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Olá, Filomena Martins.

Olá, bom dia.

Já vamos a mais de meio da semana, sexta-feira é feriado, pra onde nos levas nesta quarta-feira?

Olha, eu queria começar em Nova York, são pelo menos quatro horas, embora esta história se tenha passado no Vaticano, verdadeiramente. Porque um mafioso veio agora confessar em um livro que foi ele quem assassinou o Papa João Paulo I.

Espera lá, mas o Papa João Paulo I morreu de ataque cardíaco.

Oficialmente, sim, ele teve um infarto agudo do miocárdio apenas 33 dias depois de ter sido ordenado Papa. Mas segundo este mafioso, não, ele confirma as muitas teorias da conspiração que sempre correram e que deram origem a vários livros. Ele diz e garante que foi elaborado um plano para o matar, porque iria divulgar documentos comprometedores, aliás, uma teoria que sempre correu. O Papa morreu a 28 de setembro de 1978, tinha sido ordenado a 23 de agosto. Ele estava a beber um chá, sentiu-se sonolento depois de uns goles e adormeceu para nunca mais despertar. Agora, 41 anos depois, Antonio Raimondi, um dos mafiosos mais conhecidos do mundo, garante que foi ele quem esteve por detrás do assassinato. Isto vai fazer corrermos a tinta.

Vai, já fez correr sangue e agora vai fazer correr tinta. Depois sobra a questão da credibilidade do denunciante. Mas quem é esse mafioso denunciante que diz que agora matou o Papa?

Raimondi foi um dos gângsteres mais ativos do último quarto do século XX. Ele pertencia ou pertence, vamos ver isto, à máfia de Colombo, que durante anos controlou as ruas de Nova York. Era sobrinho ou é sobrinho do mítico Lucky Luciano, o pai do crime organizado nos Estados Unidos, e agora numa entrevista do New York Post, confessa que a sua missão mais secreta foi esta. Ele conta tudo no livro "When the Bullet Hits the Bone", traduzido mais ou menos literalmente, "Quando a Bala Traspassa o Osso", uma espécie de autobiografia dos seus piores crimes. E ele neste livro explica que o Papa primeiro foi drogado com Valium e depois foi morto com uma mistura de cianeto. Explica tudo lá, está tudo explicadinho.

Explica. Então quem é que lhe forneceu o cianeto? Como é que foi?

Diz tudo. Raimondi diz que recebeu a chamada do arcebispo Paul Marcinkus, que era seu primo. Contou-lhe que o Papa ia divulgar documentos sobre uma fraude no Vaticano de mil milhões de euros e era preciso silenciar o escândalo. Marcinkus, que morreu em 2006 e, portanto, já não pode contrariar esta história, e outros altos cargos estavam envolvidos e seriam expulsos da Igreja e acabariam na prisão, como é óbvio. Foi ele que deu ao Papa o chá com Valium e que depois introduziu no Vaticano o Raimondi, que preparou a solução com o cianeto. Quando o Papa já estava a dormir com o Valium, foi só dar-lhe o veneno e depois abandonar a cena do crime. Quando o cardeal se apercebeu de que algo se passava, o cardeal que estava ao lado do Papa, portanto, que era o seu secretário, já era tarde demais. O Papa já estava morto. Raimondi diz também que havia um plano para a seguir matar João Paulo II, se acontecesse o mesmo, mas que este estava consciente de que a sua vida corria perigo e que nunca revelou esses documentos. Raimondi acaba dizendo que foi assim que comprou o bilhete para ir para o inferno.

Quantas horas mais são no inferno? Filomena, qual é o jet lag?

Eu não conheço, mas vou dizer que esse livro vai fazer correr muita tinta, porque esta é uma tese que já deu origem a vários livros. Houve sempre muitas dúvidas sobre a morte de João Paulo I e esta ideia de que havia documentos e que havia realmente uma grande confusão em relação às finanças do Vaticano, sempre esteve sobre a mesa e a morte nunca foi assim tão literalmente explicada. Falou-se em embolia pulmonar, falou-se em ataque cardíaco, nunca foi confirmado, de facto, o que aconteceu. Sei que causou imensa consternação na altura, portanto, vamos ver se a partir daqui isto meteu a máfia e meteu cardeais no Vaticano.

Filomena, e dos Estados Unidos, de Nova York, vamos pra onde?

Agora vamos subir no Nepal. Portanto, são mais cinco horas e 45 minutos. Este pormenor das 45 minutos é importante.

Exatamente.

E vamos falar do polêmico recordista nepalês que conseguiu subir as 14 montanhas do mundo com mais de 8 mil metros em apenas seis meses. Isto não é uma coisa assim de somenos. O senhor chama-se Nirmal Purja, tem 36 anos e conseguiu em meio ano o que a maioria dos escaladores só consegue em décadas.

Olha, mas para subir a cada uma dessas montanhas, não são necessários meses, anos até, diria eu, de preparação. Bom, pra mim seriam séculos, seguramente.

Toda uma vida.

Exatamente, é daí a polêmica. Aliás, apenas uma dúzia de alpinistas já subiu essas 14 montanhas. E o anterior recorde, para que conste, era de um sul-coreano, que tinha demorado sete anos, 10 meses e seis dias para ter se tornado capaz.

Então qual é que foi o segredo? Há um segredo pra isto.

Há, ele burrou fosse das regras éticas dos alpinistas, fez por aí evasivas e ligações à natureza. Os seus colegas dizem que ele usou vários helicópteros para se mudar entre os campos base. Nada de subir, claro, helicóptero é muito mais rápido. Utilizou oxigênio, que não é permitido, em rotas mais fáceis, nada de subir e escalar muros de grande dificuldade. Teve imensas ajudas, eram os sherpas que lhes fixavam as cordas e até lhe iam dar comida à boca. Os românticos das montanhas não acham graça nenhuma a isso, nem veem nenhum fair play da parte dele. Ainda por cima, este nepalês foi aquele que tirou aquela foto viral das filas de turistas a subir o Everest, que fez o Nepal criar regras e limites muito apertados e aumentar os preços das escaladas Custam agora $11 mil para subir o Everest. Portanto, isto está uma bela confusão armada sobre isto.

Claro. Então é caso para dizer: assim também, quase que nós subíamos.

Quase.

Assim também quase eu.

Como se levassem ao colo, só seguia.

E comidinha à boca, como eu.

É a versão preguiçosa, basicamente. Alpinista preguiçoso.

Exatamente, alpinista preguiçoso. Siga aqui.

E vamos para o último destino desta quarta-feira.

Vamos. Acabamos em Sydney, na Austrália, são mais nove horas, onde uma conhecida jornalista de viagens foi apanhada a fingir uma falsa gravidez para não pagar excesso de bagagem. A barriga dela era o portátil e o carregador enrolados em roupa.

Olha, bem visto. Isto também dá para as caixas de supermercado. Sérgio e Carla Jorge Carvalho.

A criatividade há muito, agora com as low cost e essa coisa para poder levar uma malinha, há quem leve três casacos distintos e assim várias camisolinhas.

Isso é verdade, isso eu já vi. Já vi disso.

Mas isto é outro nível. Se têm de ver as imagens, esta rapariga é magrinha e levava um body de padrão leopardo, assim aberto nas costas. O Instagram dela é @the.dicandrius.

Por que te diriges a mim com essas indicações?

Enquanto tu procuras, Paulo.

Ok, vamos lá então.

Deixa-me perguntar-te, mas ela foi um pouco ingênua ao fazer isso, não é?

Estás muito interessada na história, Judite.

Ainda por mais, sendo ela jornalista de viagens.

É verdade. Ela diz que foi a ideia mais preguiçosa que teve, assim tipo o nepalês, mas parece que não é assim tão ingênua quanto isso, porque já tinha usado o mesmo método sem ser apanhada. Ou seja, já terá estado várias vezes grávida, esta rapariga. E o método de usar várias camadas de roupa também já não lhe é estranho, digamos assim.

Estávamos aqui a ver as imagens. Mas as imagens não enganam ninguém, diria eu. Ela disfarça muito mal. Eu também acho. Está muito mal disfarçado isso.

Mas ela denunciou-se no Instagram?

Sim, digamos que não ficou muito envergonhada. A verdade é que aquilo era um voo interno e pelos vistos a segurança não é muito apertada. Ela já tinha passado o controle, quando achou que estava segura, e então fez deslizar o computador pelas costas do body, que eram abertas, para depois tirar o computador a dar. Um segurança a parou, pediu para parar e pagar os $70 de excesso de bagagem, por bagagem acima do peso. Ela disse que não estava envergonhada, apenas se sentiu idiota para não ter uma desculpa para aquilo.

De todo, não está mesmo empenhada, porque ela colocou essa foto no Instagram e ela própria diz: "Fingindo uma gravidez para poupar $60." E com a foto.

Mas olhem que o body é a roupa indicada para esconder isso.

Exato. É claramente roupa de grávida. Eu acho é que não há respeito pelas grávidas, é isso que eu tenho a dizer.

Judite, nada de ideias.

É aberto nas costas e tudo, que ela consegue disfarçar tudo. Só falta ser o fio de ligar o computador. Eu acho que é perfeitamente, daí a escolha da questão. Eu escolhi uma questão do Elvis Costello que se chama "Out of the Damn".

"Out of the Damn", muito bom, muito apropriada.

Mas a senhora não está embromada, que é o que me parece. Mas eu gosto da roupa, acho que o outfit é perfeito para esconder.

Para esconder um laptop. Jet Lag com Filomena Martins. Amanhã há mais, sempre antes do jornal das 20:00, que chega daqui a pouco à Rádio Observador. Até já, Filomena.

Até já.

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