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Na quarta-feira tivemos greve geral e isso sentiu-se um pouco por todo o país.
Estou de greve e vim à praia com a minha filha e com a minha neta aproveitar o dia.
A sua neta também não tem aulas?
A neta não tem aulas, está em greve também. A greve não é propriamente para aproveitar o feriado, como as pessoas dizem. É para contestar o pacote laboral, que é realmente, para os funcionários, muito mau. É um direito do trabalhador, temos que mostrar a nossa indignação de alguma maneira.
E cada um escolhe o sítio onde se quer indignar.
A senhora devia estar a trabalhar para o bronze, não estava a fazer greve.
Da praia para os relvados, o mundial está aí, começa já quinta-feira. Dia 11, não é?
Sim, exato.
E nada como uma palavra de incentivo para dar ânimo aos jogadores, neste caso, a Gonçalo Guedes.
Gonçalo Guedes? Onde é que está Gonçalo Guedes?
É o Gonçalo Guedes.
Gonçalo Guedes. Está ali.
Está o Gonçalo Guedes ali, está sim senhor. Do lado direito.
Ao lado do Gonçalo Ramos.
Ao lado do Gonçalo Ramos.
Exatamente.
Distinguem-se os Gonçalos pelas orelhas. Não tem umas orelhas um bocadinho notáveis?
Notáveis.
Estou a dizer isso com carinho.
Está bom.
Com certeza. Então quem tem o nariz como eu pode criticar qualquer outra coisa? Tenhamos a responsabilidade assumida. Eles são maravilhosos, todos.
Mas não tem as orelhas melhores. São notáveis, diz ela que são notáveis. É Maia. Isto quando é dito do coração dói menos. O que vale é que há sempre quem não poupe nos elogios ao que é nacional. Eu não sei se isto se pega, mas tal como Santana Lopes, agora foi João Cotrim de Figueiredo a falar de música e se há algo que ele domina é uma coisa muito portuguesa: reggae dancehall.
Pode um branco ser tão bom no reggae dancehall como um jamaicano? E a resposta dos jamaicanos é sim, e a minha também é sim. Mas Richie Campbell tem uma importância grande na música urbana portuguesa. Foi o primeiro a fazer a transição boa da internet para as editoras tradicionais. O seu primeiro disco, "My Path", conseguiu 25 ou 26 mil downloads na altura. Foi uma loucura, e só via Facebook e MySpace e o site. Conseguiu encher o Campo Pequeno antes de ter uma editora, que é uma coisa extraordinária. Portanto, foi muito bem sucedido nessa passagem, percebeu como é que funcionava a música no mundo digital. Fez o mesmo esforço de pioneirismo na sua editora, a Bridgestone, que lançou nomes da música urbana portuguesa tão importantes como Plutónio ou Dan Gaz.
Isto continua. Ele sabe isto. Isto parece que esteve no mestrado, não é? É Richie Campbell. Pronto, isto continuava. Sim, sabia mais. Já nós sobre reggae dancehall, seis dúvidas. É como as cartas de amor. Dúvidas, quem as não tem?
Olha lá, estou te a ligar para te tirar uma dúvida, que tu és mais aí dessas áreas.
Para te tirar.
Olha lá, tu quando escreves o riso, o grafismo ou grafia, ou lá o que é aquilo, tu pões h-h-h-h ou h-h-h-h? É que nós rimos ha-ha-ha-ha-ha, não é? Não é a-a-a-a-a-a, como os macacos. Então, pois. Então é o H primeiro. Pois, mas ninguém faz.
Eu também tenho esta dúvida.
Não, é que eu tenho esta dúvida. Como é que eu faço, estás a perceber? Não sei se eu prefiro passar por burra e escrever bem ou passar por inteligente e escrever mal.
Faz, faz.
Como toda a gente faz.
Sobre isso ninguém fala.
Oh filha, eu não sei. Isto é muito complicado, porque olha lá, já os brasileiros é k-k-k-k-k-k-k, estás a ver? Onde é que é k-k-k? Parece uma galinha, não faz sentido nenhum. E os espanhóis? Ja-ja-ja-ja-ja-ja. Ou ha-ha-ha, nem que se riem assim. Não sei.
Como é que é convosco? A-h-a-h? Eu escrevo a-h-a-h.
Eu também. Eu também sou team a-h-a-h.
Está ali o João Costa Silva, tenho que perguntar isto ao Marco Neves. A Joana Marques sei que não tem dúvidas. Velhinhos de 90 anos? Serial killer, na certa.
Fomos votar e de repente ando a chegar ao carro e há só uma pessoa que do nada passa por mim e diz assim: "Olhe, aquele carro azul é seu?" E eu: "É". "Aquele senhor que bateu no seu carro e está-se a preparar para fugir." Chego lá e era um senhor já com 20 anos.
Eram velhinhos, mas velhinhos.
Vinte anos. Eu bato só no vidro: "Desculpe, você bateu no meu carro." E ele: "Carro? Eu não sou carro, não bati nada." Já tira para arrancar.
O carro já todo amolgado.
"Desculpe." "Isto não é nada." Ele sai do carro, vai à mala e a Joana grita assim: "Ele vai buscar uma arma!"
E eu fui buscar os homens.
Não. E ele saca um jerrican com algum líquido e diz assim: "É ácido! Ele vai-te queimar todo com ácido!" E eu: "Ah, pá, então."
Ácido?
E ele foi buscar uma cena para polir.
Eu vejo imensas horas de CMTV. Isso está sempre a acontecer. Então aquilo para mim é assim, eu já vi este filme.
Joana Amaral Dias também anda aí atenta ao trânsito, mas não aos velhinhos de 90 anos, a não ser que andem de trotinete.
Andar a pé em Lisboa transformou-se num inferno, porque agora temos as trotinetes e as bicicletas que se acham muito modernas e muito evoluídas e civilizadas, mas são incapazes de parar numa passadeira. Por exemplo, aqui não há cá paragem na passadeira e aqui também não para na passadeira, ninguém para na passadeira. Isto é a falta de respeito absoluta. Porque eu que sou habitualmente pedonal em Lisboa, pedestre, vivo com este baralho todos os dias.
Eu tinha ouvido esta expressão, "ela ficou com este baralho todos os dias". Eu também fico passada com certas coisas. Por isso é que hoje acordei como esta senhora, em modo ia.
Hoje eu acordei no modo ia. Eu ia trabalhar, mas não fui. Eu ia limpar a casa, mas não vou. Eu ia fazer comida, mas não quero fazer. Eu ia lavar roupa, mas não estou afim. Hoje eu vou é descansar.