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Quatro horas e 12 minutos. A Rádio Observador está em direto do Rossio, em Lisboa, com uma belíssima vista e também estou em ótima companhia. O painel da tarde é em direto, Judite França, Bruno Vieira Amaral e Vanessa Cruz até às 19h00. Queria ver se conseguia agora o contato com a Rita Camarneiro, porque combinamos que ela iria sair de Alvalade a esta hora, de bicicleta, para se juntar a nós às 16h35. Não sei se estamos a ser otimistas com o trânsito entre Alvalade. Rita Camarneiro, estás conosco? Boa tarde.
Olá, Nelson. Estou sim.
Onde é que estás?
Neste momento, mesmo em frente ao Observador.
Ao estúdio do Observador em Alvalade, não é?
Exatamente. É a primeira vez que eu ando numa bicicleta elétrica, já dei aqui uma volta.
Quais são as primeiras impressões?
É espetacular. Eu não tinha noção, eu acho que uma pessoa até chega mais bem-disposta ao trabalho. A levar com o vento na cara.
E também chega menos transpirado, não é? Que é uma coisa que acontece.
Vamos ver. Como é que vou chegar aí. E vamos sentar ao lado do Bruno Vieira Amaral, por isso, Bruno.
Bruno, boa sorte. A Rita está a chegar de uma viagem de Alvalade até aqui.
Boa sorte.
Rita Camarneiro.
Já tenho capacete, tenho bicicleta, sapatilhas, estou toda equipada.
Vens numa gira, não é?
Numa gira, sim.
Está combinado. Daqui a pouco voltamos ao contato com a Rita Camarneiro. Faz boa viagem, vem com cuidado, por favor. Tu às vezes és meia distraída, por isso tenha atenção nas regras de trânsito, também de bicicleta, entre Alvalade e aqui o Rossio. Até já, Rita.
Até já. Vou agora partir, vamos. Kimi, vai comigo.
Estamos a dar a partida da Rita Camarneiro em direto. Força. Vê se pomos aqui uma Rita à chegada. Temos que arranjar uma camisola. Rita, até já. Já falámos, marcamos encontro para daqui a pouco. A Rita Camarneiro vai fazer esta viagem entre Alvalade e a Praça do Rossio, de onde estamos a emitir durante esta tarde. Temos agora conosco a Filipa Anacoreta Correia, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Tem o pelouro da mobilidade. Muito obrigado por se ter juntado a nós.
É um gosto. Boa tarde.
Vice-presidente, no final da semana passada falei com a Ana Raimundo, a propósito do programa desta iniciativa, a Semana da Mobilidade em Lisboa. Algumas alterações logo durante o fim de semana, com receios da meteorologia. Queria só fazer um ponto de situação sobre possíveis alterações que tenham acontecido agora para os próximos dias. Está tudo como está no plano.
Nada indicia, do ponto de vista meteorológico, obrigue a alterações. Portanto, mantemos o plano do resto da semana.
Aqui no Observador, às 18h45, temos sempre um movimento verde, onde vamos dando informações desta semana da mobilidade e hoje é o dia da BICI. Explique-me o que é a BICI, uma iniciativa que escolheu Lisboa entre muitas cidades para fazer parte.
É verdade. Em quase 300 cidades candidatas, Lisboa foi escolhida nas 10 para desenvolver projetos de mobilidade, que de acordo com a candidatura de Lisboa, nós pretendíamos potenciar este programa e associar a Bloomberg, que é uma grande entidade filantropa que desenvolve vários projetos nesta agenda da mobilidade e da renovação energética, em projetos que eram dirigidos a melhorar a acessibilidade ciclável das escolas de Lisboa e ligá-las à rede ciclável. Para nós, era mais importante do que o valor, o envelope financeiro envolvido, era efetivamente ter a Bloomberg e sinalizar Lisboa como uma das cidades que está comprometida com esta preocupação.
Mas isso traduz-se num investimento para mais ciclovias ou para uma interligação maior às escolas e aos estudantes?
Nesse caso concreto, são ciclovias, mas é na perspectiva da ligação entre as escolas e a rede ciclável. Muitas vezes as ciclovias não param exatamente na escola e nós queremos, com este projeto, financiar a ligação às escolas. Só dizer que ao sermos selecionados, a Bloomberg deu-nos a garantia de um envelope financeiro de 400 mil euros, mas a Câmara Municipal de Lisboa vai muito além desse envelope financeiro. Temos um compromisso de 2 milhões de euros que nós queremos concretizar em vários projetos na cidade, sempre com esta preocupação de melhorar a acessibilidade ciclável e as escolas.
Para além da BICI. Já percebi. Para além da BICI, para além desse investimento que é feito pela BICI, a Câmara de Lisboa vai também contribuir.
Sim, é isso mesmo. O nosso compromisso é 2 milhões de euros, a BICI, a Bloomberg, o projeto, a candidatura, aquilo que nos foi garantido foi 400 mil euros.
Como é que estamos ao nível de ciclovias em Lisboa? Temos 173 quilômetros. Temos nesta altura aqui à volta do Rossio uma ciclovia pop-up, que tenho já visto ser usada, e que pode vir a fazer parte, presumo, da rede de ciclovias. Esta poderá ser uma das próximas novidades da cidade?
Sem dúvida. Em primeiro lugar, nós tínhamos a noção que muitas ciclovias tinham gerado alguma constatação na cidade e parecia-nos que era importante reforçar o compromisso com a segurança, portanto pedimos uma auditoria. Neste momento, liberta o resultado dessa auditoria, os relatórios intercalares, e isso já nos permite ter um compromisso e uma perspectiva da expansão da rede ciclável que nós queremos que haja na cidade de Lisboa. E nós aproveitamos esta semana para ter um compromisso com a ideia, que era uma aspiração antiga de quem anda de bicicleta, que é ter a ligação entre o eixo da Avenida República, a Avenida Fontes Pereira de Melo, parava no Marquês de Pombal a ciclovia e nós queremos ligar essa ciclovia, o Marquês de Pombal, ao rio. Entendemos que era importante fazer aqui uma experiência, que nem foi entendida por todos. O que é que é isto de uma experiência, de uma ciclovia experiência? É precisamente para percebermos como é que se comporta não apenas quem anda nessa ciclovia, mas também o próprio trânsito. Percebermos se a ciclovia resulta, se é uma boa solução ou se temos que procurar outras, porque aquilo que nós queremos é, neste mandato, assegurar uma ligação entre o Marquês de Pombal e o rio por via ciclável. Já agora, também aproveitando esta semana, nós temos hoje a perspectiva do fim das obras longas e exigentes da Rua da Prata, que obrigaram a fechar a rua aos carros, e uma vez que agora se está já a perspetivar o fim dessa obra, que deverá terminar até novembro, final de novembro, é essa a nossa expectativa, nós queremos aproveitar este momento para fazer também aí uma experiência Que não passará por retomar o trânsito dos carros, mas investir na acessibilidade pedonal, também na acessibilidade ciclável e seria por aí que a ligação ao rio se faria e preservando o elétrico na Rua da Prata, que é essencial também para as linhas da Carris do elétrico.
Deixará de ter trânsito a Rua da Prata. Trânsito automóvel.
Deixará de ter trânsito automóvel, isso mesmo. Espero que tenha muito pedonal, porque é uma forma também de investir no comércio tradicional aqui na Baixa, que é uma nossa preocupação, sofreram muito os comerciantes durante este ano e que nós com esta medida queremos revitalizar e revitalizar de uma forma forte. Portanto, a minha aposta, se me pergunta, é que daqui a um ano nós possamos ter uma Rua da Prata muito mais dinâmica e rejuvenescida.
Fica aí também essa novidade do vice-presidente da Câmara de Lisboa. Estava aqui também a olhar para o programa, gostei muito de uma iniciativa que acontece, que acho que é nos Jardins Zoológicos de Lisboa, de um livro do Pedro Seromenho, que é o "Por que os animais não conduzem?". Uma iniciativa que também está ligada à Semana da Mobilidade e que me pareceu bem interessante. Estamos a ficar sem tempo, mas já falei com a Ana Raimundo também a propósito disto. As trotinetes, como é que está a relação delas com a cidade de Lisboa? Continua Lisboa a olhar para essa forma de mobilidade como de futuro? Temos visto noutras cidades europeias algum recuo com esse meio de transporte. Como é que está a relação com Lisboa?
Até com as cidades que fizeram e presidentes da Câmara, como a presidente Hidalgo, que fez da mobilidade suave a grande batalha da sua vida e que depois usou o combate contra a mobilidade suave, nomeadamente para as trotinetes, para ter alguma inversão do seu ciclo político, porque estava, de facto, a precisar. Eu acho que muitas vezes nós usamos a mobilidade como um desejo grande de polarização, uns contra os outros, as bicicletas contra os carros, os mais novos contra os mais velhos. E quando assim é, normalmente os resultados não são bons. Aquilo que nós temos procurado na Câmara Municipal de Lisboa é perceber que a mobilidade suave hoje representa um desafio de ocupação do espaço público, que é escasso, que tem mais pretensões, e nós temos que arbitrar isso com equilíbrio. No caso das trotinetes, quando nós chegamos à Câmara, havia uma situação bastante caótica. Não havia regras nem na velocidade, nem no número de trotinetes por operador, nem nos espaços de estacionamento. Portanto, a primeira coisa que nós fizemos foi chamar os operadores e numa atitude também, ela que tem alguma pedagogia, acho que os operadores têm a noção que não podem desenvolver negócios contra as cidades. Não é possível, não serão bem-sucedidos.
Regulamentação.
E, portanto, conseguimos introduzir regulamentação. Não terminou, ou seja, eu acho que ainda há muitos aspectos a melhorar, mas melhorou substancialmente. E isso é muito importante porque baixam logo os índices de sinistralidade, sem dúvida também.
Muito bem, Filipe Anacoreta Correia, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, também com o pelouro da mobilidade. A Rádio Observador associou-se também a esta Semana Europeia da Mobilidade e às várias iniciativas que a Câmara tem dinamizado e são muitas. Estava aqui a ver, ainda falta o dia sem carros, que é dia 22, e nesse dia há também a apresentação de novos carros elétricos.
Já vê, essa é uma agenda muito importante, que é a renovação energética que nós na Carris estamos a promover.
Os novos elétricos da Carris.
Os novos elétricos da Carris, um grande investimento de várias centenas de milhões de euros, é um investimento muito grande, mais de 15 elétricos que nós desta vez vamos-
Mas como é que eles são esteticamente? É que eu gosto muito dos antigos, de os ver passar de Lisboa.
Eles continuam a ser amarelos.
Menos mal.
Tranquilo em relação a isso.
Obrigado por essas informações.
Menos poluentes.
Ainda bem, isso também é uma vantagem. E é disso que também trata a Semana da Mobilidade aqui em Lisboa, uma mobilidade mais sustentável para a cidade e novas formas de mobilidade. Algumas novidades aqui trazidas pelo vice-presidente da Câmara de Lisboa. Muito obrigado por ter juntado a nós.
Muito obrigado. Parabéns também pela iniciativa.
Obrigado. Daqui a pouco temos um K760, vamos falar de Lisboa, de lendas e mitos de Lisboa.