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Bem-vindos a mais um "Movimento de Futuro", o podcast sobre mobilidade sustentável promovido pelo ACP, o Automóvel Clube de Portugal. Hoje vamos falar de automóveis elétricos, a alternativa aos combustíveis fósseis tradicionais, que está a impor-se de forma mais decisiva. E vamos fazê-lo com Elsa Serra, diretora do ACP Autos. Eu sou o Paulo Ferreira, da equipa das manhãs da Rádio Observador. Bem-vinda, Elsa Serra.

Obrigada.

Vamos começar pelo início. Quais são as maiores vantagens e inconvenientes dos carros elétricos?

A maior vantagem é a componente ambiental, termos uma opção de mobilidade que não emite CO₂. Essa é essencialmente a grande vantagem. Depois tem alguma questão de comodidade, o facto de nós podermos estar em casa e enquanto dormimos ou enquanto trabalhamos, podermos estar o carro a carregar e não termos aquela preocupação de ir à bomba, se nós tivermos capacidade de poder carregar a viatura em casa ou no trabalho. Mas é ter esta questão de aproveitar os tempos mortos para carregar e não estar a fazer deslocações desnecessárias.

Claro.

Tem alguns inconvenientes. O primeiro, só em relação à vantagem, também em termos de custos de manutenção, sendo um carro com uma tecnologia mais simples, também os custos de manutenção serão tendencialmente menores.

Podemos pensar que as faturas da revisão vão ser inferiores, talvez.

Sim, podem ser inferiores. Tendencialmente serão. Em termos de inconvenientes, temos, se não tivermos a possibilidade de carregar em casa, termos de nos deslocar a postos que podem ou não estar ocupados, têm um custo mais elevado ou menor, e obrigar à gestão e ao planeamento das viagens, tendo em conta a autonomia. Embora os carros hoje tenham uma autonomia muito maior e, portanto, os stresses que aconteciam há uns anos atrás de podermos ir a Setúbal e se apanhamos muita fila, podemos ter algum problema. Hoje em dia isso não acontece.

Já não existe isso.

Vai-se e vem-se tranquilamente sem problemas.

Depois temos várias combinações que incluem os elétricos puros, se quisermos, os híbridos plugin, os híbridos que apenas se vão autocarregando, se quisermos. Estas diferentes tipologias têm utilidades diferentes também?

As pessoas têm necessidades diferentes e cada uma das viaturas pode cometer essas necessidades mais eficazmente. Se eu não tenho um carregador em casa, um híbrido plugin não me serve, porque é muito caro carregá-lo num posto público e não tendo outra possibilidade de não ser em casa ou no trabalho, isto não me vai servir porque me vai ficar bastante oneroso. E então aí mais vale adquirir uma viatura híbrida.

Híbrida, tal que autocarrega nas travagens, nas desacelerações, com a dinâmica do próprio automóvel.

Se tivermos esta capacidade ou se tivermos uma empresa em que eu consiga também ter alguns benefícios fiscais, então eu posso ter e devo ter uma viatura elétrica, que é mais amiga do ambiente, principalmente se eu me deslocar dentro da cidade no meu percurso diário e andar em percursos curtos sem necessidade de andar sempre em estresse de tenho ou não tenho autonomia e tenho que fazer uma viagem de 600 km e onde e quando é que eu posso carregar.

Portanto, basicamente temos que saber qual é o tipo de utilização que fazemos do automóvel e depois então adaptar a transição para o automóvel elétrico e para vários tipos de automóvel em função dessa necessidade. Neste momento, com o estado da arte, da indústria, se quiser, e dos modelos que estão no mercado, quem é que deve adotar os carros elétricos e com que capacidade de mobilidade elétrica? São já para toda a gente ou ainda não?

A maior parte dos carros que estão no mercado têm uma autonomia mínima volta de 200, 300 km, em termos mínimos. Isto serve para a maior parte das pessoas, se calhar quase uma semana de circulação, se morarem relativamente perto e, portanto, pode ser pra toda a gente. Agora, em termos de escolha de automóvel, nós todos compramos um automóvel emocionalmente, mas devemos fazer racionalmente. E todos queremos os carros de sonho, mas não são para todas as bolsas. E portanto, tem de haver um equilíbrio entre as distâncias que eu preciso de fazer, as necessidades de autonomia, as capacidades de carregamento e o dinheiro que eu tenho para gastar. Porque cada um destes tipos de tecnologia, por causa dos componentes que utilizam, por causa dos desenvolvimentos que já estão mais ou menos amortizados na indústria, têm custos diferentes. Estão cada vez mais próximos com a massificação das novas tecnologias, mas as novas tecnologias ainda têm um custo ligeiramente superior face a outro. As pessoas têm de fazer contas em relação àquilo que vão ter para gastar no investimento inicial e depois no abastecimento.

Na utilização corrente do automóvel. E os automóveis elétricos são mais caros do que o modelo equivalente a combustão, neste momento? Consegue-se fazer essa conta de alguma maneira ou ter uma noção disso?

Há alguns modelos que, em algumas marcas, têm o seu equivalente a combustão e o seu equivalente à mobilidade elétrica. Ainda são, pela inovação, e tudo o que é inovador tem um custo acrescido, porque ainda não está amortizado, sim, são um pouco mais caros. Daí a necessidade de haver apoios e incentivos à transição para a mobilidade elétrica, para fazer a compensação deste investimento inicial.

Vamos por aí então. Que incentivos públicos é que há para a compra de carros elétricos?

Em 2022, e eu digo em 2022 na questão de particulares, porque à data de hoje que estamos a gravar, ainda não saiu o diploma para -

O ano de 2023.

Para o ano de 2023.

Estamos a gravar no final de março de 2023.

Mas também é normalmente por esta altura que sai. O ano passado tínhamos um incentivo de 4.000 € para particulares que adquirissem uma viatura elétrica dentro do ano corrente. Em termos de empresas, temos os benefícios fiscais de isenção de tributação autónoma ou de diminuição da tributação autónoma, tanto para viaturas elétricas como para viaturas híbridas plugin. Já para os particulares, é só para viaturas elétricas.

Portanto, daqueles 100% elétrico, sem ser de combustão. Claro.

Viatura híbrida plugin, não. O ano passado, e até numa ajuda do Estado para aumentar a questão dos carregamentos, principalmente nos condomínios multifamiliares, foi introduzido um incentivo também à instalação de carregadores em condomínios para se poderem carregar e haver mais postos de carregamento.

Que é um bom incentivo, esse.

É um bom incentivo.

É um bom incentivo. Isto é, resolvendo essa questão.

Resolvendo essa questão.

Dos carregamentos no prédio, digamos, na garagem do prédio, resolve-se um obstáculo, se calhar, para muita gente.

Sim. Todos estes incentivos pecam por serem poucos, mas é verdade, também o dinheiro é finito também para o Estado.

Claro. Elsa Serra, diretora do ACP Auto, estamos quase a terminar este nosso episódio. Talvez resumindo, todos esses fatores devem pesar: a utilização que vamos fazer, o tipo de carregamento, o custo de compra, o custo de manutenção, incentivos, tudo isso pesado é que nos deve levar então à escolha do automóvel elétrico.

Exatamente. De acordo com as nossas necessidades, se eu tenho a necessidade de comprar um carro com mais autonomia ou com menos autonomia, ou se devo comprar uma viatura que tenha a capacidade de carregamento rápido e ultrarrápido, se eu tenho necessidade de fazer viagens e, portanto, ter de carregar o carro em 30 minutos, uma hora.

E já agora, como disse há pouco, também pôr mais racionalidade e menos emotividade na decisão.

Isso é para toda a vida e também para a aquisição dos automóveis.

Muito bem, obrigado, Elsa Serra. Este episódio do podcast "Movimento Futuro" termina aqui. Voltamos brevemente com um novo tema e um novo convidado. Até lá, já sabe, pode ouvir-nos sempre nas plataformas de podcast habituais.