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Uma hora. As notícias com Carlos Pedro.

Boa noite. Começamos este jornal pela atualidade nacional. Luís Marques Mendes apelida o comportamento dos bombeiros durante os protestos desta semana de intolerável. O social-democrata diz compreender a insatisfação da classe, mas não a forma como os bombeiros se manifestaram. Marques Mendes compara as ações de alguns bombeiros com vândalos e hooligans do futebol. Fala ainda em situações que não se podem voltar a repetir.

Acho que foram longe demais e foi gravíssimo. Eu não desculpo esta situação, nem a desvalorizo. Acho que é das situações mais graves que eu vi em Portugal. Eu tenho visto muita gente a tentar desvalorizar, mas tudo o que é um desafio à autoridade, à ordem pública, à segurança, não se pode desvalorizar. Repare, evidentemente que os bombeiros sapadores têm razão, porque são mal pagos. E tem que ser corrigida essa situação. E por isso é que estão a decorrer negociações com esse objetivo. Mas atenção, a partir daí é absolutamente intolerável o que aconteceu. Intolerável.

Sobre a Operação Marquês, o social-democrata critica a demora do processo.

Em princípio, no próximo ano vai começar o julgamento. Eu sublinho sempre "em princípio", porque pode surgir sempre mais uma reclamação, mais um recurso, e portanto, isso ser adiado. Mas em princípio, é isso que vai acontecer. E eu diria até "enfim", porque passaram 11 anos desde o início da investigação. José Sócrates foi detido para interrogatório há 10, mas a investigação tinha começado já um ano antes. Ora, isto é tempo demais. Isto é tempo demais, não é aceitável.

Luís Marques Mendes, no habitual espaço de comentário da SIC. O social-democrata sublinha ainda que é preciso que o próximo presidente da República tenha um pulso firme na luta contra a corrupção. O Bloco de Esquerda acusa o governo de ser oportunista em relação às políticas de imigração. Mariana Mortágua fala em hipocrisia. Numa referência à notícia avançada no sábado pelo Jornal de Notícias de que o governo pretende facilitar a entrada de imigrantes para concluir obras do PRR. Em conferência de imprensa, a coordenadora do Bloco de Esquerda aponta o erro ao governo e sublinha que as medidas para a imigração não são justas.

O governo decidiu uma política de imigração, não porque ela é mais justa para as pessoas, não porque ela é melhor para o país, não porque ela respeita quem quer que seja, mas para ir atrás, responder, disputar ideias com a extrema-direita e com o Chega. Foi por isso que Luís Montenegro decidiu acabar com as manifestações de interesse e basicamente impedir a regularização de imigrantes em Portugal. Esta visão economicista da imigração e oportunista da imigração é uma visão que em si desrespeita os direitos humanos.

Mariana Mortágua, no final de uma reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda, onde ficou marcada a 14ª Convenção Nacional do partido. Acontece entre 31 de maio e 1 de junho do próximo ano, em Lisboa. Na Madeira, o partido Juntos pelo Povo anunciou este domingo que vai votar contra o orçamento da região para o próximo ano. O anúncio foi feito este domingo pelo secretário-geral do JPP, Hélvio Sousa, à margem de uma conferência de imprensa no Funchal. O também líder do grupo parlamentar do Juntos pelo Povo considera que o documento apresentado pelo Executivo social-democrata cria despesa e coloca o arquipélago a caminho da bancarrota. Hélvio Sousa sublinhou ainda o facto de o líder do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, e outros quatro secretários regionais terem sido constituídos arguidos em processos relacionados com suspeitas de corrupção e prevaricação. O bem-estar e a saúde psicológica dos alunos em Portugal melhorou nos últimos dois anos. É a conclusão de um estudo que envolveu mais de 6 mil estudantes do pré-escolar ao secundário. Entre outros aspectos, o estudo aborda realidades como o bullying, o impacto da pandemia e o número de horas que os alunos passam enfrentam o ecrã. António José Soares.

O mal-estar entre alunos baixou de cerca de 33% em 2022 para cerca de 25% em 2024. É nesse sentido que apontam os resultados do estudo do Observatório da Saúde Psicológica e do Bem-Estar e que indica ainda que as relações interpessoais são o que mais pesa no bem-estar dos estudantes. Quanto ao bullying, o pico verifica-se entre o quinto e o oitavo ano de escolaridade e diminui com a idade. Embora mais de metade dos alunos responda que nunca ou quase nunca foi vítima deste fenómeno, mais de um terço refere que já fizeram pouco de si e cerca de um quarto diz ter sido ameaçado por outros colegas. Tal como o bullying, também o envolvimento em lutas diminui com a idade. Já em relação ao tempo passado diariamente em frente a um ecrã, os resultados indicam que durante a semana, os alunos dizem passar em média um pouco mais de quatro horas nesta atividade, um valor que sobe para mais de cinco horas e meia aos sábados e domingos. Nesta variável, quanto mais velhos são os estudantes, mais tempo passam diariamente ao ecrã. Outra variável analisada pelo estudo foi o impacto da Covid-19. Os estudantes mais novos tendem mais frequentemente a achar que a vida piorou e ainda não recuperaram da pandemia. Já os mais velhos mostram uma maior tendência para considerar que a vida pouco se alterou ou até melhorou.

Um trabalho do jornalista António José Soares, com algumas das conclusões de um estudo sobre o bem-estar e a saúde psicológica dos estudantes em Portugal. Olhamos ainda para o mau tempo. Os próximos dias vão trazer temperaturas mais baixas. O IPMA fala em mínimas entre os três e os seis graus. O frio que se vai fazer sentir na próxima semana deve-se à entrada de uma massa polar em Portugal continental. A meteorologista do IPMA, Maria João Frada, alerta para a descida das temperaturas mínimas durante a próxima semana.

Para os próximos dias, basicamente, prevê-se uma situação de temperaturas relativamente baixas, embora completamente compatíveis com a época do ano. Portanto, já todos começamos a sentir, desde ontem à tarde, a descida das temperaturas, neste caso, foi das máximas. Hoje houve uma descida até acentuada das temperaturas mínimas. Vai continuar a descer gradualmente a temperatura, principalmente a mínima, até pelo menos dia 10. Vamos chegar ao meio da semana e vamos ter temperaturas mínimas que, na generalidade do território, variam sensivelmente entre os três e os seis graus.

Maria João Frada, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a dar conta do tempo para os próximos dias à Rádio Observador. Diz ainda que se podem esperar temperaturas negativas na Beira Alta e no nordeste Transmontano, assim como a formação de geada no interior do país. Voltamos agora atenções para a atualidade internacional. Milhares de refugiados sírios começam a regressar ao país depois da queda do regime de Bashar al-Assad. Chegam, sobretudo, do Líbano, local onde vivem mais de 1,5 milhão de refugiados sírios. No posto fronteiriço de Masna, uma das principais passagens entre o Líbano e a Síria, verificam-se não só longas filas de carros, como também centenas de pessoas a tentarem cruzar a fronteira a pé. A presença policial foi reforçada, mas não há registro de incidentes graves. E de acordo com o The New York Times, a notícia da queda do regime de Bashar al-Assad foi celebrada nas ruas do Líbano. O presidente dos Estados Unidos saudou a deposição de Bashar al-Assad na Síria. Joe Biden fala na queda de um regime que brutalizou e matou centenas de pessoas nas últimas décadas. Em conferência de imprensa na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos sublinha que este é um momento histórico para a Síria. Biden assegura que os Estados Unidos vão trabalhar para apoiar as estruturas do país, mas avisa que os próximos tempos são de incerteza.

"Finalmente, o regime de Assad caiu. Este regime brutalizou, torturou e matou centenas de milhares de sírios inocentes. É um momento com uma oportunidade histórica para as pessoas que tanto sofreram na Síria, para construírem um futuro melhor no país. Mas é também um momento de risco e incerteza, numa altura em que todos nos perguntamos: o que é que vem a seguir? Os Estados Unidos vão trabalhar com os parceiros e com organizações na Síria para os ajudar a gerir o risco."

Joe Biden diz ainda que o regime de Bashar al-Assad caiu devido à falta de apoio da Rússia, considera que as forças de Moscou estão presas no conflito com a Ucrânia e que foram incapazes de apoiar o regime sírio.

"O apoio da Rússia a Assad também falhou, e isso é porque a Ucrânia, com a ajuda dos aliados americanos, conseguiu resistir contra as forças russas invasoras, que infligiu muitos danos nas forças russas. E é por isso que a Rússia foi incapaz de proteger o maior aliado que tem no Médio Oriente."

Palavras de Joe Biden a partir da Casa Branca, pouco depois de ser conhecido que Bashar al-Assad fugiu da Síria e refugiou-se em Moscou, onde recebeu asilo por parte do governo russo. O Kremlin justifica o asilo com questões humanitárias. É o que indica a imprensa russa, que cita uma fonte anônima do regime de Putin. E ainda sobre o tema, o Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se na Síria. A agência de notícias France Presse avança que o encontro acontece à porta fechada durante a tarde desta segunda-feira. Olhamos agora para o desporto. O Botafogo do português Artur Jorge é o novo campeão brasileiro. A equipa do Rio de Janeiro conquistou o título depois de uma vitória por 2 x 1 sobre o São Paulo, um resultado que selou a conquista do Campeonato Brasileiro. Desde 1996 que o Botafogo não vencia o Brasileirão. No final do encontro, Artur Jorge falou num sentimento de dever cumprido.

Estou emocionado, estou muito contente. Estou com um sentimento muito grande de dever cumprido. E eu, quando fiz aquilo que é a conversa que tive com o John Textor, perguntei-lhe: "Mas e qual é a expectativa que tem de mim? Qual é o projeto que tem pra mim?" E ele disse-me claramente: "Ser campeão". E eu disse: "Ah, sim?" E ele: "Não tem que ser no primeiro ano". Ganhei uma Libertadores, ganhei um Brasileirão. Acho que ele deve estar muito feliz também com isso.

Artur Jorge, em declarações ao "Canal 11", uma vitória que sela um ano de glória para o português. Além da conquista do campeonato, o treinador orientou o Botafogo à conquista inédita da Taça Libertadores. E fechamos mesmo no desporto. Nani anunciou o final da carreira profissional no futebol. É o ponto final dado aos 38 anos. O jornalista Guilherme Pires recorda o percurso do jogador, que começou no Sporting e sagrou-se campeão da Europa ao serviço de Portugal.

Tudo tem um fim e neste momento tomei a iniciativa de tomar uma decisão muito importante, a decisão, se calhar, mais importante da minha vida profissional, que é uma decisão de deixar de jogar.

Luiz Carlos Almeida da Cunha, conhecido como Nani, acabou a carreira aos 38 anos. De menino dos mortais, passou a ser um dos heróis que conquistou a Europa em 2016. Ao longo da carreira, foram 17 os troféus levantados. A carreira de Nani fez-se de sucessos, mas tudo começou numa derrota. Estreou-se em Alvalade, em 2005, onde ardos leões contra a Udinese na Liga Milionária. Mas não ia demorar muito o salto para mais um jovem promissor da formação leonina. Depois de Ronaldo, Sir Alex Ferguson vinha buscar, em 2007, mais uma pérola a Lisboa. Nani rumou aos Red Devils e o novo colega de equipa, Cristiano Ronaldo, previa muito sucesso para o companheiro no clube.

Todos nós sabemos que ele está bastante ansioso. Acho que as coisas vão correr bem, porque ele é um grande jogador, está no clube certo e penso que as coisas vão correr bastante bem.

Ronaldo estava certo. No United, Nani viveu a melhor fase. Ganhou tudo o que um jogador de futebol sonha em ganhar. A passagem à Inglaterra foi marcante e em 2014, depois de uma má fase, foi o Sporting que o acolheu novamente. A segunda vez que vestiu a listrada verde e branca não durou muito tempo e até este ano, Nani ia passar por seis países diferentes. Da Turquia à Austrália e ainda com outro regresso ao Sporting pelo meio. Mas foi ao serviço do Estrela da Amadora que disse adeus ao futebol e da forma como tudo começou, com uma derrota em Alvalade.

E é sempre bom voltar e sentir o carinho de todos esses adeptos. Foi uma noite especial pra mim.

Momento descrito como especial, sem sabermos que seria o último.

Um trabalho do jornalista do Observador, Guilherme Pires. A despedida do português dos relevados motivou já várias reações. O Sporting fala numa lenda do futebol que nunca será esquecida e também Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, aproveitou para agradecer a Nani tudo o que fez pelo futebol português. Fica por aqui este jornal. A informação regressa à antena da Rádio Observador pela 01h30. Até lá, boa noite.