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Bem-vindo ao 78º K4. É o 15º desta terceira temporada da montra da cultura moderna e contemporânea da Rádio Observador. Eu sou o João Paulo Sacadura e, como sempre, arranco o K4 na companhia de alguém ligado ao mundo da arte. Hoje, tenho comigo Miguel D, um artista multidisciplinar de Braga. No fim, sugiro-lhe três posições: há bacon para provar em Gaia, florestas negras nas janelas verdes e artes da pesca em Ovar. Mesmo a fechar, conto a história da Catalan, que vai passar a receber € 6,5 milhões por ano por emprestar uns quadros ao seu país. Muito bem, o convidado de hoje veio de Braga para estar aqui no Observador. Ele é o Miguel D. Ele vive e trabalha em Braga, na interseção do cinema, da fotografia, da música e das artes mediáticas, numa busca incessante de criação. Olá, Miguel, e muito obrigado por teres vindo ao Observador, por aceitares este meu convite para estar aqui no Observador, diretamente de Lisboa. Finalmente, passaste por aqui. Bem-vindo ao Observador.

Obrigado.

É um prazer estar aqui contigo, Miguel. Miguel D é o teu nome artístico, não é Miguel de. Por que este D? Aposto que toda a gente faz esta pergunta e que toda a gente se engana quando te entrevista.

O D faz parte do meu nome completo. O último nome é o nome comum que se usa para assinar as coisas e quis ser um bocadinho diferente, quis pegar numa parte do meu nome que não é muito usada e ficou Miguel D.

Miguel D, muito bem. Tu foste para Braga, tinhas 23 anos, à volta disso?

Foi em 2015, portanto tinha 23, sim.

Antes tinhas vivido em Londres e a movida em Londres e vida cultural não é propriamente ainda a de Braga, embora Braga esteja a melhorar muito, conforme tu próprio dizes. Sentiste falta daquela movida, daquele movimento, daquelas exposições, de tudo o que acontecia em Londres, ou não?

Eu acho que não aproveitei como podia ter aproveitado Londres nos seis meses que lá estive. De qualquer forma, sim, a diferença culturalmente e da movida noturna é muito diferente de Londres para Braga ou de Londres mesmo para Lisboa, acho que para qualquer cidade em Portugal. Mas Braga tem coisas que Londres não tem. A calma ou uma qualidade de vida, até financeira, que em Londres não nos é muito permitido.

Braga neste momento está a viver um momento grande, está a candidatar-se a capital europeia em 2027. Vi um vídeo teu em que tu destacavas três espaços de Braga. A minha querida Zét Gallery teve cá a Helena Mendes Pereira há umas semanas, como sabes. Aquela ecovia do Rio Este, que tu ias a pé quando trabalhavas na rádio e percorreste, também tem uns espaços muito bonitos. E a Capela da Imaculada no Seminário Menor, inaugurada em 2015, dos arquitetos Sergeira Fontes deste ateliê. Um espaço incrível e aberto a grandes eventos como os festivais Mini Breve, por exemplo, o Generation. Um espaço incrível, em madeira, fabuloso, que faz parte da tua cidade e que tu recomendas às pessoas. Fica também aqui a dica. Tu licenciaste-te em Cinema e Audiovisual. Estás a fazer mestrado em fotografia?

Sim.

Em fotografia na Escola das Artes da Católica, do Porto. E chegaste a receber um prémio das Correntes de Escritas há 10 aninhos. És um artista que atravessa várias áreas. É engraçado. A tua paixão é o cinema, mas trabalhas muito com fotografia. Aliás, eu conheci-te por causa das fotografias. E fotografia não é qualquer uma, é analógica. Música eletrónica, que também fazes, e design gráfico. Eu ia começar, se calhar, pelo cinema. Estou-me a lembrar daquele filme "The Kiss" que tu fizeste e que passou na Reitoria da Universidade do Porto e depois, se não me engano, aqui em Lisboa.

Sim, esteve em Lisboa no evento do Prometeu no ano passado, também depois repetiu no Porto.

Tu fazes curtas-metragens e também filmes experimentais, como é este caso.

O "The Kiss" é um filme experimental, já vem nesta nova investigação artística que eu tenho andado a fazer sobre a sexualidade, sobre o corpo, sobre a obscenidade. Já vem um bocadinho também na ideia do mestrado em fotografia. Eu licenciei-me em cinema, comecei a fazer coisas mais relacionadas com cinema e vídeo, mas entretanto, de certa forma, redescobri a fotografia e hoje sinto-me mais fotógrafo que outra coisa.

Muito bem. Também chegaste a fazer rádio. Este meio não é novidade para ti. Na música, tu lançaste álbuns como Thunderfault. Isto é o nome desse projeto?

Sim.

Thunderfault. Tu crias música ao vivo para eventos e para shows. E estou-me a lembrar também que vi na Net, em setembro passado, fizeste esta Sinfonia do Futuro, uma criação sonora, uma performance visual imaginada por ti, que foi um dos projetos apoiados pelo Actum, convocatória aberta de projetos artísticos 2020. Também é uma área que te fascina e que tu gostas muito. Tocas os instrumentos quase todos.

Sim, eu gosto muito de música, gosto de fazer música. É tudo no computador, portanto, não toco nenhum instrumento em específico, é tudo música eletrónica. Comecei por curiosidade, por gosto, e depois a coisa evoluiu um bocadinho mais séria. Agora dedico-me mais a fazer música para espetáculos. Trabalho muito com o Daniel Seabra, na vertente do circo contemporâneo, e as criações dele são musicadas por mim, por vezes ao vivo, outras vezes é música gravada. Paralelamente a isso, também faço música a nível pessoal. Tenho um álbum que está a ser preparado já há uns anos a esta parte. Será realizado.

Algures este ano?

Este ano não, mas sei lá, quando eu achar que aquilo estiver pronto.

Ainda com este Thunderfault?

Não, agora é nome próprio, Miguel De. Sim, eu quero montar um espetáculo audiovisual com base naquilo.

Estás a ficar uma marca.

A ideia é juntar tudo o que eu faço no mesmo nome.

Sim, é curioso. Quanto à fotografia, claro, começaste a trabalhar fotografia digital quando eras mais novo, mas redescobriste entretanto a fotografia analógica. É engraçado. Na faculdade podias optar entre digital e analógica. Nas tuas viagens, por exemplo, tu nunca fotografavas, aproveitavas o momento. Não tens grandes álbuns de viagens, mas acabaste de chegar da maravilhosa Jordânia, de Petra e Wadi Rum, que é um encanto, e vi lá umas fotografias tuas fantásticas. É uma viagem que marca qualquer pessoa.

Sim, eu gostei muito da viagem, o país é incrível e nesta altura de pandemia não há turismo nenhum. Tem o lado bom de poder aproveitar um espaço tão turístico como é Petra, completamente vazio. Para eles, claro que isso não é nada bom. Vivem muito do turismo e estão a atravessar uma fase muito difícil. Mas eu agora nestas viagens já fotografo com outro tipo de olhar. Tento que não seja uma coisa muito de turismo, mas tentar pensar um bocadinho sobre os locais que visito e quem sabe isso possa evoluir para um projeto ou qualquer coisa.

Depois chegamos aos nus. Tu falaste há bocado da parte do corpo, que é uma coisa que te fascina muito e com a qual trabalhas muito. Em 2016, há cinco anos, apareceu no teu trabalho da fotografia analógica, a "Body of Lands", se não me engano, vem dessa altura, este projeto de fotografia que justapunha o corpo nu, masculino, com as paisagens do mundo e fazias dípticos muito curiosos. Estiveste, por exemplo, na Z Gallery, se não estou enganado, a tua primeira exposição nessa altura, há cinco anos. É muito engraçado, porque esta associação entre um corpo, e o corpo às vezes era bocados, estilo o pé de Adolfo e a estrada, ou o Bruno de costas, ou o José numa luz frágil, ou não sei quantos em êxtase. É muito curioso, porque tens sempre uma paisagem ao lado onde há uns elementos de semelhança e vais procurar isto. Mas foste fazer isto de propósito deste projeto ou foste buscar arquivo que tinhas de imagens?

Não, eu comecei a fotografar nus porque tinha curiosidade de o fazer e de perceber o processo, como é que a coisa acontecia e o projeto em si surgiu depois e foi continuado já como projeto. Teve exposição pública duas ou três vezes, mas depois terminei-o. O que aconteceu foi que este livro que eu estou a lançar agora, o "Conhecer um Corpo", foi um revisitar do arquivo e dessas fotografias e outras que eu fiz entre 2017 e 2019, e procurar aqui qualquer coisa que estivesse subjacente a estas fotografias todas. Ou seja, o que eu tentei procurar foi: por que eu fotografo? Por que eu fotografei isto? Por que isto me interessava? E criei o livro com esse intuito de tentar responder essa pergunta a partir das imagens que fiz. Claro que a pergunta é respondida de uma forma abstrata. Cada pessoa que vê as fotografias vai ter a sua interpretação e isso também é o que eu acho interessante na fotografia. Eu sinto que o "Body of Land" foi uma espécie de treino para uma coisa mais a sério, que é este "Conhecer um Corpo".

Este teu último trabalho, já deste ano.

Este trabalho.

Foi editado agora, saiu há bem ao mês, se calhar.

Está no processo de sair. Ele não tem uma data de lançamento, porque foi fruto de um crowdfunding. O livro foi financiado pelas pessoas que o queriam comprar.

Mas entretanto, está no processo de lançamento, mas que já seguiram para a Hungria, para a República Checa, para os Estados Unidos, para Inglaterra, para a Espanha, para a Suécia, para a Islândia, para a Bélgica, para a Alemanha. Tiveste encomendas de todo o mundo.

Sim, o "Body of Land" o que me permitiu foi criar uma base de seguidores no Instagram, que me permitiu, quando cheguei a este ponto, de ter pessoas realmente interessadas no meu trabalho, ao ponto de quererem investir o seu dinheiro em ter um pedaço do meu trabalho físico. Isso é muito gratificante.

E dá mais jeito do que ter, como tu tens às vezes, os teus dípticos grandes. Aí a pessoa tem um livro, o livro é sempre uma coisa mais acessível, que também dá acontecimento. Qualquer pessoa que queira adquirir este livro, como é que ainda pode fazer, Miguel?

Eles podem comprar diretamente a mim, a partir do meu site, miguelde.com.

miguelde.com. Este "de" é D-E, para as pessoas saberem.

De momento, está também disponível em Lisboa, na ZET, em Alvalade, na Photobook Corner e também na XYZ Books. São três livrarias de fotografia que existem em Lisboa. Vai estar presente na Feira Gráfica de Lisboa a partir da ZET. Eventualmente, há de estar em mais livrarias especializadas, porque é esse o meu intuito, de deixar o livro presente em locais onde as pessoas que realmente estão interessadas possam ir lá.

Tiveste de escolher entre mais de 2000 fotografias que tinhas no teu arquivo.

Sim.

E aqui estão umas 50, se não me engano.

São 47 fotografias.

Entre 2017 e 2019, nestes anos fizeste este apanhado, tiraste estas imagens.

Sim.

Tu chegaste a fazer castings para pessoas, ou isso era já para projetos futuros?

Pedir voluntários para um novo projeto. É uma coisa nova que está a ser feita, é o meu projeto de tese final de mestrado, mas é outra coisa. Estas aqui foram coisas que foram acontecendo ao longo do tempo, pessoas que eu fui conhecendo e que propus fotografar.

Claro, muito bem. Toda a gente se pode tornar um bom fotógrafo, Miguel? Se tiver uma boa máquina, por exemplo.

Não, a máquina é absolutamente irrelevante. O que se costuma dizer, e eu acho que é verdade, embora perceba a frustração com isso, é que a melhor câmera é aquela que tu tens. Se só tens um telemóvel, é a melhor. A nível de equipamento.

Físico, sim. Hardware.

Se só tens um telemóvel, é a melhor câmera, porque é aquela que tu tens. E não podes deixar que o equipamento te impeça de fotografar, porque isso acaba por ser só um pretexto. Não é a máquina que faz as fotografias, és tu. A máquina é só um equipamento. E aí é que está a dificuldade. Não é a parte técnica, é o que tu tens para dizer com as fotografias que fazes, é o teu olhar. Isso é que é a dificuldade. O que o teu olhar traz de novo para o mundo.

Como é que tu escolhes? Um fotógrafo pode testar imensa coisa: a luz, a posição, a pose, o grão. Há imensa coisa que tu podes mexer. Como é que tu escolhes se quer uma coisa a preto e branco ou se fica bem a cores? Como é que tens essa noção? É uma intuição pura? Porque este livro também tem isso, temos coisas a preto e branco, temos coisas a cores.

Sim, as fotografias deste livro são todas analógicas, é tudo em filme.

Vi uns filmes teus, tinhas uma daquelas câmaras mais antigas.

Sim, eu usei essa câmara, que é uma twin lens reflex, tem duas objetivas, uma para ver e uma para fotografar. Usei essa agora para fazer as fotografias na Jordânia, mas não foi essa máquina que eu usei para fotografar as fotografias do "Conhecer um Corpo". Bem, uma ou duas foi, mas a maioria foi uma 35 mm.

Normal, reflex?

Uma normal.

De rolo?

De rolo, sim. Eu gosto mais de fotografar a cores, não tenho muito o hábito de fotografar a preto e branco. Às vezes apetecia-me testar um rolo a preto e branco e acabava por fotografar a preto e branco. Ou seja, eu não escolhia um rolo que ia usar em cada sessão, porque as sessões às vezes aconteciam sem planeamento. Portanto, era o rolo que eu tinha, que estava na câmera, era o rolo que eu usava.

Exatamente. Nós estamos a terminar, Miguel. Como é que é a questão, num estúdio, as pessoas que estão contigo e que estás a fotografá-las, estão como? Estão vulneráveis, estão desprotegidas? Pedes para posar? Queres que elas façam o que lhes apetecer? Como é que isso funciona? Como é que tu és em estúdio?

Eu em estúdio, só estou a ter essa experiência agora com este novo projeto que eu estou a fazer para o mestrado, porque isso aí não foi em estúdio, foi em casa das pessoas, em minha casa, onde fosse. Este aqui está a ser muito interessante, porque é uma coisa nova para mim também. Eu tento adaptar-me às pessoas, tento ler as pessoas, o que eu consigo extrair delas e o que eu sinto que as pessoas estão confortáveis a fazer. Porque, como fotógrafo, há aqui uma relação de poder, digamos assim, entre o fotógrafo e o modelo, porque quem se está a expor é o modelo e eu não me estou a expor. Eu estou a fotografar e, portanto, acho que deve existir um cuidado redobrado da minha parte de respeitar os limites da pessoa, mesmo sem a pessoa dizer quais são esses limites.

Muito bem. Miguel, e ficamos com esta ideia, que é curiosa, e fica também esta dica para este livro, "Conhecer um Corpo". Infelizmente, nós não temos tempo para mais, mas quero agradecer muito a tua disponibilidade, tu vieste a Braga para estar conosco, praticamente. Fica aqui o convite, a si que nos ouve, para adquirir este livro de fotografia, "Conhecer um Corpo". Pode sempre encomendar no site do Miguel. Aproveite para espreitar também as suas outras obras de fotografia, de música, de cinema. Muito obrigado, Miguel. Muitas boas fotos.

Obrigado eu pelo convite.

E até breve. Aqui no "K4" deixo-lhe agora três sugestões. Há Bacon para provar em Gaia, florestas negras nas Janelas Verdes, artes da pesca em Ovar. Há um novo quarteirão cultural em Gaia. É o WOW, World of Wine, que alberga seis museus. A galeria de arte inaugurou em abril com a obra gráfica de Francis Bacon. Revela-se a sua expressividade pictórica, com que o britânico redefiniu a arte figurativa do século XX, mas também as tragédias pessoais dos seus últimos 40 anos de vida. Bacon retratava os amigos como Lucian Freud, mas preferia sempre pintar a partir de fotografias. A ausência do modelo permitia-lhe moldar e deformar à vontade. Obscado pelo horror da existência e vulnerabilidade do ser humano, transformava compulsões inconscientes em formas figurativas e grotescas. Até 26 de setembro, no WOW, em Gaia, dias úteis do meio-dia às 19 h, fim de semana das 10 h às 19 h. O bilhete inclui um copo de vinho do Porto. E até 1 de setembro, está patente na Heritage, em Lisboa, "Floresta Negra", uma exposição de João Alexandrino, nascida durante o segundo confinamento. Surgiu, diz eu, como uma forma de resolver uma ansiedade crescente. O ataque às telas tornou-se primitivo. Os pincéis já não importavam. O gesto começou a sair direito de um tubo de tinta grosso e melado para um suporte castanho e áspero, que simbolizava a terra ou a casca de uma árvore. Foi uma experiência semelhante a uma oração visual de repetição. As florestas negras funcionaram como mandalas. Está a sair na Heritage, Rua das Janelas Verdes, número 128, quarta, quinta e sexta das 15 h às 19 h, sábados das 15 h às 18 h, domingos das 14 h às 17 h. E até 15 de setembro, no Posto de Turismo do Furadouro, em Ovar, pode ver Arte Xávega, uma exposição de fotografia de Hugo Pais Ribeiro. Na calada da noite, sob o despontador Sou o Desportador. São 4h40 da madrugada, está na hora de 15 audazes se prepararem para um dos últimos dias da condenada arte de pesca artesanal conhecida por arte xávega. Partem da praia do Torrão do Lameiro, em Ovar, na esperança de que o mar faça valer a pena toda esta azáfama e lhes recompense com um bom lanço de pesca. No regresso, cada um sabe o papel importante que desempenha e onde se colocar para melhor ajudar o próximo. É como se de uma peça de teatro se tratasse, uma peça em cartaz há 19 anos ininterruptos. Até quando? Entrada gratuita no posto de turismo do Furador, todos os dias, das 9h30 às 18h. E o Ministério da Cultura espanhol finalizou oficialmente um acordo para pagar o empréstimo da coleção da baronesa Carmen Thyssen-Bornemisza por mais 15 anos. Uma taxa anual de 6,5 milhões de euros. Um acordo que demorou 15 anos a oficializar, devido a atrasos burocráticos. A coleção da baronesa está avaliada em 1,04 mil milhões de euros. Inclui 180 pinturas e esculturas de mestres como Van Gogh, Velázquez, Rodin, Monet, Renoir, Degas, Matisse, Picasso e Gauguin. A baronesa, que há 60 anos foi Miss Espanha, começou a colecionar arte depois de se casar em 1985 com o barão Heinrich Thyssen-Bornemisza de Kászon, um colecionador prolífico. Em 92, por iniciativa da baronesa, a coleção foi transferida da propriedade da família em Lugano, na Suíça, para criar o Museu Thyssen-Bornemisza, em Madrid. O governo espanhol comprou a coleção do barão por 295 milhões de euros. A partir de 99, a baronesa emprestou gratuitamente ao museu o seu próprio acervo, até agora. Invocando questões de liquidez desde a morte do marido, em 2002, a baronesa vendeu há nove anos uma das joias da sua coleção, "A Comporta", do britânico John Constable, para resistir à crise financeira. O quadro rendeu 21 milhões de euros no leilão da Christie's. "Depois de emprestar a minha coleção a este museu por 13 anos sem receber 1 cêntimo, tive de fazer algo", disse a baronesa ao "El País". "Manter a coleção aqui é caro e não recebo nada em troca." Ela atrasou a renovação anual do empréstimo enquanto decidia se iria ou não transferir temporariamente a coleção para Barcelona, para os Estados Unidos ou para a Rússia. Acabou por decidir manter a coleção em Madrid, mas em 2017 adiou novamente a assinatura do acordo. O governo espanhol entrou em negociações com ela, resultando neste acordo para pagar o empréstimo anual da coleção, com o compromisso de trabalhar com a baronesa e a sua fundação para abrir um museu em Sant Feliu de Guíxols, na Costa Bravia. E é tudo por hoje. O 78º "K4" fica por aqui. Bom fim de semana, boas exposições. Eu sou o João Paulo Sacador e conto consigo no próximo "K4" aqui na Rádio Observador.