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É aquela altura das manhãs 360 em que destacamos histórias que têm suscitado muita curiosidade nas redes sociais ou curiosidade em nós. Foi o meu caso. É o caso da história que eu trago hoje. Vem no Público, no P3: Adeus Dislexia. Eles criaram uma app, uma aplicação que é um companheiro de leitura personalizado. Estudantes do mestrado do IST, o Instituto Superior Técnico, criaram uma plataforma interativa que utiliza a inteligência artificial para se adaptar em tempo real, e isto é extraordinário, às necessidades de cada aluno que sofre de dislexia ou tem dislexia. Não há nenhum problema com as pessoas que têm dislexia. Apenas e só os disléxicos têm uma maneira diferente de ler, de olhar e de arrumar as letrinhas no seu cérebro. Não há nenhum problema, mas isso pode criar algumas dificuldades, enfim, deixamos isso para outra altura. O Francisco Redondo, um dos autores desta aplicação ou desta plataforma, cresceu a ver a irmã que tinha dislexia e pensou que tinha chegado a altura de criar algo para impedir que mais estudantes passassem pela mesma frustração. Então criou uma startup no Instituto Superior Técnico, formada exclusivamente por estudantes universitários. Ele recrutou vários colegas nos corredores do IST, do Técnico, para então começar a desenvolver este site. Na prática, esta plataforma o que faz é: combina a inteligência artificial com aspectos de ciência cognitiva e oferece aos alunos dois tipos de exercício. Vamos lá ver se eu consigo explicar isto. O modo de leitura assistida, com apoio visual e auditivo, uma espécie de karaoke da leitura, e um segundo modo, o de praticar, onde os alunos podem ouvir frases e escrevê-las, ou ler uma frase em voz alta e receber dicas sobre a pronúncia ou a fluência da palavra e da frase, que é, na verdade, o problema dos disléxicos. Arrumar o que veem e o que ouvem no seu cérebro de forma correta e coerente. A aplicação permite ver as sílabas de cada palavra, um aspecto muito importante para quem tem dislexia, portanto, aquilo que salta à vista.
Que elas andam à solta.
Às vezes. Pois alunos têm mais dificuldades com os P, há outros que têm mais dificuldades com os R, há outros que têm dificuldades com a traslineação. A aplicação permite ver as sílabas de cada palavra e adaptar em tempo real às necessidades de cada utilizador, consoante as respostas que ele vai dando. Claro, no momento da criação da conta, os alunos são obrigados a apresentar o seu ano de escolaridade para que a plataforma sugira exercícios adaptados a cada nível da aprendizagem. Isto utiliza inteligência artificial, portanto, a plataforma vai recolhendo as métricas da velocidade da escrita e leitura das respostas e apresenta uma nota global, o que permite ao professor acompanhar e personalizar o acompanhamento de cada aluno. Portanto, pode estar aqui uma boa solução para os alunos desenvolverem automecanismos, porque também passa muito por aí a vida dos disléxicos.
Eles próprios conseguirem encontrar a forma de dar a volta.
Exatamente, respostas dentro de si. Com esta plataforma, de forma a poderem ordenar melhor as sílabas, os números, etc. Bruno, estás a levantar o braço? Tens uma pergunta?
Não, não tenho nenhuma pergunta. Quero trazer-te aqui uma lista de personalidades.
Disléxicos famosos? Vamos a isso.
Exato, vamos lá. Vamos aqui começar.
Einstein era disléxico, não era?
Einstein era disléxico. Olhando aqui para o entretenimento, os media, temos Steven Spielberg, por exemplo, Tom Cruise. Este eu sabia, Tom Cruise, é conhecido pela sua dislexia. Salma Hayek, Whoopi Goldberg também tem dislexia e Keira Knightley, também uma atriz famosa. Falaste de Einstein, não é o único cientista. Bem, agora aquilo que vou trazer é um cientista, artista, quase tudo e mais alguma coisa, Leonardo da Vinci.
Sim.
Também se acredita que tivesse dislexia. Winston Churchill, não um cientista, mas um político e escritor, também. Nas artes e na literatura, vejam lá esta, eu também não sabia desta: Agatha Christie, que ditava muitos dos seus livros porque tinha alguma dificuldade em escrever. Não parece, mas tinha.
Sim, não parece.
Não parece nada. E Pablo Picasso.
E Pablo Picasso. A dislexia não é um problema de vocabulário, é um problema só de arrumar, de percepção das letras.Por exemplo, para um disléxico, tacho pode ser com X em vez de CH, porque se soa CH.
Porque funciona bem. Porque faz sentido.
Se o som está lá, faz sentido que seja com X.
Não traz nenhum absurdo, traz uma lógica diferente daquela que é convencionada.
Olhando para estes exemplos, não é impeditivo de chegar na história.
Pois não. Os disléxicos têm dificuldade, por exemplo, em fazer construções de Lego?
Às vezes.
É?
Sim.
Porque também pode haver uma outra lógica que não a comum. Não sei se será um desafio até mais interessante.
Traz Legos.
Trago Legos.
Cuidado com os pés.
O problema é sempre com os pés. Fazer Legos com os pés, em vários sentidos, é muito complicado. A Lego anunciou o maior conjunto de sempre, com o maior número de peças de sempre, que é a Sagrada Família. São 12.060 peças, é muita peça, e muitas devem ser muito pequeninas, devem fazer muito mal aos pés. Ainda não está à venda, está em pré-reserva.
Eu pensei que ias dizer: ainda não está construída.
Essa é a brincadeira. A Lego está a lançar isto com a ideia de que pode ser mais rápido fazer esta Sagrada Família do que a original em Barcelona. Vai estar disponível a partir do dia 1 de novembro deste ano. E querem saber quanto custa, por exemplo?
As 12 mil peças? Muitas noites de tortura. Não, há prazer na construção do Lego.
Pode ser muito interessante fazer esta construção.
Dependendo do preço que vais dizer, já tenho um presente para o meu filho mais novo no Natal. Adora Legos. No ano passado comprámos da Mona Lisa, mas não tinha 12 mil peças.
Não tinha. Esse nem sequer, deixa-me aqui ver se está na net.
É para atirarmos o número? Deixa-me lá ver, 12 mil peças.
A Mona Lisa não está na net.
799 euros.
Quanto?
799.
Mais. Não?
799 dólares. Eu só tenho o valor em dólar.
Juro que eu não vi. Atirei, juro que não vi.
799,99.
Uau!
Um bocadinho mais.
Caramba, tenho que fazer euro mil e isso.
Não é o conjunto de Lego mais caro de sempre, continua a ser a Estrela da Morte da saga Star Wars. Não sei se o teu filho merece os 800 € que isto vai custar.
Merece.
É isso que se gastam em Lego com crédito.
Em peças.
Outras ideias para quem pensa ainda assim avançar pela construção da Sagrada Família, não vai ocupar tanto espaço na sala como outras construções da Lego, como o Titanic e a Torre Eiffel, que são mesmo muito volumosas. Esta Sagrada Família terá 62 centímetros de altura, 47 de largura e 39 centímetros de profundidade. Cabe em qualquer cantinho.
Cabe, em cima do frigorífico.
Tantinho ali de casa.
Eu pensei que ias dizer em cima da televisão, mas já não. Já não se colocam objetos em cima das televisões.
As televisões já não permitem.
Talvez do frigorífico. Não, talvez são encastrados. Bom, o Lego, agora a Sagrada Família entra já como a construção com o maior número de peças, 12.060. Para ter uma ideia, em segundo lugar, aquela que era mítica, o mapa-mundo, com 11.695 peças e a Torre Eiffel com 10.001 peças. Agora temos a Sagrada Família já na versão em pré-reserva para o fim deste ano, que pretende assinalar o centenário da morte de Gaudí.
Muito bem. 1 de novembro está então disponível este Lego.
Isso mesmo.