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E começa agora mais uma edição do Nem Tudo o Que Vai a Rede é Bola, aqui na Rádio Observador. Bruno Roseiro, Mariana Fernandes e comigo, Aníbal Rebelo. Na segunda parte, vamos falar de ténis, porque no próximo sábado começa o Estoril Open e para falar sobre a prova vai estar conosco o diretor João Zilhão. Mas para já, os destaques. E começamos, Mariana, com a figura da semana, ou melhor, com as duas figuras da semana. Vamos falar do MotoGP, o que se realizou no Algarve. Miguel Oliveira como herói, Marc Márquez, o vilão.

Miguel Oliveira como herói, com um sustozinho.

E tu estavas lá para ver.

Sim, e acho que houve ali um instante, um segundinho, em que toda a gente não respirou, em que houve mesmo assim um bocadinho de ausência de respiração e de ausência de fôlego para perceber o que se ia passar, porque há um segundo em que Miguel Oliveira está deitado no chão e não se mexe. Mexe-se rapidamente, mas há um segundo em que ele não se mexe. E esse segundo foi francamente assustador. Isso foi assustador para mim e para nós que estávamos ali, imagino para o Miguel, como é óbvio. Mas antes disto tudo, a verdade é que o fim de semana não tinha começado a correr nada bem ao Miguel. A sexta-feira foi muito complicada. Ele já tinha caído, ficou só no 19º lugar dos tempos combinados das sessões de treinos. Portanto, adivinhava-se um fim de semana um bocadinho de desilusão no Algarve para o Miguel Oliveira no primeiro treino. Mas depois, na qualificação, a verdade é que, e como nós costumamos dizer e gostar de dizer, o Falcão abriu as asas, fez um dos dois melhores tempos da Q1, passou com o Márquez à Q2 e depois nessa Q2 consegue fazer o quarto melhor tempo e depois garantir esse quarto lugar nas grelhas de partida, porque a verdade é que essa é também a grande novidade deste mundial de MotoGP, estas corridas sprint de sábado e esta qualificação. E fica também essa nota para o resto da temporada, a qualificação serve para as duas coisas, para a corrida sprint e para a corrida de domingo. Na corrida sprint acaba por cometer aquele erro na última volta, quando até estava a rodar no pódio, estava no terceiro lugar, comete um erro numa das últimas curvas, vai muito largo e acaba por cair para sétimo. E depois acontece aquilo que já sabemos. Na corrida de domingo, em que tem aquele arranque canhão, agarra a liderança na primeira curva, ultrapassa três pilotos, o Márquez, o Bagnaia e também o Jorge Martín, e depois é completamente abalroado pelo Marc Márquez, quando não se percebeu propriamente o que o Márquez queria fazer.

Viu ali um buraco que mais ninguém viu, é incrível. Depois fez aquela carambola.

Ainda não se percebeu. Não se percebeu se ele viu um buraco, se ele de facto queria ultrapassar. A justificação que ele dá quando vai pedir desculpa, tanto à equipe, à Aprilia, quando vai à box, como ao Miguel Oliveira, como depois nas declarações aos jornalistas, aquilo que ele diz é que sofreu um problema nos travões. Aquilo que o Miguel Oliveira diz é: "Ok, mas quando há um problema nos travões, trava-se antes, não se trava depois." Portanto, fica sem perceber se de facto foi um problema nos travões. A moto não devia já estar muito afinada, porque ele também já tinha andado quase à pancada com ela no dia anterior. Portanto, a verdade é que ficou sem se perceber se foi de facto um erro do Marc Márquez, se foi um problema nos travões, se foi uma tentativa absolutamente desesperada de uma ultrapassagem e de querer ganhar a corrida na segunda volta. A verdade é que estragou a corrida dele, estragou a corrida do Miguel, que entretanto também não vai estar na Argentina, nem um, nem outro. A verdade é essa, devido às lesões que sofreram.

Estragou duas corridas.

E vai sofrer também essa penalização, essa dupla long lap, que entretanto já se sabe, existia a dúvida sobre se era uma penalização só para o Grande Prêmio da Argentina, o que seria obviamente manifestamente injusto, porque ele não estaria lá e não iria cumprir. E entretanto o MotoGP e a FIA também já vieram explicar que não, que não é assim, que é uma penalização que vai acontecer quando o Marc Márquez voltar a correr, portanto, à partida em Austin, no terceiro grande prêmio da temporada. Deixe-me só acrescentar que naquilo que é o desporto e naquilo que é a modalidade, o Bagnaia ganhou, o Maverick Viñales e o Bezzecchi fizeram o pódio. Sobre o Miguel Oliveira, eu acho que esta Aprilia mostrou que tem ritmo para lutar por pódios e para lutar pelos primeiros lugares, e fica essencialmente a ideia de que o Miguel Oliveira pode melhorar as qualificações que foram durante muito tempo o calcanhar daquilos da KTM. Ou seja, via-se que em corrida ele conseguia chegar lá acima, conseguia ganhar muitas posições, mas como partia tão de trás, as coisas ficavam difíceis. Se ele conseguir, de facto, com esta Aprilia, conseguir ficar em posições muito mais favoráveis logo na grelha de partida e conseguir qualificações muito melhores, as coisas podem começar a sorrir, de facto, para Miguel Oliveira.

Vamos ver se corre melhor do que este primeiro fim de semana de MotoGP.

Deixe-me só acrescentar. E outra coisa, começou a partir melhor. Que a grande diferença entre a corrida sprint e a corrida normal é a partida. Eu acho que a corrida sprint tem essa vantagem no caso de um piloto como o Miguel Oliveira, que é perceber o que ele pode melhorar e trabalhar não só a partida, mas também a própria moto dele para no domingo estar sempre melhor.

Não sei se é ganhar confiança, ou não sei se a palavra confiança é a melhor descrição.

Eu acho que é mesmo trabalhar a moto. Eu sou ligeiramente renitente. Eu acho que o Miguel Oliveira colocou a moto de sexta para sábado para ganhar cá, daí ter feito uma qualificação tão boa. Na Argentina, nós não vamos poder ver. Eu acho que só depois, na primeira, segunda corrida de regresso à Europa, é que eu acho que a moto vai novamente voltar a poder lutar por pódios, porque me parece, e eu não me esqueci daquilo também que se passou na sexta-feira e na sexta-feira, de facto, havia ali muitas complicações.

Portanto, não estás muito esperançoso no terceiro, na prova em Austin.

Em Austin, não. Eu tenho a sensação que quando ele voltar para a Europa, aí sim, poderão as coisas melhorar. Nesta prova em específico, não tenho dúvidas nenhumas que ia parar ao pódio, até pela vantagem que o Bagnaia e o Maverick ganharam em relação ao terceiro classificado. Uma vantagem muito grande e o Miguel estava a andar mais depressa do que o Maverick.

Muito bem. Vamos aguardar que a recuperação seja rápida para o Miguel Oliveira, porque queremos voltar a vê-lo nas pistas. E agora vamos ao nosso número dois, também para um herói português. João Almeida, é o número de pódios no World Tour este ano, antes do Giro. E eu estive lá, estive agora nesta última, estive em Barcelona.

Foste lá ao circuito de Montjuïc?

Estive lá, sim.

Então apanhaste um susto também.

Eu não apanhei em Montjuïc. Ou seja, eu passei Montjuïc no sábado, depois no domingo eu vi na partida da Praça de Espanha. Foi dali que arrancaram e depois foi lá que terminaram.

Pronto, perdeste um susto. Tinha a coisa mais ou menos preparada já para o segundo pódio e entretanto o Soler conseguiu agarrar no Remco e no Roglic. Estava a ficar um bocado aflito, porque de facto o próprio João Almeida não podia fazer muito, porque era um companheiro de equipa que ainda para mais estava em quarto, ou seja, o pódio estava sempre garantido pela Emirates. Depois o Soler acabou por não aguentar. É o segundo pódio, ele tinha ficado em segundo no Tirreno-Adriático e as conclusões que se podem tirar, na minha ótica, são três. Uma primeira: o João Almeida agora vai parar, vai fazer um estágio normal antes do Giro. Está em condições que se calhar não tinha nos outros anos para chegar ao Giro. Essa é a primeira conclusão. Segunda conclusão: o Roglic e o Remco, por muito que nos custe, estão a anos-luz da concorrência. E até mesmo na etapa onde o João Almeida com o Soler conseguimos ver mais uma vez o João Almeida a tentar atacar um bocado. O Roglic e o Remco quando quiseram agarraram na corrida e foram embora. E um terceiro ponto, que não é tanto desta época, mas é uma situação mais genérica, que é algo que já falámos aqui, o João Almeida acaba por ter azar na era em que aparece, porque quando nós olhamos à volta, temos Pogačar, temos o Remco, o Roglic já é mais velho, mas temos uma série de corredores novos, uma geração muito talentosa. E eu fico sempre com a sensação que o João Almeida, se fosse um bocadinho mais velho e se não tivesse a concorrência desta geração, que é mais ou menos da idade dele, poderia ter resultados ainda melhores do que aqueles que já tem e que vai ter. Mas isso são mesmo as contingências do ciclismo também, mas sobretudo é bom para a modalidade. Qualquer que seja a prova, seja clássica, seja de uma semana, seja de três, há sempre espetáculo garantido.

Ele está em grande. E agora, por falar em espetáculo, vamos à nossa citação. Bruno, temos aqui esta: "Sérgio sabe que tem contrato até 2024 e é um contrato para cumprir". Quem disse isto foi o presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, isto depois de uns dias bastante agitados para os lados do Dragão.

Sim, com vários recados para quem quis perceber. Relativizar esta situação era algo que Pinto da Costa teria de fazer. Como é óbvio, a partir do momento em que toda a administração se desloca em peso ao Olival para um treino, que ainda para mais nem sequer conta com os internacionais, percebe-se que alguma coisa mexeu, caso contrário, não estava lá toda a gente. E aquilo que fica, sobretudo em relação a estes recados, seja aqueles que Sérgio Conceição enviou a seguir à eliminação na Liga dos Campeões, a seguir ao empate em Braga, e depois aproveitando a publicação de Cecília Pedroto, mulher de José Maria Pedroto, seja esses recados internos, seja aquela frase de Pinto da Costa na Gala do Gaense a dizer que nunca houve falta de investimento, ou seja, e dando exemplos práticos, David Carmo, Grujić, Verón, etc. Aquilo que fica, sobretudo, é um braço de ferro. Não é verdade que o Sérgio Conceição tenha admitido deixar agora o Futebol Clube do Porto nesta fase. Foram algumas notícias que vieram, mas isso nem sequer foi colocado em causa. Agora, aquilo que existe é um braço de ferro em relação ao próximo mercado. Em termos internos, já se percebeu que o Futebol Clube do Porto vai ficar reduzido à luta para o segundo lugar e para a Taça de Portugal. É certo que há sempre o discurso de não atiramos a toalha ao chão, mas existe consciência em termos internos que mesmo uma vitória na Luz com o Benfica poderá ser curto para reduzir a desvantagem, que nesta altura são 10 pontos. E nesta altura já se está a trabalhar para o próximo mercado. Sérgio Conceição quer ver o reconhecimento pelos seis anos de trabalho no plantel, ou seja, com melhores opções e com mais opções. Pinto da Costa, que também está na antecâmara do ano de eleições, também gostaria de ter um plantel mais competitivo, mas tem de equilibrar as contas do segundo semestre deste exercício, e isso é obrigatório, porque não vai contar com a receita da Liga dos Campeões. E no meio disto tudo, há interesse de pelo menos um clube espanhol e um clube italiano em Sérgio Conceição, e isso nós podemos confirmar. E o próprio Pinto da Costa, não querendo que Sérgio Conceição saia, porque de facto é o treinador ideal nesta altura para o seu Futebol Clube do Porto, também tem de começar a perceber se algum dia isto acontecer, quem é que eu poderei trazer. E parece-me que ele também já está a pensar nisso e também já estará a pensar em alguns nomes, nomeadamente portugueses.

E podemos mandar assim já um nome?

Não, portugueses. Ficamos por aqui, portugueses.

Ok, vamos ver. Vai haver alguma revolução no final da época para os lados do Dragão? Sim ou não? Vamos acompanhar também.

Isto partindo do pressuposto que Sérgio Conceição sai.

É evidente.

Que é uma coisa normal.

É uma incógnita ainda.

É uma incógnita. Existem clubes interessados, ele próprio também teria de manifestar essa vontade de sair. E é normal os clubes estarem preparados para qualquer eventualidade, tal como existe, se for o caso, se for vendido algum jogador, existe sempre um plano A, B, C, D. É normal os clubes trabalharem assim e o Futebol Clube do Porto também já está a trabalhar nesse sentido.

E vamos agora, Mariana, ao Marco. 198 jogos pela seleção e Ronaldo com 122 golos marcados. Afinal, para quem estava velhote, a coisa até lhe está a correr bem.

Sim. Eu acho que Cristiano Ronaldo teve aqui, nesta pausa para os compromissos das seleções, a melhor pausa para os compromissos das seleções que ele poderia ter imaginado. Porque a verdade é que se nós recuarmos aqui dois ou três meses e se alguém nos dissesse que Cristiano Ronaldo ia voltar à seleção com outro selecionador, ser titular nos dois jogos e marcar quatro golos em dois jogos contra o Liechtenstein e Luxemburgo. Ia rir-se. Aparentemente feliz, bem-disposto, satisfeito, a falar alufadas de ar fresco, etc. Se calhar dizíamos todos que as coisas não iam ser assim tão fáceis e ele próprio naquela conferência de imprensa durante a semana, disse que colocou tudo em cima da mesa e pensou em todas as opções, portanto, colocou em causa deixar a seleção nacional. A verdade é que ninguém sabia como é que as coisas iam decorrer, ninguém sabia propriamente se Roberto Martinez ia dar esta titularidade ou não a Cristiano Ronaldo. A verdade é que deu, Gonçalo Ramos também ficou no banco nos dois jogos e Cristiano Ronaldo marcou quatro gols em dois jogos, ficou com esse recorde do jogador mais internacional de sempre, o prolongamento daquele recorde que já lhe pertencia também do melhor marcador de sempre das seleções. E esta ideia que ficou muito cimentada de que continua a ser o capitão da seleção nacional e continua a marcar gols, e parece que o ketchup voltou a sair depois de ter andado ali um bocadinho mais parado na altura do Campeonato do Mundo. De resto, e a verdade é que este Luxemburgo, se calhar, até é um bocadinho menos frágil do que o resultado aparentou, fica essa alteração tática, principalmente. É a grande novidade desta era de Roberto Martinez, os três centrais, o facto de Portugal agora jogar com três centrais, ficou logo também notório na altura da convocatória, porque Roberto Martinez leva seis centrais, portanto, percebeu-se logo à partida que iria jogar com este sistema tático de três centrais. Claramente a tentativa de compatibilizar Bernardo e Bruno no mesmo 11, recuando Bruno Fernandes para o meio-campo. A aposta em João Palhinha, que não tinha propriamente este rótulo de titular na seleção nacional e que entretanto é titular nestes dois jogos também, e tem um papel muito importante, sendo claramente um dos elementos mais cruciais para estas duas vitórias.

E não é só aquele destruidor de jogo que toda a gente dizia.

Um organizador de jogo.

Um organizador fantástico.

Faz um passe extraordinário para um dos gols de Portugal. E esta ideia, e eu acho que isso se calhar também acaba por ser um bocadinho a maior vitória do Roberto Martinez por agora, esta ideia de que aqueles jogadores estão felizes por estar ali e jogam com alegria. Claro que os resultados ajudaram. Sim, e o próprio Otávio também. Claro que os resultados ajudaram muito e quando a bola entra, as coisas também ajudam muito, mas aquela equipa parece estar feliz e parece estar a dar-se bem a jogar futebol. Não sei se é de facto o tal alufada de ar fresco, se é o facto dos adversários não terem sido propriamente enormes obstáculos e das coisas terem corrido bem, mas fica principalmente essa nota, ou seja, a ideia de que eles estão felizes por estar ali e eu acho que isso tinha desaparecido um bocadinho mesmo na altura do mundial, essa felicidade, os sorrisos tinham desaparecido.

Muito bem. Eu gostei muito de ver. Bruno, queres dizer mais alguma coisa em relação? Eu gostei muito de ver a seleção.

Mais do que treinador, Roberto Martinez tem de ser um gestor.

É isso.

E parece-me que nesta altura está a ser um bom gestor. De resto, em termos táticos, há uma coisa simples. Estamos a falar de um treinador que teve de conjugar no mesmo 11, Hazard e Kevin De Bruyne, na altura em que eles jogavam no mesmo espaço. E conseguiu. Não é este Hazard quase com o meu peso, que agora vemos, mas na altura em que o Hazard era mesmo um craque, conseguiu compatibilizar os dois e parece-me que agora também conseguiu, que era o grande problema de Portugal para mim, era compatibilizar na mesma equipa Bruno Fernandes e Bernardo Silva, que são duas das maiores mais-valias que nós temos.

Duas boas pedras ali para jogar futebol. E agora vamos à pergunta à espera de resposta. Bruno, o exemplo da acusação do Ministério Público a César Boaventura mostra que o Benfica vai passar ao lado de todas as investigações que estão a ser feitas por alegada corrupção desportiva?

Eu começo sinceramente a achar que sim. E atenção, partindo já de um ponto prévio, não vou dizer isto em termos jurídicos, porque também não sei em termos legais explicar algumas coisas que aqui se passam. Vou dizer numa questão quase de senso comum, que é: quando nós olhamos para a acusação do Ministério Público a César Boaventura, que nós entretanto tivemos também acesso, aquilo que vemos é, e há aqui um exemplo prático para as pessoas perceberem. César Boaventura marcou um encontro com o Leon, que era defesa do Rio Ave na altura, e aquilo que lhe disse é: "Se tu vires um amarelo na primeira parte, se fizeres um pênalti e se fores expulso na segunda parte, o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, vai te pagar 80 mil euros". Isto é o que está lá na acusação do Ministério Público. Só que depois aquilo que nós temos aqui é, por um lado, César Boaventura não é membro dos órgãos sociais do Benfica, nem da Benfica SAD, e por outro, não há nenhuma ligação, nem nenhuma prova que diga que Luís Filipe Vieira foi falar com o César Boaventura a dizer: "Olha, faz isto àquele jogador". Ou seja, a Benfica SAD acaba por ser absolvida e deixa de estar neste caso. E quando nós começamos a olhar para esta situação, aquilo que percebemos é: perante este cenário e perante todas as notícias que foram também sendo escritas nos últimos tempos, é muito provável que a Benfica SAD acabe por sair de tudo isto. Agora, há uma pergunta que é obrigatória fazer, que é: se não tem nada a ver E apesar de estar também lá escrito que o Benfica é a única entidade que poderia ser beneficiada perante isto, se não tem nada a ver, por que o César Boaventura fez isto? É porque é benfiquista? É porque não gosta do Porto e do Sporting? É porque queria dar 80 mil euros ao Lyon? Por que isto aconteceu? Isto é que é importante. E por quê? Porque uma coisa é a parte jurídica, tribunais, processos, justiça, etc. Outra coisa também é a percepção pública, e cada vez mais é importante as pessoas perceberem porque as coisas acontecem. E não me parece que nesta altura esteja a ser o caso.

Pronto, é mais um tema que nós vamos acompanhar, porque isto tem história, muito pano pra mangas. Na segunda parte, vamos conversar com o João Zilhão sobre o Estoril Open.

Não havia um comprimido, não havia um médico, nunca vi um médico na prisão, nem um enfermeiro, ninguém. Os prisioneiros que morriam, morriam lá. Se não era todos os dias, era quase.

Este é o Sargento na Cela Sete, uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos Podcast Plus do Observador.

É um livrinho pequeno e fiz um código com base nesse livro.

Episódio três: O Código Secreto.

E ele mandava informações militares para cá para eu entregar ao ministério.

António Lobato foi o português que mais tempo esteve em cativeiro na guerra de África. Sete anos e meio. Pode acompanhar todas as semanas no site do Observador ou nas plataformas de podcast. Um novo episódio a cada terça-feira.

Os Podcast Plus do Observador têm o apoio da Honda Automóveis.

Segunda parte deste Nem Tudo o Que Vai à Rede é Bola. Junta-se agora a nós João Zilhão. Antes de mais, obrigado por estar aqui conosco na Rádio Observador. Vamos falar sobre o Estoril Open. Como é que está toda a preparação para este evento, que está a poucos dias do arranque. Alguma coisa diferente do que aconteceu nas edições anteriores?

Olá, bom dia. Realmente, a primeira grande diferença é a data. Vamos iniciar e vamos estrear a época da terra batida na Europa e portanto estamos muito entusiasmados com estar na semana da Páscoa e de poder aproveitar tanta gente de férias das universidades e das escolas, e também tantos turistas que visitam Portugal nesta semana da Páscoa. Portanto, as vendas de bilhetes têm corrido muitíssimo bem, temos já várias sessões esgotadas e temos um elenco muitíssimo forte para dar o melhor ténis do mundo a quem nos visitar no Millennium Estoril Open do dia 9 de abril.

Temos aqui já uma novidade, neste caso não tão boa, a desistência do Wawrinka, o Carreno Busta também vai ficar de fora. Aquilo que eu lhe perguntava era se ainda há margem para haver alguma surpresa na calha, tendo em conta que está nesta altura a decorrer Miami e é normal também haver algumas eliminações mais precoces. Há alguma surpresa que ainda espera apresentar?

Sem dúvida. Gostava também de começar por dizer que os jogadores só saltam num torneio quando não se sentem a 100%. E infelizmente, todas as semanas, em todos os torneios do mundo, inclusive nos grandes Slams, temos jogadores que não se sentem a 100%, ou porque estão lesionados, ou porque sentem alguma mazela no corpo e não podem mesmo arriscar piorar essa lesão. No caso do Carreno Busta, ele está lesionado há muito tempo e, portanto, não ficou bom a tempo do evento. Ele está com pena, nós também. Mas voltando à segunda parte da sua questão, vamos anunciar ainda dois wild cards nos próximos dias, que acho que vão dar muito interesse ao Millennium Estoril Open e vão fortalecer o quadro. Portanto, o primeiro wild card confirmado foi ao João Sousa, ao melhor português de todos os tempos. O segundo wild card dado foi ao Wawrinka, que infelizmente não está em condições e teve que saltar fora de Miami, o Masters 1000, e também do Millennium Estoril Open. E agora ficamos com dois wild cards para fortalecer o quadro e acho que os portugueses vão ficar muito contentes com os jogadores que vão enriquecer o nosso plantel este ano.

Este Estoril Open também conta com o Nuno Borges a atravessar um grande momento em piso rápido. Teve aquela vitória no Challenger de Phoenix, entrou no quadro principal de Miami e já é nesta altura um jogador do top 70 do ranking ATP. Era a coroação deste torneio poder ver um outro português que não o João Sousa a ganhar para subir ainda mais no ranking.

Sem dúvida. Eu lembro-me que foi talvez dos momentos mais felizes da minha carreira enquanto diretor do torneio, ou o momento mais feliz, definitivamente, ver o João Sousa a ganhar aquele último ponto e a cair para o chão. Ainda outro dia revi essas imagens e ainda vêm lágrimas aos olhos. Foram momentos indescritíveis de emoção e de alegria. E o ano passado, ver o Nuno Borges e o Kiko Cabral a ganhar os pares também foi algo de surpreendente e espetacular. Poder ter o Nuno Borges, que realmente está num pico de forma, a ganhar os singulares este ano, era realmente também uma alegria fantástica para mim e para todos os portugueses, obviamente.

Temos aqui também um outro nome, Dominic Thiem. Ele já foi número três do mundo, já ganhou inclusivamente um Grand Slam em 2020. Depois daquela lesão, diria que nunca mais voltou a ser o mesmo. Inclusivamente, ele agora até admite baixar para fazer alguns Challengers depois do Estoril Open. Pergunto se acha que o Estoril Open pode ser quase também uma espécie de ressurreição para ele e poder chegar a Portugal e poder novamente encontrar aquela rampa de lançamento que parece que ele anda à procura, mas que não está a conseguir.

É uma excelente questão. Eu tenho estado a acompanhar os jogos dele e sinceramente acho que ele está muito perto de poder fazer esse clique e voltar às grandes vitórias e aos grandes palcos. Ele tem perdido jogos de sete seis, tie break no terceiro de sete, tem perdido sets em que podia perfeitamente ter ganho. Eu acho que lhe está a faltar um pouco de confiança e basta às vezes uma vitória ou duas para poder retomar o seu caminho, que já foi de um grande jogador, campeão de Grand Slam. Ele ganhou o US Open e fez duas ou três finais de Roland-Garros, se não estou em erro. Portanto, eu gostava muito de ver o Dominic Thiem com esse ponto de viragem aqui no Estoril. Ele está muito motivado para vir jogar aqui e espero sinceramente que consiga ter o apoio do público também para conseguir fazer um bom trajeto e voltar com confiança às vitórias que teve durante muito tempo, antes da lesão, era um dos melhores jogadores do mundo.

Referiu agora a vitória do Nuno Borges e do Francisco Cabral em pares no ano passado. Foi algo também inédito, tal como tinha sido a vitória do João Sousa em 2018. Por ter sido uma dupla portuguesa, acredita que poderá haver um maior interesse na variante de pares este ano, tal como também houve o ano passado com esta dupla a chegar à final e depois a acabar por ganhar?

Absolutamente. Não tenho dúvidas que o público português vai querer muito ver todos os jogos dos campeões em título. Vamos também ter mais portugueses na variante pares. Ainda não os anunciei, também vão ser fruto de dois wild cards que tenho para o quadro de pares. À partida vamos ter três pares com portugueses, mas sem dúvida que os detentores do título do ano passado vão ser um ponto de grande interesse deste Millenium Estoril Open 2023. Realmente, toda a gente vai querer ver os jogos deles e novamente tentar ver se conseguem fazer o milhareto como no ano passado.

Este ano vai também marcar a estreia do Casper Ruud, que é a grande figura deste Estoril Open de 23. Ele no ano passado faz duas finais de Grand Slam, Roland-Garros e US Open. Pergunto-lhe se foi sempre este o grande alvo desta edição ou se ambicionou ainda um bocadinho mais acima, neste caso, inevitavelmente, Novak Djokovic.

Essa questão é interessante. Chegaram a ver a hipótese, foram afloradas e os media pegaram nisso, de eles quererem começar aqui, tanto o Nadal como o Djokovic. Acabou por não se realizar ou não ser possível dentro da sua programação e vão começar um pouco mais tarde em Monte Carlo, que é na semana seguinte. Em relação ao Casper Ruud, na altura em que eu fechei, que foi durante o US Open, ele esteve a um jogo de chegar ao número um do mundo. Quando o fechei, que foi numas reuniões em Nova Iorque durante o US Open, depois só anunciei um pouco mais tarde, foi estratégico, ele chegou à final e caso tivesse ganho esse encontro contra o Alcaraz, seria ele o número um do mundo. Portanto, acho que o Casper Ruud foi realmente um jogador de eleição, que foi fechado para o Millenium Estoril Open este ano e esteve muito perto de chegar ali a número um do mundo. Andava ali a dois, três do mundo e estamos muito felizes por ter um jogador tão credenciado e aquele que é atualmente o vice-campeão de Roland-Garros a vir jogar o Millenium Estoril Open este ano. Grande ponto de interesse.

Abordou a questão do Djokovic, também a questão do Nadal. O Djokovic continua de fora, principalmente dos torneios norte-americanos, não está vacinado. O Nadal também ainda está nesse processo de recuperação, mas a olhar para Roland-Garros. Mesmo não estando em cima da mesa para 2023, acredita que ou Djokovic ou Nadal ainda poderão voltar a Portugal antes do fim da carreira?

Foi o próprio Nadal no ano passado que disse que gostava de ter começado aqui no Estoril, no ano passado, depois de estar lesionado. Este ano voltou a estar em cima da mesa o poder começar aqui ou não. Essa hipótese já aconteceu. Eu não consigo prever o futuro. Adorava dizer que sim, mas não sei quantos mais anos é que o Nadal vai conseguir competir ao mais alto nível. Temos que esperar para ver o que vai acontecer, mas seria um sonho ter qualquer um dos dois a disputar o Millenium Estoril Open aqui no Clube de Ténis do Estoril.

Mesmo sem o Wawrinka e o Karen Khachanov, e não sabendo ainda quais são os últimos wild cards que serão atribuídos, temos Casper Ruud, Fognini, Korda, o Baez, o Nuno Borges, João Sousa. Perguntar-lhe genericamente o que está à espera do Estoril Open e se consegue ver algum outro jogador, se calhar não tão nomeado na imprensa até aqui, que possa fazer um trajeto como fez, por exemplo, o Baez no ano passado.

Eu acho que há um jogador que também está lentamente a voltar ao seu melhor, a começar a ganhar jogos novamente, que é o Diego Schwartzman, argentino. Já foi número oito do mundo, é um jogador perigosíssimo em terra batida. Acho que é extremamente perigoso. Acho que o Alejandro Davidovich Fokina é também perigosíssimo em terra batida. Ele no ano passado derrotou o Djokovic em Monte Carlo e chegou à final do Masters 1000 de Monte Carlo. Portanto, é outro jogador muito perigoso e que poderá fazer aqui um trajeto até à vitória, possivelmente. Depois há sempre surpresas que nós não estamos à espera. Estou a ver, por exemplo, o Dušan Lajović, que é sérvio, que também já foi finalista em Monte Carlo, no Masters 1000, que é também um jogador extremamente perigoso. Mas eu diria que apontava os favoritos a Casper Ruud, Fokina e Korda, por aí. Sendo que, como já falámos há pouco, o Nuno Borges é capaz de tudo. Acho que vai ter um grande apoio do público E é sempre um perigo. E obviamente, não esquecer que João Sousa já foi capaz de ganhar o torneio num ano em que derrotou Medvedev, derrotou Tiafoe, derrotou Tsitsipas, salvou match points contra o Pedro Sousa. Já foi capaz de fazer magia neste corte principal do Millennium Estoril Open. Nunca se sabe o que o público é capaz de fazer aos jogadores da casa, mas é realmente com muita expectativa que vamos para a semana do Open, a começar dia 1 de abril.

A final está marcada para dia 9 de abril. Perguntava-lhe se é logo no dia 10 que começa a preparação para a edição de 2024 e como é que funciona esse início de preparação. Ou seja, se primeiro é necessário assegurar todos os patrocinadores e depois então ir à procura dos nomes, ou se é o contrário, se primeiro se garante logo um ou dois dos maiores nomes e depois então ir à procura de fechar o resto.

É uma ótima questão. Eu diria que nós trabalhamos 51 semanas para aquela semana, portanto, estamos sempre a trabalhar para a edição futura. Este ano, durante a edição deste ano, já vamos estar a afinar coisas que achamos que podem ser melhores no ano seguinte e, portanto, no próprio evento vamos estar a pensar em melhorias para o ano seguinte, algo que não está bem pensado ou que podia estar melhor. Em relação aos patrocínios, é um trabalho que é feito ao longo de todo o ano, ao longo de todo o ano estamos a fechar patrocínios nas várias áreas e portanto é um trabalho contínuo e que joga em simultâneo com a contratação de jogadores para a edição seguinte. Obviamente que se a contratação de jogadores é importante, é muito importante também ter capacidade financeira de os poder pagar. Elas estão de mãos dadas e o que é certo é que o evento tem conseguido convencer as grandes marcas a estar ao nosso lado. Vamos para o oitavo ano com o Millennium bcp, temos mais dois ainda de contrato, portanto o Millennium bcp irá completar uma década ao nosso lado como title sponsor e isso realmente dá-nos uma sustentação ao projeto muito forte. Para além disso, uma família de sponsors fortíssima, que mantém este projeto vivo e com saúde e que nos permitiu também atravessar aqueles dois anos fatais de um ano cancelado e um ano sem público. Mas vamos realmente estar já este ano, ao longo de todo o ano, a tentar encontrar os apoios necessários para que 2024 possa ser ainda melhor do que foi 2023.

Inevitavelmente, haverá uma pessoa nas bancadas que irá ter protagonismo, que é o normal, com o seu sumo e com a sua sandes, Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República. Pergunto-lhe se, em termos institucionais, sente também que existe um apoio crescente àquele que é o maior torneio de ténis em Portugal e se havendo espaço e credenciais para isso, portanto através do ATP, se consegue ver este Estoril Open crescer para um 500 ou para um 1000.

Essa questão já abordei várias vezes ao longo dos últimos anos. A questão aqui prende-se com o seguinte: para se poder ter um ATP 500 ou um ATP 1000, teríamos que comprar uma licença existente. Ora bem, o preço de uma licença existente para o 500 anda na casa das muitas dezenas de milhões de euros e o preço para uma licença do 1000, que não está nenhuma à venda neste momento, anda na casa das centenas de milhões de euros. Madrid, por exemplo, foi vendido por 200 e muitos milhões de euros, a licença. Dito isto, eu julgo que para o mercado português, para a economia portuguesa, um ATP 250 está muito bem adaptado à nossa economia, à nossa realidade. Por quê? Porque um ATP 500 tem todo um novo caderno de encargos, tem um custo astronomicamente superior a um ATP 250 em termos de infraestruturas, em termos de bancadas do corte dois e do corte três, em termos de prize money. E lá está, mas começa logo por essa questão fulcral que é: um dos ATP 500 existentes teria que nos vender a sua licença. Ou Dubai, ou Tóquio, ou Rio de Janeiro, ou Barcelona. E como eu explicava, o custo é astronômico e eu diria que seria difícil justificar e seria muito difícil de conseguir que os sponsors que já estão conosco, muitos deles a fazer um grande esforço, duplicassem, triplicassem ou quadriplicassem os seus níveis de investimento. Eu acho que nós conseguimos realizar um excepcional ATP 250, muitas vezes com excelentes jogadores do top 10. Eu estive muito perto de já fechar vários nomes do top 10 e do top 20 e do top 30. E eu acho que é isso que é importante, ter um torneio sustentável, adequado à nossa realidade econômica e ao interesse que o ténis tem em Portugal e à força do ténis no nosso país.

Pegando nessa questão exatamente da força do ténis no nosso país. A verdade é que o Estoril Open acontece e parece que para o público em geral mesmo, para as pessoas que gostam de esporte, é um bocadinho quase um evento, digamos assim, um evento midiático e parece que se esquece um bocadinho o lado do desporto. Acha que esse é um sinal da ausência de cultura desportiva, ou pelo menos da fraca cultura desportiva que existe em Portugal?

Eu espero que não. Aliás, vê-se uma coisa muito interessante, e não acontece em muitos países ou em muitos torneios, nós temos o qualifying esgotado, dia 1 e 2 de abril está esgotado. Ou seja, isso quer dizer que as pessoas gostam de ver o ténis também nas primeiras rondas. E depois, obviamente, historicamente, sempre esgotamos a final e as meias-finais, que já estão esgotados neste momento. Mas eu diria que este torneio tem um custo de bilhete muito acessível Começamos dos €10 nos primeiros dias e depois sobe até aos 20, 25, 30. Eu diria que nós temos um evento que aproxima as pessoas dos jogadores e do ténis, e eu acho que isso é muito importante. Se reparar, somos dos poucos torneios do mundo em que duas das laterais do corte não têm camarotes, ou seja, o público está nas primeiras filas a poder ver o ténis de perto, os seus principais ídolos de perto, e acho que é muito importante esta proximidade. Isto atesta a vertente desportiva do evento e do interesse em ver os melhores tenistas de perto. Estava também a explicar que somos dos poucos torneios do mundo que não tem camarotes em duas das laterais, ou seja, o público consegue estar nas primeiras filas a assistir ao ténis o mais perto possível, e acho que isto é muito importante.

Há uma pergunta que eu tinha e gostava de saber a sua opinião. No último Web Summit, o Patrick Mouratoglou apresentou aquilo que poderá ser para ele o futuro do ténis, ou seja, um jogo completamente diferente, com menos paragens, mais adaptado àquilo que são hoje os gostos e as tendências. Tivemos também aquele exemplo do Ultimate Tennis Showdown. Pergunto-lhe se acha que o ténis poderá começar a ir também para esse caminho e, tendo em conta que é um evento bastante restrito e que é feito com poucos jogadores e especificamente em alguma cidade, se acha que Portugal, até pelas condições que tem, se poderia ser, neste caso Lisboa ou Estoril, uma opção real para isso.

É sempre bom ver que o ténis e a ATP têm-se tentado reinventar com novas regras, com novos formatos, a testar muitos novos formatos nos ATP Next Gen Finals, que são os oito melhores do mundo sub-21, que tem sido jogado em Milão. E algumas dessas inovações têm sido introduzidas no tour e nos eventos principais para tentar tornar o jogo mais mediático, mais dinâmico, mais intervenção dos treinadores.

Poderei falar com os árbitros também?

Também.

Que é uma coisa que aparentemente os jogadores gostam.

E acho que tudo isto é importante para o espetáculo desportivo. O electronic line calling, em que a pessoa está em casa sentada no sofá, vê se a bola é dentro ou fora, às vezes por um cabelo, por um milímetro. Eu acho que tudo isto tem que ser pensado e o ténis tem que se reinventar constantemente, obviamente mantendo a tradição toda que está à volta da modalidade, sem estragar isso, mas a reinventar-se também para novas gerações e para todo o tipo de fãs que consomem a modalidade. Acho que é importante haver essa reinvenção de coisas que não estraguem a modalidade no seu todo, mas que permitam tirar ainda mais partido de quem assiste a uma partida de ténis.

Marraquexe não tem nenhum top 20 no quadro. Houston tem o Frances Tiafoe e o Tommy Paul, que apesar de tudo estão fora dos 15 primeiros do ranking. Neste particular, pode dizer-se que o Estoril Open ganhou à concorrência direta?

Sim, podemos dizer que sim. Desse prisma, sim. Até o próprio Tiafoe ficou extremamente dividido. Eu estive reunido com ele presencialmente em Nova Iorque e disse-lhe: "Olhe, eu percebo perfeitamente que tu tenhas que jogar em casa, em Houston, mas como sabes, és tratado como um local, como um português, praticamente, no Millennium Estoril Open, como sentiste o ano passado, e teria muito gosto em que viesses novamente ao Estoril, onde já foste muito feliz, fizeste duas finais", e deixei a bola do lado dele. Não entrei em nenhuma loucura de disputa de cachês com Houston, até por respeito a Houston, e deixei nas mãos do próprio Frances a decisão de vir para o Estoril ou jogar lá. Foi muito difícil tomar a decisão, mas acabou por ficar em casa. Mas voltando à sua questão, acho que sim, temos realmente um jogador muito credenciado no nosso quadro, que é top cinco mundial, e como já explicava há bocado, esteve a um encontro de ser número um do mundo naquela final de US Open que ele disputou ano passado. Portanto, acho que realmente temos um quadro fortíssimo, mesmo com uma ou outra baixa. Temos também nomes muito sonantes que já foram aqui aflorados, como o Fábio Fognini, que ganhou o Monte Carlo Masters há pouco tempo, e o Dominic Thiem, também vencedor de Grand Slams. Pena foi o Wawrinka não estar em condições para jogar, mas isso acontece. Não está realmente bem para jogar a nossa semana. E vivemos com um quadro excecional de outros talentos e jogadores muito bons.

Olhar já também para 2024 e olhando para um ranking que vai começando a conhecer nomes que se calhar há dois anos não andavam aqui, o Alcaraz, o Rune, por exemplo, tem algum alvo especial que gostasse de trazer em 2024?

É evidente que o Alcaraz, que esteve cá em 2021, seria obviamente um excecional jogador para voltar a trazer ao Estoril, até porque por pena, obviamente vocês sabem, em 2021 não pudemos ter público nas bancadas. Estávamos em plena pandemia, portanto o Alcaraz jogou apenas para as câmaras de televisão e para os milhões de fãs em todo o mundo que estavam a assistir ao torneio. É evidente que hoje em dia, ele como número um do mundo e com o carisma que tem, tem um valor de cachê muitíssimo elevado e que logo por aí faz com que seja muito difícil nós termos capacidade financeira de pagar um cachê tão elevado, mas podemos sempre sonhar que será possível um dia voltar a convencê-lo a voltar ao Estoril.

Obrigado, João Zilhao, por ter estado aqui conosco na Rádio Observador. Vai ser uma semana de ténis no Estoril. A melhor sorte. Vamos estar atentos também aqui a tudo o que vai acontecer nos cortes de ténis. Termina agora este "Nem tudo o que vai a rede é bola", daqui a pouco. Pode ser ouvido em podcast em observador.pt.