Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Diz quem manda: está aberta a época natalícia. Pois é.
Saudades.
Mal bateu a meia-noite do dia 31 de outubro para o dia 1 de novembro, isto foi antes, Paulo, e o Halloween arrumou as tralhas, a rainha do Natal cumpriu a tradição, Mariah Carey publicou o seu famoso vídeo anual. A descongelar. A descongelar, a decretar o arranque oficial da época festiva. Mas este ano a descongelação de Mariah Carey, deixa-me pôr a musiquinha outra vez. Sim, não interrompes uma coisa, este hino. É assim. Aquele era mesmo o vídeo que ela publicou.
Continua a dar-lhe milhões por ano.
Milhões. Mas este ano, a descongelação da Mariah Carey veio com um toque diferente, cheio de atitude. O vídeo começa com uma estética meio punk rock num bar em Nova Iorque, não sei se viram o vídeo, cheio de gente mascarada, à Halloween, e com uma contagem decrescente pra meia-noite. Ela está a cantar em palco, toda também mascarada, halloweenesca, mas mal o relógio marca as 12 badaladas, o cenário transforma-se por completo num autêntico paraíso de Natal, com a Mariah Carey a aparecer de body natalício no topo de uma árvore de Natal gigante, cheia de luzinhas, e a soltar aquele grito icónico que o mundo inteiro já espera, o "It's time". Pelo meio, vence bonecos de neve, Pai Natal guiado pelas renas num trenó cheio de prendas. E a verdade é que esta tradição já tem um peso enorme na cultura pop. A música "All I Want for Christmas is You", lançada em 94, lá está, Paulo, continua a bater recordes todos os anos no topo das tabelas de vendas, vai somando milhões de visualizações e ouvintes em poucas horas. E de facto, podemos ter o calendário no telemóvel, mas a verdade é que para metade do planeta, o Natal só começa mesmo quando a Mariah Carey dá autorização. E é impressionante, como uma música com mais de 30 anos nos consegue manter este espírito de festa e juntar gerações inteiras em torno de uma data com um simples vídeo de um minuto. E é de facto alegre. E agora vamos ficar todo o dia a cantar. Obrigada, João. E aí no trânsito, em casa, aqui no estúdio, já alguém pensou sequer em montar a árvore de Natal? Ainda nem tirei a minha da caixa.
Não, dia 3 de novembro não, ainda é cedo. Mas o meu filho no outro dia disse logo depois do Halloween: "Bem, e agora é o Natal."
No prédio já tem uns vizinhos que já puseram os bonequinhos.
Também tenho uns vizinhos que já têm as luzes lá fora.
Eu acho que tenho uns vizinhos também, quando saio de casa, que vejo aquilo tudo iluminado hoje e pensei: "Caramba, já?" São team Mariah Carey. São team.
Muito bem.
Agora tenho que tirar.
Podes continuar. Acho que o Seinfeld não se importaria. Eu não estive lá, mas a imprensa, incluindo o Observador, tem obviamente o relato daquilo que foi o espetáculo, a noite histórica e atípica no MEO Arena, se quisermos, foi no domingo, o Jerry Seinfeld. Estreou-se finalmente em Portugal, foi no encerramento do MEO Comedia à la carte Fest. Falámos muito disso aqui há um mês e meio, dois meses, quando houve aquela saída de vários participantes que estavam no cartaz deste festival e se recusaram depois a participar, porque Seinfeld vinha cá e Seinfeld, como bom judeu nova-iorquino, defende as posições de Israel no conflito com a Palestina. Ele cá esteve, de facto, com 72 anos, o mestre do stand up subiu ao palco sozinho, diziam os relatos, vestido de blazer, de ténis brancos, sapatilhas brancas, se quisermos, para quem está acima do Mondego, acompanhado apenas por um microfone, por um banco e por uma garrafa de água. Mas antes do primeiro holofote se acender, o destaque da noite pertenceu às regras de segurança à entrada do recinto. Para além das revistas exaustivas que foram feitas com detectores de metais, a organização impôs duas proibições absolutas: ninguém podia entrar com qualquer mensagem ou cartaz de caráter político, e o uso de telemóveis no interior do pavilhão estava também proibido. Como é que se controlou o uso de telemóveis? Essa operação causou longas filas à porta e então todos os espetadores foram obrigados a guardar os seus smartphones ou relógios inteligentes, tudo aquilo que pudesse gravar de alguma forma, dentro de bolsas de segurança vedadas, são conhecidas como bolsas Yondr. No fundo, são estojos que possuem um fecho magnético. É igual àquele dos alarmes da roupa nas lojas, e mantiveram-se trancados durante todo o espetáculo. Quem tentasse abrir a bolsa, aquilo apitava e dava o alarme de tentativa de abrir o estojo. Quem precisasse, depois, de fazer uma chamada, enviar uma mensagem, quem quisesse utilizar, no fundo, seu equipamento eletrónico, tinha que sair do seu lugar, deslocar-se a uma zona específica que havia ali no exterior da sala, e era aberta, obviamente, em segurança, era utilizado então o equipamento. E entre o público, esta medida dividiu reações entre aqueles que ficaram irritados, porque houve o aviso tardio desta medida, só há alguns dias é que se disse que isto ia acontecer, entre esses e aqueles que até ficaram com nostalgia de regressar aos anos 90, no fundo, dentro de um espetáculo, sem olharem, levantarem a cabeça e verem uma sucessão de mãos com telemóveis a gravar a cena. De resto, em palco, Seinfeld não deixou este assunto tecnológico passar em branco. Logo à partida, ele gozou com a dependência digital da plateia, no fundo, de todos nós. Disse que não precisava de um telemóvel e que hoje em dia, basicamente, nós temos uma grande função na vida, que é apenas ajudar o telefone a viver. E é um pouco verdade. Bem-visto. Depois brincou com a própria sala, chamou-lhe "Miau Arena". Imagino que devem ter tentado ensiná-lo a dizer "Meu Arena" e deve ter parecido um miado de gato. "Miau Arena". Graças a Deus que Lisboa nunca esteve nos sonhos de um aspirante a humorista. E ao longo da atuação, obviamente, ele recorreu à famosa metáfora de que o stand-up é como surf. Sozinho na prancha, o humorista tenta domar a energia imprevisível do público. Depois desafiou observações sobre a banalidade do quotidiano, falou do casamento com precisão, disse que ser esposa é uma arte e ser marido é uma ciência. Não está mal visto, acho que ele tem carreira à frente.
Estava a tentar perceber onde é que ele se ia chegar com isto.
A arte e a ciência dos maridos, penso eu que tem a ver com o rigor com que têm que olhar para a questão e deixou a receita para a longevidade conjugal, que no fundo é deixar a mulher em paz.
Olha.
Não está mal visto.
Ponham os olhos nisto. Homens de todo o mundo.
Depois inverteu perspetivas ao lembrar a alegria do navio Titanic por continuar a matar milionários nos dias de hoje. Piadas pesadas estas. E descreveu a cama como aquele lugar que nos vê acordar gloriosos de manhã para nos receber totalmente desfeitos à noite. Enfim, por aí foi.
Como é que é? Gloriosos de manhã? No meu caso eu compreendo destruídos à noite e destruídos de manhã.
Acordar gloriosos de manhã. Não, gloriosos de manhã, não.
Nós não acordamos de manhã, João.
Vocês acordam de madrugada. Vocês acordam quase à noite, à hora de jantar.
Praticamente.
Mas acordam ainda assim com o som do "Double is a Fight".
Ui, é uma beleza que eu não reconheço. É um sono.
Não sejam modestas. E por aí foi, entre o fecho magnético dos sacos de telemóvel e a precisão do humor de observação, foi um espetáculo à antiga, uma noite em que milhares de pessoas guardaram, de facto, a tecnologia no saco para ver, sem ser através de um pequeno ecrã à frente, uma das maiores lendas da comédia mundial. É curioso que a questão tecnológica seja um dos temas que é referido por toda a gente. Não deixa de ser muito curioso.