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Momentos de Glória.
O Parlamento discutiu no final da semana passada algumas propostas sobre o bem-estar animal. O PAN, por exemplo, propôs o fim do acorrentamento de cães, entre outras medidas, o que levantou algumas dúvidas a João Almeida, do CDS, e ele procurou esclarecer essas dúvidas da proposta de Inês de Sousa Real.
O PAN defende que, por exemplo, os cães só possam estar acorrentados no máximo, é um dia de exceção, durante três horas, no caso de serem violentos. Eu pergunto à senhora deputada: e nas outras 21 horas deixam de ser violentos porque a senhora deputada não deixa? Como é que é? Onde é que está a ciência de permitir três horas e não permitir mais tempo? Ou são tão violentos que não podem estar soltos ou faz-lhes tão mal estar presos que não podem estar presos. Agora, três horas é que não faz sentido nenhum. Isto são os parvules dos senhores deputados e ao costume.
Pronto, mas as dúvidas não ficam por aqui. Há mais sobre as condições, por exemplo, as condições de habitabilidade e sobre quem é que essas condições se aplicam.
E depois diz que as casas têm que ter as condições, não podem estar em anexos, nem em espaços confinados. Eu estava a ler o projeto, não sabia se quem não podia estar no anexo era o cão ou era o dono. Eu vou lhe ser sincero, eu há instantes estava a ler o seu projeto e pensei assim: o cão não pode estar no anexo, mas será que a pessoa pode? E se a pessoa tiver um problema, só tem mesmo o anexo, se for dormir para o anexo e deixar o cão na casa, já pode? A senhora deputada, é tão estúpido quanto isto? É tão estúpido o projeto quanto isto?
Calma, que ainda há mais dúvidas sobre realojamento.
As exigências, depois diz assim: caso não seja possível, devem ser equacionadas medidas de realojamento. De realojamento de quem? Mas vai fazer realojamento com casotas? Vai fazer um programa de casotas e depois vai dando para a casota também? A senhora deputada, por amor de Deus! Por amor de Deus, tenha noção do ridículo. A sério.
Muitos aplausos.
Muitas dúvidas sobre este tema, que vieram também da bancada ao lado, da Iniciativa Liberal, expostas aqui por Mário Mortágua.
E depois, a questão do confinamento. É que isto não se aplica só aos apartamentos de Lisboa ou do Príncipe Real. E os cães de gado e de pastoreio? Alguns deles são bastante agressivos pela sua natureza. Não podem ficar confinados? Vai lá a senhora deputada durante a noite passeá-los? Onde é que eles ficam, estes cães?
Aqui temos grandes dúvidas. Há muitas questões, sobretudo destas realidades distintas entre o mundo rural e o Príncipe Real, que nos atravessam em muitos temas, não só nestes. São coisas diferentes. E gatos e cães também são diferentes, caso não saibam.
O Livre propõe pegar nos cães, sterilizá-los e devolvê-los à rua. Isto não faz sentido absolutamente nenhum. É que um cão não é um gato. Não sei se alguma vez pensaram nisso. Um cão é um cão, um gato é um gato. Os comportamentos são diferentes. O gato consegue ainda sobreviver na rua. Cães, em matilha, são perigosos. E portanto, uma vez mais, é uma ideia saída do laboratório de ideias do Livre, de Adi Martos, que aterrou aqui no Parlamento e nós temos de a discutir. Enfim, senhores deputados, até lá as dores.
Aqui já se discutia também algumas ideias do Livre.
Não só do PAN.
Não só do PAN. Vamos deixar o Bobby e o Tareco em paz. Vamos aos grandes problemas do país. Não estou a dizer que os dos animais não sejam graves. Lá vêm os animais. Vamos falar das pensões. O Reconquista, aquele movimento nacionalista xenófobo da direita radical, tem uma proposta muito inovadora.
Pensões estão a destruir economicamente este país. E deixa-me dar-te este exemplo: se nós acabássemos com todas as pensões amanhã, o IVA poderia ser diminuído do número que está agora, a zero, e iria sobrar para dar a todos os jovens entre 18 e 34 anos portugueses 4.200 €. É assim tanto que pensões estão a matar este país.
Como é que nunca ninguém se tinha lembrado disto? É o verdadeiro ovo de Colombo. Deixam de se pagar as pensões, corta-se o IVA para zero.
Querem é resto.
O Alexandre Gazur, que é assim que ele se chama, tem um apelido estranho, se calhar devia estar naquela lista que o Chega uma vez leu no Parlamento. O Alexandre Gazur tem, não sei, para 20 e poucos anos. Ele já nos dá aqui uma ideia, é o autor desta brilhante proposta de reconquista. Ele explica a essência da proposta.
O nosso país está a ser até à morte por velhos. Tu perguntas porque é que todos estes jovens estão a abandonar o país? Porque nenhum jovem quer estar a pagar 60% do seu salário potencial total à velhada.
E como vamos ficar a saber, ainda por cima esta velhada é ingrata.
Quando eu for velho, todas as projeções estão a dizer que este sistema já terá colapsado, pois eu nem sequer vou receber pensões, eu não vou receber nada. Pessoas da minha idade, como tu, não vão receber nada, mas vamos estar a pagar tanto e tanto a nossa vida inteira para estes velhos que votam todos os anos pelo PS.
Mas porque é que ele fala assim? O PS. São instituições. São estilos.
E pronto, fica a proposta.
É acabar já. Com os velhos.
Pode ser que eles deixem de votar no PS.