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É aquele momento, sempre a esta hora, nas manhãs "360" da Rádio Observador, onde destacamos histórias que podiam estar nos nossos noticiários e que suscitam muita curiosidade por parte não só dos leitores, mas também dos utilizadores das redes sociais. Falámos muito e temos estado a falar muito de incêndios.

Infelizmente, vamos continuar a falar.

E vamos continuar a falar de incêndios nas próximas horas, porque há essa situação dramática, sobretudo no Conselho da Covilhã. Há uma longa discussão sobre a origem dos incêndios em Portugal. Há muitos estudos, muitas conclusões, sendo que se sabe que uma parte, não a totalidade, mas uma parte dos incêndios em Portugal tem origem em pessoas com características pessoais muito próprias.

E origem criminosa, neste caso. Haverá também alguns que serão de origem criminosa, mas com outras motivações, também serão menos. O que eu me pergunto sempre é: mas nos outros países também há incendiários, não? E em países com características até climatéricas semelhantes à de Portugal. Então por que é que arde mais em Portugal?

Ui, isso é toda uma emissão especial. Isto a propósito dos incendiários. A Sara Dias do Oliveira escreve um explicador no Observador, precisamente partindo da pergunta: o que está na mente de um incendiário? Nove perguntas sobre o fogo, compulsão, problemas psicológicos, impactos na população e as imagens na TV. A Sara tenta responder e encontra resposta para nove perguntas. Quem são as pessoas que põem fogos? São todos incendiários? Não, há grupos distintos. Há o chamado pirómano, ou seja, uma pessoa que tem uma perturbação psiquiátrica rara, com obsessão pelo fogo. E depois há o incendiário, o tal que intencionalmente provoca um fogo motivado pela vingança, pelo vandalismo ou pela fraude. Acontece muito em Portugal, pequenos proprietários, para se vingarem uns dos outros, colocam fogo nas matas alheias. Depois as consequências, sabemos, e estão aí à vista de todos. A segunda pergunta: é possível entrar na cabeça do incendiário? A Sara foi à procura de resposta junto de pessoas, psicólogos, profissionais e médicos que lidam com estas pessoas e parece que é complicado. Há longas perturbações psicológicas que tornam esta resposta muito difícil. Os incendiários têm perturbações mentais? Sim, alguns, sim. Na maioria dos casos, os problemas psicológicos são fatores causais e não apenas as consequências. E depois, eles têm consciência do mal que causam? Existe apoio psicológico para estas pessoas? Nas populações afetadas, quais são as reações emocionais mais comuns? Nove perguntas para tentarem perceber o incendiário ou a pessoa que coloca o fogo na paisagem. Diz, Bruno. E as imagens, sim, também se procura a resposta a essa pergunta. A exposição às notícias pode ser um fator adicional de estresse e ansiedade? Sim, parece que sim, as imagens têm esse efeito sobre os incendiários e sobre os pirômanos. Portanto, há aqui um efeito indutor dessa prática criminosa. Paulo, do que é que se fala?

Do que é que se fala? Ainda se fala do encontro de sexta-feira entre Donald Trump e Vladimir Putin, foi no Alasca e agora sabe-se é que as delegações, pelo menos uma delegação americana, foram embora, mas deixaram rasto por lá. Documentos com as marcas do governo dos Estados Unidos da América foram encontrados num hotel local. A notícia foi avançada este fim de semana pela Rádio Central dos Estados Unidos, a NPR, National Public Radio, que teve acesso a fotos das folhas, que incluíam o horário das reuniões, a indicação das salas em que iriam decorrer essas reuniões na base militar de Anchorage e os números de telefone de funcionários do governo, entre outras curiosidades, como a ementa que estava prevista para o almoço, que acabou por não acontecer. Segundo a NPR, os documentos terão sido produzidos, obviamente, por funcionários da administração americana, deixados para trás acidentalmente numa impressora do Captain Cook, o hotel de quatro estrelas que fica a 20 minutos da base militar, onde ficou uma parte da delegação americana. Foram encontrados às nove da manhã de sexta-feira, portanto, ainda estavam os trabalhos por começar, por três hóspedes, e indicavam, por exemplo, que a primeira reunião devia durar 40 minutos. O encontro acabou, no entanto, por prolongar-se por quase três horas e substituiu o almoço de trabalho. Na agenda constava também a conferência de imprensa, que deveria durar uma hora. Foi Vladimir Putin que tomou a palavra em primeiro lugar. As declarações não chegaram, no entanto, aos 15 minutos e não houve direito a perguntas de jornalistas. O dia devia fechar com Donald Trump a despedir-se de Putin às 16h45, momento que devia ser seguido por uma entrevista do presidente norte-americano à Fox News. O documento também acrescentava um detalhe: Trump ia oferecer a Putin um presente, que era nem mais nem menos do que uma estátua de mesa da águia americana, o símbolo norte-americano.

Podia ser um ramo de flores.

Exato, parece que não. E não ficava bem. As flores murcham.

Podiam ser artificiais.

Pois, só se fossem de plástico. Havia ainda a lista de nomes, números de telefone de funcionários norte-americanos, de 13 líderes norte-americanos e russos Neste caso, no caso dos russos, acompanhados com uma nota sobre como deveriam ser pronunciados os nomes.

Isso é muito importante.

Para a Casa Branca, diplomacia. E não podia faltar o menu dito em homenagem a esses líderes.

Guardaste para o fim.

Melhor para o fim.

Qual é o menu?

O menu que estava previsto, porque depois a reunião atrasou e não houve almoço. A intenção era servir três pratos: uma salada verde, filé mignon ou então halibut Olympia, que é um prato de peixe popular no Alasca. Halibut, já agora, não é nome de sal de creme. É nome de peixe. É a espécie de peixe.

Até fazia sentido um belo almocinho de halibut.

E o halibut, neste caso, ia ser acompanhado por batatas e espargos, para fechar a sobremesa, o crème brûlée. E o mapa de lugares também mostrava que Putin e Trump deveriam sentar-se frente a frente durante o almoço. Tudo isto ficou nas mãos, antes de mais, de alguns turistas.

Esperemos que tenham aproveitado também o almoço.

Na fotocopiadora. Exato, ou na impressora. Obviamente que a NPR, a rádio norte-americana, questionou a Casa Branca sobre a falha de segurança que isto podia implicar. Disseram que não, que não houve nenhuma violação de segurança. Era só um menu de várias páginas, diz a Casa Branca. Portanto, está tudo bem onde acaba bem.

Uma notícia interessante também.

Exatamente.

Muito bem. Luís.

Olha, eu partilhei aqui algo que tem sido muito partilhado nas redes sociais, que tem a ver com um artigo do Expresso que foi publicado na semana passada, tem a ver com os nômades digitais e com aquilo que são os sentimentos deles próprios cá em Portugal. Ou seja, eles têm noção-

Têm sentimentos?

Têm sentimentos e têm mais que isso, têm noção de que são uns privilegiados e que a existência deles cá, de certa forma, prejudica também o dia a dia dos portugueses. Ou seja, as coisas são mais caras, os arrendamentos são mais caros. Eles sabem que têm a possibilidade de pagar, mas que acaba por haver três mundos em Lisboa: o dos portugueses, o dos estrangeiros ricos e o dos imigrantes pobres. Eles percebem e têm noção de que há coisas que se tornam inacessíveis para muitos locais, têm consciência disso. Entendem que a cidade perdeu a identidade, apesar de gostarem muito de estar em Lisboa e de viver cá. Eles admitem que quando veem os preços e pensam no salário dos portugueses, admitem que é algo que não bate certo.

Choram.

Mas isto é algo que tem sido muito partilhado nas redes sociais, também nesta perspectiva de mostrar precisamente esse mundo e que há algo que não bate certo e que os nômades digitais também em Portugal acabam por marcar e por mostrar que têm até algum peso na consciência com esta chegada destes novos residentes, com medo de comprar acima daquilo que é o nosso e que no fundo acabam por mostrar as diferenças entre quem vem de fora e quem está cá dentro. Isto tem sido muito partilhado nas redes sociais precisamente para mostrar essas diferenças e aquilo que é o impacto também da presença dessas pessoas em Portugal.

Muito bem, é bom, mas não é.

Exatamente.