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São 9h23. Abrimos agora espaço para uma conversa com Ana Raimundo, é a diretora municipal de Mobilidade e Transportes. Bom dia, bem-vinda às manhãs 360. Hoje neste cenário magnífico, o Teatro Dona Maria II por trás de nós. Obrigada por se juntar a nós. Estamos aqui em direto no Rossio, numa emissão especial pra assinalar mais uma Semana Europeia da Mobilidade. Ninguém da equipa trouxe carro, mas gostava de saber como é que os lisboetas e todos aqueles que entram em Lisboa diariamente, como é que se comportam, como é que reagem a mais uma iniciativa, mais uma semana. São solidários? Passa-lhes ao lado? Como é que a Câmara mede o pulso e o sucesso de mais uma edição?
Bom dia, em primeiro lugar. A Câmara tem várias formas de medir o pulso durante esta semana a todos aqueles que vivem a cidade de Lisboa, porque eu acho que é assim que devemos dizer, porque não são só os residentes, são também todos aqueles que vêm todos os dias trabalhar ou visitar a cidade. E vamos medindo o pulso nas diversas iniciativas que vamos realizando e através de inquéritos que estamos a fazer neste momento e durante esta semana, a algumas experiências que estamos a realizar na cidade de Lisboa. Exemplo disso é esta ciclovia provisória que criamos aqui, que vem desde os Restauradores até à Rua da Prata. É uma experiência de urbanismo tátil e é uma das formas que nós temos de medir como é que as pessoas reagem às coisas. Este executivo tem uma visão muito diferente de como devemos ver a cidade e isso passa também por estas iniciativas de urbanismo tátil, que são o quê? São, na realidade, experiências pequenas, com baixo custo e que servem para vermos o que as pessoas gostam ou não gostam e como é que as coisas resultam. É uma mudança de paradigma em que deixamos de tomar decisões de uma forma hierárquica para as tomar de uma forma vivida, que é isso que nós queremos da cidade.
Ana Raimundo, esta ciclovia é provisória, como disse, tem 400 metros, fica entre o Rossio e Restauradores. Para já é provisória, mas pode tornar-se definitiva, ou seja, no futuro podemos vir a ter uma ligação ciclável entre a Praça dos Restauradores e a Praça do Comércio, ligando-a à ciclovia ribeirinha?
Não querendo entrar em pormenores que cabem ao executivo, porque são eles realmente que pensam, nós só nos cabe depois pôr em prática aquilo que é pensado. Mas o que lhe posso dizer é que um dos objetivos deste executivo é fazer a ligação até ao rio. Portanto, ainda é mais longe. O objetivo é toda a cidade estar ligada e a parte mais a norte estar ligada com o rio.
E tenho que lhe colocar esta questão, a da reversão da Avenida da Liberdade. A ideia era condicionar a entrada de carros no centro de Lisboa. Isso não vai voltar a abrir as portas aos carros. Como é que ficou o objetivo da neutralidade carbônica até 2030?
Lisboa tem muito mais medidas para reduzir e para chegarmos à neutralidade carbônica de 2030, que é uma meta que realmente queremos cumprir e estamos a trabalhar para a conseguir cumprir. E não é termos as laterais da Avenida da Liberdade no sentido normal do trânsito, eu digo assim porque acho que é a maneira mais fácil de todos nos entendermos, que vai fazer a diferença. Há muito mais medidas que têm que ser feitas.
Gostaria de salientar algumas, Ana Raimundo?
Algumas que têm a ver com cada vez termos mais formas de mobilidade na cidade, mobilidade suave, uma aposta em realmente tornarmos as ciclovias que temos em uma rede ciclável. Por isso mesmo temos uma auditoria a decorrer para vermos o estado das nossas ciclovias e percebermos quais são os passos que ainda têm que ser completados pra realmente termos uma via ciclável. Tem a ver com medidas de neutralidade carbônica e das zonas zero, por exemplo, com a educação ambiental que fazemos nas escolas, com talvez, num futuro, termos taxas diferentes de acordo com a qualidade do ar que vamos tendo na cidade. Portanto, há uma série de coisas que nós podemos fazer e principalmente a mais importante de todas, eu não posso deixar de a referir porque é mesmo importante, que é o transporte público. Aí Lisboa tem feito uma grande aposta e a aposta foi feita a vários níveis, um deles com a gratuidade dos transportes, que já é uma realidade.
Para os mais jovens e para os mais velhos.
Para os mais jovens e para os mais velhos. É uma realidade já há um ano e que tem tido um sucesso enorme. Depois, pra além disso, toda a modernização da frota da Carris, das frotas municipais, da frota da EML. Portanto, há todo um trabalho que está a ser feito nesse sentido.
A Semana da Mobilidade só termina na sexta-feira. Há várias atividades e iniciativas a decorrer. Gostaria de deixar alguma sugestão ou convite a quem nos ouve e quem vai estar em Lisboa por estes dias?
Gostava, com certeza. Gostava de deixar um convite pro dia de hoje. Hoje é um dia muito importante pra nós. Nós sonhámos e concorremos a um prêmio da Bloomberg com 257 cidades do mundo inteiro e Lisboa foi uma das 10 cidades que ganhou. Ganhou com um projeto muito simples, que é o fazer os missing links, os elos de ligação entre a rede ciclável que existe e as escolas. No caso, ganhamos com 18 escolas do nosso conselho e vamos fazer realmente todo esse trabalho. Ganhamos um prêmio de 400 mil dólares, e ao qual o executivo camarário vai juntar uma grande fatia de dinheiro para podermos cumprir e termos realmente as escolas, ou grande parte das escolas do nosso Conselho, do município de Lisboa, ligadas à rede ciclável. E isto é muito importante, porque é através das nossas crianças que nós mudamos hábitos. Portanto, hoje convido toda a gente a estar às 15h na Rua da Prata, onde vamos fazer o kickoff simbólico de todo este programa do BICI, onde estará o vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, também pessoas da Bloomberg que vêm especialmente a Lisboa para assinalar este momento.
Ana Raimundo, muito obrigada por ter estado conosco nas manhãs 360 a assinalar esta Semana Europeia da Mobilidade e tudo o que está a ser feito em Lisboa. Há várias atividades. Pode saber tudo no site Lisboa para Pessoas. Ana Raimundo, muito obrigada. Foi um gosto. Muito obrigada.
Obrigada.