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E o Bruno Vieira Amaral está a sofrer com o calor.

Estou a sofrer com o calor, mas vou para o Japão porque lá já há uma solução. Quem é que nunca abriu a porta do frigorífico para se refrescar um bocadinho? E com isso retirar o fresco.

O fresco e aumentar o consumo de energia.

Exatamente.

Há um fenômeno contrário para quem anda de moto na cidade, que é quando é inverno e te encostas a um autocarro. O autocarro emana sempre um calor.

Agora não convém encostarem-se ao autocarro, porque está muito calor. E houve aqui uma empresa japonesa que é especializada em equipamentos de refrigeração, que desenvolveu, isto tem um nome mais pomposo, que é uma câmara de arrefecimento pessoal, que na verdade é um frigorífico humano, é um frigorífico para pessoas. Ou seja, quando está muito calor, a pessoa entra nesta câmara para refrescar, para refrigerar. É uma boa ideia.

Os japoneses adoram meter-se em espaços pequenos.

A começar pelas habitações.

Aquelas cápsulas para dormir.

Isto não é para viverem lá.

Mas está no espaço público, é isso?

Tem de ser adquiridas por empresas, por exemplo, e isto foi pensado por esta empresa para trabalhadores que fazem trabalho na rua, sob temperaturas muito elevadas. Isto funciona como uma espécie de recuperação temporária da temperatura para pessoas que trabalham nestas condições. Este equipamento fornece ar frio a cinco graus na parte superior e mantém uma temperatura interior de cerca de 15 graus. Não é muito baixo.

Para o Paulo Ferreira é ótimo, porque ele gosta.

É fresquinho.

Aqui é 23 graus, portanto, há uma certa diferença.

E então a ideia desta empresa e deste equipamento, que se chama Do-Yemon Box, nasceu da intenção de proteger os trabalhadores fabris da construção civil, bem como funcionários e participantes em eventos ao ar livre. Ou seja, no caso das empresas, terão de ser as empresas a comprar este equipamento para o disponibilizar aos funcionários. A intenção não é vender este equipamento a particulares, mas mais para empresas e para pessoas que trabalham nestas condições. Este equipamento está à venda, custa 8 mil euros. Um particular também pode comprar, se lhe apetecer pôr em casa, em vez de ter um ar-condicionado, eu acredito que no Japão seja muito frequente, mas se quiser ter um equipamento destes em casa para entrar e refugiar-se, não só refrescar, mas refugiar-se durante um breve período e fazer baixar a temperatura. Até ao momento, desde o lançamento em abril deste ano, já foram comercializadas 150 unidades e a empresa que inventou esta Do-Yemon Box espera que o equipamento se venha a tornar comum em fábricas e centros de produção e provavelmente também, imagino eu, para trabalhadores de câmaras, funcionários que têm que fazer o trabalho ao ar livre. O Japão também tem sofrido com as altas temperaturas nos últimos tempos, temperaturas a chegar aos 40 graus. Portanto, este equipamento até se justifica por isso, por essas ondas de calor que também têm afetado o país.

Muito bem, vamos a um outro destaque na imprensa trazido aqui pelo Paulo Ferreira, que fala dos desencontros entre o "Le Monde" e Bernard Arnault, que é um milionário do retalho. Tem uma série de marcas de luxo.

Exato, é só o líder do grupo de luxo maior.

Mais luxuoso, o grupo do Louis Vuitton, LVMH, que tem marcas como Louis Vuitton, Dior, Celine.

Saint Laurent.

Saint Laurent acho que ainda não. Está para comprar, mas a Saint Laurent não quis ser vendida. Isto na área da moda, Givenchy, se quisermos a Sephora também, depois vamos para as bebidas. Muito bem, disse Sephora. Sephora. É francês. Eu sei.

Eu nunca diria francês.

Moët & Chandon, por exemplo, Dom Pérignon, Hennessy, nas bebidas. Depois vamos para Bulgari, Tiffany.

Tudo coisas que conhecemos nós com o TV.

Exatamente, a TAG, os relógios e por aí fora. Portanto, é o grupo de luxo maior do mundo e foi alvo, no bom sentido, do interesse do "Le Monde", que durante meio ano colocou duas jornalistas a investigar o perfil do grupo, e num trabalho que foi publicado agora ao longo de seis capítulos, se quisermos, dupla página. E o que se passou ontem foi a resposta do próprio Bernard Arnault, numa carta cheia de humor ao "Le Monde", depois de terminado o trabalho. O trabalho, já agora, retratava a família Arnault, que é das mais ricas do mundo e das mais antigas também nessa riqueza. Retratava como uma corte marcada por um clima de tensão, rivalidades, intrigas, com os cinco filhos a quererem disputar a liderança do futuro grupo.

Uma "Succession" à francesa.

Exatamente, se quisermos. Questionava a faceta filantrópica do grupo, que diz que são amantes das artes, mas sobretudo da desfiscalização, isto é, da tentativa de pagar menos impostos, no fundo, aproveitando as leis de mecenato. E destacava também a proximidade de Arnault ao poder, acusando de sussurrar ao ouvido de sucessivos presidentes franceses, desde Mitterrand a Macron, e por aí fora. Respondeu ontem numa carta bem-humorada. Começa por um obrigado e diz que parece que sou chefe da última família real de França, soube ao ler Le Monde entre duas chávenas de chá. É este o espírito, é assim que arranca a carta de duas páginas. Ele diz que soube, em primeiro lugar, que os meus colaboradores andavam impecavelmente vestidos e que nenhum tinha excesso de peso. Apresento as minhas maiores desculpas aos leitores por esta falta de diversidade corporal e levarei o assunto na segunda-feira ao restaurante da empresa. Isto porque, de facto, o artigo refere o padrão estético do grupo.

Feio não entra.

Feio não entra.

Os gordinhos também não.

Excesso de peso também não. Em segundo lugar, ele diz que sussurraria ao ouvido de todos os presidentes: declare-me culpado. Mitterrand, Chirac, Sarkozy, Hollande, Macron. Acreditem que por uma questão de exaustividade, para além de cinco presidentes americanos, também sussurrei a três primeiros-ministros britânicos, dois chanceleres alemães e um imperador do Japão, e nem uma linha sobre estes sussurros. Devem entender que apenas os sussurros franceses são escandalosos. Depois, diz ele, para um grupo cujo 75% do volume de negócios é realizado fora da Europa, a hierarquia editorial escapa-lhe neste caso. Depois vem a estratégia do business first, que era o outro ponto do artigo, que o grupo se preocupa demasiado com os negócios. Ele diz que um grupo que exporta a maioria dos seus produtos fabricados em França, que esse grupo coloque o comércio em algum lugar da sua estratégia, seria afinal, e é afinal, um furo jornalístico. Diz ele: fica à espera dos próximos episódios. A L'Oréal, que vende produtos de beleza, a Danone, que se interessa pela alimentação, e a Renault, que fabrica automóveis, etc. Vamos aguentar com isto até o Natal. A carta segue por aí fora, toca noutros pontos da investigação do Le Monde. Ele diz que está disponível para receber as autoras, diz que lhes oferece um aperitivo na Fundação Louis Vuitton. Diz ele: os vinhos serão franceses, talvez até se cruzem com algumas personagens do vosso folhetim. Verão que são mais recomendáveis do que pensam. Quanto a mim, fiquem descansadas, continuarei a fazer as palavras cruzadas do Le Monde, que essas, sim, são excelentes. Enfim, uma daquelas respostas tradicionais, com uma pitada de humor, aqui a animar as relações entre o grupo Louis Vuitton e o Le Monde.

Dois destaques da imprensa trazidos pelo Bruno Vieira Amaral e pelo Paulo Ferreira. Vamos ao desporto no Três Toques.