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Aquele momento das manhãs "360" em que vamos às redes sociais e à internet buscar histórias particulares sobre os dias que vivemos. E qual é a tua história particular, Carla?
A falta de creches no país. Há muitos casos, e é olhar para as redes sociais e perceber o desespero de muitos pais de não conseguirem encontrar creche, não conseguirem encontrar solução para os seus filhos. Nos últimos dias também tem sido notícia, não só nas redes sociais, mas nos órgãos de informação, de vários espaços a funcionar como creches ilegais, mas sem as mínimas condições. E a última delas, creio, foi no Conselho de Sintra, Casal de Câmara, mais concretamente na Rua de Helsínquia, e associamos Helsínquia, se calhar, a outras coisas e não àquilo que viu a PSP numa ação desencadeada na semana passada. Um rés-do-chão muito discreto numa vivenda semiacabada. E há fotografias, aliás, numa notícia que o Observador dá, fotografias dessa vivenda, onde a polícia encontrou 10 crianças com menos de três anos. Os vizinhos dizem que não sabiam de nada, dizem que nunca ouviram o choro de uma criança, mas os agentes desta operação viram um espaço de alto risco para crianças. Além de não haver nenhum adulto por perto, estas crianças e bebés brincavam num pátio, num piso de calçada, no meio de sucata com ferro velho rigoroso, ferro velho enferrujado, com madeiras pontiagudas e com ferramentas. Um perigo mesmo. Mas esta foi só a primeira estranheza. As autoridades contactaram os pais para que fossem recolher as crianças. Durante esses contactos, foram surpreendidos porque os pais diziam que não faziam a mínima ideia do local onde os filhos ficavam, porque não eram eles que os levavam até esse rés-do-chão na Rua de Helsínquia. As crianças eram recolhidas por um motorista que os ia deixar na creche e os pais só conseguiram chegar ao local depois de a PSP ter partilhado a localização por GPS. Como é que a PSP chegou lá? Através das redes sociais. Diz que viu anúncios em plataformas online e em redes sociais. Começar a desvendar este caso é mesmo estranhíssimo, porque a proprietária da casa diz que não sabia que ela estava a ser utilizada desta forma. Diz que via algum movimento nas ruas, mas que não via crianças. A versão da família da inquilina, da mulher que estaria a tomar conta das crianças, é contraditória. Diz que não havia nenhuma creche ilegal, estava apenas a tomar conta de crianças de famílias e começamos todos a perceber como é que estas coisas vão acontecendo. Também a Junta de Freguesia não fala de uma creche, diz que estavam perante uma situação de amas ilegais. E é uma história que acontece um mês depois de uma outra ação da PSP ter encontrado uma outra creche ilegal no concelho. A PSP vai apelando para que os pais tentem confirmar a legalidade das instituições onde deixam os seus filhos.
Claro que sim. Essa história era onde? Em Vale de Câmara, não é?
Em Vale de Câmara.
Vale de Câmara.
E às portas de Lisboa.
Às portas de Lisboa.
O desespero, imagino. Vamos aligeirar um pouco isto. Vamos da infância até à terceira idade. Vou arriscar aqui no Não Se Fala de Outra Coisa. Dia 13 foi Dia Mundial do Rock e na minha timeline, nas redes sociais, não se fala de outra coisa. O meu algoritmo está a dar-me toneladas de decibéis de rock, muito rock, e um dos conteúdos que me apareceu na timeline é este. O Paulo olha para mim com muita estranheza.
Não, eu reconheço a música, mas não necessariamente as vozes.
Parabéns.
É verdade.
O que estamos a ouvir são as vozes de 25 espanhóis com mais de 70 anos que participaram num programa de televisão catalão chamado "Casal Rock". O programa já tem alguns anos, mas foram eternizados momentos deliciosos com estes idosos a cantar músicas rock muito conhecidas. O que eles estão a cantar aqui é o "Give It Away" dos Red Hot Chili Peppers, aquela banda californiana cheia de funk rock, solos psicadélicos de guitarra, enfim, uma das maiores bandas do mundo. É uma delícia, não é?
É ótimo.
Este destaque. "Give It Away". Enfim.
O destaque não está mal para espanhóis.
Não, está ótimo.
Teu comentário.
Desculpem.
Não, é verdade.
Vamos lá ser realistas.
Sim, eles não são conhecidos por falar.
Há países e línguas de origem que têm mais dificuldade em chegar a um bom sotaque de inglês. Por exemplo, um francês a falar inglês, a gente percebe logo que é francês, não é?
Claro, evidente.
Good morning.
Isso lembra-me um alô, alô.
Enfim, mas achei muita graça.
"Rénée, continue a falar."
Como é que ele dizia? "Don't be ridiculous." Achei muita graça a esta história. Achei por bem trazê-la para aqui, para animar um pouco as manhãs "360". Mas tu também traz uma história divertida, não é, Paulo?
Entrou de pés e mãos.
Mas relacionada com um acontecimento que também tem alguns dias, não é?
Foi no domingo. Estamos a falar ainda da final do Campeonato Mundo de Clubes da FIFA, em que o Chelsea se desfez.
Que é uma coisa que te é cara e que tu acompanhas.
É muito cara, eu acompanho as incidências da partida, como vocês sabem, o antes e o depois. Neste caso, sobretudo o depois. Nós sabemos que o Chelsea Eu estou aqui a citar várias fontes. Fez uma exibição magistral no Paris Saint-Germain. Ganhou.
Já estou impressionada com isto tudo que disseste.
Não, fantástico, não é?
Sabe de bola e de adjetivos. De bola, fantástico.
Não, aqui exibição magistral. Aqui consultei várias fontes, de facto, desde a CNN Portugal à SIC. Fui aqui buscar umas pecinhas, porque o ponto nem é esse, o ponto é o pós-jogo, neste caso. E uma personagem, uma personalidade que basicamente ocupou, literalmente, aqui não é só metafórico, o centro do palco, que é Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos. Nós sabemos que o jogo foi perto de Nova York, em Nova Jersey, ali no estado do MetLife. Estava Donald Trump na bancada a assistir ao jogo. Para ele foi uma tarde cheia de acontecimentos, como é evidente. Primeiro, quando foi mostrado nos ecrãs gigantes durante o hino nacional, antes do jogo, ele foi vaiado pelas bancadas. Vá-se lá saber por quê? Uma figura tão popular. Isto é um alerta de ironia. Depois voltou a ser vaiado mais tarde, depois do jogo, quando estavam a entregar as medalhas aos jogadores. Ele foi uma espécie de anfitrião, o que é normal nestes casos, o anfitrião da prova. Estavam a entregar as medalhas aos jogadores, aqui ao lado do presidente da FIFA, Gianni Infantino. Depois de ter entregue o troféu ao capitão do Chelsea, Reece James, juntamente com Infantino, aqui estavam os dois, Trump resolveu permanecer. Aliás, já falámos disso aqui, em palco, enquanto o líder da FIFA, conhecendo o protocolo, se retirava.
E tentou gentilmente com o braço encaminhá-lo também, mas o Trump não quis.
Não percebeu ou não quis perceber. Aquele era um momento para os jogadores, para a equipa. Recebem o troféu, quem entrega o troféu sai de cena. É assim que acontece em qualquer lado, em qualquer competição. E ele não percebeu isso, portanto ficou ali no meio daquela confusão toda.
Estava mais difícil.
Muito mais difícil ali, e sobretudo os fotógrafos e os cameramen estavam todos a apontar para ali. Portanto, ele ficou ali. Os jogadores do Chelsea ainda esperaram, trocaram olhares para saber se ele saía ou não de cena. Não saiu e lá levantaram o troféu com ele. Mas a história não acaba aqui. E ontem soube-se que o troféu original, a taça do Mundial de Clubes.
Aquela que vimos nas imagens.
A original, sim, vai ficar para sempre na Sala Oval da Casa Branca. Quer dizer, não é propriamente um furto, se quisermos, mas eu acho que muita gente tem dificuldade em dizer que não àquele senhor, Donald Trump, como é evidente. Aconteceu uma coisa normal: a FIFA entregou o troféu em março à Casa Branca para ele estar exposto, no fundo, para que o mundo o vá conhecendo de alguma maneira. Isso acontece com muitos troféus, que até saltam cá em Portugal de redação em redação.
Como o último que esteve cá.
Como aconteceu o último da Taça de Portugal, talvez? A Taça de Portugal esteve aqui no nosso estúdio.
A Taça de Portugal ou de Campeonato, já não faço ideia.
Taça de Portugal.
Da Liga. Mas esteve aqui em estúdio.
Sim, esteve aqui.
Circulou por várias redações, mas depois foi entregue, obviamente.
O troféu esteve cá. Não sei se foi da Taça do Campeonato, mas o troféu esteve aqui.
Mas depois, no dia certo, foi entregue ao vencedor, ao clube vencedor. O original, obviamente. Aliás, só haverá um. E o vencedor coloca à sua gloria o troféu. É sempre isso que acontece.
O original está na Casa Branca.
Está na Casa Branca, foi em março para a Casa Branca, para essa tal volta, se quisermos, por instituições. E o Trump até contou a conversa que teve com o Infantino a dizer: "Bem, quando é que vocês vão levantar o troféu?" E eles disseram: "Bom, não vamos levantar, pode ficar com ele para sempre na Casa Branca. Estamos a fazer um novo." O mesmo novo e por isso, diz o Trump que isto foi muito emocionante. Ele está na Sala Oval neste momento e lá vai ficar. Isto quer dizer que o Chelsea levou para casa, não o primeiro exemplar a ser fabricado, mas um segundo exemplar do troféu que foi fabricado. A FIFA não disse nada disto, não anunciou que ia fazer um segundo troféu, porque Donald Trump resolveu ficar ou a FIFA resolveu oferecer-lhe. Depois destes bastidores, destas conversas telefónicas, nunca se sabe muito bem se foi mesmo assim, se lhe ofereceram ou se foi ele que se fez oferecido de alguma maneira.
Mas temos mais um motivo de interesse para a próxima vez que virmos imagens da Sala Oval. Queremos identificar onde está o troféu.
Depois há também uma história ainda não confirmada sobre uma medalha que Donald Trump terá levado também. Uma medalha igual à dos jogadores que venceram. Enfim, as peripécias não param, de facto.
Há sempre uma história em volta de Trump, não é?