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Bem-vindo ao 82º K4, é o terceiro desta quarta temporada da montra da cultura moderna e contemporânea da Rádio Observador. Eu sou o João Paulo Secador e, como é habitual, arranco o K4 na companhia de alguém ligado ao mundo da arte. Hoje estou com Sérgio Ma, curador da nova exposição temporária que marca a rentrée do Museu Coleção Berardo, em Belém. No fim, sugiro-lhe três posições: uma grande galeria que hoje mesmo inaugura, uma pequena galeria que mostra as raízes do erro e uma aliança improvável entre um percussionista e uma cineasta. Mesmo a fechar, falo-lhe do novo e gigantesco presente de Paris acabadinho de embrulhar. Hoje converso com Sérgio Ma, curador da nova exposição Matéria Luminal, que através dos trabalhos de 38 artistas nacionais, explora abordagens em torno da luz desde meados dos anos 60 até à atualidade, e está patente no Museu Coleção Berardo até 9 de janeiro de 2022. Olá, Sérgio, boa noite. Muito obrigado por teres aceitado este meu convite para estar aqui no K4. Bem-vindo ao Observador.
Muito boa noite.
Boa noite. O Sérgio é professor e curador que vive e trabalha em Lisboa. Soube apresentá-lo rapidamente. Iniciou os seus estudos académicos em Sociologia, depois especializou-se em Teoria da Arte e da Comunicação. É professor de Fotografia e Arte Contemporânea nas Belas Artes em Lisboa e na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova. As suas áreas de investigação centram-se, sobretudo, na história da imagem, fotografia e artes visuais contemporâneas. É muito curioso, porque o Sérgio também foi o comissário e diretor artístico, por exemplo, de grandes exposições como a Lisboa Foto ou a Foto Espanha. Já foi o nosso comissário da representação oficial portuguesa à Bienal de Veneza, já há uns anos. Esta Matéria Luminal, então, Sérgio, esta é a terceira e última exposição temporária deste ano. Era para ser já há um ano, mas com a pandemia houve uma grande queda na afluência de público e teve que se adiar um ano, mas neste tempo ninguém ficou parado. E nós, por exemplo, vimos o Sérgio neste ciclo das escolhas dos críticos, onde comentou online, essa aula online do Arregato e a la Fonte, de Michelangelo Pistoletto. Foi uma maneira de continuarmos este contacto, até que finalmente fez-se luz e aparece esta Matéria Luminal, que o Sérgio teve algum tempo a preparar.
Sim, o projeto já se iniciou, eu acho que a primeira vez em que foi falada a hipótese da exposição já foi em 2018, creio. E a exposição implicou alguma investigação, porque envolvia muitos artistas históricos. Havia obras que eu queria escolher, mas algumas delas ninguém sabia onde é que elas estavam. E depois veio a pandemia, que portanto a primeira data era no início de 2020 e, portanto, ao mesmo tempo, eu vivi este tempo de confinamento sempre com esta ideia de que quando o estudo melhorar, poderei finalmente inaugurar a exposição.
É muito curioso, porque esta exposição, a luz aparece como tema e como meio. Falamos e mostramos a dimensão encantatória da luz, porque nós temos sempre um grande fascínio pela luz e ao longo do dia, o nascer do dia, o pôr do sol. Focamos esta exposição porque é muito eclética, varia muito, focam-se os suportes da luz, mas também como se iluminam as coisas. Ao mesmo tempo, toda ela é num percurso cheio de salas e deve-se ter pensado imenso como é que se iluminava esta exposição. Tudo isso foram desafios muito curiosos para si.
Claro, a luz é o assunto mais familiar, ubíquo e imaterial das nossas vidas. Ele está nas narrativas mais importantes da nossa cultura e da religião. Nós encontramos em todos os domínios da religião à mitologia, à literatura, à filosofia. Encontramos sempre o tema da luz.
A luz e a sombra.
Não é um tema apenas da arte. Diria então que a arte também foi inventada para responder a sensações, entre as quais sensações que estão diretamente relacionadas com a experiência da luz. Por exemplo, na história da pintura, sabemos que desde o Renascimento, as formas de modelação dos corpos, no Barroco, um certo dramatismo visual vem pela maneira como é usada a luz. Mas depois nós sabemos que a luz, lá está, pode ser um tema, mas é um meio. Usamos candeeiros, usamos projetores e o que é notório é que na arte contemporânea, a partir da década de 60, como uma forma de reformular a prática da pintura e da escultura, este tipo de objetos, que eram objetos do cotidiano, eram de alguma forma desfuncionalizados e eram apropriados para o campo da arte.
Tem dezenas, são 38 artistas. É muito curioso, porque o Sérgio abordou agora isso, vai muito além da Coleção Berardo. Houve empréstimos até de coleções privadas, certo?
Sim, eu não tenho agora a memória, mas eu acho que da Coleção Berardo existe uma, duas obras, no máximo.
O resto vem de Serralves, da Gulbenkian.
Algumas vêm, mas não muitas. Algumas, três, quatro peças vêm da Fundação de Serralves, outras tantas da Fundação Gulbenkian, mas muitas obras vêm de coleções privadas e dos próprios artistas. De obras que fazem parte ainda dos pólios, das coleções dos artistas.
Há muitas também que-- Diga, diga.
E muitas obras em colecionadores privados, relativamente anônimos. Eu posso contar uma história: há uma pintura do Jorge Pinheiro, que é uma pintura magnífica, que é de uma mulher, uma freira, que olha uma luz.
A "A Suror", exato.
É a Suror Salomé, e que eu via reproduzida num catálogo já há muitos anos. Contatei o artista, ele não sabia quem era o proprietário da obra. Contatei galeristas que trabalharam com o Jorge Pinheiro, ninguém sabia onde é que estava a obra. E finalmente, alguém no Porto, uma pessoa que conhecia bem, era uma pessoa próxima do Jorge Pinheiro, um dia disse-me que suspeitava que tinha sido um fabricante de gravatas na zona do Porto. Então pus-me ao Google, em campo, e ao terceiro cinema, sorte, encontrei uma senhora que diz: "Eu sou filha do proprietário dessa pintura". E assim foi.
E conseguiu aqui nesta exposição. É muito engraçado também porque algumas destas obras são inéditas. O Sérgio chegou a desafiar, estou me a lembrar do Francisco Tropa, por exemplo, do Miguel Palma, do João Maria Gusmão. São alguns que o próprio Sérgio desafiou para terem obras nesta exposição.
Há artistas, e os artistas que estão vivos, alguns deles têm uma obra em que a luz e os meios lumínicos são recorrentes. Eu convidei-os, disse-lhes que tinha este projeto, tinha ideias precisas. Há esta peça de há 10 anos, há 15 anos, mas de qualquer forma, estou aberto a ideias que esteja a desenvolver. Portanto, houve artistas, como é o caso do Miguel Palma ou do Francisco Tropa, que me disseram: "Pois, estou precisamente a trabalhar numa peça que pode perfeitamente integrar essa exposição". Portanto, há várias peças que são novas e há várias peças inéditas em Portugal, que nunca foram expostas em Portugal, como é o caso da instalação do Leonor Antunes, que é uma artista agora com uma carreira fulgurante no panorama internacional. Esta obra foi, eu acho que foi exposta apenas uma vez em Londres e nunca foi apresentada em Portugal.
Depois há um conjunto de artistas, do Alexandre Estrela, António Palolo, Cabrita Reis, o Neri, o Tropa, que já falámos, Helena Almeida, o Jorge Molda, Julião Sarmento, tem esta coisa fantástica do Rosebud, Lourdes Castro, do Noronha da Costa, que nos deixou há um ano, Luísa Correia Pereira, Miguel Palma, Rui Chaves. É um conjunto extraordinário. Sérgio, houve alguns que teve que deixar de fora por uma questão de espaço ou conseguiu todos os que procurou eram estes, neste momento, e para esta exposição?
Não, uma exposição com estas características não se pode propor a fazer uma espécie de história da luz na arte em Portugal. É um encontro de obras espacializadas num espaço de certas características arquitetônicas e durante um certo período. Portanto, isso para dizer que é óbvio que há muitos outros artistas que trabalham também com luz, artistas importantes, mas que quando um curador organiza uma exposição, tem que ter uma preocupação em criar uma fluidez orgânica entre um conjunto de obras. E portanto, com estas, eu achei que eram suficientes para fazer corresponder a uma ideia que fosse interessante para o público. E portanto, por questões de espaço, por questões orçamentais e também por uma certa economia narrativa, eu tive que não selecionar artistas que podiam perfeitamente estar e que mereciam, mas a exposição, como eu disse, não pretende ser uma história da luz na arte contemporânea em Portugal. Agora, o que me pareceu interessante, e esse foi um desafio, uma grande motivação, foi perceber que era possível fazer um percurso na história da arte contemporânea em Portugal, partindo deste tema e mostrando como a contemporaneidade da arte em Portugal também se fez muito experimentando esta questão da luz como tema e como meio. Portanto, era uma outra forma, era uma outra face, digamos, dentro deste desenvolvimento da arte contemporânea desde meados da década de 60.
É um pouquinho engraçado, porque também não são estes últimos 60 anos, com muitas visões diferentes a ver com a luz. É uma disposição também curiosa, até isso é curioso, esta exposição não é cronológica sequer, nem é por artistas. Há artistas que têm obras em vários blocos. Isso também torna uma exposição diferente do que é normal, do que é esperado.
Claro, eu não sou historiador de arte e enquanto curador, eu não tento organizar exposições que seguem uma historiografia racional.
Mais didática.
Exato. Eu não pretendo arrumar os artistas. Eu estou muito interessado, por exemplo, em visões da história da arte, como, por exemplo, um historiador como o Aby Warburg, que é muito mais interessante estabelecermos relações entre obras de meios muito diferentes, de tempos muitos distintos. E, portanto, para mim, o critério cronológico e o critério do artista acabaram por ser secundarizados e eu procurei relações entre obras, muitas vezes de tempos muito diferentes.
Exatamente.
Há uma obra de 1965 que está ao lado de uma obra de 2010. O que também percebemos nesta exposição, eu espero que isso seja uma perceção Recorrente é que, na verdade, as questões da luz, ainda que ensinam aqui em autores contemporâneos, têm ressonâncias históricas prolongadíssimas. Portanto, a alegoria da caverna, a célebre história contada de Plínio, de uma mulher, fortemente uma das origens da pintura, uma jovem que desenhou a silhueta do seu amado antes de partir para a guerra. Portanto, a maneira como nós usamos a luz é parecida como um escritor aborda o tema do amor. É baseado, longo, perdido em tempos imemoriais. E, portanto, esta atenção às questões da luz tem um fundo antropológico, mitológico, espiritual com muitas camadas.
Muito vasto, exatamente. É muito engraçado também porque fala-se de energia, no fundo, também falar de materiais e aparelhos de iluminação. Os suportes também variam muito, têm desde lâmpadas incandescentes, a fluorescentes, a LEDs, caixas de luz, candeeiros, projetores. Também os dispositivos têm fotografia, vídeo, monitores, projetores analógicos e digitais. Há muitas obras que necessitam de ativação, que precisam de eletricidade. Depois eu fiquei a pensar também como é que antes dos impressionistas e antes de haver eletricidade. Estou a imaginar aqueles ateliês e Caravaggios e Vermeers e Rembrandt, que trabalharam muito com luz, mas com ateliês iluminados muitas vezes à luz da vela. Tudo isso seria uma coisa diferente. Há séculos, seria uma coisa completamente diferente. O Sérgio centrou-se um bocadinho nestas últimas seis décadas. Como é que artistas e artistas portugueses... Por que esta opção pelos artistas portugueses e nenhum estrangeiro aqui à mistura?
Por duas razões. Primeiro, porque eu acho que era interessante e também olhando para o panorama das instituições em Portugal, não tem havido exposições que tentam encontrar uma narrativa peculiar sobre a história da arte em Portugal nas últimas décadas. E eu tinha vontade de me encontrar enquanto espectador, também com um conjunto de artistas que eu acho que são muito importantes e que merecem ser vistos e estabelecendo relações e divulgados. Depois, porque ao longo das últimas décadas, este tema não é muito original. Em muitos países há muitas exposições, tem havido muitas exposições sobre o tema da luz.
Como a Into the Light, foi uma recente, Into the Light, por exemplo.
Claro. Mas em muitos casos, as posições estão muito centradas nos dispositivos tecnológicos, como a tecnologia permitiu desenvolver instalações muito espetaculares, muito teatrais de luz. E eu queria não me circunscrever a esse tipo de abordagens com uma excessiva ênfase nos meios. Eu queria destacar até que ponto a luz torna-se relevante como uma forma também de atualizar, renovar relações com o mundo e com o espaço envolvente, em que a luz é determinante, que está ancorada numa história muito antiga.
É muito curioso também porque o som também tem aqui um papel importante. Estou a pensar concretamente em Rosebud, a instalação do Julgão Sarmento, e naquela obra final com o relâmpago e o trovão. O som também nos acompanha ao longo de toda esta exposição. Há aqui uns destaques muito curiosos, nós já não temos tempo, mas há aqui destaques incríveis desta exposição, desde o Miguel Palma, a obras que demoram três meses e meio a percorrer todo aquele ano sideral, por exemplo, da obra dele, ou aquela floresta queimada do Gilberto Reis, com motor, aquela caixa de luz que se vai mexendo com o motor quando nós nos aproximamos, as silhuetas, a lanterna do Tropa. É incrível. Uma exposição que vale muito a pena. O catálogo que sai daqui é o mês, sensivelmente. Já agora, fiquem a saber que sábado, amanhã, às 16h, há uma visita guiada, tem que se marcar previamente para o Museu Berardo. E nós, infelizmente, não temos tempo para mais. Bem-haja, Sérgio Maato, pela sua disponibilidade em falar no Observador. Fica aqui o convite para quem nos ouve, para visitar até 9 de janeiro esta exposição Matéria Luminal, no piso zero do Museu Coleção Berardo, todos os dias das 10h às 19h. Muito obrigado, Sérgio, e até breve. Muito obrigado.
Muito obrigado.
Agora aqui no K4, é altura de lhe fazer três sugestões: uma grande galeria que hoje inaugura, uma pequena galeria que mostra raízes do erro e uma aliança improvável entre um percussionista e uma cineasta. Hoje mesmo, está a inaugurar neste momento a Insofar, a mais recente galeria de arte contemporânea em Portugal, fundada numa antiga fábrica de fósforos em Marvila, por Hugo Carvalho e Inês Val, ambos com uma trajetória que abrange países como Angola, Austrália, Nigéria e Reino Unido. Com uma programação internacional, a Insofar pretende desafiar os estereótipos e refundar as relações entre o artista, a obra e o público. Muchima, de Edson Chagas, é a exposição inaugural, sendo também a primeira individual do fotógrafo angolano aqui no nosso país. Ele que ficou famoso com a série Found, Not Taken, apresentada no Pavilhão de Angola, vencedor do Leão de Ouro na categoria Melhor Pavilhão Nacional na Bienal de Veneza 2013. Até 18 de outubro, na Insofar, que fica na Rua Capitão Leitão, 53, em Marvila, de terça a sábado, das 11h às 19h. E até 16 de outubro está patente na Pequena Galeria Raízes do Erro, uma exposição coletiva de mulheres de várias idades e grupos sociais que refletem sobre o que é ser jovem hoje. A exposição levanta algumas questões sobre o posicionamento dos jovens perante os fenômenos macrosociais contemporâneos, como sejam as inquietações ambientais e a adoção de estilos de vida saudáveis, as necessidades de pertença e de vinculação, os mecanismos da construção identitária e as inúmeras possibilidades de repensar o futuro. Na Pequena Galeria, Avenida 24 de Julho, 4C, de quarta a sábado, das 17h às 19h30. E até 6 de novembro, na Solar Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, está a exposição Membrana, de João Pais Filipe e Mónica Batista, no âmbito do Circular Festival de Artes Performativas. O percussionista assume-se como escultor de sons. A cineasta experimental, como fotógrafa e artista plástica. A exposição foi imaginada em conjunto e a galeria está habitada por objetos, imagens e sons. Membrana é o que separa, o que protege, o que vibra. Da simbiose entre matérias e ritmos surge então a exposição de João Pais Filipe, com som em gongos, e Mónica Batista, fotografia e filme. Numa cadência de salas escuras há imagens em diálogo com as esculturas sonoras. Esta obra resulta de uma residência artística no Uganda em 2019. Então na Galeria Solar, Vila do Conde, de segunda a sábado, das 14h às 18h. E segunda-feira, o Arco do Triunfo em Paris ficou totalmente embrulhado em tecido. Uma obra de arte idealizada há 60 anos por Christo e concretizada um ano após a sua morte. O búlgaro Christo Vladimirov Javacheff morreu em maio do ano passado, 11 anos depois da sua companheira na vida e na arte, a francesa Jeanne-Claude. O casal trabalhava em conjunto com o nome de Christo e era famoso por embrulhar obras de grande escala. Agora, até 3 de outubro, seu sonho tornou-se realidade. O monumento de 50 metros de altura está inteiramente coberto com 25 mil metros quadrados de tecido de polipropileno reciclado azul e amarrado por 3 mil metros de corda vermelha, como se fosse um presente. "Será um objeto vivo que ganhará vida com o vento e refletirá a luz", explicou Christo ao apresentar o seu projeto final em 2019, um ano antes de morrer. Na década de 60, fez uma fotomontagem de como queria que a obra se parecesse, mas nunca se propôs fazê-la, presumindo que nunca obteria as permissões necessárias. Em 1985, embrulhou a Pont Neuf, uma das pontes que cruza o rio Sena. A ideia foi repensada em 2017 para coincidir com uma exposição sua, que foi aprovada pelas autoridades da cidade de Paris e pelo Centro dos Monumentos Nacionais. Os preparativos começaram há três meses, sob a direção de Vladimir Javacheff, sobrinho de Christo, com o apoio do Centro dos Monumentos Nacionais. Com custo de 14 milhões de euros, o projeto foi integralmente autofinanciado com a venda de obras originais de Christo: desenhos preparatórios, lembranças, maquetes e litografias. Para Bruno Cordaux, diretor do Arco do Triunfo, acompanhar a instalação desta obra nas atuais circunstâncias é mágico. O Arco do Triunfo não é um monumento qualquer, é o da Harmonia Nacional. A obra de Christo tem a elegância e a humildade de ser efêmera. É como o nosso tempo. É tudo por hoje. O 32º K4 fica por aqui. Bom fim de semana, boas exposições. Eu sou o João Paulo Secadura, conto consigo no próximo K4, aqui no Observador.