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Estes são os Momentos de Glória.
Ora vamos lá. Nós sabemos que uma parte importante do debate político nacional acontece nos municípios. Na Assembleia Municipal do Seixal, o presidente do município é Paulo Silva, eleito pela CDU, e ele tem argumentos políticos muito fortes contra o representante do PS.
Como é que eles vão?
A informação que tenho é...
Sr. Presidente, só um momento, por favor. Sr. Presidente da Câmara, só um momento, por favor.
Se é o melhor que você consegue fazer é oh, oh, oh, oh, tenho muita pena. Muito pena, mas pronto, quando não se tem argumentos. Mas cada um utiliza os argumentos que tem. Eu estava a intervir. Posso acabar a minha intervenção ou você vai continuar com os seus oh, oh, oh? Não sei. Eu estava na minha intervenção, o senhor não a respeitou e começou oh, oh, oh. Parecia o Pai Natal. Oh, oh, oh. Pronto.
Paulo Silva, presidente do município do Seixal. Mais a norte, em Matosinhos, discute-se ainda o chumbo do pacote laboral no Parlamento e é o representante da CDU, Ricardo Santos, que troca argumentos aqui com o PSD.
Foi o Chega. A votação, senhor deputado, foi a que foi. Os senhores é que escolheram os parceiros.
Um de cada vez, senhor deputado.
Senhor deputado.
Um de cada vez, senhor deputado.
Os senhores é que escolheram os parceiros.
Senhor deputado Francisco Belinho.
Deixe-me dizer-lhe uma coisa, senhor deputado, ficou muito incomodado na última assembleia aqui com os apartes do senhor vereador. Aconselho-o também a que não faça tantos apartes para eu poder acabar. Nem os seus, portanto, pode ficar calado enquanto eu estou a intervir. Pronto, então tenha calma que ainda lhe dá um refluxo.
Um refluxo? Isso é uma nova sintomatologia.
Senhora presidente.
Um refluxo. Pronto, mas problemas gástricos à parte, o Chega votou, de facto, ao lado da esquerda, no pacote laboral, no Parlamento. Isso leva muita gente a dizer que o partido de André Ventura é de esquerda, o que o próprio Ventura nega, mas o deputado Rui Afonso tem um entendimento diferente sobre isso.
O senhor deputado diz que os nossos projetos de lei são parecidos aos da esquerda. Se reduzir a idade da reforma para 65 anos ou para 40 anos de descontos é ser de esquerda, então vamos assumir que somos de esquerda, mas somos portugueses.
São portugueses. E uma coisa leva aqui à outra e de nacionalidades passamos rapidamente para a cor da pele. O nacionalista xenófobo Alexandre Gazur tem uma teoria sobre o assunto aplicada, neste caso, ao futebol.
Se um africano não marca um golo, toda a gente olha para o lado como se nada acontecesse. Se um africano marca um golo, então é logo um festejo. Ele é tão português como Dom Afonso Henriques. Todos os africanos são portugueses e nós precisamos de deixar entrar dois milhões de imigrantes porque um preto marcou um golo. É literalmente isso que começam a colar no Twitter, no Instagram, em todas as redes sociais. É sempre assim. Mesmo se Nuno Mendes fosse o próximo Cristiano Ronaldo, para quê ter jogos entre nações se nós podemos, ou qualquer outra nação, pode ir buscar jogadores a qualquer outra nação?
Portanto, Nuno Mendes negro fora da seleção e já.
Onde é que tu vais buscar estas coisas?
Pois, é verdade. Debaixo de que pedras é que isto sai? E as pessoas que têm nomes de origem estrangeira. Gazur tem uma teoria muito própria, sobre ele próprio, claro.
Existem muitas pessoas que gostam de fazer o gotcha e dizem: "Nuno Mendes não é português, mas tu chamas-te Gazur e Gazur não é um nome português, é um nome eslavo/francês. Se este nome não é português, então tu é que não és português", dizem eles. O argumento incrivelmente fácil de usar para refutar isto é este: eu sou branco, por isso sou português.
Ora cá está, uma lógica muito cartesiana, branco, logo português. Não há qualquer dúvida. Independentemente da cor da pele, há uma lógica infalível para o sucesso da seleção portuguesa. Gonçalo Ramos explica o que se passou no balneário, no intervalo do jogo que houve com a Croácia e que Portugal ganhou. Uma versão que, aliás, Bernardo Silva logo a seguir confirma.
E a verdade é que eu disse aos meus colegas hoje no balneário, ao intervalo, para não se preocuparem, que se eu entrasse ia marcar. E a verdade é que consegui cumprir o que disse.
Gonçalo disse aqui, há pouco, que tinha dito aos colegas: "Calma, que se eu entrar vou marcar." Confirma?
Eu estava sentado ao lado dele no banco e o Gonçalo tem sempre uma fé muito grande naquilo que pode fazer se entrar e hoje disse: "Não te preocupes que eu hoje vou entrar e vou fazer gol", e fez.
Vou convidar o Gonçalo Ramos para ir lá a casa.
É simples.
Se for assim tu vais ganhar agora o prémio.
É simples. Gonçalo Ramos, no intervalo, diz: "Fiquem descansados que eu vou entrar e vou marcar". Ele entra, ele marca, está resolvido. Não percebo.
O futebol é bastante simples.
Muito simples. Estas lógicas do futebol. Mas uma das grandes estrelas deste mundial é o guarda-redes cabo-verdiano, Josimar Dias, que conhecemos todos por Vozinha. Antes do jogo de Cabo Verde contra a Argentina, a reportagem brasileira da Globo andava à porta do estádio a falar com adeptos, como é habitual, e aconteceu isto.
Cabo Verde aqui também. Olha aqui, tudo bem? Confiante para hoje?
Graças a Deus, confiante que Cabo Verde vai fazer um bom resultado.
Qual o resultado que você espera?
Para nós, qualquer resultado é satisfatório, mas eu acredito que Cabo Verde vai fazer um empate e nos penáltis ganha.
E nos penáltis o Vozinha vai pegar algum pénalti, é isso?
Eu acredito que sim e também estou confiante que isso vai acontecer. Eu sou o pai dele.
Você é o pai?
Sim.
Do Vozinha?
Justamente.
Você está brincando, está falando sério?
Não é um vínculo no serviço, quando eu falo, eu falo sério.
Meu Deus, e o orgulho que você está sentindo dele?
É claro, Cabo Verde, todo Cabo Verde está orgulhoso dele e eu mais do que qualquer outra pessoa.
A sorte que importa.
Completamente. Quais são as probabilidades disto acontecer? Ali no meio do nada aparece um senhor com a bandeira de Cabo Verde, que era o pai de Vozinha. E desta modéstia para outra coisa completamente diferente. Na conferência de imprensa de ontem, o capitão da seleção portuguesa, supostamente em representação do país, mostra que não convive nada bem com a crítica.
Vou dar aqui à marca.
Dá aquele rapaz que está à frente dele. Aquele rapaz, que ele não gosta de mim. Quer ver se ele me faz uma pergunta boa.
Então vá. Quem?
É aquele que está ali. Sim, tu. É ele. Eu sei que ele não gosta de mim.
Cristiano, tudo bem? Eu te adoro. Prazer falar com você. Queria saber qual é a coisa mais difícil de se jogar uma Copa do Mundo aos 41 anos.
Qual é a coisa mais difícil? É falar com vocês, com alguns de vocês. Os que não gostam, principalmente. Tu és um deles, que eu sei. Eu fixo bem as caras das pessoas. Só basta ver uma vez e já não esqueço mais.
Eu fixo bem as caras das pessoas.
Estás na minha lista negra.
Muito bem. Ali, supostamente a representar todo um país, mas fica o aviso, então, quem critica Ronaldo, ele já fixa a sua cara. Se calhar, é por isso que o selecionador mantém-no a jogar. Nunca se sabe.