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É meia-noite. As notícias com Ricardo Lopes.

Muito boa noite. Damos início a este jornal com as palavras do ministro da Habitação. Miguel Pinto Luz garante que o governo vê estes protestos com enorme preocupação e assume que, se a população se manifesta, manifesta-se com razão. Miguel Pinto Luz diz que o Executivo está ciente dos problemas da habitação. No entanto, ressalva que não é por causa deste governo que há atrasos na implementação de medidas.

Olhe, com enorme preocupação. Acho que a população, quando se manifesta, manifesta-se com razão, porque sente, porque dói, porque há dor. Hoje, o problema da habitação é um problema que aflige muito a muita gente. O governo está absolutamente ciente disso e, portanto, este governo pode ser acusado de muitas coisas, mas não pode ser acusado de que as medidas de facilitação da vida dos senhorios, de diminuição da carga fiscal é que impactaram no valor das rendas. Não, porque elas não estão em vigor.

A visão de Miguel Pinto Luz, em entrevista ao programa Conversa Capital da Antena Um e do Jornal de Negócios. O ministro comentou ainda a atuação do presidente da Câmara do Porto durante estes dias de protestos na cidade invicta. Pinto Luz diz que Pedro Duarte apenas defendeu os interesses da cidade.

O doutor Pedro Duarte, e bem, defendeu os interesses da cidade do Porto. É um homem sensato, um humanista, um social-democrata daqueles nos quais eu me revejo, e geriu com humanidade, foi mantendo diálogo, eu acompanhei também a situação, foi mantendo diálogo com os manifestantes e depois a questão da administração interna. Eu não me vou imiscuir, não sou especialista e, portanto, não sei avaliar como é que foi a intervenção ou não. Eu acho é que tem que haver autoridade, tem que haver respeito por todos, tem que haver direito à manifestação, mas com respeito por todos. É só isso que eu digo e acho que o presidente da Câmara, Pedro Duarte, está a fazer um excelente trabalho à frente da Câmara do Porto.

Elogios do ministro da Habitação ao presidente da Câmara Municipal do Porto, também ele do PSD, presidente da Câmara do Porto, que recusa ir até à manifestação na Praça Dom João I. No entanto, Pedro Duarte diz que convidou os manifestantes para uma reunião na Câmara. Uma das palavras de ordem mais ouvidas durante o dia de hoje na Praça Dom João I é precisamente o pedido de demissão de Pedro Duarte. Já escutámos aqui também vários manifestantes que apelam a Pedro Duarte para que compareça na manifestação, que dê a cara. Ora, o autarca não coloca esse cenário em cima da mesa, mas diz que está disponível para dialogar.

Nós já convidamos os manifestantes para, se quisessem ir à Câmara reunir, estávamos abertos a isso. Já o fizemos há dois dias.

Parque as palavras do presidente da Câmara Municipal do Porto. Falou à TSF à margem do 50º aniversário da Associação de Moradores da Zona do Campo Alegre. Já sobre o vídeo da RTP, que mostra os manifestantes a retirar as tendas antes da intervenção policial na madrugada de quinta-feira e a insistir que o protesto era pacífico, Pedro Duarte recusa comentar, diz apenas que nem sequer viu as imagens. A esta hora, na Praça Dom João I, mantêm-se os apelos à não desmobilização. A multidão continua a pedir a demissão de Pedro Duarte. O autarca tinha prometido ser implacável com a colocação de tendas no espaço público. No entanto, os manifestantes parecem ignorar esse aviso. Têm a intenção de pernoitar na praça. É lá que tem estado ao longo desta noite, e que já vai longa, a jornalista Laura Figueiredo, que se junta agora a este jornal. Boa noite, mais uma vez, Laura. Os manifestantes não temem que, à semelhança da madrugada de quinta-feira, que depois da meia-noite e meia, a polícia peça para desmobilizar e retirar as tendas?

Boa noite, Ricardo. Tenho ouvido algumas opiniões contraditórias, mas seja como for, vão mesmo ficar aqui, na expectativa para ver então o que é que vai acontecer a partir da meia-noite e meia. Para já, os ânimos estão mais calmos do que os que estiveram já esta tarde, até porque a esta hora já não é permitido fazer barulho, portanto, não temos ouvido tantos cânticos nem palavras de ordem, mas estão aqui várias tendas montadas, diria que cerca de 50. E vale também a pena dizer que estão organizadas por secções. Há, inclusive, um corredor de segurança e estão apenas em metade da praça também para não obstruir totalmente o caminho, é o que nos fazem notar também os manifestantes. Para já, continuam então na expectativa para ver o que é que acontece, como dizia, mas vamos falar aqui com Sérgio Bastos, membro do Movimento pela Habitação. Boa noite. Qual é a expectativa então para depois da meia-noite e meia?

Ora bem, a nossa expectativa é de uma noite de sono pacífica, em que nos finalmente é reconhecido o direito a manifestar-nos com os nossos símbolos, as nossas tendas, a pernoitar na via pública, como tantos dos nossos concidadãos são obrigados a fazer no meio desta crise, e amanhã acordarmos e termos mais um dia de atividade política e de, no fundo, consciencialização da população para a situação que vivemos. No fundo, nem é tanto consciencialização, as pessoas sabem o que estamos a passar. É a esperança. Nós estamos aqui para dar esperança e propostas, que temos propostas, eu se quiser explico-lhas, de que conseguimos levar esta crise, passar por ela e conquistar, através dela, uma organização popular capaz de reivindicar os inúmeros direitos e conquistas que nos têm sido negados ao longo dos tempos.

Ao longo da tarde e também nos últimos dias, têm-se repetido aqui os apelos para a demissão do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte. O autarca hoje deixou um convite ao movimento para irem até à Câmara Municipal para uma reunião, para serem ouvidos, que é também isso que têm pedido. Tencionam ir?

Ora bem, se o senhor Pedro Duarte quer saber as nossas reivindicações, talvez visitar uma praça da sua cidade não fosse um problema assim tão grande. Não estamos a planear deslocar-nos à Câmara Municipal. Convidamos o senhor presidente da Câmara a vir visitar-nos e a vir conhecer as nossas reivindicações, que estão anunciadas, estão afixadas, são simples e resumem-se a: fim da lei das rendas, não aos despejos, travão aos fundos imobiliários, aumento da habitação pública Tomar as ruínas da cidade e convertê-las em habitação e introduzir um teto de rendas. As outras já temos algumas propostas mais estruturadas, não conseguimos ainda debater, porque estamos ainda a lutar pelo direito e porque estávamos a debater quando fomos carregados. Não no momento, mas estávamos nessa fase.

E acreditam que este protesto, esta semana aqui, estas manifestações na praça vão contribuir, de facto, para mudar alguma coisa na habitação, nas políticas do governo?

Nós esperamos que sim. Com este governo, em particular, não sabemos bem o que esperar, porque é o que é. Agora, uma coisa lhe posso garantir, em relação à crise da habitação, ou mudam as políticas ou muda o governo, porque assim não dá.

Muito obrigada. Fica então aqui o testemunho de Sérgio Estes, um dos membros do Movimento pela Habitação. Agora aqui, como dizia, num momento mais calmo, também, já faltam apenas cerca de 20 minutos pra 00h30. Até lá, vamos continuar na expectativa, a ver o que é que acontece.

O retrato dos momentos que se vivem na Praça Dom João I, trazidos pela reportagem da jornalista Laura Figueiredo. Dar nota também que os porta-vozes, durante as intervenções que fizeram, não comentaram o convite que o autarca diz ter feito aos manifestantes para uma reunião na Câmara Municipal do Porto. Descemos agora para sul, em direção à Praça do Rossio, em Lisboa, onde também se mantém a esta hora a acampada pelo direito à habitação. Não há sinais que os manifestantes estejam dispostos a sair da praça. Tencionam prolongar o acampamento para lá da 00h30. No entanto, legalmente, a manifestação não pode continuar para lá dessa hora e, nessa altura, a polícia pode, eventualmente, intervir para os retirar. Os manifestantes apelam, ainda assim, que as pessoas não desmobilizem. Quem também se mantém no Rossio é o jornalista Miguel Pina Andrade, agora aqui em direto neste jornal. Viva, Miguel, boa noite mais uma vez. Está a terminar este prazo legal para a permanência dos manifestantes na praça, mas não há qualquer sinal que tencionem arredar pé.

Boa noite, Ricardo. E foi isso que a organização da acampada transmitiu há pouco aos manifestantes. Há pouco, nos megafones, pediram às pessoas para não desmobilizarem e avisaram que depois dessa hora, da 00h30, a polícia poderia intervir para os retirar. Apelaram, por isso, a uma reorganização das tendas, por motivos de segurança, e há poucos momentos houve mesmo o pedido por parte da organização para que os manifestantes fizessem um cordão humano à volta da acampada. Justificaram este apelo pela movimentação da polícia. A verdade é que, apesar do forte contingente policial, a única movimentação que houve foi a saída de algumas carrinhas da Unidade Especial de Polícia. Entretanto, as ruas à volta do Rossio já foram reabertas e por isso os manifestantes estão agora aglomerados em frente ao monumento de Dom Pedro IV, e neste momento, pelo que consigo ver, estou aqui em cima do palanque onde há poucas horas a CGTP fez os habituais discursos de final de manifestação, e consigo ver que os manifestantes estão agora aqui a realizar um cordão humano, a unirem os braços e a protegerem as tendas que ainda se encontram aqui. São algumas várias dezenas de tendas. Nos últimos minutos, como disse, a tensão no Rossio aumentou. Os organizadores do protesto têm repetido várias vezes esta indicação para formar um cordão humano e, por isso, espera-se, Ricardo, aqui com alguma expectativa, essa hora, à 00h30, hora em que a manifestação deixa de estar autorizada a estar aqui no Rossio.

A reportagem do jornalista Miguel Pina Andrade, que tem passado o dia a acompanhar estes protestos na capital, já foi também partilhada nas redes sociais do movimento a programação para os protestos de amanhã. Portanto, os manifestantes tencionam amanhã também marcar presença no Rossio. Olhamos agora para algumas reações por parte dos partidos. À esquerda, o PCP diz que o governo, além de não estar a resolver o problema da habitação, está a acentuá-lo com as medidas que apresenta. O líder comunista, Paulo Raimundo, critica a nova lei do arrendamento apresentada pelo executivo. Paulo Raimundo considera que só vai agravar o problema no mercado da habitação e acusa o primeiro-ministro de ser egoísta.

Nós achamos que o governo, com as opções que está a tomar, não só não está a resolver, as opções também com o Chega e Iniciativa Liberal, não só não está a resolver, como está a acentuar um problema. E não vale a pena o senhor primeiro-ministro vir falar de egoístas, porque egoísta é o senhor primeiro-ministro quando se junta aos egoístas que querem as casas todos para eles, querem os rendimentos todos para eles, querem a concentração da riqueza toda para eles.

Acusações de Paulo Raimundo, em entrevista esta noite à RTP. Viramos agora também a atenção para outras reações políticas ao longo da tarde, na manifestação da CGTP. As críticas ao governo foram repetidas pelos líderes dos partidos que se juntaram à manifestação da central sindical, como é o caso da porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, diz que a mobilização no dia de hoje demonstra bem a revolta dos portugueses.

É a mensagem óbvia de que o custo de vida está insuportável em Portugal e que é preciso políticas públicas, medidas concretas para ajudar as pessoas nesta altura em que os preços estão a subir tanto, não só os preços dos combustíveis, mas também os preços da alimentação e os preços da habitação que têm vindo a subir há anos, mas nos últimos dois anos se agravaram especialmente. E hoje sabemos que 15% das pessoas estão em situação de pobreza, mas que se juntarmos a habitação passam para 27% das pessoas em Portugal. Portanto, este é um valor que deveria alarmar todos os políticos.

Isabel Mendes Lopes, do Livre, que defende a adoção de medidas pra habitação que promovam o arrefecimento dos mercados. Já o coordenador do Bloco de Esquerda lembra as palavras do primeiro-ministro. José Manuel Pureza diz que os manifestantes não são egoístas, estão apenas a lutar pelos direitos.

Estamos aqui onde temos que estar. Estamos com tanta gente que vem pra rua. Já hoje de manhã veio em Coimbra, no Porto, vai acontecer um pouco por todo o país, grandes manifestações, grandes mobilizações, gente que não é egoísta e que vem pra rua lutar pelos seus direitos e pelos direitos dos outros. Gente que sabe que a vida com o preço da habitação como está é um exercício de aflição. E por isso estamos aqui justamente para nos juntarmos às vozes de indignação e às vozes de proposta por uma vida melhor.

As palavras do coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza. Em França, Emmanuel Macron promete levar à justiça os responsáveis pelos atos de violência durante os protestos deste sábado. Numa publicação na rede social X, o presidente francês garante que não há lugar para a violência e que os responsáveis pelos ataques a edifícios públicos devem ser punidos. Também o primeiro-ministro Sébastien Lecornu reagiu na mesma rede social, acusa grupos da extrema-esquerda de organizarem atos violentos e garante que o governo não se vai deixar intimidar. O primeiro-ministro francês sublinha que as manifestações pacíficas têm lugar em democracia, mas nega que haja esse espaço para incêndios, pilhagens e ataques. Estima-se que nestes protestos tenham saído à rua perto de 800 mil pessoas, um pouco por toda a França, para participar em marchas e protestos contra o elevado custo de vida. Como é eponágio, os franceses saíram em força à rua para protestar. É um balanço divulgado por várias organizações que convocaram os protestos. Mudamos de tema, regressamos à atualidade nacional. Mais de 52 mil alunos conseguiram entrar numa instituição de ensino superior, através do concurso nacional de acesso. Os dados oficiais já divulgados dão conta desses mais de 52 mil estudantes colocados entre as três fases de acesso ao ensino superior e estes números mostram que há um aumento de colocados face ao ano passado. São quase mais 7 mil. Após receberem os resultados, os estudantes colocados na terceira fase têm até a terça-feira para se matricularem. É notícia de fecho deste jornal da meia-noite. A informação está de regresso à meia-noite e meia, desta feita já com o jornalista Hugo Fortunato de Oliveira. Tenha uma boa noite.