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Jornal da meia-noite com a edição do Martim Madeira e, Martim, a Ponte 25 de Abril celebra hoje 60 anos e o céu sobre o rio Tejo prepara-se para uma homenagem inédita.

Estão previstos cerca de 500 drones para um espetáculo em 3D que percorre a história desta ligação vital entre as duas margens. Por razões de segurança, a circulação na ponte está mesmo interrompida e é durante os próximos 10 minutos. Vamos em direto ao local, ao encontro da jornalista Marta Caramelo Nobre, que está nas docas de Lisboa a acompanhar o espetáculo. Boa noite, Marta. Já soubemos que o espetáculo vai ser adiado.

Boa noite, Martim. Precisamente, a verdade é que há aqui muita expectativa nas docas de Lisboa, mas o espetáculo ainda não começou. O arranque que estava previsto para a meia-noite foi adiado para a meia-noite e meia, devido a condicionamentos aqui no espaço aéreo lisboeta. Apesar desta espera, a verdade é que ninguém réde apto dar conta de que há aqui perto de uma centena de pessoas que continuam à espera para assistir a este momento que acaba por ser inédito, porque é um espetáculo que, como disseste, vai contar com cerca de 500 drones e que vai durar 10 minutos para assinalar estes que são os 60 anos da Ponte 25 de Abril.

A jornalista Marta Caramelo Nobre, que está no local a acompanhar os festejos dos 60 anos, ou pelo menos vai acompanhar, porque ainda não está a acompanhar estes festejos que ainda não começaram. Como a Marta dizia, só começam mesmo à meia-noite e meia e depois a ponte estará fechada, pelo menos até à meia-noite e 40, nesses 10 minutos de espetáculo. Esperemos também que a Marta desfrute desse espetáculo de drones.

Martim, vamos continuar com a política nacional. Os serviços de segurança da Assembleia da República propuseram mais videovigilância no Parlamento, mas os partidos discordaram.

Uma proposta que foi feita por um grupo de trabalho com elementos da GNR e da PSP, os órgãos que são responsáveis pela segurança na Casa da Democracia. É uma notícia do jornal Público, que dá conta de que há alguns meses este grupo propôs que fosse feito um reforço da videovigilância interior nos dois edifícios e que acabou por ser rejeitado pelos partidos. O Público indica ainda que houve outra proposta para instalarem câmaras apenas junto aos elevadores de cada andar do edifício novo, que também acabou por não ser aceita. De acordo com o jornal, os partidos justificam a recusa destas medidas com argumentos de privacidade e liberdade de movimentos. Afirmam que não se querem sentir observados para que possam, por exemplo, falar livremente com outros deputados, com jornalistas ou até mesmo com visitas. Esta notícia surge depois de várias dúvidas sobre a segurança no Parlamento, especialmente depois do roubo de documentos relativamente ao ministro da Administração Interna, que ocorreram no gabinete de André Ventura.

O ministro da Economia reconhece a necessidade de imigrantes para aumentar a mão de obra em Portugal, mas rejeita entradas indiscriminadas.

Manuel Castro Almeida reconhece que os imigrantes são necessários à economia portuguesa e que têm todas as condições para virem para Portugal, desde que tenham um contrato de trabalho e façam de forma legal. Depois da crise migratória em Ceuta e com as críticas da AD às políticas de António Costa, o ministro reconhece a necessidade da mão de obra estrangeira em território português.

O facto de não haver desemprego é uma vantagem enorme para o país. Agora, dir-me-á: é necessário mais gente para trabalhar? Nós estamos abertos à imigração que tenha condições para trabalhar. E, portanto, todos os imigrantes que quiserem entrar em Portugal e que tenham condições de trabalhar, designadamente se tiverem um emprego e uma casa, entram com grande facilidade. Há quase que uma via verde para quem tiver emprego e quem tiver casa, entra muito rapidamente em Portugal. Não há nenhuma limitação à entrada de imigrantes que tenham condições de trabalhar em Portugal. Só temos limitação à entrada indiscriminada de qualquer pessoa que queira entrar. Isso não pode ser. As portas escancaradas não deram bom resultado.

Declarações do ministro da Economia à margem de uma assinatura de um protocolo de promoção turística em Gavião sobre a necessidade de estrangeiros para o crescimento da economia portuguesa.

O ministro da Educação dá à Ordem dos Advogados garantias no acesso dos alunos ao ensino superior.

Garantias que foram dadas depois de uma reunião entre o ministro Fernando Alexandre com o bastonário da Ordem, João Massano, que aconteceu durante esta tarde de quarta-feira. Num comunicado enviado às redações, a Ordem dos Advogados afirma que o ministro da Educação apresentou ao bastonário um conjunto de medidas destinadas a reforçar a transparência e o rigor da avaliação dos exames, bem como também para proteger os direitos dos estudantes. Este encontro surgiu depois da Ordem ter pedido a suspensão dos prazos das candidaturas para o ensino superior até que todos os alunos tivessem a nota final. O bastonário afirma agora que Fernando Alexandre deu garantias de que nenhum aluno perderá a oportunidade de ingressar no curso ou instituição a que teria direito e, por isso, conclui que, pelo menos por agora, fica assegurado o respeito pelos princípios da igualdade, da justiça e da confiança no sistema de acesso ao ensino superior.

Vamos até ao Médio Oriente. O Irão chegou a acordo com Omã sobre uma nova rota marítima no Estreito de Ormuz.

Foi o que anunciou hoje o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão. Os dois países chegaram a um entendimento sobre as coordenadas geográficas da rota marítima através do estreito de Ormuz e estão a finalizar um comunicado conjunto. Falta só mesmo o aval do líder supremo iraniano. A imprensa israelita avança que o acordo poderá mesmo ser assinado ainda durante esta madrugada. Ver vamos se assim se verifica. E Rita Lourenço, o que é que isso significa para uma possível abertura do estreito de Ormuz?

Temos neste momento um acordo fechado ainda por assinar e um estreito por abrir. Segundo a informação avançada pelo Canal 12 israelita, este acordo implicaria a abertura do estreito de Ormuz dentro de 60 dias, mas para tal acontecer, tem de entrar em vigor um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão. O canal revela também que, durante os 60 dias, não haverá o pagamento de nenhum tipo de portagens e que tanto Irão como Omã comprometem-se a limpar as minas que ainda permanecem no estreito. A concretizar-se, este acordo dará a Teerão o controle sobre os navios que entram no Golfo através do estreito de Ormuz. E apesar de os Estados Unidos não estarem envolvidos nestas negociações, a imprensa internacional garante que estão a ser informados do acordo. As autoridades norte-americanas insistem constantemente que nunca aceitariam um acordo que desse ao Irão o total controle do acesso à rota comercial mais importante do mundo para o abastecimento energético e, por esse motivo, este acordo entre Irão e Omã pode ainda vir a ser contestado por Washington, que até o momento não se pronunciou. Tudo isto surge num momento em que Donald Trump admite a possibilidade de um acordo com o Irão ainda nos próximos dias.

A jornalista Rita Lourenço a explicar as implicações do acordo entre Irão e Omã para a travessia no estreito de Ormuz. Falta só mesmo o aval do líder supremo iraniano, Ruhollah Khomeini, e também Donald Trump, que tinha dito que queria um acordo com o Irão para o estreito de Ormuz. Ora, os Estados Unidos não foram incluídos neste acordo bilateral entre Irão e Omã. Por agora, o estreito de Ormuz ficará a cargo destes dois países.

E Martim, os níveis de água do rio Danúbio atingiram o nível mais baixo dos últimos 30 anos.

É uma seca que já é bastante perceptível através das imagens de satélite. Na Sérvia, o baixo nível do Danúbio revelou já destroços de um navio de guerra alemão da Segunda Guerra Mundial e na Bulgária, a exposição do fundo do rio expôs ainda ossos de mamute. À Rádio Observador, o diretor da Divisão de Previsão Meteorológica e Vigilância do IPMA garante que Portugal, neste momento, não enfrenta falta de água, mas deixa a nota que este fenômeno de seca no segundo maior rio da Europa deve servir de aviso.

Aquilo que acontece noutros pontos do globo serve como aviso, claro, evidente, porque isto numas alturas toca a uns, noutras toca a outros. Daqui há dois anos ou mesmo no ano passado, já se estava a falar que estava em risco o abastecimento da água no Algarve, por exemplo, que as barragens já não tinham água. Tivemos, felizmente, dois anos chuvosos que do ponto de vista hídrico foram muito positivos e importantes, mas no futuro vai voltar a agravar, com certeza. Não sei quando, pode ser apenas daqui a 10 anos, não sei, mas no futuro sabemos que vai voltar a acontecer e portanto temos que estar preparados pra eventualidade de ainda ser pior do que aquilo que tivemos no passado, porque as alterações climáticas potenciam isso mesmo.

O diretor da Divisão de Previsão Meteorológica e Vigilância do IPMA, Jorge Ponte, a deixar o aviso de que Portugal pode enfrentar secas cada vez mais intensas.

Passamos ao desporto. Martim, hoje foi o dia de abertura da Volta a Portugal.

Teve início em Belém, em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, a etapa de 6,5 km contou com a presença também do primeiro-ministro Luís Montenegro, mas Miguel Pina Andrade, o que interessa é que a camisola amarela ficou decidida por poucos segundos.

119 ciclistas, uma camisola amarela que, pelo menos até esta quinta-feira, pertence ao dinamarquês Julius Johansen. A luta foi renhida. Rui Oliveira, o português triante na grandíssima, campeão olímpico há dois anos, teve o melhor tempo até bem perto do fim. A diferença para o companheiro de equipa da UAE Emirates foi de apenas quatro segundos. A tarde nos Jardins da Praça do Império foi de festa, do ciclismo. Luís Montenegro inaugurou a edição 87 da Volta a Portugal. O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo também esteve presente e aos jornalistas Cândido Barbosa deixa um apelo durante a época mais importante para o ciclismo nacional.

Um apelo a todos os portugueses, um convite para nos visitar às estradas, para nos visitar a todos os sítios ícones do ciclismo de toda a vida e um apoio aos atletas que são os verdadeiros campeões e a todas as famílias que os acompanham.

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo agradece a valorização da modalidade e Cândido Barbosa sublinha também os apoios do governo, tanto nas verbas disponíveis como no restauro do Velódromo de Anadia.

Foi também uma inspiração pra nós, todo o apoio que através da Secretaria de Estado do Desporto e por via do IPDJ reforçou a verba à Federação Portuguesa de Ciclismo e pelas obras que estamos de requalificação do Velódromo.

O presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, durante o prólogo de 6,5 km da Volta a Portugal em bicicleta. A festa na Praça do Império durou até bem perto das 18h. Os entusiastas do ciclismo não arredaram pé e aplaudiram efusivamente todos os ciclistas junto à linha de chegada. A Volta volta à estrada esta quinta-feira. Os 119 ciclistas pedalam de Lourinhã até Sintra, um trajeto de 157 km que pode mesmo ser decidido na subida até ao Palácio Nacional de Queluz, um ponto de ataque para quem quiser triunfar ao sprint.

A reportagem do jornalista Miguel Pina Andrade, que acompanhou o início desta edição número 87 da Volta a Portugal em bicicleta, termina no dia 16 de agosto, depois de percorrer cerca de 1400 km das estradas nacionais.

A fechar, Martim, vamos a outros temas em destaque.

Há pouco, Donald Trump esteve a falar em Las Vegas, no cassino de Las Vegas. Diz Donald Trump, e cito: "Prefiro assinar um acordo com o Irão do que matar pessoas". É o que revela o presidente dos Estados Unidos. Diz também que os Estados Unidos estiveram perto de lançar um grande ataque contra o país. Neste comício no Nevada, no Red Rock Casino, o presidente norte-americano também diz que Teerão terá pedido que a operação não fosse realizada e que fosse dada uma oportunidade ao diálogo, acrescentando também que mais tarde os iranianos negaram ter feito esse pedido. Ainda também, Israel bombardeia a cidade de Burj al-Shamali, no distrito de Tiro, no sul do Líbano. As hostilidades no Líbano não cessaram ainda. Israel bombardeou esta cidade, de acordo com o correspondente da Al Jazeera no local. Na cidade de Tibnin, um ataque israelita também matou uma pessoa. Separadamente, dois soldados israelitas morreram quando um edifício armadilhado com explosivos detonou no sul do Líbano, é o que relata também a Al Jazeera. Olha, Filipa, já andaste de avião?

Já, sim, senhor.

E nas asas de um avião?

Aí já fica difícil. Já não dá, mas porquê?

Há um desporto radical que se chama wing walking, que consiste basicamente em caminhar nas asas de um avião que está a voar.

Isso para mim era o maior pesadelo, porque eu tenho medo de andar de avião, portanto isto é péssimo para mim, é muito assustador.

Tens que enfrentar os teus medos, às vezes. Se achas difícil, imagina com 97 anos. Betty Bromage é uma senhora inglesa que com essa idade quebrou o recorde mundial do Guinness como a mulher mais velha a praticar este desporto e tudo isto um ano depois de ter tido um AVC.

Corajosa! Muito bem, mas antes dela quem é que tinha batido este recorde?

Ela mesma. Na verdade, a senhora já tinha feito este desafio há quatro anos.

Já é ninja, experiente.

É, é experiente, tem uma experiência enorme. A Betty Bromage pratica desporto radical há 10 anos, começou aos 87, sendo que caminhou seis vezes desde que começou, mas desta vez foi ligeiramente diferente, visto que tinha como objetivo arrecadar fundos para o Cheltenham General Hospital, onde foi tratada depois do AVC, portanto aqui uma causa bonita.

Que coisa bonita. Mas por que ela gosta tanto de andar nas asas do avião? Ela podia ter escolhido outra coisa para fazer.

Começou aos 87, o que mostra que nunca é tarde demais para começar. E a senhora afirmou que, caso contrário, ficava sempre aborrecida com a vida.

Pronto, nisto tem razão. Tem sempre adrenalina e coisas para fazer.

Pois, próxima vez que ficas aborrecida, vai andar na asa de um avião.

Já vou pensar no teu caso, não sei se consigo superar o medo de aviões, mas vamos ver se consigo.

Temos que tentar.

Juntar-me aqui à Dona Betty.

Dona Betty, que anda nas asas do avião.

Exatamente.

Vamos experimentar um dia.

Exato. Marti Madeira, com este Jornal da Meia-Noite.