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É hora de mais um Não Se Fala de Outra Coisa. Vamos à Itália. Vamos. Vamos.
Tão bom.
Muito, mas muito polémica a história. Em Itália não se fala de outra coisa. Foi um caso de justiça que levou o poder político a fazer muitos comentários. O que é que se passa? Uma família, pai inglês, mãe australiana, três filhos, uma de oito anos e gêmeos de seis, foram viver para um bosque, numa opção alternativa de vida. Foram para a Itália educarem os filhos de uma forma pouco convencional. Um bosque com uma casa que estava em ruínas. Não há escola, há cavalos, galinhas, burros. Plantavam os seus alimentos. A água vinha de um poço, a eletricidade era gerada a partir de energia solar. Tudo corrou bem, aparentemente, nos primeiros quatro anos, mas houve um episódio com cogumelos venenosos que levaram as crianças ao hospital, onde tiveram que ser assistidas, o que chamou a atenção das autoridades. Foram perceber em que condições de segurança e de bem-estar é que as crianças estariam a viver e chegaram à conclusão que não estavam garantidos os mínimos, digamos assim, e as três crianças foram retiradas dos pais. A justiça italiana diz que elas estavam a sofrer violações graves e prejudiciais dos seus direitos devido às condições precárias de habitação. O que é que acontece a partir daqui? Apesar das crianças terem o contacto com os pais, o contacto é limitado. A mãe está com eles algum tempo durante o dia. A verdade é que isto começou a chamar a atenção. O pai, sobretudo, é um homem que foi chefe em Bristol, no Reino Unido, tem 51 anos, deu várias entrevistas e diz que o único crime desta família é estar a querer viver fora do sistema assumidamente e estão a arruinar uma família feliz, diz ele. Mudámos conscientemente as nossas vidas para que os nossos filhos pudessem ter um contacto mais próximo conosco e num ambiente mais benéfico para o seu desenvolvimento. Isto tem tido tal impacto em Itália que a própria primeira-ministra entrou em campo e fez declarações. Assume Giorgia Meloni que ficou muito alarmada pela retirada das crianças e pediu para se perceber se havia mesmo razões, de facto, para que isso estivesse a acontecer. O próprio vice-primeiro ministro, Matteo Salvini, criticou duramente a Justiça. Diz que isto foi um sequestro e que é indigno e preocupante que a Justiça interfira desta forma com a liberdade das famílias. Disse que é preciso uma reforma profunda e justa do sistema judicial, assumindo que nesta altura não está a funcionar e que este caso assim o diz. O ministro da Justiça também já teve que falar, mais prudente, diz que é preciso investigar seriamente o que é que aconteceu, dizendo que é prematuro haver outro tipo de avaliação. O que é certo é que a juíza que tomou esta decisão está a ser vítima de insultos na internet e de várias ameaças. E há também uma petição online a apoiar esta família. Há pouco tempo já tinha mais de 143 mil assinaturas. O assunto está fortíssimo em Itália e é uma daquelas questões em que se questiona onde é que acaba a liberdade das famílias, qual é o papel do Estado de proteger ou não as crianças e garantir a segurança e o bem-estar dos menores. É uma discussão com fronteiras aqui ténues.
Ténues e, de facto, complicadas. Até que ponto é que o Estado pode defender crianças contra a vontade dos pais, idelatórias. Lá está, se se houve, de facto, as condições em que eles vivem.
Parece que não eram boas.
Sim, mas até que não são boas.
Exatamente.
Já vimos casos diferentes, mas com algumas semelhanças em Portugal, de crianças retiradas a uma mãe que não tinha condições. Estamos a falar de condições materiais.
Estamos a falar de condições materiais. Aqui é um estilo de vida alternativo, assumidamente alternativo.
Complica tudo.
Mas esse estilo de vida, de facto, pode de vez em quando, em certas circunstâncias, pôr em risco o desenvolvimento das crianças. Deve o Estado, tem o direito de interferir.
Estas crianças não iam à escola, no caso. Agora, não sei, não consegui perceber se têm educação em casa.
Educação em casa.
Sim, doméstico. Mas, de facto, quando o Estado interfere nestas situações, levantam-se vozes, mas depois quando há algum problema, o Estado também é criticado por não interferir.
Porque não deixou, porque não sinalizou.
Por isso é que é tão polémico.
Exatamente. E em Itália está muito complicado.
Ouvirem, surpreendente, mas mais para o lado caricato. Imaginem que Adolf Hitler deve voltar a ganhar as eleições.
Eu estava a ler o título da tua notícia e eu assim: "O que eu estou a ler bem?"
Mas é isso mesmo, a frase obviamente escrita assim. Poderá parecer um erro absurdo Tendo em conta de quem estamos a falar. O ditador nazista alemão já morreu há 80 anos. A notícia está no nosso radar.
Alguém diga que não viu.
Exato. Não vamos por aí.
Não está na Argentina?
Estão todos na Argentina.
Só que agora está em causa Adolf Hitler Unona, é um político, um autarca da Namíbia. Namíbia é uma antiga colônia germânica, ali por um período de quase 50 anos, entre o final do século 19 e a Primeira Guerra Mundial, mas hoje ainda tem comunidades onde se fala alemão, isto num país, obviamente, onde o inglês é atualmente a língua oficial. Por isso, não é incomum, na Namíbia, a existência de nomes germânicos na comunidade, ou de origem germânica. E um desses exemplos é precisamente Adolf Hitler Unona, que procura agora uma nova vitória em eleições locais, autárquicas, depois de ter ganho com 85% dos votos em 2020. O objetivo é chegar a administrador distrital do círculo eleitoral de Opondia. Isto fica no norte do país, a Namíbia, ali mais perto da fronteira com Angola. E apesar de carregar este nome pesado, do antigo líder fascista alemão, este político de 59 anos não ambiciona, diz ele, domínio global. E sobre o nome, ele já explicou, de fato, que o pai não tinha noção. Não teve culpa, mas não teve foi noção.
Não, o filho. O filho, evidentemente, não teve culpa. Foi o pai.
O pai também terá culpa e não terá tido noção do nome que lhe deu à nascença, diz ele.
Era um nome que se falava muito.
Era.
Era muito sonante. Diz ele: "Bom, provavelmente o meu pai não compreendia o que Adolf Hitler representava. Quando era criança, achava que era um nome totalmente normal", diz o próprio. Só quando cresceu é que compreendeu que este nome era do homem que queria conquistar o mundo inteiro e não utilizando a melhor diplomacia, digo eu. Segundo este autarca namibiano, a sua mulher, diz ele: "A minha mulher chama-me Adolf".
Hitlerzinho, também na intimidade.
Exatamente. Ele nem tem bigode. E ele diz que publicamente, por regra, utiliza Adolf Unona, portanto esqueça aí o Hitler.
Mas eu estava a ler algumas coisas que diz que ele vai mudar o nome para Adolf Hitler Canu. Que é para fim.
Para dar um toque. Está farto.
Para marcar a diferença.
Ele já descartou sobre esse tema, já descartou mudar o nome, disse que seria tarde demais para fazer isso. E ele disse que neste caso dele não significa rigorosamente nada, porque obviamente é um democrata sem tentações.
E se mudar, que mude para Benito Mussolini, por exemplo.
Uma coisa assim mais pacífica. Um pacifista.