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Se calhar estava com saudades. Ninguém tinha mais saudades do que eu do "K4". Bem-vindo de volta ao 80º "K4". É o primeiro desta quarta temporada da montra da cultura moderna e contemporânea da Rádio Observador. Eu sou o João Paulo Sacador e, como é habitual, arranco o "K4" em companhia de alguém ligado ao mundo da arte. Hoje estou com Bruno Pereira, curador, músico, designer e artista plástico. No final, sugiro-lhe três posições: visitamos uma embaixada que exibe uma herança genética, exploramos a íris de um evangelista na Casa dos Jesuítas e espreitamos projetos sustentáveis na Figueira. Mesmo a fechar, a nova polêmica que envolve Beyoncé, o marido, diamantes e Basquiat. Hoje aqui comigo está Bruno Pereira. Como criativo, é literalmente o homem dos sete instrumentos. Curador, músico, editor, designer de comunicação e têxtil, músico e artista plástico, que expõe há mais de 20 anos, individual e coletivamente, desenho, pintura e instalação. Já colaborou com nomes e entidades tão variadas como Vhils, Odeith, The Legendary Tigerman, Rita Redshoes, Adidas, Pep Jeans, Nike, MTV e Web Summit. É o fundador e diretor criativo do departamento, um amplificador de cultura que desenvolve projetos artísticos como o Poster Mostra, cuja sexta edição está a decorrer há dois meses nas ruas de Marvila, na Lisboa Ribeirinha. Olá, Bruno, e obrigado por teres aceitado este meu convite para estar no "K4" diretamente, que inveja, da Costa Vicentina. Bem-vindo ao Observador.
Olá, tudo bem? Muito obrigado. É verdade. Estou numa bela costa que nós temos.
Estás numa magnífica costa, parte da nossa costa que eu adoro, concretamente em Aljezur. Um grande abraço para toda a gente de Aljezur, uma terra que gosto tanto. Como criativo, tu és realmente o homem dos sete instrumentos. Estudaste arte e design, design de comunicação. Tu tens uma linha de roupa, tu és músico. Criaste a Lab Design, uma agência de design sediada em Belém. És fundador e diretor da Magnética Magazine. Através deste departamento, este amplificador, é o nome que eu adoro, amplificador de cultura, que desenvolve estes projetos, como o Bold Creative Fest, como fazes com o IADE e com a EDP, e também este Poster Nostra. Tu estás realmente em todo lado. Tens um pé e colaboras com gente do mais criativo que há, tu próprio expões. Acho muito curioso, só como pequenina parte, esta tua ligação à música. Se não me engano, tu és o Senhor Vulcão na música, vais entrar, como dizia, se não me engano, agora no princípio do ano que vem. Vais ter aqui uma colaboração com The Legendary Tigerman. Vais gravar um novo volume, certo?
Sim, é verdade. A música já está há 30 anos, se calhar, dentro do sangue. E tive uma banda, que na altura foi os Atomic Beats, da qual a vocalista era a Rita RedShoes. E sim, a música, no fundo, a base de tudo que tu falaste, está sempre ligada à criatividade. Todas as áreas que eu acabo por intervir, embora a minha formação seja em design de comunicação, realmente, mas eu lido com a criatividade desde sempre. Nós normalmente, como seres humanos, gostamos de pôr as coisas em caixinhas. Eu gosto de abrir essas caixas e mostrá-las todas. Acho que a criatividade é a base e depois, sim, formei-me em design, que me ajuda também a transformar essa criatividade numa coisa mais visual e palpável.
A nível de mostrar, se calhar é bom pra técnicas. Para essa comunicação, dá essas ferramentas, o que é muito importante também. Tu és um folk rapper, que é muito engraçado. Não conhecia, ouvi umas coisas tuas e percebe-se logo. Oxalá corra muito bem esta tua gravação que vais fazer já pro ano que vem. Tens trabalhado com gente muito importante e estás envolvido também em projetos de street art. É uma coisa também que agrada muito aqui. Muitos dos meus convidados têm a ver com isso também, aqui no "K4". Mas concretamente hoje temos que aproveitar e falar, Bruno, desta sexta edição do Poster Mostra. Durante dois meses, esteve aqui nas ruas de Marvila. No fundo, é uma exposição, é tornar Marvila uma grande galeria, é um evento já de sucesso, de arte e de cultura a céu aberto. As ruas de Marvila tornam-se uma autêntica galeria, onde os muros são as paredes onde se expõe estas telas, que são o pôster. É incrível o poder do pôster, esta forma de comunicação que já tem três séculos, não faziam ideia.
É verdade. Se calhar foi a nossa primeira forma de comunicarmos em larga escala, onde talvez se tenha juntado a arte e a promoção/propaganda. A verdade é que a sua eficácia é tão grande que ela mantém-se viva até os dias de hoje. Até a própria televisão já está a perder aqui um espaço para outros monitores, para outra espécie de monitores, outra espécie de escala. Até o cinema, que já era glorioso, mesmo assim já está a sofrer agora aqui uma grande alteração. O pôster, por outro lado, uma coisa tão simples num papel, que se pode reproduzir de forma clara. Isso fascina-me, esse poder de comunicação que um pôster tem. E na verdade, tu consegues pôr uma coisa na rua. Eu costumo dizer que o pôster, os pôsteres que nós pomos nas paredes, têm mais visualizações do que um post de Instagram que tu rolas e passaste e já acabou.
Exatamente, e já morreu e está no virtual.
É verdade. E há pôsteres que tu vês com 10 anos, se calhar. Andando pelas ruas de Lisboa, eles ainda continuam lá.
Já vamos falar também, por exemplo, da Sandman, e cá está, é uma imagem, e isso vem do pôster. Ainda antes de haver televisão, é uma imagem que fica na cabeça das pessoas. Aquele símbolo, aquele visual daquela capa, o homem da capa. Cá está, é uma imagem que foi lançada, não foi redes sociais nenhumas. É uma coisa que nos ficou na cabeça desde pequenos por ver pôsteres e publicidade em mupis e ver nas empenas dos prédios, ver no Porto, em todo lado. É impressionante. Tem um grande poder e até há grandes exposições. Eu estou me lembrado de uma recente, com uma coleção muito famosa, que tinha, por exemplo, os pôsteres de guerra. De ambos os lados. Do lado soviético, do lado dos nazistas e do lado dos aliados. O esforço de guerra era muito alimentado com isto. Era impressionante, era uma ferramenta importantíssima para comunicar.
Sim, embora a comunicação não seja a ideal, no nosso sentido, porque normalmente era bélica. No entanto, são peças de design brutalmente incríveis.
Extraordinárias. Claro. E às vezes grandes artistas. Estou a pensar também em pôsteres de exposições, por exemplo, é uma coisa que se vende muito nas lojas dos museus E muitos assinados por grandes autores, pintores e artistas.
É verdade.
É muito engraçado, eu vi um comentário teu que estavas muito contente este ano com esta sexta edição, já que tu promoves, a Marvila tu chamas já "a nossa casa".
Sim, um bocadinho.
É uma ligação à população também muito curiosa essa parte.
Eu trabalho em arte e criatividade, já fiz muitos projetos, há 20 anos. Há projetos que tu fazes que têm mais impacto e outros que têm menos impacto. Eu gosto quando os projetos têm impacto com a população também. Porque acho que mexe um pouquinho comigo e parece que sentes realmente que estás a contribuir pra algo. E o caso de Marvila é um bocadinho isso que acontece. Eu sinto pelas pessoas que estão na rua, pelos que estão naqueles cafés, não só pelos trendy spots. Já há restaurantes com 20 anos em Marvila e cafezinhos. E sinto que as pessoas da rua, da própria Marvila em si, têm um carinho muito especial por isto e passaram a olhar pra criatividade, pro design, pra arte de uma forma diferente, muito mais aberta, muito mais próxima.
E é muito dito ao mesmo tempo, com isto, e a diferença pra ter isto no museu ou numa galeria, consegues dinamizar o comércio local, fica um bairro mais vivido, cheio de pessoas que passam, os amantes das artes, há pessoas que às vezes só nesta altura, em setembro, no fim de agosto, é que passam por esta zona da cidade, só pra verem. Vale muito a pena os muros e a criatividade nestas paredes. Ainda por cima, este ano, entre estes 20 artistas, é muito curioso, porque arranjaste gente de áreas muito distintas, de design, de fotografia, de música, até do desporto, da ilustração ou das artes plásticas. É muito curiosa esta mistura, este blend que tu fizeste com as pessoas diferentes.
Eu gosto de liberdade acima de tudo. E odeio estereótipos. E então esta escolha, esta curadoria, desde o início do pôster, tem sido acima de tudo privilegiar criativos, sejam eles de que áreas forem. Não concordo muito com esta ideia de que uma coisa são coisas específicas. Se tu queres ser um médico, tens que estudar pra aquilo.
Claro.
Mas nas áreas criativas, isso é muito mais abrangente. Eu não acredito que nenhum realizador não saiba tirar fotografias, por exemplo. E a minha chamada é um bocadinho pra libertar as pessoas desse preconceito. E daí que a minha escolha pra esses 20 convidados, normalmente é muito heterogênea e até surpreendente nalguns casos. Mas é essa mescla que eu gosto, e é essa mescla pra mim que dá vida ao pôster. E depois ainda temos a open call. Neste ano recebemos praticamente 200 candidaturas. E é lindíssimo, porque tu recebes pessoas das mais variadas áreas. Aliás, nós só descobrimos depois de eu fazer a escolha, dos que vão pra parede. Eu faço escolha cega, não vejo nomes, não vejo nada, só estou a escolher mesmo a peça. E é muito engraçado que há pessoas, claro que a maioria delas estão ligadas a áreas criativas, mas há outras que não estão, há outras que foi uma fotografia que tiraram e conseguem estar ao lado de gajos completamente lendários. Isso é muito motivador.
Tu tens muito essa noção de que todos nascemos criativos e todos podemos ter um contributo nisso. Já tens apanhado boas surpresas quando depois descobres que não sei quantas que submeteu um pôster fabuloso, afinal, é uma dona de casa ou trabalha no guichê número seis de um departamento de Estado.
Têm acontecido essas coisas.
Deve ser muito curioso.
E é engraçado, é transversal também nalguns projetos do departamento que nós trabalhamos essa ideia de abrir essa caixinha que está aí dentro da criatividade, porque eu digo sempre, se nós não fôssemos criativos, a espécie humana não tinha chegado até aqui.
Exatamente.
Agora, uns levam mais pra áreas mais plásticas, e outros levam-nos pra outras áreas. Mas normalmente em cada um de nós, há sempre lá qualquer coisa.
Uma chamazinha qualquer.
Isso mesmo. E eu gosto de acender um pouquinho essa chama.
Muito curioso, porque faz buscar também, o que também é muito giro nesta seleção que tu fazes, talentos consagrados, mas também novos talentos. Apostas numa grande transversalidade, e é muito engraçado. Todos em prol desta arte em grande formato. E assim consegues juntar o Ricardo Quaresma, Samuel Úria, a Márcia, a querida Márcia, o grande ilustrador Nuno Saraiva, fotógrafos de etnografia, alguns já idosos, que é muito curioso, continuam a colaborar e fazer peças notáveis. O Adolfo Luxuria Canibal, também dispensa apresentações, o Carrilho, outro grande ilustrador. É muito engraçado que consegues também descobrir gente nova. E este ano tem esta atraente parte, este novo open call que teve a ver com a Sandman também, foi uma espécie de concurso que vocês fizeram, o vencedor de open call poster.
Sim, o Sandman era um namoro já antigo. Porque nós temos essa imagem do Don.
Exatamente.
Na Nacional número um, e na Nacional dois.
Sim.
Aquela coisa que desde crianças na cabeça.
Pertence ao nosso imaginário.
Ao nosso imaginário de Portugal.
Completamente.
E as peças gráficas, os posters da Sandman são coisas lindíssimas. Eu andava sempre atrás deles e este ano conseguimos realmente Fazer essa transgressão e apresentar uma coleção de pôsteres da Sandeman, alguns com muitos anos, de designers ingleses, a maioria. E quisemos, ao mesmo tempo, porque achamos que esta ideia de trazer para a contemporaneidade e a linguagem contemporânea também é necessária para as marcas, desafiar também esta malta do pôster, que normalmente também entra para a open call, e fazendo uma open call específica para a Sandeman. Houve muita gente a concorrer também e foram escolhidos três desta nova geração. Para estar nas paredes, as pessoas tinham que reinterpretar a marca livremente, estudar a marca e então chegamos até esta seleção.
Organizaste uma rua exclusiva da centenária marca do vinho do Porto. Isto é incrível. Então, só para ficar registrado, o João da Costa, o Rivalentão e o Pedro Goes foram os felizes contemplados este ano. É uma iniciativa que tu pretendes largar para o ano continuar a haver ou estás a pensar em outras marcas?
Não, eu gostava de continuar pelo menos mais um ou dois anos esta parceria com a Sandeman, porque acho que podemos inclusive crescer um bocadinho na questão. Sabes que o primeiro ano de qualquer parceria é sempre aquele "kickoff" da coisa, quando começa, mas ela ganha sempre mais poder se continuarmos fazer a coisa em conjunto mais tempo, porque vamos ter mais tempo para comunicar, há uma repetição, mais pessoas já sabem que entraram, então querem vir a entrar, etc.
Percebem que podem, veem o que aconteceu e veem o que é que se fez e podem até ter novas ideias.
Cresce sempre.
É muito engraçado. E tem também uma novidade este ano, além disto, também agora tem uma nova loja online. Bruno, as pessoas que queiram ver os pôsteres, isto esteve de 3 de julho até agora, até 3 de setembro. Supostamente o calendário acabaria hoje oficialmente.
Nós vamos prolongar este fim de semana para a despedida. Mais dois dias.
Depois como é que é? Os pôsteres estão nas paredes do bairro de Marvila, depois eles são retirados, guardados e expostos ou há uma galeria? Como é que isto funciona?
Sabes que estes dois últimos anos nós temos atravessado aqui a questão pandémica.
Exatamente. Não é típico.
O pôster iria andar em tour nos outros anos, ou seja, saía de Lisboa e continuava. Por esta questão pandémica, tem atrasado essa questão da digressão do pôster por mais cidades portuguesas.
Para já são guardados, é isso?
Para já são guardados.
Isto depois vai com certeza voltar a acontecer, claro, porque é importante isso, pelo país todo.
Sim, a ideia era não ficar aqui. Embora Marvila seja o nosso sítio, a nossa casa, onde nós nascemos, aquelas paredes também pedem isso, porque são imponentes, grandes. Este processo de gentrificação também, eu gosto que chamar a atenção para o local. Estamos muito ligados à Marvila, porque quando fomos para lá, Marvila não era algo que fosse chamativo, trendy e apetecível. E passou, não só conosco, mas fomos uma parte importante.
Exatamente, dessa promoção.
Daquela revolução.
Exatamente.
E isso eu gosto.
É uma coisa também curiosa que vocês têm agora uma nova loja online. Isto é muito importante, porque é também uma maneira de apoiar os artistas, onde vocês nesta loja, a pessoa pode ir ao vosso site, certo? Postermostra.com/categoria posters, se quiserem ver, as pessoas vão lá, conseguem descobrir isso. E depois aí tens não só os deste ano, vais ter também, e tens normalmente os de outros eventos, os anteriores, os outros que já passaram pelas seis edições. No fundo, estás a promover mais de uma centena de artistas e se as pessoas quiserem comprar, é importante, porque isto reverte também para eles.
Sim, reverte. Metade do lucro é revertido para os artistas. E depois, para além disso, para além desse caráter de incentivo e de parceria, de apoio, da amplificação do próprio artista, temos também a questão da democratização da peça de arte.
Exatamente, muito importante.
Se calhar não consegues ter determinados artistas que nós temos aqui, e criativos, não consegues ter na tua parede se fores comprar um original dele. Mas por um preço muito mais interessante e porque isto é um pôster, lá está, não é uma peça única, é uma peça que se repete. Tudo bem que hoje fazem-se pôsteres únicos, mas normalmente os pôsteres são feitos e foram criados para se repetir.
Exatamente.
O próprio Toulouse-Lautrec era um grande fã do pôster porque o homem pintava cada cartaz. Imaginem, ele pintava um cartaz. Quando apareceu esta possibilidade de reproduzir em mais números a peça que ele fazia, o cara ficou louco, não queria acreditar que aquilo era possível. E ele foi depois um dos grandes impulsionadores. Há muito trabalho dele em pôster por causa disso, porque ele fascinou-se com esta capacidade.
Com esta técnica, exatamente, essa possibilidade. A pessoa pode dar entre quase 18 € até 35 €, pode levar uma imensidade de pôsteres diferentes, de artistas diferentes. E pode levar obras de arte que no fundo foram assinadas pela Samuel Louria, pela Márcia, pelo Ricardo Quaresma, tudo que aparecia aí. São mais de uma centena de artistas que colaboraram nesta exposição e isto é uma grande ideia, esta loja online da Poster Mostra, fica aqui também este apelo. Muito bem, Bruno. Infelizmente não temos tempo para mais. Quero te agradecer, Bruno Pereira, pela tua disponibilidade. Fica aqui o convite então a si que nos ouve, para visitar o bairro Marvila em Lisboa este fim de semana. Ainda pode ver as ruas mais uma vez convertidas nesta galeria a céu aberto, onde expõem nas paredes alguns desta Poster Mostra, deste autêntico festival de pôsteres que todos os anos o Bruno organiza, o Bruno Pereira organiza aqui neste bairro tão bom de Marvila, este bairro ribeirinho de Lisboa. Aproveitem então para ver as obras participantes nesta e nas edições anteriores no site da Mostra. Muito obrigado, Bruno, e até breve.
Tudo de bom. Abraço, obrigado.
Obrigado. No K4 agora vou deixar-lhe três sugestões. Visitamos uma embaixada que exibe uma herança genética, exploramos a íris de um evangelista na Casa dos Jesuítas e espreitamos projetos sustentáveis na Figueira. A galeria Welcome to Art na Embaixada o Príncipe Real desafiou Sofia Arial a apresentar o seu trabalho numa exposição repleta de composições abstratas que até ao fim do mês dão nova vida às paredes do primeiro andar da embaixada e que prometem imergir o visitante numa experiência sensorial única. Com pai pintor e uma mãe escultora, Sofia Arial teve, desde a sua infância, uma sensibilidade particular para as artes plásticas e para a literatura, abrangendo a pintura, a escultura, a gravura, o têxtil, que aprendeu em Inglaterra, o desenho, a poesia, a crítica e os ensaios literários. Na Embaixada, todos os dias, do meio-dia às 20:00, aos fins de semana até às 19:00. Na Brotéria, no Bairro Alto, até 11 de setembro, exploram-se novas órbitas com Diogo Evangelista. "Íris" nasce de um convite feito ao artista lisboeta que nos ajuda a redesenhar o lugar do indivíduo, do grupo e da correspondência entre todas as coisas vivas. Somos convidados a deixar-nos encadear pela presença do estranho, desde uma hipotética órbita de um planeta à efémera vida de uma flor. Um trabalho em néon que estuda a natureza das coisas, tal como na pintura, em que aparece o que será visto e não apenas aquilo que se conhece e vê. Para ver na Brotéria, na Rua São Pedro de Alcântara, número 3, junto a São Roque, segunda a sábado, das 10:00 às 18:00. Depois de apresentada na Bienal 21 de Fotografia do Porto e depois apresentada na Polónia e também em Mértola, a coletiva itinerante Sustentar chega ao CAE, Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, onde fica até 10 de outubro. Acolhe os trabalhos fotográficos e videográficos de seis artistas: Maria Oliveira, Evgenia Emets, Elisa Azevedo, Margarida Reis Pereira, Nuno Barroso e Sam Mountford, que se debruçam sobre seis iniciativas experimentais na área da sustentabilidade em Portugal. Esta itinerância visa a interação entre pessoas, projetos e artistas, buscando as reflexões que se pretendem inspirar. Depois da Figueira da Foz, a exposição viaja para os restantes municípios parceiros: Mourão, Loulé, Évora e Setúbal. Na semana passada saiu a nova campanha de outono da Tiffany's, "About Love" com Beyoncé, o marido Jay-Z, um diamante de 128 quilates e uma pintura raramente vista de Jean-Michel Basquiat, recentemente adquirida pelo novo proprietário da marca de joias. Tudo numa espécie de remake contemporâneo de "Breakfast at Tiffany's". As fotos tornaram-se virais e as redes sociais explodiram. Uns amaram, outros não. Alguns indignaram-se com a arte versus comércio, outros com os diamantes de sangue. Uma das polémicas mais estranhas gira em torno da cor de fundo da pintura "Igualapi", graças a um comentário de Alexandre Arnault, o novo vice-presidente da Tiffany, que sugeriu numa entrevista que o tom de azul usado por Basquiat era uma homenagem à Tiffany e à sua cor característica, conhecida como azul ovo de tordo. Uma cor que Charles Louis Tiffany começou a usar em 1845 e que só em 1998 foi registada, tornando-se um dos poucos tons a receber reconhecimento legal. Chama-se Pantone número 1837, uma referência ao ano da fundação da Tiffany. "Não está escrito em lado nenhum", explica ele. "Mas conhecemos o pintor. Fizemos uma exposição sua na Fundação Louis Vuitton há 11 anos. Sabemos que amava Nova Iorque, amava o luxo, amava as joias. O meu palpite é que o azul não é por acaso. A cor é tão específica que deve ser algum tipo de homenagem." A obra de Basquiat, que morreu aos 28 anos em 1988 e é considerado um dos artistas mais influentes no século XX, ficará exposta na sede da Tiffany's, na Quinta Avenida, em Nova Iorque. Uma vez que uma pintura ou qualquer obra de arte esteja no mundo, ela ganha vida própria. O significado, como o amor, está nos olhos de quem vê. Mas daí a sugerir que o azul usado pelo inconformado Basquiat era uma homenagem a uma marca de luxo e que uma pintura do recordista de vendas esteve escondida décadas só para ser usada no anúncio da Tiffany's é, no mínimo, rebuscado. E é tudo por hoje. O 80º K4 fica por aqui. Bom fim de semana e boas exposições. Eu sou o João Paulo Sacadura. Conto consigo no próximo K4 aqui na Rádio Observador.