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São 10 da manhã. Luís Marques Mendes considera impossível que Pedro Passos Coelho venha a apoiar outro candidato na campanha presidencial. Em entrevista ao Observador, o candidato apoiado por PSD e CDS diz ainda que não fica magoado com o antigo primeiro-ministro se este não anunciar nenhum apoio formal. São os destaques da entrevista desta manhã no Sobre Escuta Especial Presidenciais. Marques Mendes mostra-se plenamente convicto de que Passos Coelho não iria apoiar mais ninguém na corrida a Belém. Garante ainda manter uma relação pessoal com Passos Coelho, apesar de não revelar quando foi a última vez que falou com o antigo primeiro-ministro.
Temos uma relação muito próxima há 30 anos, que é uma relação mais pessoal até do que política.
E tendo essa relação, não tem pena que ele não lhe tenha declarado apoio?
Já respondi a isso e respondo novamente com todo o gosto, mantendo a minha coerência. Se ele me apoiar, eu fico satisfeito. Se ele decidir não apoiar ninguém, também não fico zangado com ele. É a liberdade de decisão que ele tem.
Se apoiar outro candidato, isso já seria, se ele o fizesse.
Acho isso impossível. Minha resposta é muito catular. Acho isso impossível.
Impossível Passos Coelho vir a apoiar outro candidato que não Luís Marques Mendes, ideia deixada esta manhã aqui no Observador. Marques Mendes, que falou ainda sobre os critérios éticos que pretende aplicar caso seja eleito presidente da República. Questionado sobre o caso Pinum Viva, que envolve Luís Montenegro, Marques Mendes admite demitir um primeiro-ministro se for acusado num processo grave, mas descarta afastar um governante se for apenas arguido.
Para o cidadão, parece que arguido é mais forte do que ser acusado, mas nós sabemos que é exatamente o oposto. Portanto, evidentemente que um político, já com uma acusação definitiva, já com despacho de pronúncia, num processo especialmente grave, acho que hoje em dia é mais ou menos pacífico, que é difícil manter-se em funções ou ser candidato. Agora, arguido é uma coisa completamente diferente.
Marques Mendes admite ainda não dissolver a Assembleia da República em caso de chumbo de Orçamento do Estado. Diz que a governação em duodécimos é um cenário possível, ainda assim de evitar. Considera ainda que se algum dia o CHEGA vencer eleições, tem direito a formar governo, mas tem também de cumprir a Constituição. São alguns dos destaques da entrevista de Marques Mendes ao Observador, que analisamos agora. Em estúdio está a Helena Matos e o Paulo Ferreira. Bom dia aos dois. Helena, ficou claro, depois desta entrevista, como é que Marques Mendes pretende exercer o cargo de presidente da República? Sim, sobre o cargo de presidente da República, caso seja eleito, parece-me que ele tem absolutamente claro o que é que pretende fazer. O grande problema é aquela ilha que foi descoberta, não se tem bem a certeza se em 1418, se em 1419, de quem é que lá terá chegado primeiro, chamada Madeira. A Madeira é aqui uma metáfora, como é óbvio, para um dos momentos da entrevista. Na minha opinião, a entrevista tem dois momentos e um recado. O recado que vocês destacaram no noticiário, em relação a Passos Coelho, é óbvio que o que ele quis dizer é que acha impossível que Passos Coelho declare o seu apoio.
Passos já terá a certeza disso.
Então, claro que terá a certeza disso, mas poderia ter dito, isso é uma questão que se coloca. O que ele quer dizer é que, e tendo nós em conta que Passos Coelho, porventura, tem projetos de futuro, politicamente falando, é natural que não declare o seu apoio a ninguém, mas é óbvio que não apoia Marques Mendes. Esse foi o recado. Agora, a entrevista depois tem dois momentos, um que é muito metaforicamente aqui tratado por Madeira, e que é o tom de voz, a velocidade, a entoação, as frases encaixadas umas nas outras da segunda parte, assertivo, claro, assim. Muitas vezes respondendo, nomeadamente, "isso não é assim, não está a ver, não está a perceber. Eu vou explicar", com ele a dominar a conversa, com razão ou sem ela, mas a dominar a conversa com a primeira parte, em que claramente fica em silêncio quando as perguntas são feitas, precisa de uns segundos pra responder e depois vai, e sobretudo ali na parte, quer dizer, Angola, só na Angola, o presidente da mesa da Assembleia Geral, a coisa ainda vai, porque estava ali, mas quando chegou à Madeira, o Miguel Albuquerque, a tudo aquilo, era como nós quando vamos nos barcos, e começamos assim a ficar um bocado a ver onde é que eu vou pôr o pé, quando se passa do barco pra terra. E aí eu acho claramente que a primeira parte da entrevista lhe causou grande incômodo. A segunda parte, portanto, respondendo. E eu acho que ele tem muito claro como é que quer ser presidente da República. Isso parece-me que não vai por lá a medir as coisas. Não, ele sabe como é que quer. Ele sabe, Paulo Ferreira, mas há, de fato, dois momentos nesta entrevista, também te parece?
Dois, três momentos, talvez. O primeiro momento, a entrevista começou por aí, e eu acho que os entrevistadores fizeram bem em confrontar Marques Mendes, no fundo, em pedir explicações sobre aquilo que foi o passado presidencial.
Os entrevistadores fizeram com ele, Marques Mendes, o que o Marques Mendes fez com o Coutinho Figueiredo.
Sem dúvida. E aliás, Coutinho Figueiredo, no debate entre ambos, deixou ali em dever esse tema, o que é que ele andou a fazer nestes últimos anos, porque ser advogado ou estar numa sociedade de advogados, sabemos que é uma atividade ampla e, portanto, era importante e fizeram muito bem em ter começado por aí. E Marques Mendes, enfim, deu as explicações que tinha que dar.
Nunca melhor dito, atividade ampla. Olha, uma coisa que eu agora quando não souber como explicar. Atividade ampla. Mas com uma frase muito clara de Marques Mendes: não penso ter conflito de interesse em alguma área.
Em nenhum. E falou tudo e respondeu a tudo, e respondeu com serenidade. Tu disseste há pouco, e bem, que aí havia uma pausa ali para responder. Obviamente que este Este tema é o menos habitual, quer nos debates, quer nestas entrevistas. Portanto, digamos que o treino também é menos eficaz nestas matérias, mas sereno, sempre. E eu estava a imaginar que se fosse outro ou outros candidatos, certamente podiam ter se irritado com este tipo de perguntas. E ele fez muito bem em achá-las normais, em estar disponível para responder e em responder da forma que entendeu e presume-se, colocando os temas todos em cima da mesa. A segunda parte, a questão ética, e Marcos Mendes a esse nível, tem, de fato, um passado, digamos, até um legado, quase. Marcos Mendes, em relação à ética, é um bocadinho o Jorge Coelho do PSD. Jorge Coelho, quando se demitiu por causa da ponte, ficou como uma referência para aquilo que podia ser ou devia ser o comportamento padrão. Eu acho que Marcos Mendes, como líder do PSD, também nesta questão de aplicar as regras em termos éticos, no caso, afastou Isaltino e outras autarcas também, quando foi líder do PSD. E nós sabemos, e na altura, que uma boa parte do partido, senão quase todos, estava contra ele, porque no fundo, estava a afastar autarcas ganhadores.
Exatamente. E Marcos Mendes gosta muito de recordar esse momento de sua liderança.
E recorda isso, é evidente. É uma medalha que ele próprio gosta de ter ao peito. E por aquilo que ele disse agora, portanto, o critério será o mesmo. Muito sereno também e com a lição muito bem estudada sobre aquilo que vai fazer, aí acompanho completamente a Helena, aquilo que vai fazer se vier a ser presidente, naquelas questões que são possíveis de antecipar.
Aqueles cenários.
Aqueles cenários. O que é que faz se o orçamento for chumbado. O que faz, para estar na moda perguntar também, se dá posse ou não dá posse a um governo do Chega, caso o Chega venha a ganhar eleições legislativas, em que condições. Explicou muito bem a questão do programa ser contra ou não a Constituição e da tentativa depois de vir um governo ou um grupo parlamentar e mudar a Constituição. Portanto, isso ficou claríssimo. Pontos menos fortes, se quisermos. A questão da Justiça, por muito que o presidente da República atual ou futuro queira resolver o assunto, a questão da Justiça está muito fora do alcance dos presidentes. Além destas coisas, de chamar a Belém o presidente do Supremo, mais o PGR e o diretor nacional da PJ.
Ou um Conselho de Estado.
Ou um Conselho de Estado, no fundo, é fazer umas conversas, mas depois a bola, obviamente, é do governo e do Parlamento.
Paulo Ferreira, Helena Matos, muito obrigada pela vossa análise. A entrevista a Luís Marques Mendes, no "Sobre Escuta", fica disponível na íntegra em breve. É preciso contratar 38 mil novos professores até 2035 para colmatar a falta de docentes nas escolas públicas. Isto porque mais de metade dos jovens pensa abandonar a profissão nos próximos cinco anos. É um alerta que surge num estudo do Conselho Nacional de Educação, divulgado hoje, e que mostra que as medidas do governo da AD não estão a ter impacto suficiente no setor. O estudo alerta que as desigualdades nas escolas continuam, sendo que há cada vez mais alunos estrangeiros que não estão a ser devidamente acompanhados, mas a falta de professores continua mesmo a ser o maior desafio, com docentes recém-formados a pensarem abandonar a profissão por falta de condições, Miguel Gato.
O estudo do Conselho Nacional de Educação mostra que 20% dos professores pensa abandonar a profissão nos próximos cinco anos. Entre os mais jovens, até aos 30 anos, a percentagem sobe para os 54%. O relatório fala numa situação particularmente preocupante. Para resolver o problema da falta de professores, o relatório aponta que Portugal precisa de 38 mil novos professores até 2035, ou seja, 3800 docentes por ano na próxima década. Os problemas começam a afetar também o ensino superior, para além do pré-escolar, do básico e do secundário. Nas universidades e nos politécnicos, os professores com 60 ou mais anos quase duplicaram na última década.
Miguel, passamos agora para os alunos. O relatório do Conselho Nacional de Educação alerta ainda que as desigualdades continuam nas escolas e os mais desfavorecidos continuam a ser os mais prejudicados.
Têm menos sucesso escolar do que os alunos vindos de meios sociais mais favoráveis ao nível económico. E o relatório alerta ainda para um problema de integração dos alunos estrangeiros em Portugal, que tem vindo a crescer este número nos últimos anos. São mais de 174 mil e continuam a aumentar, a maioria de nacionalidade indiana e ucraniana. E não estão a ser devidamente acompanhados. A disciplina de Português Língua Não Materna não tem oferta para tantos alunos estrangeiros e por isso o Conselho Nacional de Educação pede ao governo um maior acompanhamento para estas crianças, isto para garantir iguais oportunidades para todos os alunos do ensino público.
Miguel Gato, com o resumo deste relatório sobre o estado da educação em 2024, divulgado pelo Conselho Nacional de Educação, que avisa também que as medidas aplicadas pelo governo nos últimos tempos até vão no bom sentido, mas não estão a ser suficientes para dar resposta aos problemas. São agora 10h12. Carla, antes do Contracorrente, que outras notícias estão em destaque a esta hora? A Ucrânia vai hoje apresentar aos Estados Unidos um plano de paz atualizado, sem pontos anti-ucranianos. É o que avança a Sky News. O novo plano é apresentado à administração Trump depois de um encontro que Volodymyr Zelensky teve com vários líderes europeus e numa altura em que a Casa Branca tem deixado em aberto a hipótese da Ucrânia vir a abandonar o Dombass num eventual processo de paz. Ainda sobre o conflito, um avião militar russo caiu hoje no nordeste de Moscovo com sete tripulantes a bordo. Ainda não há informações sobre o estado de saúde destas pessoas. A notícia é avançada pela imprensa estatal russa. Esta manhã, o Hospital Amadora-Sintra ultrapassou as 15 horas para doentes urgentes. A situação está agora ligeiramente melhor, ainda assim, com o tempo de espera muito elevado. São cerca de 13 horas para pulseira amarela. A Ministra da Saúde avisa que as próximas oito semanas vão ser muito exigentes para o SNS. Por isso, Ana Paula Martins admite que podem ter que ser tomadas medidas para responder a um excesso de afluência às urgências, como a suspensão das cirurgias não urgentes. Já montaram a árvore de Natal? Vamos ao que interessa, João.
Ainda não.
Isto para quem tem gato.
Porque gato.
Também não. Porque gato.
Tu já montaste, Carla?
Não.
Porque coelhos.
Coelhos. Eu trago-vos a história de um casal alemão que montou não uma, não duas, não três, 621 árvores de Natal em casa.
Em casa.
Em casa.
Eu estive a ver as imagens. Árvore de Natal em cada canto.
A casa é grande. A casa é grande.
São pequenas as árvores.
E eles dizem que uma árvore só não chega para o espírito natalício. Começaram esta tradição há muitos anos e desta vez bateram o próprio recorde. Montaram mais 16 árvores do que no ano passado e nenhuma com a mesma decoração. São todas diferentes, todas especiais. No total, utilizaram 42 mil bolas de Natal e 300 fios de luz. É gostar muito do Natal, não é?
É mesmo.
E os 300 fios de luz só desenrolar e tudo. E as tomadas?
Há gente que deve ter uma vida paralela. Não há, não há pessoas.
Há gente com tempo.
São aquelas pessoas que a seguir vão passear o cão, levam o trado do cão sem cão, percebes?
Começaram em junho, acabaram em novembro e agora lá está.
Ah, pois.
E depois? Eu devia desmontar a árvore de Natal. Isso é outro problema. Desmontam aí em agosto para começar outra vez.