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Não se fala de outra coisa. Não sei se viram o vídeo nas redes sociais, mas não se fala de outra coisa, de uma rapariga de 21 anos que morreu no Brasil depois da equipe de uma empresa de esportes radicais ter esquecido de prender a corda quando a jovem foi lançada de uma ponte numa altura de 40 metros.
Parece mentira.
Eu vi o vídeo várias vezes e pensei que não era verdade, que era uma brincadeira. No vídeo é bem audível a corda, foi grito a uma pessoa que viu o equipamento ficar em cima da ponte no momento em que a rapariga que praticava rope jumping foi lançada. Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21 anos, era formada em Educação Física, Gestão Desportiva, estava noiva. Horas antes da tragédia, agora é conhecido, partilhou nas redes sociais fotografias dos preparativos para o salto, mostrou as pulseiras de acesso ao evento e em tom de brincadeira escreveu: "Quem foi o doido que me deixou vir pular de uma ponte?" No vídeo publicado nas redes sociais, é possível ver então a jovem ser levada por três homens para uma plataforma antes de ser lançada do alto da ponte do Esqueleto, que fica em Limeira, cidade a 150 km de São Paulo. A pergunta é: com tanta gente a assistir, não sei se era tanta gente, mas havia pelo menos algumas pessoas, porque no vídeo ouvia-se o barulho das pessoas a falarem, ninguém reparou que não havia nada a ligar a jovem à ponte.
Quando se fazem as coisas muitas vezes.
Ela está sozinha.
Talvez.
É tão estranho. Mesmo a terceira pessoa que estava mais atrás não vê que não há nada, não há uma corda pendurada.
Para quem organiza, prepara as pessoas e as lança, fazem aquilo, provavelmente, várias vezes ao dia.
Sim, eram três pessoas.
Começa-se a baixar a guarda.
Sim, mas três, não era só uma. Três estavam distraídas. Isso é estranho, porque há de certeza um protocolo. Alguém está incumbido de fazer isso. Portanto, ela basicamente foi lançada. Dois dos suspeitos tentaram fugir por uma área de mata, mas foram apanhados com a ajuda do helicóptero das forças de segurança. O tribunal do Brasil já disse que vai levar o caso às últimas instâncias, mas de pouco vale à rapariga. De facto, eu não gostava dessas coisas e depois de ver aquilo fiquei ainda pior. E depois perde-se, obviamente, a confiança neste tipo de atividades. Exatamente. Eu não queria acreditar. A primeira vez que vi o vídeo achei que não era real. É como aquelas montanhas-russas em que corre sempre tudo bem, até não correr. Até que alguém fica lá parado.
E aqui correu mesmo muito, muito mal. É quase inacreditável. Passo aqui para uma outra notícia que marcou este fim de semana, o referendo na Suíça, que foi uma iniciativa de partido da direita radical para limitar a população a 10 milhões de habitantes até 2050. Os suíços, que são muito dados a referendos, rejeitaram esta proposta. O resultado provisório é de 45,21% para o sim e 54,79% para o não, com uma participação significativa de 58,86% dos eleitores. Oito dos cantões, as regiões administrativas, votaram majoritariamente a favor e 12 votaram contra. Esta proposta, promovida pela União Democrática do Centro, previa um conjunto de restrições à imigração, caso a população ultrapassasse determinados limiares antes de 2050. Como tem sido referido por vários órgãos de comunicação social, estava aqui a ler a notícia do Expresso, que confirma que o número de habitantes da Suíça neste momento é de 9,1 milhões e caso atingisse até 2050 os 9,5 milhões, o governo, se esta proposta fosse aprovada, teria que adotar medidas corretivas na política migratória, várias questões relacionadas com a imigração, limitações ao asilo, ao reagrupamento familiar, às autorizações de residência. O governo suíço opunha-se a esta iniciativa. Os sindicatos e associações empresariais, que dependem também muito de mão de obra estrangeira, eram contra esta iniciativa. O partido que a promoveu, comentando os resultados, veio dizer que a participação foi bastante expressiva e isso significa que é um tema que merece continuar a ser discutido. Aliás, a imigração tem sido um tema recorrente na Suíça, no debate político da Suíça. Têm existido várias propostas restritivas apresentadas nas últimas décadas. Nem todas têm sido aprovadas, mas o debate está em cima da mesa e, na Suíça, de facto, estas coisas normalmente resolvem-se através dos referendos e como vimos agora também neste caso, com uma elevada participação dos cidadãos.