terreno na Nova Zelândia, lá onde não falta terra, ou numa ilha do Pacífico, daquelas que há à venda, e em vez desses bunkers nas profundezas, fazer uma espécie de grandes fortes ao ar livre, mas daqueles fortes seguros contra qualquer catástrofe natural ou qualquer guerra, também com tudo e mais alguma coisa, desde geradores extra, painéis solares, tanques com reservas de água e filtros contra contaminação nuclear, química e biológica, e depois também hortas com recursos para teres os seus próprios alimentos. Portanto, estás pronta para o que der e vier, venham aí guerras ou venha alguma catástrofe natural, e os grandes construtores dizem que as vendas subiram 700% desde 2015.

Ora bem, e há alguns que têm jardins subterrâneos. Estive aqui a ver umas fotografias.

Presumo que paraste nesta da piscina.

São umas belas férias à boleia de uma visão apocalíptica. Exatamente. Acaba o mundo, mas em bom, não é? Claro, com certeza. Ora bem, da Flórida passamos para o Reino Unido.

Sim, e para um susto de uma senhora inglesa de Bedfordshire, que viu chegar junto ao jardim da sua casa um grupo de polícias à procura de um cadáver. A ação policial tinha sido desencadeada depois de denúncias dos vizinhos, só que estes vizinhos ou vizinhas intriguistas apenas tinham visto, embrulhado em sacos do lixo pretos, daqueles sacos de plástico, com fita adesiva, um boneco do Halloween de uma festa que ela tinha dado o ano passado.

Não posso, há sempre estes vizinhos que fazem estas coisas, não é?

Eu não sei se tens alguns. Eu não digo nada.

Eu por acaso até me dou bem com os meus. Sim, não me posso queixar.

Eu também, mas nunca se sabe. Ela fez uma limpeza ao jardim e à arrecadação. Parece que mudou o boneco que estava embrulhado e que antes estava escondido no sítio, esqueceu-se de voltar a guardar. Alguém viu e achou que ela estava a esconder um corpo e chamou as autoridades. A polícia fala em três denúncias, portanto houve pelo menos três vizinhos que devem ter ligado e mandou lá 10 polícias a casa. Eles entraram mesmo pela casa dentro, ela não estava. Diz que quando chegou, viu um vizinho e ainda a brincar, perguntou-lhe o que ele tinha feito. Depois percebeu que não, que era na casa dela mesmo. E então teve que explicar tudo aos polícias. Isto com o filho de cinco anos agarrado às pernas a chorar e a pedir para não levarem o boneco, o corpo, porque ele gostava muito dele.

Com certeza.

Pronto. É terrível, mas se tu vires o boneco também percebes que pode ser realmente um cadáver.

E se calhar esta senhora tinha uma fama um bocadinho estranha, também nunca se sabe. Portanto, não vamos condenar logo à partida. Passamos do Reino Unido para a África do Sul.

E para outra história, aqui são mais duas horas, portanto no Reino Unido não temos fuso horário. E estas coisas acontecem. A história, neste caso, é diferente, mas é nos momentos mais inapropriados que pode acontecer essa história. Não faltam imaginação, como vocês sabem, nos pedidos de casamento. Já vimos tudo nas redes sociais, desde pedidos debaixo d'água. Já houve quem montasse um julgamento falso no tribunal para pedir a mão da noiva. Neste caso, foi a irmã da futura noiva que estragou tudo. Ela foi com o casal até à praia. Tenho convidados também para aqui entrar.

Estamos a ouvir.

Ela foi com o casal até à praia onde iria ser feita a surpresa e tinha como papel gravar o vídeo para imortalizar o momento. Só que acabou por ser ela a protagonista, porque caiu não uma, mas duas vezes enquanto era feito o pedido.

Ora bem, e isto deu direito àqueles vídeos que depois vão circulando.

Claro, virais. Não podia faltar. Eles entram os três na praia para dizer, que a irmã afasta-se para gravar, o noivo tira o anel do bolso, tudo bonito, para surpreender a noiva, e a videógrafa tropeça num tronco ou numa pedra e cai pela primeira vez, ficando estendida na areia. Ela senta-se e continua a gravar, muito profissional, enquanto os noivos se abraçam, mas volta a cair de bruços ao tentar levantar-se e só se veem imagens desfocadas em itareia.

Pronto, foi a emoção do momento, acontece aos melhores. Pronto, foi fim. Estragou de certa forma ali o pedido de casamento, mas pronto, não faz mal. Teve graça na mesma.

Fica original.

Exatamente. Filomena, vamos terminar com uma música. Qual é?

Paul Simon, "Kodachrome".

Muito bem, vamos a isso.

É sempre aqui.

Bela escolha. É desta forma que vamos terminar o Jet Lag de hoje. Voltamos a viajar pelo mundo do Insólito na segunda-feira, sempre a esta hora com a Filomena Martins. Filomena, bom fim de semana para ti.

Bom fim de semana, aproveitem o bom sol.

Obrigada. Beijo! "Kodachrome", é assim que se chama a música Paul Simon. É com esta canção que terminamos o Jet Lag de hoje. Na segunda-feira há mais. Rádio Observação.