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Não se fala de outra coisa. Já são conhecidas as palavras mais pesquisadas ao longo deste ano no dicionário Priberam. A vencedora foi a palavra "sacar".
Sacar.
Sacar. O que é curioso, porque ao contrário do que é habitual, não está diretamente associado a um acontecimento midiático específico. Mas foi mesmo este o termo. É uma prática, um hábito comportamental. Foi "sacar" na net.
Sacar.
Sacar dinheiro aos portugueses. As outras palavras, essas já têm ligação direta à atualidade. Por exemplo, "moção", muito pesquisada durante o período de instabilidade política que levou à queda do governo. No plano internacional, destacam-se termos como "cessar-fogo", "desnutrição", ligados ao conflito em Gaza. A palavra "conclave" também ganhou destaque durante a eleição do novo papa e "pagão" também foi muito procurada por causa do que se passou a 28 de abril. Vai ser, sem dúvida, um marco deste ano. Quando fizermos o resumo de 2025, o pagão vai lá estar. Aliás, foi a palavra do ano para a Porto Editora. Exatamente.
Neste caso, completamente justificado.
Sim, porque de facto é uma palavra que distingue este ano dos outros. Sacar, saca-se todos os anos.
Às vezes. Quando o homem quer. Ao longo do ano, surgem palavras associadas a acidentes, como "descarrilamento", por causa do Elevador da Glória, a episódios políticos e diplomáticos, como "flotilha" ou problemas de saúde.
Flotilha também foi uma grande palavra do ano.
Ou então problemas de saúde de figuras públicas, como "hérnia". Marcelo Rebelo de Sousa.
Exato.
Todas estas palavras, acompanhadas do respetivo contexto, fotografias e notícias, estão reunidas no site oanoempalavras.pt, uma espécie de retrato linguístico do ano. Está muito interessante. Sim, é uma ótima forma de fazer a revista do ano. Acho sempre interessante fazer isso. Estes balanços. E as palavras do ano. Muito bem.
Eu até gosto mais, por vezes os concursos para escolha de palavras vão muito por as palavras de que gostamos mais ou têm mais significado, e não tanto as palavras ao que foi a atualidade durante esse ano. E acho que "pagão" é mesmo uma palavra que, como dizia o Paulo.
É forte, não é para este ano.
Distingue este ano de todos os outros, porque nunca tínhamos vivido uma situação.
Tínhamos tido um pagão, mas diferente.
Sim, aquele da cegonha em 2000.
Isso foi parcial no país.
Sim, mas não foi isto que se passou este ano.
Por falar em palavras, o que tem dado que falar é as biografias dos antigos presidentes dos Estados Unidos. E nós estamos um pouco a fazer das deles. Voltam a fazer, e isto a propósito das placas que foram colocadas agora debaixo dos retratos dos presidentes dos Estados Unidos na Casa Branca, com textos biográficos alternativos. Paulo, não apanhaste esta notícia, pois não?
Não, não apanhei.
Mas a Carla trouxe agora para não perderes.
Foi a France Presse que revelou o teor das placas que foram colocadas debaixo dessas fotografias, só para termos alguns exemplos. E começando por ordem cronológica, antes de Donald Trump, Joe Biden, está lá mesmo escrito, Sleepy Joe, portanto, o sonolento. Joe Biden foi, de longe, o pior presidente da história dos Estados Unidos.
É o que lá está.
Está lá escrito.
De forma completamente objetiva.
Sim, a placa também repete a alegação, não provada, de que a eleição de 2020 foi roubada a Donald Trump. Está lá escrito. Ele pode tudo. Ele pode tudo. Ele pode, por exemplo, dizer sobre Barack Obama, ou Barack Hussein Obama, como lá está escrito.
Dúvidas sobre a nacionalidade.
Dúvidas que foi uma das figuras políticas mais fraturantes da história.
Ao contrário de Donald Trump, que veio para unir.
Sim, também lá está. Sobre Bill Clinton, reconhece a sua excelente gestão econômica e agora, apesar dos seus escândalos, e também nota, nessa referência a Bill Clinton, que a mulher, Hillary Clinton, perdeu as eleições para Trump em 2016. Sobre Ronald Reagan, muito admirado por Trump, republicano, e se calhar não só por isso, mas enfim, a inscrição refere que Reagan venceu a Guerra Fria e mais, diz que era fã do presidente Donald J. Trump muito antes da histórica campanha presidencial. E sobre Trump, sim, porque também é um retrato de Trump, há muitos elogios. A placa diz que foi ele que pôs fim a oito conflitos em oito meses. Oito conflitos? Sim.
Sei lá, incluir os domésticos, conjugais.
Mais, gerou trilhões de dólares em investimentos nos Estados Unidos, outra alegação não verificável. E estas placas acrescentam já uma outra polêmica à galeria de retratos de ex-presidentes, quando a fotografia de Joe Biden foi substituída por uma máquina que faz assinaturas, uma iniciativa a fazer referências ao fato de ele já não estar propriamente nas melhores condições e incapaz de governar. Mas isto não é só uma questão iconográfica. Trump tem deixado a sua marca, ainda não chegou a um ano na Casa Branca e já mandou construir um grande salão de baile que envolveu a demolição da ala leste da residência presidencial, uma ala histórica. A Casa Branca já mandou construir. Mas ele orgulha-se disso. Orgulha-se muito disso. Então, com a inauguração há de ser. A Casa Branca já está recheada de ornamentos dourados, é também uma das características. Só faltam os bustos. Só faltam os bustos. Mas também, ao contrário do que é tradição na Casa Branca, a casa já está cheia de retratos de si próprio, algo que só costuma acontecer quando o presidente cessa funções, mas neste momento aqui está.
Para que esperar?
Para que esperar? O que é bom é para mostrar.
Isto é a prova, nós estamos sempre a repetir esta máxima de que a história é escrita pelos vencedores. Aqui está a prova de que são os vencedores.
E falavas há pouco das linhas vermelhas. Quais linhas vermelhas?
Isso existe.
A forma quase pacífica e displicente com que contamos estas histórias também.
A naturalidade com que essas coisas acontecem. Mas sobretudo nos Estados Unidos, atenção. Sobretudo lá, porque são as instituições e a população local que têm que reagir antes de mais a esta quebra de uma série de regras instituídas. Obviamente que não há regras para a legenda que está nos retratos, é evidente.
Cria uma certa dormência. Donald Trump já ultrapassou tantas vezes os limites. Não quer dizer que algumas coisas sejam perigosas, mas já ultrapassou tantas vezes os limites daquilo que nós, em geral, achávamos aceitável em política, que depois cria este efeito de dormência. Pronto, é mais uma coisa.
É mais uma coisa.