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10 da manhã. As notícias na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. O deputado do CDS, João Almeida, assume uma forte divergência com o governo relativamente ao conhecimento do Estado da Palestina. João Almeida entende que reconhecer a Palestina enquanto a Hamas governa a Faixa de Gaza é um erro. O CDS considera que é o momento errado para avançar com a solução dos dois Estados. A posição vai contra o governo de que o CDS integra. O Executivo formalizou ontem à noite o reconhecimento da Palestina. Ouvido no Explicadores, o deputado centrista diz que nem sempre os partidos de coligação têm de estar de acordo, sobretudo sobre temas de política externa.
É uma divergência forte. Estamos a falar daquilo que provavelmente é o tema principal neste momento em termos diplomáticos e internacionais. Portanto, tem essa relevância do ponto de vista externo. Esta matéria não era nem matéria de acordo de coligação, nem matéria de programa de governo. É assim que funciona a coligação. Há a liberdade dos partidos em matérias que não são matérias de acordo ou matérias de programa de governo, de terem as suas próprias posições.
João Almeida, o convidado do Explicador desta manhã. O CDS fez um comunicado no sábado à noite em que vincava a divergência de posição em relação ao governo, mas já na altura o partido defendia também que a coesão do governo não estava comprometida por causa do reconhecimento português do Estado da Palestina. E continuamos nas reações. A Iniciativa Liberal também concorda com o reconhecimento, mas lembra que não é suficiente para pôr fim ao conflito na Faixa de Gaza. Porque não há território definido, nem um governo coeso na Palestina. O deputado Jorge Miguel Teixeira fala num sinal simbólico, importante, mas sublinha que não é uma resolução do conflito.
Mais do que o reconhecimento do Estado da Palestina em si, Portugal faz bem participar em todo o processo que está a acontecer, que vai muito para além do reconhecimento do Estado da Palestina. Ou seja, o Estado da Palestina é um de vários elementos que neste momento estão em cima da mesa. Outros elementos são, por exemplo, o reconhecimento por parte de vários estados da Liga Árabe do Estado de Israel, que é um problema que estava pendente já há algumas décadas. Se vários estados da Liga Árabe reconhecerem Israel e se esses próprios estados se comprometerem com o não reconhecerem também um governo do Hamas na Palestina, então aí há condições para se dar este sinal diplomático.
O deputado da Iniciativa Liberal, Jorge Miguel Teixeira, ouvido há pouco, convidado há pouco da Comissão de Inquérito da Rádio Observador, considera também excessivo dizer que reconhecer a Palestina é favorecer os terroristas do Hamas, tal como defende o CDS. O PS também concorda com a decisão e fala no caminho certo para a resolução da paz. Os socialistas reforçam a importância de avançar para a solução de dois Estados. O eurodeputado Francisco Assis foi o porta-voz da posição socialista, fala numa derrota para os extremistas e também reforça que esta é a melhor forma de chegar à paz.
Quando reconhecemos a Palestina, estamos também a salientar a necessidade da solução dos dois Estados. Portanto, isto é uma derrota de todos os extremistas. Dos extremistas israelitas, que querem uma grande Israel e que excluem a possibilidade de criação do Estado da Palestina, como é uma derrota dos extremistas palestinianos, em particular do Hamas e dos fundamentalistas islâmicos que lhe estão associados, que não reconhecem o direito à existência do Estado de Israel. Isso tem que ficar bem claro. É uma vitória de quem aposta numa solução de dois Estados, é uma derrota daqueles que de um lado e do outro não aceitam a criação desses mesmos dois Estados.
Francisco Assis, eurodeputado socialista, numa declaração feita a partir da sede do PS Porto, depois do ministro dos Negócios Estrangeiros anunciar o reconhecimento do Estado da Palestina. Importa voltar a ouvir Paulo Rangel sobre este assunto. O ministro dos Negócios Estrangeiros reforça que esta é a melhor forma de avançar com a solução de dois Estados e destaca a importância de haver consenso entre os aliados. Foi numa entrevista à CNN Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros reforça a importância da decisão para contribuir para a paz no Médio Oriente.
Nós não podemos desistir da solução dos dois Estados. Esta é que é a questão. E perante os desenvolvimentos no terreno, que são extremamente inquietantes, por um lado, pela situação humanitária em Gaza e até pela vontade da deslocação forçada daquelas populações. Por outro lado, com o aumento dos colonatos na Cisjordânia, é verdade que isto dificulta imenso no futuro a implementação dos dois Estados. E portanto, era fundamental que a comunidade internacional fizesse uma espécie de toque a reunir, é isso que foi esta alta conferência, para justamente deixar isto muito claro.
O ministro dos Negócios Estrangeiros acredita também que esta é uma forma de pressionar Israel a sentar-se à mesa das negociações para pôr fim ao conflito. Portugal acompanha assim uma série de países que também avançaram para o reconhecimento do Estado da Palestina. É uma decisão que está a merecer várias reações da comunidade internacional. Hoje decorre a conferência da ONU sobre a Palestina e a solução de dois Estados em Nova York. É neste contexto que vários países formalizam a decisão. Rui Casanova, vamos às reações
Começamos com França. O governo francês avisa que vai responder com extrema firmeza se Israel tomar medidas de retaliação devido ao reconhecimento do Estado da Palestina. É um aviso deixado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros francês. A chefe da diplomacia britânica deixa o mesmo aviso. O Reino Unido aconselha Israel a não retaliar ou vai ser alvo de possíveis retaliações. Isto também numa altura em que o embaixador da Palestina nas Nações Unidas afirma que os países que reconheceram o Estado da Palestina precisam de aplicar sanções severas para conter possíveis ações de Israel, também na Faixa de Gaza. Há mais reações: a Liga dos Países Árabes saúda o reconhecimento da Palestina por parte do Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal. Esta entidade divulgou um comunicado no qual afirma que este reconhecimento é um apoio à paz e também um passo importante, que corrige aquilo que descreve como um erro histórico.
Ainda assim, Rui, há países europeus que não concordam com a decisão.
É o caso da Alemanha. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão reafirma a posição de que Berlim não vai reconhecer a Palestina enquanto Estado, até que israelitas e palestinianos negoceiem uma solução de dois Estados. Quanto a Israel, a reação surgiu ainda ontem por parte do próprio primeiro-ministro. Benjamin Netanyahu avisa que esta tomada de posição é uma recompensa ao terrorismo por parte destes países e afirma que não vai haver um Estado palestiniano, ao contrário do que afirmam estes países.
Rui Casanova, com as reações ao reconhecimento do Estado da Palestina por parte de vários países, incluindo Portugal. Hoje decorre a conferência da ONU sobre a Palestina e a solução de dois Estados em Nova York. Marcelo Rebelo de Sousa vai participar. Ele tem também previsto um encontro com António Guterres, o secretário-geral da ONU. O incêndio que atinge a região do Algarve está mais controlado. O autarca da região espera que o fogo seja dado como dominado ainda hoje. Não há registo de vítimas, nem de habitações em perigo. A esta hora estão no terreno 520 operacionais, apoiados por 180 viaturas e 11 meios aéreos. À Rádio Observador, o autarca de Lagos fala numa noite de muito trabalho. Hugo Pereira indica que, ainda assim, os bombeiros estão a conseguir controlar as chamas, mas o vento ainda é um fator de preocupação.
Foi uma noite de muito trabalho. Os homens e mulheres andaram pela mata a contrariar, aproveitando a baixa temperatura, o nível de humidade a aumentar e o vento que acalmou, e andaram a bater toda a mata e a reduzir ao máximo o incêndio. Agora de manhã entraram mais meios, acima de tudo entraram os meios aéreos. O vento está a voltar, esperamos que não venha com a mesma intensidade. Hoje posso dizer que com o trabalho da noite as coisas estão mais calmas. Entre o combate ao fogo e o rescaldo, e acima de tudo, a área ardida é muito grande, há muito trabalho ainda para muitos dias, mas se hoje conseguíssemos dar como dominado era muito bom.
Declarações de Hugo Pereira à Rádio Observador, autarca de Lagos. O incêndio começou ontem à hora de almoço em Aljezur. Alastrou durante a noite até Lagos, obrigou à evacuação de várias habitações por precaução. Para já, não há registo de vítimas, nem danos de maior. São 10:08, daqui a pouco o Contracorrente. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora? Carla. Voltamos aos incêndios. São mais de 40 os concelhos dos distritos de Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro que estão hoje em risco máximo. É o que indica o IPMA. Vários concelhos do interior norte e centro e Algarve estão também em perigo muito elevado de incêndio rural. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera explica que o perigo de incêndio rural vai manter-se elevado, pelo menos até sexta-feira, em alguns concelhos do interior norte e centro e também Algarve. O Presidente da República elogia o crescimento económico e o equilíbrio financeiro de Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa fala num país seguro e estável. Declarações em Nova Iorque, durante um encontro com representantes da comunidade portuguesa e também com funcionários portugueses da ONU. Mais de 100 mil pessoas participaram no funeral de Charlie Kirk. A cerimónia de homenagem decorreu num estádio do Arizona, sob fortes medidas de segurança. Teve lotação esgotada. Donald Trump fez o discurso de encerramento, descreveu o ativista conservador como um mártir da liberdade nos Estados Unidos. Paulo, agora para ti, quando fizeste a Maratona de Berlim, viste alguém conhecido?
Alguns colegas de corrida.
O Paulo tem sempre resposta. Costumamos fazer várias maratonas por vários lugares. Daqueles famosos. Famosos. Não sei se faz parte do teu grupo.
Eu corri ao lado dele e tudo.
Quem? Quem, do Paulo?
Não! Desse famoso.
Fomos lado a lado. Não é em pistas, é em estrada mesmo, a corrida toda. Escolhemos uma difícil. Sim. Muito difícil. E ficámos só por aqui, para ver se desenhavam.
Eu não chegava lá. Com esta, não.
Tu nem nós. Paulo, então?
Então, Paulo.
Ele correu a maratona?
Correu. Em menos de três horas.
Exatamente. Não o conheceste. Harry Styles. Não o conheceste porque ele apareceu de fita na cabeça e óculos escuros. Como tu andas.
Como tu, normalmente. Não, é que o Paulo ia muito à frente.
Quando as pessoas vão de roupa de licra.
O Paulo ia muito à frente. O Harry Styles não tem pedalada para o Paulo.
Fora de contexto é sempre difícil. Fora de contexto.
Para a próxima leva um retrovisor para veres o Harry Styles.
Vocês já encontraram pessoas com quem estudam profissionalmente na praia, por exemplo? É muito estranho.
É estranhíssimo.
Ia fazer a Maratona de Berlim também, mas lá estava entre os 50 mil participantes e fez, provavelmente, menos de três horas, o que para um amador é excelente.
Duas horas e 59 minutos e qualquer coisa.
Uma força para ele. Olha, e encontrar as pessoas conhecidas na praia e de calções de licra. Acabada de fazer a maratona. Ainda fica mais difícil.