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Mário de Morais, diretor-geral da Bolt em Portugal. Obrigada por estar com a Rádio Observador. Primeiro, gostaria de lhe perguntar quais são as prioridades para a Semana Europeia de Mobilidade?

Antes de mais, a prioridade é iniciarmos um diálogo sobre o que é a interoperabilidade na mobilidade. Ou seja, a Bolt hoje em dia quer uma mobilidade suave, que inclua tanto os TVDEs, como os táxis, como a micromobilidade, como os transportes públicos. E o grande objetivo, nesta Semana Europeia da Mobilidade, é que possamos ter o diálogo sobre qual é a mobilidade do futuro. E daqui, estarmos a começar a ter esse diálogo com as várias entidades responsáveis.

Nesse sentido, a Bolt tem capacidade para servir como alternativa, como fala, desses meios de mobilidade suave?

A ideia é, de facto, ser a alternativa ao transporte individual, portanto, ao carro próprio, e efetivamente garantir que as pessoas podem mover-se de um ponto A a um ponto B, usando o método que preferem. Idealmente, vão usar transportes públicos onde eles estão disponíveis e vão usar TVDEs ou micromobilidade onde os transportes públicos não faz sentido chegarem. E, portanto, a Bolt tem, neste momento, a capacidade de fazer este último quilómetro, este "last mile", como se diz em inglês, e promover esta mobilidade sustentável. E o que nós queremos no fim do dia é que as pessoas não tragam o carro para as cidades e possam movimentar-se livremente.

E que medidas é que podem ser tomadas para melhorar a mobilidade, no caso concreto de Portugal e da cidade de Lisboa?

No caso concreto de Portugal, cidade de Lisboa, nós primeiro estamos a incluir também os táxis, muito brevemente, portanto, é uma das medidas. Vamos aumentar a nossa oferta de mobilidade. A micromobilidade está cada vez mais forte na cidade e a infraestrutura que a cidade construiu ajuda muito isso. E o próximo passo, que é o passo futuro, e de onde nós queremos começar a conversar, é a integração dos transportes públicos nessas aplicações de mobilidade partilhada.

Acredita que os veículos TVDE oferecem a segurança necessária aos passageiros? É uma crítica que é muitas vezes feita a este tipo de mobilidade.

Eu acho que há duas fases desta crítica. Há uma crítica de perceção, que as pessoas ouvem notícias ou ouvem falar, muitas delas nem sequer se relacionam com Portugal, mas sim com outros países. E há depois uma crítica antiga de segurança. Hoje em dia, não há casos de segurança na aplicação Bolt. Nós temos detecção de anomalia de viagem. Por exemplo, se a Maria estiver no meio de uma autoestrada e o carro parar à meia-noite, vai ser contactada. O motorista também vai ser contactado, porque é importante a segurança de todos. E se ninguém responder, as autoridades vão ser contactadas. Ao dia de hoje, fazer uma viagem TVDE é muito seguro. E é seguro não só para o passageiro e motorista, mas é seguro também porque permitimos que um profissional faça uma viagem que muitas vezes a pessoa não está preparada, porque ou esteve a divertir ou está cansada. E portanto, a nível de segurança, ao dia de hoje, eu acho que as plataformas como a Bolt são a solução para a mobilidade das pessoas.

Voltando à Semana Europeia de Mobilidade, que se inicia hoje, gostava também de lhe perguntar que iniciativas é que fazem parte desta semana e que objetivo é que têm.

Nós tivemos hoje o Dia da Mobilidade. Nós reunimos entidades das câmaras municipais, da gestão do espaço público, os dois reguladores, a AMT e o IMT, os TVDEs e os táxis na mesma mesa-redonda, micromobilidade, muitas entidades relacionadas com a segurança. E de facto, demos aqui o arranque da Semana da Mobilidade, que tem muitos eventos a decorrer ao longo da cidade, mas a ideia foi começar uma conversa produtiva, que obviamente deve moldar o que é o pensamento estratégico, tanto das empresas como a Bolt, como das entidades governativas e das cidades, que vão agora a eleições, sobre o que é a estratégia de mobilidade. Pensemos que quando acabar o próximo ciclo das cidades, vamos estar quase em 2030. E portanto, vamos estar num tempo em que já vai haver mobilidade autónoma, já vai haver muito mais opções. E eu acho que este é o momento certo para começarmos esta discussão.

Mário de Morais, obrigada.