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Jornal das 10 com edição da Carla Jorge Carvalho. Carla, começamos com as novidades no caso da investigação do Ministério Público aos ajustes diretos na Marinha. A Procuradoria-Geral da República afirma que Gouveia e Melo não é arguido e que a investigação está na fase final.

É o que avança a Procuradoria-Geral da República numa resposta ao Observador. A PGR afirma que a investigação aos ajustes diretos na Marinha, feitos entre 2017 e 2020, quando Gouveia e Melo era comandante naval, está na fase final. Destaca que o candidato à Presidência da República não é arguido. A Procuradoria-Geral da República confirma apenas a existência de um inquérito.

A notícia foi avançada ontem pela revista "Sábado". O Ministério Público está a investigar 57 ajustes diretos feitos pela Marinha a uma só empresa entre os anos de 2017 e 2020.

Parte desses ajustes foram autorizados por Henrique Gouveia e Melo, na altura comandante. O Tribunal de Contas atestou, numa auditoria de 2024, que foram cometidas várias irregularidades. O caso está a marcar esta reta final de pré-campanha, com Gouveia e Melo a rejeitar qualquer ilegalidade e os outros candidatos a exigirem mais explicações ao almirante. A Procuradoria-Geral da República adianta agora ao Observador que Gouveia e Melo não é arguido e que a investigação está a chegar ao fim.

Esta é uma notícia que acaba de ser conhecida e que está em destaque a esta hora no site do Observador. Teresa Leal Coelho, da Comissão Nacional de Eleições, assume que a polêmica em torno dos boletins de voto passa uma má imagem do funcionamento do Estado, mas também responsabiliza os candidatos excluídos pelo Tribunal Constitucional pelo arrastar da situação.

A substituta do presidente da CNE foi a convidada desta manhã do Explicador, garante que a Comissão Nacional de Eleições pediu ao Tribunal Constitucional para encurtar prazos, para não permitir que os boletins fossem impressos sem que fosse tomada uma decisão sobre a inclusão ou não dos candidatos. Explica que não foi possível alterar a legislação a tempo. Ainda assim, acusa os três candidatos que não foram validados pelos juízes de estarem a usar todos os meios possíveis para se manterem nos boletins.

Quando o Tribunal Constitucional notificou os três candidatos não admitidos no dia 19 de dezembro para corrigirem as irregularidades, tinham 48 horas para corrigirem e nenhum corrigiu. Portanto, não houve nenhuma intenção de corrigir as irregularidades. Mas depois disso, apesar de não terem corrigido as irregularidades, quando são notificados a 23 de dezembro pelo Tribunal Constitucional, no sentido de que não foram admitidos, tiveram ainda 24 horas para reclamar. Esse expediente já utilizaram. E utilizaram para quê? Para se manterem no boletim de voto.

O lamento de Teresa Leal Coelho, que lembra que estes três candidatos têm até hoje para apresentar um recurso, numa altura em que os boletins já começaram a ser enviados para várias mesas de voto fora do país.

E caso haja uma segunda volta, poderão ser usados os boletins que restarem da primeira.

Esta revelação foi feita também por Teresa Leal Coelho. Fora do país, não vai ser possível enviar boletins atualizados a tempo com os nomes dos dois candidatos que passem à segunda volta. Para alguns locais, vai caber a quem estiver a trabalhar nas mesas indicar que o voto só vai contar para duas candidaturas.

Onde não se conseguirem colocar boletins de voto, vai se utilizar uma norma, também prevista na lei eleitoral para o presidente da República, que é a utilização dos boletins de voto da primeira volta na segunda volta. E as mesas vão ter que advertir, nos casos em que isso vai acontecer, já disse, são 140 mesas fora de Portugal, as mesas vão ter que chamar a atenção, vão ter que informar os eleitores de que naquele boletim de voto só dois contarão.

Esclarecimentos de Teresa Leal Coelho, a convidada desta manhã do Explicador. Ontem, de forma generalizada, os candidatos à presidência criticaram esta situação.

Estamos a um dia da passagem do ano, uma altura de muitas viagens. Importa, por isso, perceber como está a situação no aeroporto de Lisboa, uma das principais portas de entrada no país e que tem assistido a muitos constrangimentos no controle da fronteira.

Nos últimos dias, tem havido relatos de passageiros a esperar várias horas para passar a fronteira, com a PSP a queixar-se também de falta de meios. À semelhança do Natal, a passagem de ano é também uma altura com grande fluxo de partidas e chegadas, o que pode provocar ainda mais constrangimentos. O repórter Carlos Pedro está em direto do aeroporto de Lisboa. Carlos, já nos deste conta que a situação não está assim tão crítica esta manhã. O que é que vão dizendo, no entanto, os passageiros?

Os relatos que vamos ouvindo, Carla, de certa forma, variam bastante de passageiro para passageiro. O cenário até parece mais desafogado aqui na zona de chegadas no aeroporto de Lisboa. No entanto, sabemos que a situação é outra e bem diferente lá dentro, no controle de fronteiras. Há pouco falamos com o Nuno Rosa, que veio a Portugal de propósito para votar nas eleições presidenciais. Diz que vem de propósito ao país de origem para votar sem qualquer constrangimento. E para isso viajou desde a Austrália, com escalas em Manila e no Dubai. Conta que por questões relacionadas com o passaporte, passou de forma muito rápida por esse tal posto de controle de fronteiriço. Ainda assim, a sorte não é a mesma para outras pessoas. Nuno Rosa diz-nos que há filas já grandes e destaca também a confusão com as malas nos tapetes.

Eu fui lá talvez cinco minutos, cinco, 10 minutos, no máximo. De cinco a 10 minutos.

Mas viu lá uma grande fila.

Muita, muita malta lá. Muita, muita, muita, muita. 200 pessoas paradas, as malas no tapete, amontoavam-se umas em cima das outras. Alguém as tirava, porque aquilo está atrasadíssimo para o lado. O sistema também está um pouco antiquado, porque Portugal também não melhora nada.

Um dos relatos que fomos conseguindo obter ao longo desta manhã. De resto, pelo que fomos percebendo em conversa com outros cidadãos que esperam aqui por familiares e amigos e mesmo passageiros que vão chegando ao Aeroporto de Lisboa. As esperas, como já disse, variam bastante, desde meia hora, 40 minutos, até uma hora e meia ou duas horas, no máximo, por agora. Sabendo nós, claro, que à medida que o tempo passa, vão chegando mais passageiros e, por isso, as filas vão aumentando. A Rádio Observador já tentou também contactar a assessoria da ANA Aeroportos para obter informações acerca dos tempos de espera nas filas do controle de fronteiras e também para perceber se o processo vai acontecendo sem constrangimentos, mas até este momento não obteve qualquer resposta. A destacar também alguns voos que vão tendo a chegada aqui ao Aeroporto de Lisboa atrasada, o que naturalmente poderá agravar a situação que, ainda assim, continua longe de alcançar a dimensão verificada nos dias anteriores.

O Carlos Pedro foi aqui dar conta do movimento intenso no Aeroporto de Lisboa, na véspera de passagem de ano. Estamos perante uma altura de muita movimentação de passageiros. Vamos, por isso, continuar a acompanhar a situação no controle de fronteira.

E os médicos voltam a alertar: o pico da gripe pode chegar nos próximos dias, depois do Natal e do Ano Novo, alturas em que há muitos ajuntamentos. O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública prevê ainda mais dificuldades para os hospitais.

O especialista em saúde pública, Bernardo Gomes, lembra que os hospitais já estão muito fragilizados. Alerta que esta maior afluência só vai trazer mais dificuldades. No entanto, avisa que a responsabilidade não pode ser apontada apenas à ministra da Saúde.

Acho que é muito injusto colocarmos a pressão só sobre o Ministério da Saúde. Há aqui coisas que têm que ser concertadas com o resto do Governo. Seja ele, obviamente, expectável na parte da administração pública e finanças, isso é claro. Mas, por exemplo, esta questão dos internamentos inapropriados e internamentos sociais precisa de uma forte resposta e de uma forte participação da Segurança Social. E, portanto, olhando para as situações mais críticas, nomeadamente esta questão da ocupação de camas, mas também da questão da ocupação de vagas de especialistas no SNS e até dos próprios estímulos ou incentivos para fixação de especialistas, é todo o Governo que está em cima da mesa. Não é só o Ministério da Saúde, porque muitas vezes o que acontece é que o Ministério da Saúde é deixado sozinho sob a pressão dos holofotes daquilo que diz respeito à resposta a várias situações, mas é claríssimo que em termos funcionais, depende também de outros ministérios.

Bernardo Gomes, o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, ouvido pela Rádio Observador. Também Miguel Castanho, cientista e investigador, defende a importância da vacinação antes da época da gripe.

Eu creio que temos todos que retirar daqui algumas lições. As pessoas que desvalorizam a vacinação também devem olhar para a realidade e não enfiar a cabeça na areia. Devem perceber o que está a acontecer e quando se fazem apelos à vacinação, quando esta vaga ainda não começou, é por uma razão. E agora a realidade demonstra que esses apelos à vacinação foram, de facto, realistas e foi na antecipação do que está a acontecer, mas neste momento, o que é para fazer é a remediação.

Miguel Castanho a defender a importância da preparação da época da gripe. O especialista também avisa que o pico pode chegar nos próximos dias, depois dos contactos do Natal e do Ano Novo.

E a passagem do ano, Carla, vai ser sem chuva, mas o primeiro dia de 2026 vai trazer água. São as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

A água, a chuva, vai começar logo na madrugada do dia 1 de janeiro, sobretudo no Sul. Toda a semana vai ser de chuva e frio. É o que explica a meteorologista do IPMA, Maria João Frada.

Há já alguma precipitação fraca e dispersa na madrugada, início da manhã de dia 1. Essa precipitação vai-se estender a partir da tarde, gradualmente, às restantes regiões do litoral. Portanto, o Algarve também terá precipitação, dia 1, mais consistente, mais frequente. Depois, dia 2, aí sim, teremos precipitação em todo o território, precipitação que pode ser, por vezes, forte.

Declarações da meteorologista do IPMA, Maria João Frada, à Agência Lusa, a explicar como vai estar o tempo na primeira semana do Ano Novo.

10 horas e 11 minutos, Carla, que outras notícias estão em destaque antes do Contracorrente?

O PS considera que 2026 vai começar melhor para alguns portugueses, graças às propostas orçamentais dos socialistas, ideia defendida por Eurico Brilhante Dias, num vídeo a que a Agência Lusa teve acesso. O líder parlamentar socialista dá o exemplo da redução das portagens e dos subsídios para as forças de segurança. Brilhante Dias promete também empenho do partido no apoio a quem quer uma lei laboral equilibrada e justa no próximo ano. A água em Lisboa vai ficar mais cara 17 cêntimos por mês, já a partir do dia 1 de janeiro. As tarifas vão ser atualizadas de acordo com o Índice Harmonizado de Preços do Consumidor, que foram aprovadas pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos. Os Estados Unidos atacaram um porto na Venezuela. O governo norte-americano acredita que estava a ser utilizado por um gangue venezuelano para armazenar droga e depois enviá-la através de barco. O ataque foi feito com recurso a drones. Aconteceu no início do mês. A notícia só foi, no entanto, avançada agora pelo New York Times e a CNN Internacional. Esta é a primeira operação conhecida do governo norte-americano em solo venezuelano, numa altura de tensão crescente entre Donald Trump e Nicolás Maduro.