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Jornal das 10 com Miguel Viterbo Dias. Miguel, começamos pelo mau tempo, que já provocou 70 ocorrências esta madrugada.

A região de Coimbra é a mais afetada no país, segundo o balanço mais recente feito pela Proteção Civil à Rádio Observador. Setenta ocorrências, a maior parte são inundações. Dados da meia-noite até às 7h, num ponto de situação feito pelo comandante José Miranda.

Desde as zero horas até às 7h do dia de hoje, temos um total acumulado de 70 ocorrências, das quais 43 ocorrências de inundação, nove quedas de árvore, sete limpezas de via, sete deslizamentos de terra e quatro quedas de estruturas. A sub-região com o maior número de registros é a região de Coimbra, com 15 ocorrências, seguido do Oeste com 12 e a sub-região da Grande Lisboa com 11 ocorrências. Total de 96 veículos e 244 operacionais empenhados. Não há a registrar qualquer tipo de vítima nem dano estrutural.

José Miranda, da Autoridade Nacional de Proteção Civil. Vários distritos do continente estão a ser afetados por chuva persistente e forte. Um cenário que se mantém durante o dia de hoje, em que oito distritos estão sob aviso laranja.

E Miguel, a Agência Portuguesa do Ambiente vai criar mais 18 zonas de risco de inundação em Portugal.

O presidente da APA, Pimenta Machado, revela estar preocupado com as previsões para os próximos três meses. Em declarações ao Jornal de Notícias, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente diz que vai avançar com a delimitação de mais 18 áreas de risco de cheias e inundação no país. Duas destas zonas são em Matosinhos e na Maia, devido ao rio Leça, mas também as ribeiras de Barcarena e de Algés, em Oeiras. Atualmente, existem 63 zonas consideradas de risco, mas este número vai aumentar depois do processo de consulta pública lançado pela APA.

Deixamos o mau tempo, vamos para a corrida ao Palácio de Belém. António José Seguro avisa que dissoluções do Parlamento só em último caso.

Em entrevista à Agência Lusa, o candidato presidencial apoiado pelo PS defende que o país deve ter estabilidade e que o recurso à chamada bomba atómica, o poder para dissolver o Parlamento, só deve ser utilizado em último recurso.

Eu não considero que um chumbo do orçamento implique necessariamente uma dissolução do Parlamento. E, portanto, esse é um princípio, para mim, claro. Eu não quero ser um presidente reativo, nem um presidente que ameaça em público. Eu quero ser um presidente ativo, no sentido de garantir que as condições e o caminho que o país precisa de percorrer tenham um chão seguro. E aí é preciso conversar muito com os atores políticos, com os líderes dos partidos. Portanto, é isso que eu quero. Eu quero ser esse presidente. Portanto, terão, porventura, menos presidente nos telejornais, mas mais presidente a fazer aquilo que deve.

O candidato presidencial defende que o país precisa de confiança e de credibilidade, garante que vai fazer de tudo para combater extremismos. António José Seguro que vai exigir, no processo de formação dos governos, garantias do cumprimento de regras de transparência e de princípios éticos, com o objetivo de evitar surpresas.

É importante que nós, desde o início, possamos aplicar regras e possamos aplicar princípios para que depois não venhamos a ter surpresas no exercício dos cargos.

Tem alguma ideia de como é que quer fazer isso?

Tenho, mas essa ideia não é para partilhar publicamente, é mesmo para agir, mas fica já anunciado. Eu há pouco disse que quero ser um presidente exigente, e é isso que eu vou ser. Então eu vou ser exigente na dimensão ética dos servidores públicos.

António José Seguro, em entrevista à Agência Lusa, em que mais uma vez relativiza o apoio do PS ao dizer que é mais um entre muitos outros.

O governo garante que vai existir um reforço de recursos humanos para resolver os processos de nacionalidade.

O objetivo é recuperar o atraso na avaliação dos processos, que é reconhecido pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. No entanto, Emídio Sousa garante que o governo está a reforçar o número de técnicos da função pública para resolver este problema da forma mais rápida.

Há, de facto, alguns atrasos no Instituto de Registos e Notariado, mas nem é uma demora provocada pelos nossos consulados. É essencialmente em Lisboa, no Instituto de Registos e Notariado, que o governo já está a promover o recrutamento de 50 novos técnicos e eu julgo que será um assunto que será rapidamente resolvido. Neste momento, é essencialmente uma questão de reforço dos recursos humanos. Há esse processo em curso e logo que ele seja concluído, eu julgo que o problema deixará de existir.

Emídio de Sousa, no final de uma visita oficial ao Canadá ontem à noite. Nos últimos meses, vários dirigentes têm manifestado preocupação com a demora na validação das certidões enviadas pelos consulados portugueses.

Na Justiça, o vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura defende que não há fundamento para que o juiz Ivo Rosa seja impedido de aceder ao inquérito de que foi alvo.

Um inquérito por suspeitas de corrupção, com base numa denúncia anônima e que foi arquivado. Na sequência destas notícias que davam conta de que Ivo Rosa foi vigiado, o juiz pediu acesso a todos os processos de que foi alvo, mas sem sucesso. O Ministério Público justifica com a proteção de dados e com o fato de Ivo Rosa não ser um sujeito processual. Em entrevista ao Observador, Luís Azevedo Mendes deixa críticas ao despacho do Ministério Público.

De facto, isto só vem adensar algumas incomodidades e suspeitas relativamente àquilo desnecessariamente. Ou seja, aquele despacho, por mim, já introduziu um ruído que seria escusado. E esta negação de acesso, do meu ponto de vista, obviamente, não tem fundamento jurídico, que é esta leitura que eu estou a fazer. Acredita, portanto, que o despacho será revogado pelo procurador-geral Fernando Guerra? Quer dizer, eu ficaria muito admirado se isso não acontecesse.

Presidente do Conselho Superior de Magistratura, que sobre o julgamento da Operação Marquês, diz que pode durar menos de dois anos. Esta entrevista conduzida pelos jornalistas Luís Rosa e João Paulo Godinho, que está em destaque a esta hora no site do Observador.

E vamos ao futebol. O Benfica entra hoje em campo frente ao Vitória de Guimarães.

E José Mourinho não espera facilidades neste jogo marcado para às 20h30 da noite em Guimarães. Na antevisão do encontro, o técnico dos encarnados salienta o tempo de preparação que cada equipa teve para o jogo.

Tem boa equipa, tem bons jogadores. Como eu disse, um apoio importante, dos mais importantes que nós temos no nosso campeonato. Até porque é um jogo difícil para nós. Eles não jogaram na Taça da Liga, tiveram a semana toda para prepararem o jogo, nós não, mas temos que estar preparados.

O treinador do Benfica falou também sobre o debate de ontem entre Rui Costa e Noronha Lopes para elogiar o respeito que ambos tiveram pela equipa técnica. Os encarnados entram em campo depois do Sporting ter vencido o Alverca por 2 x 0. O Sporting está agora empatado provisoriamente com o Futebol Clube do Porto no primeiro lugar do campeonato, ambos com 25 pontos.

E Miguel, hoje assinalam-se 270 anos do grande terramoto de 1755, que destruiu grande parte de Lisboa. A Associação Portuguesa de Agentes e Corretores de Seguros lembra a necessidade de criar um fundo de catástrofes.

A associação que representa as seguradoras assegura que é uma necessidade do país, que pode fazer a diferença em caso de catástrofe. Em declarações à Rádio Observador, o porta-voz Rui Silva sublinha que esta é uma forma de prevenir e salvaguardar os direitos dos cidadãos.

Este fundo, o fundo de catástrofes, é um sistema de proteção. Com ele, deixamos de ser espectadores e passamos a gerir o risco de uma catástrofe. Aqui o importante é percebermos que prevenir tem menos custos no longo prazo do que não prevenir. Deixar andar, muitas vezes, é um problema. Em Portugal, por exemplo, só 19% dos imóveis têm a cobertura de fenómenos sísmicos. Isso é muito pouco. Se acontece uma desgraça, se acontece uma catástrofe, vai ser um grande problema para o país.

Rui Silva diz ainda que Portugal está muito aquém dos restantes países na cobertura de catástrofes. Defende que um fundo deste género traz segurança sem esvaziar a carteira dos portugueses.

10:08, Miguel Vilela Dias, há outras notícias em destaque a esta hora.

Os bombeiros ainda não receberam as despesas extraordinárias dos fogos deste ano. De acordo com a Liga de Bombeiros, são 20 milhões de euros em falta. A Proteção Civil diz que espera fazer estes pagamentos com a maior brevidade possível. Quatro urgências de ginecologia e obstetrícia vão estar hoje encerradas, dos hospitais Garcia de Orta, de Santarém e de Vila Franca de Xira. Também a urgência geral do Hospital Universitário de Coimbra vai estar fechada. Os restos mortais entregues ontem a Israel pelo Hamas não pertencem a nenhum dos reféns israelitas, é o que indica Israel. Na noite passada, a Cruz Vermelha confirmou que os restos mortais de três pessoas foram transferidas para Israel, mas o país acusa o Hamas de devolver restos mortais que não correspondem a nenhum dos reféns.

Jornal das 10, com Miguel Vilela Dias.