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Momentos de Glória da Rádio Observador.

Jesus Cristo disse: "Deixai vir a mim as criancinhas". O deputado do Chega, José Carvalho, que ainda não é tão famoso quanto Jesus Cristo, mas para lá caminha, certamente, apela a que deixem as criancinhas em paz e, pelo meio, dá uma aula de Biologia.

Deixem as crianças em paz, deixem as famílias em paz. E não podemos dizer às crianças que hoje podem ser menino e amanhã menina. Para nós, um menino é um menino e uma menina é uma menina. Um menino tem uma pilinha e uma menina uma vagina. Isto é Biologia, o resto é ideologia.

Isto é Biologia, não é ideologia. Ou alguém tem dúvidas de que o termo científico para o órgão sexual masculino é pilinha? Não acho que haja dúvidas, é assim que se diz. Mas José Carvalho foi um pouco ideológico quando se referiu ao órgão sexual feminino como vagina, em detrimento do mais exato pipi. Devia ter dito pipi. Se é pilinha, tem que ser pipi. Mas percebe-se, José Carvalho, tudo indica, pelo menos segundo as informações que temos, é um indivíduo do sexo masculino e os homens têm o hábito de tratar carinhosamente o seu apêndice maior ou mais pequeno. Alguns até o tratam por zezinho, que também é um termo aceito pelas mais prestigiadas publicações científicas. Portanto, a partir de agora, nas aulas de Biologia, os professores que não queiram cometer o pecado da ideologia devem referir-se, respetivamente, a vaginas e pilinhas. Já que estamos a falar de crenças e ciência, vamos perceber se Rui Rocha acredita em sondagens.

Perguntam-me muitas vezes se acredito em sondagens. Não acredito.

Pronto, já está respondido. Não acredita. Rui Rocha não acredita em sondagens, até segunda-feira. Mas se ele não acredita em sondagens, no que o antigo líder da Iniciativa Liberal acredita?

Acredito mais depressa em astrólogos, na Alexandra Solnado, na Maya, no Paulo Cardoso, do que em sondagens.

Pronto. Eu não sei se ele acredita mesmo ou se está a dizer isto da boca para fora. Mas se ele não acredita, devia acreditar, pelo menos, na Alexandra Solnado, porque qualquer político devia acreditar ao menos nestas palavras de Alexandra Solnado.

E o que eu quero te falar hoje é que todas as coisas que você fala ficam registradas e nunca mais desaparecem.

Pois, nem todos os políticos se lembram disso.

Agora não dá para andar para trás.

Pois é. Alguns políticos não se lembram disso e deviam acreditar, deviam levar muito a sério as palavras de Alexandra Solnado. Marques Mendes é que nunca deve ter ouvido Alexandra Solnado. Acho que não. Há uns anos, ele foi convidado do programa "Cinco para a Meia-Noite" e Clara de Sousa, que na altura fazia com ele o programa de documentário na SIC, apareceu de surpresa e fez-lhe esta pergunta.

Olá a todos, olá doutor Luís Marques Mendes, boa noite. Aqui estou eu também para lhe fazer a si uma pergunta. A sua foi muito simpática para mim, portanto a minha será obviamente muito simpática para si. Há do seu lado alguma ambição de ocupar o cargo no Palácio de Belém? Lá no fundo, anseia ou não por um dia poder ser presidente da República?

E pronto, apanhou Marques Mendes. Foi há uns anos, é verdade. E claro que Marques Mendes disse logo que sim, senhor, que queria ser presidente da República.

É sempre com gosto que eu vejo a Clara. Quanto à questão que ela coloca, não, não está minimamente nos meus planos alguma vez voltar à vida política ativa, coisa de onde eu saí já há cerca de 10 anos, e ser candidato à Presidência da República.

Não põe essa hipótese?

Não, não está minimamente nos meus planos, nem nas minhas prioridades. Como há bocadinho já expliquei à Filomena, a minha vida política começou muito cedo e acabou muito cedo.

Já chega. Então a sua decisão...

Começou aos 18 anos, acabou aos 50 anos e estou bem com a vida a fazer outras coisas. Portanto, não está nos meus planos, mas eu percebo a curiosidade.

Pronto, aí está. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, os desejos, os planos. Agora, Marques Mendes, eu tenho de fazer isto, tenho de deixar aqui novamente o conselho de Alexandra Solnado, porque desta vez não resultou, claramente.

E o que eu quero te falar hoje é que todas as coisas que você fala ficam registradas e nunca mais desaparecem. Não só ficam registradas no registro akáshico, como ficam registradas na cabeça da outra pessoa.

Ora aí está.

Foi o caso. Pelo menos ficou para a história. Voltou.