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Havaianas.
Havaianas com este frio?
Com este frio cá em Portugal.
Mas lá?
Lá no hemisfério sul, no Brasil, é verão. O verão acabou mesmo de começar e já há uma grande polêmica a propósito de um anúncio da famosa marca de chinelos.
De chinelos de plástico.
Da Havaianas. Um anúncio com a sempre magnífica Fernanda Torres. Só que agora não há nada que não gere polêmica e polêmica política, sobretudo no Brasil. Isto por quê? Porque neste anúncio à marca de chinelos de plástico, Fernanda Torres disse: "Não quero que você comece 2026 com o pé direito". E isto é interpretado por políticos e influenciadores de direita como uma mensagem implícita.
Porque vai haver eleições.
Exatamente. Mas aqui eles entenderam isto como uma provocação direcionada, claro, à direita e aos seus elementos. Aquilo que Fernanda Torres diz no anúncio não é aparentemente assim tão polêmico.
Tão óbvio.
Ou tão óbvio, porque ela diz: "Desculpe, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não é nada contra a sorte, mas vamos combinar que sorte não depende de você, depende da sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés".
Para quem está a vender chinelos, faz sentido usar os dois pés.
Os dois, não comprar apenas um. Nas redes sociais, os comentadores e outros influencers de direita acusaram a marca de misturar publicidade com ideologia, de adotar um viés favorável à esquerda, e alguns destes influenciadores e comentadores passaram a defender que se substituísse as Havaianas por outras marcas concorrentes, também teria aqui um significado político. O vídeo da campanha foi publicado já na quinta-feira, no dia 18, na conta de Instagram da marca, e até segunda-feira, eu tentei aqui procurar, mas não consegui encontrar, já tinha mais de seis milhões de visualizações. E muitas delas provavelmente a reboque dos comentários desses influenciadores de direita. E agora, entretanto, já deve ter aumentado. A Alpargatas, que é a empresa dona da Havaianas, já disse que não se irá manifestar sobre o tema. Fernanda Torres, para já, também não fez qualquer declaração, mas há muitas reações, como estava a dizer, por parte de deputados federais da direita. Um, por exemplo, disse: "Havaianas, nem todo mundo agora vai usar", que é uma brincadeira com o slogan da marca de sandálias. Também a deputada federal Bia Kicis manifestou-se e disse: "Se as Havaianas não nos querem, nós também não queremos as Havaianas". Isto é sério, é um assunto mesmo sério. Como costuma acontecer no Brasil, isto de acordo com a reportagem feita pelo jornal O Globo, não demorou muito até que surgissem os memes por toda a internet, nas redes sociais. Há uma conta, creio que no X, que se intitula Pobre de Direita, que é uma espécie de jovem conservador de direita no Brasil, e que usou uma imagem criada por inteligência artificial que perguntava: "E se a Havaianas lançasse uma tornozeleira eletrônica, pulseira eletrônica, só para o pé direito?" E então a imagem é de uma pulseira eletrônica para o pé, mas com as cores do Brasil, só para o pé direito, fazendo alusão clara ao caso de Jair Bolsonaro, que há não muito tempo tentou derreter.
Tentou ver como é que funcionava.
Derreter eu acho que podia queimar.
Também ficava sem o pezinho, mas ficava sem a pulseira.
Só precisava de uma Havaianas. Aí está, mas acho que para o pé esquerdo. Depois há outras contas que usaram imagens para brincar com toda esta situação. Houve uma que dizia: "Havaianas nunca mais, vocês agora só vão usar dessa aqui", isto referindo-se aos apoiantes da direita, e o que este influenciador nas redes sociais pôs? Ferraduras. Pronto. É isto de que se está a falar no Brasil, onde está muito calor agora, é verão, as pessoas precisam de usar Havaianas, mas algumas empresas concorrentes já estão a beneficiar com esta polêmica, porque têm sido mais faladas do que nunca e promovidas por quem é de direita e sente que a Havaianas agora tomou uma posição política, porque Fernanda Torres disse que não quer que os utilizadores da Havaianas entrem só com o pé direito. Meu Deus, que escândalo!
Pois é assim. Tu estás a falar aqui de um epifenómeno das redes sociais. Eu trago outro que ressurgiu agora. Lembram-se daquele casal que foi apanhado na kiss camera num concerto dos Coldplay, julho de Boston?
Lembro.
Um dos acontecimentos do ano, quem não se lembra?
Um dos grandes acontecimentos do ano, que voltou agora outra vez. Quem é que anda com quem? A diretora. Não, não é isso. Porque depois também se soube qualquer coisa, não é? Sobre o marido dela. Foi crescendo, sobre o marido dela. Mas ela agora era a diretora de Recursos Humanos da empresa do CEO com quem estava abraçada. Ela agora deu a primeira entrevista depois desse momento viral e foi ao New York Times e deu alguns detalhes do que aconteceu. Assume que tomou uma má decisão, conta ela, diz que bebeu uns copos, dancei e agi de forma- A má decisão foi ir ao concerto. Não, ela diz muito mais do que isso. Ela conta que até ao momento do concerto não tinha acontecido nada entre eles. Claro, é sempre assim.
É sempre nos concertos.
E dos Coldplay.
Ou o primeiro sinal exterior, foi sempre a primeira vez, começou ali.
E companhia.
Nem no dia 24 de dezembro vocês acreditam na humanidade.
Não, no Pai Natal, sim. Nessas histórias da Carochinha, não.
Ela diz que não tinha havido um único beijo. Estavam os dois a passar por separações. Vocês são tão cínicos. Estavam os dois a passar por situações difíceis. Deixem a Carla falar.
Sim, Carla.
Vocês não querem ouvir todos os lados da história?
Liberdade de expressão pra Carla.
Todos os lados da história. Como é que é? Estavam os dois a passar por um período difícil. Por um período difícil, por separações. Não tinha acontecido nada entre os dois e foi só naquele momento em que a relação ultrapassou os limites profissionais. Aquilo era só uma paixoneta. O que aconteceu naquele dia foi que bebeu um pouco demais, bebeu-se um pouco demais e ela, pelo menos, Christine Cabot, assume que agiu de forma inapropriada com o chefe e agora está a pagar um preço por isso. Abdicou da carreira e está a pagar um preço por isso. Conta que foram segundos que lhe mudaram a vida. Depois disto, chegou a receber 500 a 600 chamadas por dia, viu a morada divulgada online, teve paparazzi à porta de casa e mais do que isso, recebeu entre 50 a 60 ameaças de morte. Começa a ter menos graça a um episódio.
Quando é.
Um erro e que ela conta que percebeu o momento constrangedor quando se viu na câmera.
Na kiss cam.
Na kiss camera. Pensou imediatamente no marido, mas isto depois teve outra dimensão. Diz que depois do concerto, às quatro da manhã, foi acordada por uma mensagem, por uma ligação para o TikTok. No dia seguinte, quando ela e o CEO acharam que tinham que comunicar à empresa o que se passava, como é estipulado. Já não era preciso. Já não era preciso. Alguém tinha feito isso por eles. Já toda a gente na empresa e no mundo sabia deste assunto.
Gente que não sabia da existência da empresa.
Exatamente. Os filhos passaram a ser alvo de olhares indiscretos sempre que estavam com a mãe. E agora o que aconteceu foi que ela e o ex-CEO, são os dois ex, ainda falaram durante o verão, ainda mantiveram contato, mas desde o início de setembro, e vou citar, decidiram minimizar os contatos porque perceberam que falar um com o outro só tornavam as coisas mais complicadas para todos.
Mas eles ainda estão juntos? Eu não percebi.
Não, está a dizer a Carla que tentaram minimizar os contatos. Entende como quiseres.
Deixar a minha imaginação.
Espera, deixa eu ler o Paulo.
Pense que és uma voz sensata.
Sim, e a experiência a falar. A experiência nos dá.
De kiss cam também já foste apanhado, Paulo.
Não, por acaso.
Não queremos saber disso.
Não há muito essa prática cá.
Não, das kiss cams.
Das kiss cam, cá.
Não, é isso que eu estou a perguntar, Paulo. Não estou a perguntar de outras situações, por amor de Deus.
Não.
Mas ias dizer, Paulo.
Nunca fui apanhado. Ia falar das brincadeiras que nós vamos fazer à volta do tema. É dramático como é que um ato, que tem só a ver com os próprios, se transforma, de facto, para destruir vidas de pessoas. É com eles, e com as mulheres, e os maridos, e os filhos, e essa coisa toda. Vá lá, com o código de conduta da empresa também já.
Mas não, houve todo um julgamento mundial.
E quando estamos a falar de ameaças, já é outro nível. Uma coisa são brincadeiras, que neste tempo de redes sociais acabam por ser normais, menos.
É inevitável. Mas daí até a casa estar sitada.
Ameaças de morte, críticas e perseguição, quer dizer, já passamos pra outra patamar.