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Tempo de jet lag com Filomena Martins. Filomena, muito bom dia. Vamos nesta terça-feira.

Bom dia. Queres partir já?

Eu por mim ia já, Filomena. Acho que para todos esta máxima serve. As malas estão feitas, vamos lá.

Vamos embora. Eu hoje estou a vos a esperar. Podemos começar em Bangkok, que são mais seis horas, ou ficar aqui nos Alpes, que é só mais uma hora, mas são os Alpes. Tanto faz.

Bangkok, vamos para longe.

Eu voto em Bangkok também.

Sim, eu também.

É aos vires.

Só falta o Vicente, que está aqui a ver se- Eu voto em ir para qualquer sitio, pode ser só para Coimbra. Portanto, é unânime.

Na verdade, era em Bangkok que devia estar o rei da Tailândia no meio da pandemia. Até porque há vários casos já na Tailândia, mas ele não está lá. Aliás, onde costuma passar grande parte do seu tempo, que é em Munique, quando as leis do confinamento apertaram, foi para Hamburgo, onde as coisas estavam mais calmas, e agora partiu para os Alpes. Porque apesar de todos os voos entre a Tailândia e Europa estarem proibidos, ele mesmo assim tem um avião pronto para partir em Munique e outro em Zurique, caso as coisas se compliquem. Portanto, é incerto ainda se ele vai poder ir para Bangkok.

Olha, mas está numa daquelas estâncias de esqui, que basicamente, uma das estâncias que levou o vírus para a maior Europa.

Está perto, mas o rei, agora vou tentar dizer isto, Maha Vajiralongkorn, é mais conhecido como Rama décimo. É bem melhor dizer assim. Rama décimo. Mandou encerrar um hotel só para si. Não está numa estância, está num hotel só para si. Quer dizer, primeiro não é um hotel qualquer. É o luxuoso Grande Hotel Sonnenbichl, com dois restaurantes, campo de golfe, piscina coberta, spa, bar, lounges, cafeteria e 99 quartos.

Olha, que não lhe falte nada.

E depois ele também não está sozinho. Tem 20 concubinas, mais os seguranças e 12 empregadas.

Pronto, mas para os 99 quartos ainda deve sobrar algum espaço.

Não quer vai dentro, não é?

Não, deixa lá. Posto assim, se calhar vou para Coimbra com o Vicente.

Sobra mesmo assim espaço porque ele mandou para casa o resto da corte que estava com ele na Alemanha. 119 empregados foram recambiados para a Tailândia, porque suspeita-se que alguns estavam infectados com coronavírus. Mas não te preocupes com o rei, aquele hotel foi todo reservado para ele. Ele é um habitual da região, conhecem-no bem. Ele em 2017 passou quase o ano inteiro naquela zona, na Baviera, com a então sua amante. Ele mudou as leis da Tailândia por ela para a tornar concubina oficial. Entretanto, mandou-o prender depois do romance, mas isso é uma outra história.

Dá um livro, certamente.

Nada de anormal para quem tem uma fortuna calculada em 56 mil milhões de euros. Portanto, reservar um hotel de luxo só para ele não custa nada. Agora, os tailandeses é que não estão a achar graça nenhuma e já criaram a hashtag: para que precisamos de um rei?

Boa pergunta.

Mas é que eles se arriscam muito, Paulo. Não estão assim muito confiantes do que estão a fazer, porque ir contra a lei lesa-majestade, criticar o monarca, vale na Tailândia até 15 anos de prisão.

Mas ao menos estão mascarados atrás desses hashtags, as possibilidades de luta atual da internet. Não é, Filomena? Vamos até à Índia, agora.

Vamos. São mais nove horas, onde a grande questão é como manter em isolamento tantos milhões de pessoas. Só que houve aqui um polícia que arranjou uma forma criativa de alertar as pessoas e passar a mensagem. Ele usa um capacete especial, em forma de coronavírus. E é assim que manda parar as pessoas e os carros e os manda para casa.

Mas com assim um capacete, a ideia é assustar as pessoas?

É, e é um capacete que eu gostava de vos ter mandado a imagem, esqueci-me. Tem uns espigões vermelhos, tapa a cara toda, e espigões vermelhos e depois tem lâmpadas nas pontas.

Olha, isso deve assustar.

Todo quitado.

Espera que eu ainda não acabei a história. O capacete é igual à imagem microscópica do coronavírus que nós estamos habituados agora a ver por todo o lado. Foi um artista local que criou o capacete quando percebeu que as pessoas não tinham ainda percebido que era preciso mesmo cumprir as medidas restritivas impostas pelo governo. Ele achou que se vissem assim um vírus ir na sua direção, ficavam assustadas. Improvisou porque as lojas estão fechadas e fez aquilo com papel alumínio e jornais, e depois entregou ao inspetor Babu, é como este polícia se chama. Ele anda nos cruzamentos e rotundas a mandar parar toda a gente e a avisar os perigos de andarem na rua. Como? Vai direito a eles de capacete e grita: "Se vocês saírem, eu entro."

É um bom slogan para o vírus.

Vocês têm de ver a imagem, porque a imagem é genial.

Eu já estou aqui de lado à procura no meu computador. E enquanto isso, Filomena, vamos para a Inglaterra, no Reino Unido.

Vamos, é mais só uma hora, onde mais um famoso decidiu dar uma ajuda nestes tempos de isolamento e, neste caso, é nada mais, nada menos que o icônico guitarrista dos Queen, o Brian May. Ele está a dar aulas online através da sua página de Instagram, mostrando com que cabos, pedais, dispositivos e claro, com a guitarra, consegue pôr qualquer um a fazer os seus solos.

Qualquer um? Pois, qualquer um.

Eu acho que ele é otimista. Mas vamos todos aprender.

Pelo menos é simpático.

Exato. É preciso ter jeito, já agora.

Eu diria que para mim é preciso muito mais que isso. Não imaginas o que é preciso além disso, mas pelo menos podes dizer que aprendeste com um dos melhores. Aprendi a tocar guitarra com o Brian May, só assim sempre.

Sempre.

Eu gostava de aprender a cantar com o Freddie Mercury, já agora, se for possível.

Isso é um dos mais difíceis, Vicente.

Mas com o Brian May podes tentar.

Podes tentar.

Ele até já pôs vários vídeos, já ensinou a tocar trechos de algumas músicas suas e obviamente os principais clássicos dos Queen, como o Bohemian Rhapsody ou o Killer Queen, e muito apropriado ao momento, o Keep Yourself Alive, uma mensagem para estes tempos de coronavírus, que começa exatamente com um grande solo dele.

Eu já me estou a ver daqui a dois dias a tocar isto.

Vais começar a tocar.

Senão são mais três aulas, Paulo.

Paulo, ele ensina só a fazer este solo. Ele começa a ensinar a fazer este solo inicial. Portanto, vais ficar-

Vicente, queres pôr outra vez do início? Consegues aí?

Eu acho que consigo.

Vamos lá. Se ficámos sem emissão, foi o meu zé-dia aqui. Vamos lá ouvir.

Ele ensina a tocar este bocadinho.

Acabam de dizer da produção que o solo foi cortado. Portanto, não tivemos a oportunidade de o ouvir. No entanto, nada como ir ao YouTube. A Mariana está ali de esperou.

A nossa produtora Mariana está desesperada.

Sempre tou.

Fiquem com Keep Yourself Alive e keep yourself alive, Óscares. Está bem?

É a mensagem que se impõe. Keep yourself alive, fique em casa. No fim do Jet lag de hoje, sempre com a Filomena Martins. Amanhã continuamos a viajar de forma segura pelo mundo para conhecermos mais das melhores histórias de outros fusos horários.

Até amanhã.