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Sejam muito bem-vindos! Hoje vamos abordar uma questão central quando falamos de automóveis elétricos: a rede de carregamento e os tarifários disponíveis. E vamos fazê-lo com Elsa Serra, diretora do ACP Autos. Eu sou o Paulo Ferreira, da equipa das manhãs da Rádio Observador, e este é o "Movimento do Futuro", podcast sobre mobilidade sustentável promovido pelo ACP, o Automóvel Clube de Portugal. Bem-vinda de novo, Elsa Serra.

Obrigada.

Vamos então a este tema dos carregamentos, muito importante, aproveitando também para esclarecer muitas dúvidas que há e desfazer, certamente, alguns mitos. Antes de mais nada, como é que nós podemos carregar os carros elétricos? Podemos usar uma tomada normal da rede doméstica lá de casa, por exemplo?

Podemos usar uma tomada normal da rede lá de casa. Contudo, é algo que chamamos a atenção, a tomada, antes de começar a carregar um carro elétrico, deve ser vista por um técnico certificado e verificar se a tomada está em condições. Estamos a falar de carregamentos de alta tensão e, portanto, para bem do automóvel e bem da segurança da casa, apesar de se poder fazê-lo, deve ser vista antes de começar a carregar o carro.

Muito bem, e portanto, deve-se chamar um técnico ou ter alguém que perceba de eletricidade, do assunto.

Um técnico certificado, não pode ser um curioso. Tem mesmo de ser, porque estamos a falar de alta tensão. E às vezes tentamos poupar um bocadinho a chamar o técnico e depois podemos estragar o adaptador, ou o automóvel, ou mesmo a própria habitação.

Muito bem. Portanto, havendo condições, havendo garagem lá em casa ou sendo possível, de facto, instalar uma tomada com o técnico certificado, podemos fazê-lo e carregar normalmente o automóvel em casa. Quando passamos para a rede pública, como é que funcionam os carregamentos?

Os carregamentos funcionam através de um posto de carregamento, que é ligado ao nosso automóvel através de um cabo, que é fornecido quando da aquisição da viatura. E para carregar em qualquer um dos postos em Portugal, temos de ter um contrato com um CEM, um comercializador de energia.

Basicamente, uma das empresas que também fornecem energia lá em casa.

Exatamente. Antigamente, era necessário um contrato escrito. Hoje em dia, já existem operadores que através de aplicações podem, no imediato, baixar a aplicação e fazer o contrato de imediato e posso ir buscar um carro a uma rent-a-car, que é um carro elétrico, e não precisei de dias antes preparar e ter um cartão, basta uma aplicação. Posso também ter um cartão físico com qualquer contrato e basta colocar os cabos e acionar a aplicação e depois fazer o pagamento.

Ou colocar o cartão.

Ou colocar o cartão.

E a partir daí está o carregamento a ser debitado na nossa conta. Disse há pouco, falou do cabo, os carros vêm equipados com cabos de carregamento. Para as duas redes, porque são diferentes.

São. O cabo dos 220 volts tem um adaptador para carregar a viatura e é um cabo com duas fichas para ligar à rede externa, ambos em corrente alterna. Há aqui uma diferenciação entre corrente alterna e corrente contínua. Os cabos são distintos, os carros normalmente vêm com corrente alterna, os de corrente contínua estamos a falar de alta voltagem e normalmente estão disponíveis nos postos, que são nos postos rápidos e ultrarrápidos, que não dão para todos os automóveis, mas nos que estão disponíveis poderão também ter essa opção. Carregam em menos tempo.

É mais caro, certamente.

É mais caro.

Já vamos olhar para os tarifários. Só uma questão: os cabos são universais? Há entradas diferentes?

Há entradas diferentes conforme é nível. Europeu existe a tomada McCanche, que é comum a todos, mas os fornecedores japoneses têm outro tipo de tomada, mas os nossos postos de carregamento estão habilitados.

Preparados para carregar todos os carros. Portanto, já nos disse que para utilizar as redes de carregamento públicas que encontramos nas ruas, nos postos de combustível, nas autoestradas ou fora das autoestradas, centros comerciais também, alguns hotéis, alguns espaços públicos também têm esses postos. Esses postos, é necessário então ter um contrato com um fornecedor de eletricidade para esse fim, que é uma coisa simples, e a dimensão desta rede é já suficiente, desta rede de postos de carregamento?

A rede vai crescendo à medida que vai havendo também a procura crescente. Até agora temos alguns postos, mas a maior parte dos clientes de carros elétricos até acabam muito por ter carregamentos em casa, fazerem carregamentos em casa ou nas suas tomadas domésticas, ou porque instalaram wall boxes carregadores nas suas instalações. A rede vai crescendo à medida que vamos tendo. Temos a rede pública, gerida pela Mobi.e, e agora estamos a ver um aumento crescente de parques privados de carregamento e que vão aumentando a oferta e espalhando pelo país os postos de carregamento.

Portanto, a expectativa é que essa rede obviamente vá aumentando e vá sendo tão capilar quanto os postos de combustível, por exemplo. É por aí. E quanto é que custa carregar um carro elétrico? Nós temos um valor médio aí esse cálculo?

Primeiro, o mais barato sempre é carregar em casa.

Porque aí estamos a pagar tarifa de fornecimento de energia em casa.

Quando chegamos aos postos públicos, temos três tarifas. Uma que é a tarifa do posto, de quanto eu pago por utilizar aquele posto e porque pago pelo seguro, a taxa de ativação. Tenho o custo da eletricidade com quem eu tenho contratado numa aplicação ou através de um contrato CEM, e depois tenho as taxas e impostos associados. O conjunto destes três fatores é que nos fazem ter o preço final de carregamento. Agora, isto pode variar bastante. Varia com o fornecedor de eletricidade, e isto é comparável, e varia também muito em função dos postos. Vou lhe dar aqui o exemplo, em Lisboa, não muito longe do sítio onde nos encontramos, há um parque com 12 a 15 postos. No outro dia fiz um teste. O ACP, porque tem esta preocupação, tem uma app de carregamentos, que é a app ACP Electric, em que as pessoas podem abastecer e podem comparar o preço do posto de eletricidade. E naquele parque, onde estão 12, 15 postos, num carregamento de 30 minutos para abastecer a mesma quantidade de energia, eu obtive uma diferença de €6 em 30 minutos.

€6 em relação a outros postos.

Não, entre dois postos, entre ter escolhido o posto três, em vez de ter escolhido o posto sete.

Porque eram fornecedores diferentes de eletricidade, de energia.

Não, fornecedores diferentes do posto. A eletricidade era a mesma, que era a minha aplicação da app da ACP Electric. Portanto, não faz só variar o contrato de energia que eu tenho, mas o posto de carregamento que eu utilizo.

E o que é que as pessoas devem fazer para ter essa aplicação, eventualmente, ou outras?

O melhor é ter esta aplicação. Em termos desta funcionalidade, creio que neste momento somos a única aplicação que a tem, mas é antes de irem carregar um carro, verem nesta aplicação, na app da ACP Electric ou noutra, ou num site onde também se disponibilize, fazer a simulação de carregamento.

Que é para ir buscar o preço mais baixo. Claro.

Para aquela quantidade de energia, porque também posso ter preços de posto diferentes e obter carregamentos diferentes. Estamos a falar para a mesma quantidade de energia, é muito importante fazer a comparação.

Que é para evitar então pagarmos mais por um carregamento sem necessidade, basicamente. Como é que é feito o cálculo para comparar o custo por 100 km? Nós estamos habituados, no consumo dos automóveis a combustão, a fazer o consumo aos 100, basicamente. Como é que se faz isto para nós compararmos, de facto, o consumo com a eletricidade do consumo em combustível tradicional, se quiser?

Faz-se da mesma forma. Nós, na utilização do carro elétrico, temos a noção de quanto é que o nosso carro tem de consumo de eficiência energética. Por exemplo, números redondos, se o meu carro, pelo meu estilo de condução, eu tenho um consumo de 20 kWh para fazer 100 km, e se eu consigo carregar a €0,05 para fazer 100 km, contas redondas, gasto €1. É a mesma coisa, num combustão, se eu tenho um carro a combustão que gasta 5 L aos 100, estamos aqui otimistas.

Exato. Numa condução suave, claro.

E compro o combustível a €2, vamos só aqui para arredondar.

As contas, claro.

Eu gasto €10 para fazer os mesmos 100 km.

E portanto, é essa a comparação que deve ser feita. E para fechar, Elsa, é fácil aos automobilistas controlarem o custo inerente à utilização e ao carregamento das baterias elétricas dos carros?

Os custos, para já, é preciso ser estruturado. O consumo do carro elétrico depende da força do pé.

Mas talvez até de forma mais acentuada, no caso dos automóveis elétricos. A diferença entre uma condução mais rápida, mais agressiva, com mais acelerações, provavelmente faz-se sentir em consumos ainda maiores, quando se trata de um elétrico, do que a diferença que há também nos automóveis a combustão, não?

Talvez um pouco, mas a questão é que existe a maior preocupação, quem está a conduzir um carro elétrico, de ir controlando o consumo, do que o mesmo quando as pessoas têm um carro a combustão.

Porque ali é bem visível o ponteiro da bateria que vai baixando.

Exatamente. Quando é no carro a combustão, se nós ligarmos o computador de bordo e repararmos que o nosso carro que fazia 5 L aos 100, está ali a gastar 18, assustamo-nos porque fizemos uma aceleração súbita. Nós aquilo que notamos é que quem tem um carro elétrico tem uma preocupação de um consumo energético menor para aumentar a bateria, mas também um controlo maior dos custos no carregamento. E aí é fácil, os utilizadores normalmente têm um controlo maior sobre os custos.

Sobre os consumos, e acaba por ser mais transparente, além de ser obviamente melhor para o ambiente. Muito bem, obrigado, Elsa Serra. Este episódio do podcast "Movimento do Futuro" termina aqui. Voltamos brevemente com um novo tema e um novo convidado para continuarmos então a falar de mobilidade elétrica. Até lá, já sabe, pode ouvir-nos nas plataformas de podcast habituais.