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Se fala de outra coisa, já pensaram até que idade querem viver? O Paulo tem os dias contados.

Cada vez mais. Cada dia que passa é menos um.

É menos um, mais um tracinho que fazes na parede.

Para vocês não, cada dia que passa é mais dois, Marta.

Estamos a ganhar anos de saúde.

Completamente.

Isto está cada vez melhor. Quando o despertador toca, o ano de vida que nós ganhamos às 04:00.

Dizemos isso em propósito.

111. Parece-vos bem 111?

Deve ser uma chatice.

Olha que não, é a idade do homem mais velho dos Estados Unidos. Chama-se Luis Cano, vive em Nova Jersey, mas nasceu na Colômbia a 9 de dezembro de 1914. E quando em entrevista à Fox News lhe perguntaram qual é o segredo para chegar a esta idade, respondeu, sem rodeios: não beber muito, dormir bem e não fumar.

Pronto, já foi.

Já foi.

Já fomos, Paulo.

Esquece. E eu três.

Três. Foi no musso, não é?

Foi logo.

Três coisas.

Ele conhece, com certeza.

Sem receitas complicadas. E é também por isso que esta história tem estado em tudo que é site e rede social, porque enquanto muita gente procura fórmulas milagrosas para se viver mais, este homem resume tudo a hábitos muito simples, nada de exageros: dormir bem, viver com moderação, evitar o tabaco. A idade de Luis Cano foi validada pelo Longevity Quest, é uma organização que confirma os registros de pessoas supercentenárias. E quando se juntam os nomes dos 10 homens mais velhos do mundo, aparecem sempre ideias parecidas: pouca bebida, pouco ou nenhum tabaco, sono regular, alimentação simples, rotina estável, algum exercício físico e uma vida sem grandes excessos. Há também outra semelhança interessante: muitos destes homens dizem que mantiveram ligações fortes com a família e com a comunidade. Continuaram ligados ao dia a dia, às rotinas, às conversas, às pessoas que estão habituados, ao ambiente familiar.

A parte emocional conta.

Exatamente. Isso, em várias histórias de longevidade, aparece quase sempre lado a lado com a tal boa alimentação e com o descanso. Luis Cano também encaixa nesta lógica, não há cá dramatismos, e talvez seja por isso que mais surpreende o facto de depois de uma vida inteira, a fórmula ser tão básica: dormir bem, não beber em excesso e não fumar. Depois de ter estado no exército colombiano, fundou uma empresa de transportes, casou-se em 1948, teve 10 filhos. Na década de 90, o casal mudou-se para Nova York, mas depois da morte da mulher, acabou por se mudar para Nova Jersey, onde vive com dois filhos. Diz que atualmente passa grande parte do dia a olhar pela janela da casa, a refletir sobre a vida, e diz que ver aviões lhe traz alegria. A família do colombiano contou que ele é uma espécie de celebridade local e que todos os anos, no aniversário, coloca uma placa no jardim com a nova idade. Portanto, este ano se lá chegar, em dezembro, serão 112 no jardim.

112. Fantástico.

Quem nos dera. Espetacular.

E não é sinal de alarme.

Não, estava muito bem a falar nesta entrevista à Fox News. Estava muito bem.

Com muito consenso, tudo isso. Muito bem. De recorde em recorde. Agora vamos para o recorde do mundo do esporte, que surpreendeu nos últimos dias em relação à capacidade dos atletas. Já falamos disso ontem, o recorde da maratona. A primeira pessoa a correr a maratona em uma prova oficial abaixo das duas horas. Aquilo era basicamente considerado o Everest do atletismo, aquela barreira intransponível das duas horas da maratona. Aconteceu este domingo em Londres, pelas pernas e pela mente, obviamente, também, de um homem que acaba de entrar para a imortalidade, Sebastian Coe. De fato, ele correu a maratona em 1h59min30s. Ou seja, não é apenas bater um recorde, é tirar logo aqui 30 segundos. Parece que é pouco.

É imenso.

Mas é imenso.

Em 42 km é uma brutalidade.

Isto significa correr a uma média de 2min59s por quilômetro, mas ao longo de 42 km. Não é fazer o primeiro quilômetro com este tempo, é manter sempre a cadência. Isto é uma velocidade que a maioria de nós, mortais comuns, teria dificuldade.

Só de carro.

Sim, só de carro, porque mesmo se prepare para apenas 200 metros, dificilmente manteríamos esta velocidade que ele manteve ao longo dos 42 km.

É extraordinário.

É fantástico. Não são apenas os números que fascinam aqui, é o contraste entre a simplicidade do homem e a complexidade da tecnologia. Horas antes de fazer história, Sebastian Coe não teve propriamente um banquete científico ou uma alimentação desenhada por médicos e por nutricionistas. Comeu pão, mel e uma chávena de chá. Foi o pequeno-almoço dele, foi assim que se fez à estrada. E além disso, ele conseguiu pulverizar o recorde mundial anterior de Kelvin Kiptum, que entretanto já morreu. Enquanto a nutrição de Coe nos remete para esta grande humildade, o que ele levava nos pés, pelo contrário, já é diferente. Ali há muita inovação. O queniano correu com umas sapatilhas que já estão a ser descritas como as mais leves de sempre, são as novas, o nome é longo: Adidas Adizero Adios Pro Evo 3. Têm menos de 100 gramas, ou seja, pesam menos do que uma maçã média, e são o auge da tecnologia desportiva. Têm uma espuma inovadora que parece devolver energia a cada passada e é o casamento perfeito entre o talento natural e a ciência dos materiais. E ao longo do percurso em Londres, o que vimos ali foi um atleta, um homem focado, quase robótico na sua precisão. Ele passou aos 10 km em pouco mais de 26 minutos, manteve um ritmo que muitos julgavam ser suicida naquela fase da prova, mas não quebrou, mesmo quando se isolou, deixando para trás os seus ou as suas lebres, aqueles companheiros de corrida que vão ali para marcar o ritmo no início, mas que não estão ali para ganhar. É só para puxar um pouco no início. Deixou para trás as lebres e os adversários mais diretos. E quando ele cruzou a meta no The Mall, o mundo parou. A marca de 1h59min30s já parece imbatível, mas as primeiras palavras de Coe foram ainda mais surpreendentes, com a humildade de quem acabou de fazer uma caminhada matinal, foi só ali dar um passeio.

Sim, depois de um pãozito.

Um pequeno-almoço. Sim, aquele passeio higiênico, quase. Ele disse que era possível ter corrido ainda mais rápido e que a barreira da 1h58min está agora ao seu alcance. Portanto, vamos ficar atentos a este novo recordista do mundo e às proezas atléticas que ele consegue.

Este modelo está a custar qualquer coisa como 500 dólares.

Certo.

Pronto, mas o que é isso para inscreveres o teu nome no recorde?

Claro. Isso vai levantar uma discussão também.

Levanta sempre.

Levanta sempre. E há discussões que vão ocorrendo sobre o papel da tecnologia e até que ponto é que é legítimo aplicar ou usar algumas inovações, porque causam uma diferença.

Se aqui tem a ver só com o peso.

Sim, com o peso. Haverá ali mais umas espumas que são mais flexíveis e por aí fora. A tecnologia tem evoluído, mas é uma discussão que vai continuar, certamente.