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O Paulo falava aqui de um perdedor, o grande perdedor em toda a linha nas eleições brasileiras. Pois não se fala de outra coisa senão do grande vencedor das eleições, que se calhar não é bem Lula da Silva, tem outro nome, mais discreto, mas muito importante, André Janones, um jovem, ele tem 40 e poucos anos, mas que o vimos com uma camisola da seleção brasileira no discurso da vitória de Lula da Silva. Foi o homem que ofereceu um telemóvel, um smartphone, a Lula da Silva, e é apontado, de fato, como a grande peça-chave, o momento que permitiu revir a volta nestas eleições presidenciais. Quem é ele? É um advogado, é um deputado federal de Minas Gerais, tem 42 anos e é também o criador do chamado Exército do Lula, que é um canal do WhatsApp, que num curtíssimo espaço de tempo, foi criado em abril e que, por esta altura ou durante a campanha para a segunda volta das presidenciais brasileiras, chegou a mais de 10 milhões de seguidores. Ele mudou, efetivamente, a campanha eleitoral. Explica quem olha para este processo, que tornou a campanha de Lula da Silva, passou de analógica para digital, entrou numa guerra com a Meta, acusada de ter um algoritmo que favorece a direita ou a extrema-direita.

Dona do Facebook.

É dona do Facebook, precisamente, e avançou exatamente por aí com três estratégias fundamentais. Uma, ampliar a rejeição a Flávio Bolsonaro, não necessariamente com críticas diretas àquilo que Bolsonaro e os apoiantes iam dizendo, mas com o desgaste dessas declarações, ou seja, basicamente usando as mesmas armas. Lutar contra a abstenção, que foi, de fato, o momento decisivo para Lula, com o apelo: se não votou no primeiro turno, vá votar, se votou nulo ou branco, vá votar em Lula agora. E este foco foi muito dirigido, lá está a terceira perna aqui deste tripé, no foco dos idosos. Aí, mesmo como um exército, foram criados grupos só de idosos para mobilizar o voto e para, no dia das eleições, deslocar todas estas pessoas às urnas. Isto funcionou mesmo muito bem. Aliás, o combate à abstenção foi...

Foi determinante.

Foi determinante.

Foi a maior fatia que Lula foi buscar de votos, foi a abstenção da primeira para a segunda volta.

Isto parece pouco, mas não é, na dimensão e na escala do Brasil, 21% de abstenção na primeira volta, 19,2 na segunda. Os 4 milhões da vitória de Lula podem estar muito aqui e na mobilização que este exército terá contribuído também para promover. Claro que isto mereceu muitas críticas e muita reação do adversário, que se movia muito bem nas redes digitais. A campanha e a comitiva do Bolsonaro recorreu à Justiça, tentou suspender o canal com a argumentação de que estava a veicular fake news. A decisão foi anulada, mas criou-se uma guerra jurídica enorme, que acabou por dar mais visibilidade ao canal e torná-lo quase o meio oficial da campanha.

E mais gente a querer ver. Se por lá se passam coisas essas, eu quero espreitar também.

Precisamente o que acontece com a direita radical. Precisamente, as mesmas armas. Bolsonaro percebeu que estava ali um inimigo e utilizou, por exemplo, a ex-mulher de André Janones, assim é que se chama, utilizou a ex-mulher para lançar suspeitas até sobre a conduta moral de Janones. A ex-mulher acusou-o de expor imagens íntimas, têm um processo de divórcio muito complicado, e isso foi utilizado na campanha. Mas temos aqui uma figura com muitos telhados de vidro. Ele foi marcado por uma investigação ainda antes desta campanha, conhecida como a rachadinha, em que havia aqui uma troca de salários, uma partilha.

Os nomes das eleições são fantásticos.

A pedalada é a melhor, que envolveu a Dilma Rousseff. Ele é filho de uma empregada doméstica, de um fabricante de gaiolas de pássaros. O pai morreu quando ele tinha 10 meses. Ele dizia que não era nem de direita nem de esquerda. Era visto por muita gente como o único capaz de combater a influência digital de Bolsonaro. Nas últimas eleições, em 2022, desistiu de concorrer à presidência do Brasil, apoiando Lula da Silva. Agora a pergunta é: o que vai acontecer? Qual vai ser o futuro?

Tem uma vida pela frente ainda.

No discurso de vitória, Lula disse que ele ia subir de patente. Ele é conhecido como general. Disse que ele ia subir de patente. Há quem acredite que haja ali um gabinete no Palácio do Planalto, bem ao lado do presidente da República. Já vimos Elon Musk.

É verdade. Os gurus tecnológicos que acabam depois. E Lula, a avaliar pelo discurso de vitória, ficou rendido ao poder do digital, porque não só ficou deliciado com o smartphone, o primeiro smartphone, que lhe foi oferecido, precisamente pelo Janones, como disse que ia tornar o Brasil, ia ser uma governação digital. Portanto, eu acho que foi talvez também o clique que deu a Lula para este novo mundo. Exatamente. Muito bem. Olhe, e por falar em tecnologia, claro, vamos à Meca da tecnologia. O primeiro telemóvel dobrável da Apple. Falámos dele aqui há uma semana.

Quando foi lançado.

Quando foi lançado, anunciado, exatamente.

Agora está a dar problemas.

Está a dar problemas, precisamente. Sérias dor de cabeça à Apple, poucos dias depois da chegada dos primeiros.

E dor de cabeça também a quem gastou uma fortuna neles.

Pois, é isso mesmo. E o problema está aí, é que bastaram alguns dias, o iPhone DUO, assim que se chama, chegou às lojas, e agora vão-se multiplicando os relatos de clientes que estão insatisfeitos com falhas graves, precisamente naquilo que é diferenciador, que é no ecrã interior do aparelho, é daqueles que se dobra e fica com ecrã que é o dobro do tamanho normal.

É quase um tablet.

Exatamente. Portanto, dá para perceber que o ecrã tem que ser dobrável e ficar liso quando abre. E os movimentos sucessivos de abrir e fechar não pode parti-lo. Aquilo tem que ser uma película, que não deve ser fácil, imagino eu. Temos a engenharia.

Aliás, como tem a Samsung já.

Exato. A Samsung já há anos que tem. E nas redes sociais, como o X e o Reddit, de fato, vários utilizadores publicaram fotografias a mostrar o ecrã partido ou então com umas linhas pretas naquela zona da dobradiça ou da dobra. Em alguns casos mais críticos, o problema surgiu de fato ao fim de poucas horas de utilização e com apenas algumas dobras feitas no equipamento. A Apple reagiu, claro, imediatamente veio a público confirmar que vai substituir as unidades afetadas através da sua garantia. E num comunicado, a empresa tecnológica esclarece que está ciente da situação, mas garante que a falha atinge apenas um número muito reduzido de aparelhos telemóveis. Para resolver isto, a marca dá indicações aos clientes afetados, contactar imediatamente o apoio ao cliente da AppleCare. No entanto, este arranque conturbado traz à memória episódios semelhantes também de outras marcas no passado. A Samsung também foi uma linha de aprendizagem complexa. Há aqui grandes desafios de engenharia, dizem especialistas, nos primeiros ecrãs dobráveis, que são difíceis de ultrapassar. E a somar a estas queixas de fábrica, a Apple enfrenta ainda uma escassez. É o problema contrário, o paradoxo. Uma escassez de estoque em várias lojas físicas, com prazos de entrega-

E as filas em Londres, por exemplo

...para ter logo. E os prazos de entrega, mesmo na compra eletrónica, são cada vez maiores. Em Portugal, o iPhone Dual, que arranque, atenção, o preço base 2.399 euros, portanto 2.400 euros. Coisa pouca. Coisa pouca, não é?

Esperemos pela Black Friday.

Esquece, que ainda não vai estar disponível. Porque os envios de novas encomendas já estão a derrapar para o final de janeiro. Portanto, nem para o Natal.

Nem para o Natal.

Exatamente, quanto mais para a Black Friday.

Claro, mas tudo isto cria mais apetência.

Mais ansiedade, é verdade.

Funciona.

É verdade. E os especialistas desse setor da tecnologia lembram que a produção destes dobráveis envolve uma curva de aprendizagem acentuada.

A curva tem tudo a ver aí.

É verdade, que se pode partir, a curva pode quebrar. Mesmo para uma empresa com a dimensão da Apple. O foco da empresa tecnológica americana está agora em responder com a máxima rapidez e transparência, obviamente, para evitar danos reputacionais.

Isto com o Nokia 3310 não acontecia.

Não acontecia, o nosso ecrãzinho nunca dobrava.

E nós contávamos os caracteres para não passar para a mensagem.

Para a SMS seguinte.

Pensar que foi há tão pouco tempo.

É verdade.

E as baterias duravam três dias.

Dois, três dias, à vontade.

Espetacular.

E pronto.

Estamos novos.