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Bem-vindo ao 81º K4, é o segundo desta quarta temporada da montra da cultura moderna e contemporânea da Rádio Observador. Eu sou o João Paulo Secador e como é habitual, arranco o K4 na companhia de alguém ligado ao mundo da arte. Hoje estou com Nuno Ricou Salgado, diretor artístico da Procurarte e da plataforma Parallel. No fim sugiro-lhe três posições: antiguidades e design na Cordoaria, uma suíça que traz ao Chiado a oitava reação em cadeia e máscaras greco-romanas contemporâneas, no único teatro romano do país. Mesmo a fechar, falo-lhe a história que inspirou as icônicas aranhas gigantes. E hoje o sinal do regresso de Nuno Ricou Salgado, diretor artístico da plataforma Parallel European Photo Based Platform, que regressa para nos falar da quarta edição do Parallel Review Lisboa, Mostra Anual de Fotografia Contemporânea, que depois de um ano de interregno, arrancou ontem, dia 9, e vai até ao fim de outubro, no exterior do Mercado de Alvalade, onde aliás se inaugurou ontem um mural com 60 metros de fotografias, e também no Museu de Lisboa, Palácio Pimenta, onde haverá conversas e oficinas de fotografia, claro. Olá, Nuno, e muito obrigado por teres aceitado este meu convite para estar aqui no K4. Bem-vindo de volta ao Observador, é um prazer.
É um prazer, muito obrigado. É sempre bom estar junto de amigos e vizinhos.
Exatamente. Vou começar por isto, um pouquinho à parte do tema que nos traz aqui. Tu também és fotógrafo. Bom, o tema é fotografia, isso mantém-se. Tu também és fotógrafo, tens direcionado muito o teu trabalho pra área de fotografia, mas também és praticante. A pergunta é esta: tu tens fotografado ou não, Nuno?
Tenho fotografado, mas pouco. É muito difícil estar nos dois papéis.
De gestor.
De gestor e de direção artística, e trabalhar como artista. E por isso revejo-me perfeitamente no que faço, todo o trabalho de direção artística, e gosto muito. Tenho focado mais nesse lado curatorial, nesse lado mais alargado, de trabalhar com novos artistas e dar espaço a novos artistas. Depois voltarei, enfim, noutro momento, a continuar a trabalhar com a imagem para outros projetos, mas isso é uma coisa que vem a seguir.
Antes de falar da curadoria, deixa-me só perguntar: quando tu fotografas, quando de repente imagina que tens tempo livre, tens uma tarde inteira livre, o que tu preferes fazer? Quais são os temas que tu gostas mais ou pra onde é que tu irias? Se é mais retrato, se é mais paisagens. Qual é o teu tema favorito ou hora favorita para fazer as coisas na fotografia?
Obviamente, as horas do pôr do sol, quando há menos luz, ou à noite, são os momentos mais mágicos, são os momentos mais interessantes. Mas eu que fiz a minha carreira mais como fotógrafo, foi mais no universo das artes performativas, na área do teatro, da música, da dança. E foi aí, sobretudo quando eu trabalhava no Chapitô, que fotografei muito todo esse universo das artes, com muito trabalho ligado ao palco, no fundo. Aos vários palcos. E isso é uma área que eu gosto muito e que me diz muito. São projetos artísticos, mas de fotografia com uma outra abordagem, uma abordagem mais teatral.
Muito bem. Tu que és diretor desta plataforma Parallel, European Photo Based Platform. O ano passado aconteceu este interregno. Eu estou a ler esta mensagem tua: "Infelizmente, a segunda vaga de pandemia evoluiu exponencialmente. Não queremos e muito provavelmente não poderemos assumir os riscos de convidar artistas, curadores e membros da plataforma para virem a Lisboa." E por isso, no ano passado, em novembro de 2020, estava arrumada esta edição, acabou por não se fazer. Depois de 2020 ter sido cancelada, este ano recebeste com as propostas de novos fotógrafos e fotógrafos emergentes, que tu tanto gostas de apoiar e lançar. Muitos versavam este tema do mundo que se fechou, da pandemia?
Nós, na realidade, no ano passado, tivemos que optar por passar as posições do momento físico para o momento virtual. E por isso refizemos as posições todas, não em modo virtual, o que é muito interessante, é um desafio, mas é um desafio diferente. Tem as suas especificidades e é uma abordagem diferente. E nós esse ano, como estamos um pouco a fazer um balanço desses quatro anos de projeto, fomos rever, fazer quase que uma arqueologia do que foi esses 100 artistas com quem nós trabalhamos, artistas e curadores. Fomos rever o que cada um deles produziu. E no fundo, foram buscar muitos dos trabalhos que foram sendo produzidos ao longo desses três anos tão ricos de produção de imagem. E por isso, mais do que pedir novas produções, porque a verdade é que nós ainda estamos muito limitados a nível do movimento.
Estamos condicionados, sim, é verdade.
As coisas ainda não estão normais.
Completamente normais e abertas. Exato.
E também é importante fazer um balanço do que foi produzido. E é tão rico os trabalhos que foram produzidos por esses vários artistas do mundo todo, que achamos que é interessante fechar um pouco essa edição, esse momento, que foram quatro anos, e preparar para mais anos que virão, no fundo, a partir de 2022. Mas pra nós foi importante fazer esse balanço.
Claro.
E convidar pessoas a olharem um pouco o que nós fizemos. Foi por isso que nós convidamos a Sandra Vieira-Jürgens pra fazer uma curadoria a partir de todo esse manancial muito grande, todo esse arquivo contemporâneo, que foi apoiado pela Procurarte.
É engraçado, porque estás a falar exatamente da Sandra Vieira-Jürgens. Ela é investigadora do Instituto de Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova, coordenadora e professora auxiliar da pós-graduação de curadoria de arte. É muito engraçado porque ela é, no fundo, a curadora também deste mural que foi inaugurado ontem. São 60 metros, esta retrospectiva, que está no exterior do Mercado de Alvalade. Extended Atlas, se não me engano, é o nome dele.
Exato.
No fundo, tem mais de 40 obras pra serem vistas ao ar livre, neste grande mural. Aproveitaram pra fazer esta retrospectiva, certo?
Sim, a dado momento estávamos com a situação, ainda estamos em pandemia, e não queríamos deixar o projeto em suspenso. Porque é um projeto que nós lideramos a partir de Lisboa, e mais especificamente do bairro de Alvalade, onde nós tivemos durante muito tempo. Trabalhamos com 20 países, que são nossos parceiros, e envolvemos criadores de 33 países, é um manancial muito grande. E pra nós era importante de concluir, de alguma forma, aqui em Lisboa, o que foi esse processo. E por isso, a opção do mural foi uma opção estética e foi uma opção também de trabalhar um espaço que não nos criasse constrangimentos de outra vaga, etc.
Exatamente.
E por isso optamos, declaradamente, por trabalhar nesse espaço exterior. E esse mural era uma parede enorme, de quase 70 metros, do qual nós ocupamos grande parte, 60 metros de espaço, trazendo aqui uma dinâmica quase que museológica, uma abordagem museológica, porque é uma parede toda branca, é quase que como se fosse um "white cube" de museu, mas é na rua. E essa desconstrução do espaço público e trazer a contemporaneidade, as fotos são bastante contemporâneas, são muito interessantes, são muito bonitas, mas tem uma abordagem e tem uma linguagem muito contemporânea de museu, e ela está colocada numa grande parede branca, mas é na rua. E essa ligação, essa desconstrução de intervir com uma linguagem contemporânea, mas desconstruído no espaço público, é muito interessante essa relação. Está instalado junto ao parque de estacionamento do mercado. E as pessoas vão com o carro, ou vão às compras, ou passam por lá e ficam: "Uau, mas o que é isso?"
Exato. É uma zona muito frequentada. Ainda bem que fica ali tudo ao pé, porque realmente é um espaço muito vivido e muito dinâmico durante o dia, é incrível.
É um espaço muito dinâmico.
E questiona as pessoas. Exato.
Nós também demos um lado mais teatral, tem toda uma iluminação, a exposição tanto pode ser vista durante o dia, como pode ser vista durante a noite. À noite tem um outro lado mais mágico, no fundo das luzes. E durante o dia também tem uma outra leitura com o sol. É vivido nos dois momentos. Eu partilho, foi visto ontem. Essa relação é muito interessante, e é muito interessante como o comum dos transiuntes, que está a passar por lá, é chamado pra ver aquela relação de arte contemporânea. E fica maravilhado. Já tivemos várias opiniões e feedbacks de pessoas que estão no mercado, e que vão lá e ficam: "Uau, mas que engraçado". Isso é muito engraçado.
E é muito gratificante. Tenho que perguntar isso. Tu não ficas muito orgulhoso, tu que dedicas a tua carreira completamente a esta curadoria e este lançamento de valores emergentes, quer na fotografia, quer na curadoria, não ficas contente quando vês este grande mural? Tem trabalhos apresentados de vários artistas que a própria Parallel lançou e que já contam com exposições em prestigiados museus, em galerias, em festivais. Alguns já têm trabalhos na PhotoEspana, no Paris Photo, no Les Rencontres d'Arles. Não te dá imenso gozo, imenso prazer ver lançado esta gente que passou pelas tuas mãos, digamos assim, estes pupilos que agora estão aí a dar cartas no mundo da fotografia?
De qualquer maneira, eu sou, no fundo, a face do projeto, mas o projeto envolve, obviamente, uma equipa, a equipa da Procurart trabalha, não é um projeto de uma pessoa só, é um projeto que envolve o resto da equipa toda da Procurart. Mas sem dúvida nenhuma, tendo esse papel de diretor artístico, dá-nos muito gozo realmente perceber essa dinâmica que existe de trabalhos que começaram conosco e que depois ganham vida e vão ganhando prêmios, e vão se desenvolvendo. Nós ainda agora estivemos nos Rencontres d'Arles, o Rencontres d'Arles são o principal festival de fotografia, acho eu, que é a nível mundial, é o equivalente ao Festival de Cannes, mas para fotografia. E ao mesmo tempo em que estávamos a lançar uma das edições que nós fazemos, que é o Atlas, fazemos muitas edições, photobooks, livros ligados à fotografia, estávamos a fazer o lançamento do Atlas de 2021. E ao mesmo tempo, estava também uma das artistas que participou no primeiro ano do Parallel, no primeiro ciclo, a Charlotte, que tinha a sua exposição individual e que tinha ganho o prêmio HSBC, aquele banco muito importante a nível mundial.
Exatamente.
E ela, com o trabalho que começou conosco, ganhou o prêmio e estava também a lançar o seu catálogo, entre outras coisas. Ela recebeu como prêmio, o lançamento de um catálogo individual sobre o seu trabalho. No fundo, havia pessoas com várias dimensões, umas que começaram mais cedo e que já estavam com uma saída e com o prêmio já, e um prêmio importante. E outros que só começaram a trabalhar nesse ano e que estavam ainda em início. E essa relação é muito interessante. E também é importante ver como é que as pessoas estabelecem conexões. Muitos artistas continuam a colaborar com outros curadores, com quem conheceram no âmbito do Paralelo. Muitos começaram a trabalhar em museus, em galerias, em espaços, foram convidados através dessa conexão. No fundo, porque o projeto é um trabalho de encontro, é um trabalho de apresentação e de criar essas ligações, de criar entre os vários agentes do sistema artístico. E é muito importante realmente ver que isso começa a funcionar e começa a dar frutos.
Claro. É importante que também está presente, como sempre, e faço questão disso, esta multiculturalidade esteve sempre presente, este ano não é exceção. Há quase três dezenas de artistas de mais de duas dezenas de nacionalidades, que vão desde a Europa e da América até ao Médio Oriente. Tens muitas fotógrafas mulheres, também?
Sim. Nós desde o início que tivemos sempre atenção às questões do fundo de gênero e de equilíbrio de gênero, e sempre tivemos isso salvaguardado, quer a nível dos artistas que são selecionados, quer a nível dos próprios membros, no fundo, das instituições, isso sempre faz parte do ADN do projeto.
A Inês Marinho, por exemplo, uma portuguesa que tem cá trabalhos expostos, o José Alves, o Nuno Barroso. Há vários portugueses também, e além da curadora emergente, Mafalda Duarte Barrela, isso são tudo novos valores que tu também estás a apoiar e a apostar este ano.
Sim, são pessoas que são artistas, que já trabalharam conosco, e curadores, já trabalharam conosco, e que nós achamos por bem, no caso, muitas das escolhas foram feitas da Sandra, que achou por bem convidá-las e convidá-los a participarem.
Claro.
E é interessante quando fala da Mafalda, trabalhou como curadora, participou como curadora no ano passado, e esse ano está a fazer a curadoria das conversas. E aí já num outro papel, enquanto está a trabalhar conosco, e teve ali uma evolução do seu trabalho.
É muito curioso, porque estamos agora exatamente a falar destas conversas, porque é uma extensão que tem o Paralelo este ano. Foram ao Museu de Lisboa, Palácio Pimenta, então neste Pátio dos Tilhos acontecem estas conversas, se não me engano, há três, certo? No dia da manhã, para elas ocorrerem à tarde. Fala só um minuto dos temas que vão ser falados.
Nós convidamos a Mafalda para fazer a curadoria dessas conversas. A Mafalda veio da Zona Oeste, de Torres Vedras, do Entroncamento, e que isso é uma curadora que está fora dos grandes centros de Lisboa. E ela achou por bem convidar a fazer três grandes conversas, ligadas às questões da subjetividade, às questões dos locais e como é que os locais influenciam as práticas artísticas.
Exatamente.
As questões ligadas ao espaço e como o espaço se desenvolve na abordagem da criação artística de cada um deles. Eu só chamava aqui a uma coisa quando citou a Inês Marinho. E a Inês, por exemplo, apresenta um trabalho na exposição e vai falar sobre esse trabalho também nas conversas. Que é um trabalho que foi feito, a Inês vem do Norte de Portugal, e ela fez um trabalho em conjunto, ela fez uma troca de postais, nessa lógica epistemológica.
Com um iraniano, certo?
Com uma iraniana.
Uma iraniana, já sei. Muito interessante.
No fundo, entre a Inês e a Negar, houve uma troca de postais.
Que giro.
E é muito interessante perceber, porque não é a primeira vez que a própria Negar se inscreveu e foi selecionada. Nós não sabíamos de onde é que ela tinha aparecido, como é que de repente temos uma artista que é iraniana. E veio a partir da Inês Marinho, que tinha estudado com ela, tinha cruzado com ela, e sugeriu a ela de participar. E essas redes são muito interessantes. Nós por acaso, no terceiro ano de projeto, tivemos duas iranianas. Uma que é artista, a Negar, e tivemos a Zoreh, que é uma curadora. E de repente, estamos a trabalhar num projeto com duas iranianas, que é uma relação que é assim completamente pura. Ou da Nova Zelândia e obviamente, muitas pessoas da Europa.
Muito curioso.
E do Minho, Trás-os-Montes.
Nuno, nós temos mesmo a terminar, mas também vamos falar que vai haver umas oficinas no museu também, no Palácio Pimenta, o Museu de Lisboa, com a Associação Tira-Olhos. Vamos ter essas oficinas sobre fabrico de papel reciclado, papel em cianotipia ou luminogramas. E também antotipia. Portanto, isto vai haver este ano todo, em várias sessões. No site da Paralela podem com certeza consultar tudo o que vai acontecer. Este ano ainda vão ter o último apontamento, Nuno, o Prêmio Paralelo vai haver ou não?
Não, esse ano não vamos fazer. Vamos fazer uma edição especial, mas não há novos trabalhos produzidos, por isso não temos o prêmio. Mas depois haverá no próximo ano.
Sim, senhor. Nós infelizmente não temos tempo para mais, mas quero te agradecer muito, Nuno Ricou Salgado. Obrigado pela tua disponibilidade em voltares ao Observador. Fica aqui o convite a si que nos ouve, visitar até o fim de outubro o exterior do Mercado de Alvalade, onde pode ver esta retrospectiva na forma de mural com 60 metros de fotografias. Obrigado, Nuno, e até para o ano. Nós esperamos te ter na quinta edição. Muito obrigado, bem-hajas.
Muito bem, muito obrigado também.
Aqui no K4 vou deixar-lhe três sustões: antiguidades e design na Cordoaria, uma suíça que traz ao Chiado a oitava reação em cadeia, máscaras greco-romanas no único teatro romano do país. Aí está, até domingo, dia 19, regressa à Cordoaria Nacional, em Lisboa, após um ano de interregno, a nossa mais prestigiada feira de artes e antiguidades, Lisbon Art and Antiques Fair, reunindo 24 expositores entre antiquários e galerias de arte moderna e contemporânea, a que se juntam pela primeira vez dois ateliês de arquitetura e design de interior. É já um evento de referência pela diversidade e autenticidade das peças apresentadas, englobando no mesmo local arte antiga, moderna, contemporânea e design. Faltam também as Curated Talks, dedicadas ao tema "Mercados das Artes Hoje, o Novo Paradigma?" Entrada pelo Torreão Poente da Cordoaria, segunda a quarta, das 15h às 21h, quinta a sábado, das 15h às 23h, domingo, das 12h às 20h. E até 26 de novembro, na Galeria da Fidelidade Arte, no Chiado, está patente a exposição "Side Facing the Wind", de Silvia Bächli. É o oitavo momento do ciclo Reação em Cadeia, em que cada artista escolhe o artista que lhe sucede. E segue daqui para a Culturgest do Porto. Trabalhando quase exclusivamente na área do desenho, a suíça tem explorado, desde os anos 80, o traço e a cor para fixar impressões e sensações que experimentamos todos os dias. Desenhos que são ensaios, como explica o curador Bruno Marchand. Imagens que fazem aproximações do mundo intangível. No Largo do Chiado, número 8, segunda a sexta, das 11h às 19h. E até 17 de outubro, está patente no renovado Museu de Lisboa, Teatro Romano, a exposição "Ars Fatuum: Máscaras que Falam". Uma coleção de 34 máscaras de inspiração greco-latina, reinterpretadas através da cerâmica e da composição gráfica, junto a quatro peças especiais das últimas edições do Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida. São 34 esculturas em cerâmica decorada e 30 imagens. É a segunda atividade este ano da Mostra Espanha, o festival bienal organizado pelo governo espanhol para promover a cultura deste país. Em Portugal, já na sua sétima edição. Uma mostra inspirada em temas greco-latinos que recolhe a tradição do trabalho artesão, junto com a modernidade dos tempos, no Teatro Romano, em Alfama, todos os dias, menos segundas, das 10h até às 18h. São das esculturas contemporâneas mais reconhecidas do mundo, as aranhas gigantes de Louise Bourgeois. A arte da franco-americana, nascida há 110 anos, no dia de Natal, em Paris, assumiu muitas formas diferentes e explorou tópicos como a memória, o sexo e o trauma. Mas as obras que definiram a carreira da artista, que nos deixou em 2010, são as suas esculturas de aranhas, algumas das quais se elevam a 10 metros de altura, um prédio de três andares. Uma carreira longa, que passou pelo desenho, pintura e gravura, por escolas de arte em Paris e em Nova York, só se focou na escultura nos anos 40 e só na parte final da sua carreira, já nos anos 90, é que se centrou nas aranhas devido a traumas de infância, elevando-as a uma escala monumental. "Escolhi a aranha porque me lembram a minha mãe. Deliberada, inteligente, paciente, calma, razoável, delicada, subtil, indispensável, limpa e útil como uma aranha", explicou um dia. A maior todas, Maman, com 10 metros de altura e em aço, foi criada para a inauguração da Tate Modern, em Londres, em 2000. Os visitantes podem deambular em torno das suas oito pernas abertas e espiar o seu corpo, um elegante nó de formas enroladas. Embaixo, a grande aranha carrega um saco de ovos de mármore. Um dos seus seis moldes de bronze está no exterior do Guggenheim, no Bilbao, e outro em Ottawa, no Canadá. Estiveram expostas no Rockefeller Center, em Nova York, em 2001, estiveram no Museu de Arte Moderna, em São Francisco, em 2017, e em muitos outros espaços em todo o mundo. Bourgeois criou aranhas de todos os tamanhos, desde joias de pequena escala até gigantes do tamanho de prédios. São definitivamente das esculturas mais amplamente reconhecidas do mundo. E é tudo por hoje. O 81º K4 fica por aqui. Até lá, boas exposições. Eu sou o João Paulo Secadura, conto consigo no próximo K4, aqui na Rádio Observador.