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O Observador. Jornal às 10, na Rádio Observador, a edição é do João Gama. Cerca de 36 mil eleitores são hoje chamados às urnas, depois da segunda volta das eleições presidenciais ter sido adiada em algumas das zonas mais afetadas pelo mau tempo.

No total, João, 20 freguesias votam hoje eleitores dos concelhos de Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos, também de Golegã. A votação foi adiada em duas secções de voto em Santarém, numa freguesia e na secção de Rio Maior e em freguesias do Cartaxo, de Salvaterra de Magos e também de Leiria. As urnas abriram às 08h, fecham às 19h. Vamos, por isso, em direto neste jornal para Alcácer do Sal. É lá que está o repórter Vasco Maldonado Correia. Vasco, bom dia. A presidente da Câmara acaba de votar na mesa de voto onde tu estás.

Na mesa de voto da Escola Básica Pedro Nunes, uma das assembleias de voto que acabaram por ter de receber eleitores de mesas que não puderam abrir, por exemplo, a mesa que ficava na antiga abegueria municipal, fica muito perto do rio, não teve condições para receber eleitores e assim sendo, eles passam por aqui, vêm para esta escola e a afluência, pelo que vamos vendo, é boa. Desde que aqui estou, tem entrado e saído muita gente. Nas mesas garantem-me também que a afluência é a normal, comparando com outras eleições e sendo normal só por si, tendo em conta a situação e todos os constrangimentos, já se trata de um sinal positivo. Como dizias, sim, quem passou por aqui há poucos minutos e está agora mesmo a sair e também a trocar algumas palavras com eleitores, foi a presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarice Campos, que deu também essa nota positiva da afluência.

Acabei de votar e ao longo da semana procurámos, junto das pessoas, apelar à importância do voto, que é um direito que cabe a cada um de nós e apesar das várias afirmações de que o resultado já está definido, é importante perceber que cada um de nós tem esse direito de votar e deve exercê-lo. Na semana passada não pudemos fazer, estamos aqui agora todos a fazê-lo e por aquilo que pode ver nestas mesas, a afluência tem sido grande.

Como dizia, Clarice Campos está neste momento a sair aqui da Escola Básica Pedro Nunes, troca ainda palavras com eleitores e diz que vai agora passar por todas as assembleias de voto que abriram no Conselho para verificar precisamente se a afluência é tão boa como a que se está aqui a verificar, sendo que em alguns sítios há eleitores que vão ter barcos disponíveis para poderem votar, também carrinhas da Câmara Municipal. A ver vamos se esta afluência, que até agora vai parecendo boa, até dentro da normalidade, se vai manter nas próximas horas.

E é para isso que contamos com o Vasco Maldonado Correia para nos ir dando conta de como vai decorrer esse ato eleitoral, precisamente em Alcácer do Sal.

Alcácer do Sal não é caso único, João. Arruda dos Vinhos é outro dos municípios que vai hoje a votos.

Vamos estar em reportagem em vários pontos de voto durante esta manhã. O Martim Madeira está a esta hora no Pavilhão Multiusos de Arruda dos Vinhos. Martim, bom dia. Muita gente a ir votar a esta hora?

João, aqui em Arruda dos Vinhos, aparentemente a afluência está um pouco mais baixa do que o costume, o que seria de esperar numa das localidades que esteve em estado de calamidade. Arruda dos Vinhos, que foi a maior parte afetada por estradas que foram cortadas e por muitas pessoas que foram desalojadas, mas mesmo assim, ainda há aqui algumas pessoas a conseguir vir votar. Muita gente a vir votar. Também já passou o presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos para vir votar aqui às urnas, mas pelo que já se ouviu, está um bocadinho de pouca afluência aqui na região. Portanto, não muita gente a vir votar aqui em Arruda dos Vinhos. Espera-se que a afluência aumente um pouco mais, mas lembrar que esta é uma das zonas que esteve em estado de calamidade. Portanto, aqui um bocadinho pouca afluência neste preciso momento, que com certeza irá aumentar dentro das próximas horas.

Martim Madeira, em reportagem no Pavilhão Multiusos de Arruda dos Vinhos. No total, são 20 freguesias que vão hoje a votos, uma semana depois de serem conhecidos os resultados das eleições presidenciais e também a vitória de António José Seguro. Entretanto, surgem relatos de falhas no fornecimento de eletricidade na freguesia de Bidueira de Cima, no Conselho de Leiria. O ato eleitoral está, por isso, temporariamente suspenso. Uma informação confirmada há minutos pelo Observador. Junta-se a este jornal André Wemanns, porta-voz da CNE, a quem desejo desde já muito bom dia, bem-vindo à Rádio Observador. André Wemanns, deixe-me começar por perguntar sobre esta situação em Bidueira de Cima. A CNE tem conhecimento destas dificuldades por causa do fornecimento de eletricidade?

Muito bom dia. Sim, fomos informados pela Câmara Municipal há pouco tempo de que havia essa situação e que os trabalhos das mesas de voto nessa secção de votos estão suspensos até a resolução do problema.

E será uma solução rápida? Leiria tem tido grandes dificuldades de fornecimento de eletricidade. Se não for possível repor a eletricidade até às 19h, qualé que é a solução pra população de Bidueira de Cima?

Neste caso, o que a lei eleitoral prevê é que se uma mesa de voto ou secções de voto tiver interrompido os trabalhos por vários motivos, mais de três horas, que a mesma secção de voto fecha e já não é contabilizado os votos entretanto lançados. Por isso, esperemos que entretanto seja possível. Sabemos, obviamente, que a situação que essas zonas têm Passado nas últimas semanas e por isso esperamos que a Câmara consiga resolver de alguma forma para poder recomeçar os trabalhos na mesa e poder depois prosseguir o trabalho até às 19h e depois das 19h com o apuramento dos votos.

Bidueira de Cima será caso único do que tem conhecimento a Comissão Nacional de Eleições. Estão garantidas as condições mínimas para ir dar votos nas restantes 19 freguesias?

Tanto quanto a Comissão Nacional de Eleições sabe, sim, a única informação que tivemos foi esta de Bidueira de Cima, como acabou de relatar.

André Wuens, espera-se uma grande abstenção hoje por já serem conhecidos os resultados e por estas eleições estarem a ser realizadas em municípios, freguesias com grandes dificuldades por causa da passagem do mau tempo.

Não temos dados para fazer uma previsão. Obviamente, temos consciência de que há vários fatores que podem levar os eleitores a considerar irem votar ou não. Todos aqueles que acabou de dizer, por um lado, já serem conhecidos os resultados das eleições, por outro lado, e se calhar acima de tudo, sabermos que todas estas zonas foram fortemente impactadas e daí a necessidade de ter adiado as eleições. E por isso caberá, obviamente, a cada eleitor considerar todos estes fatores e decidir votar ou não. Mas à Comissão Nacional de Eleições, obviamente, e toda a situação da eleição, o que nós fazemos é o apelo ao voto, mas em última análise, cabe a cada eleitor tomar essa decisão.

André Wuens, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, muito obrigado por ter estado conosco a fazer este ponto de situação na Rádio Observador. Um bom dia de trabalho.

O presidente da República acredita que os eleitores impedidos de votar na semana passada vão responder à chamada.

Porque os portugueses respondem sempre aos desafios mais difíceis. Foi o que disse ontem Marcelo Rebelo de Sousa, visitou Alcácer do Sal, um dos municípios que vai hoje a voto. O chefe de Estado não acredita numa elevada abstenção.

Aí é uma coisa que os portugueses mostraram, é que quanto maior é o desafio, mais lá estão na mesa de voto.

Mas agora já eleito o presidente.

Como quem diz: "Se não sou eu, realmente, ir votar por aquilo que é fundamental para a minha vida, então quem é que é? É o outro?" E os portugueses responderam isso. Muitos pensaram: "Não, vai aumentar a taxa de abstenção na eleição presidencial".

Mas agora já há um presidente eleito.

Eu sei, já há um presidente eleito e está quase a entrar em funções. Mas isto significa que amanhã, se houver eleições autárquicas, aí eu não tenho dúvida que as pessoas votam ainda com mais força.

O chefe de Estado deixou um recado ao governo. Marcelo Rebelo de Sousa defende que as vítimas da tempestade Cristine não devem ser impedidas de receber apoios do Estado por terem dívidas fiscais. O Executivo impede que cidadãos com dívidas ao fisco acedam a subsídios atribuídos por causa do mau tempo.

10 horas, 9 minutos. Já a seguir Explicador na Rádio Observador, mas antes, João Gama, que outras notícias estão em destaque a esta hora?

Termina hoje a situação de calamidade decretada pelo governo desde o dia 28 de janeiro. Está neste momento decretada em 68 concelhos do país, termina às 23h59. Termina também a isenção de portagens para as zonas mais afetadas pela depressão Cristine. Falamos da A8, A14, A17 e A19. Importa recordar que a Comunidade Intermunicipal de Leiria enviou uma carta ao presidente da República ontem a solicitar que o período de isenção de portagens na A8 e na A19 seja novamente prolongado. Na atualidade internacional, o antigo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, compara as mais recentes operações da Polícia Federal de Imigração norte-americana, o ICE, a comportamentos observados em ditaduras. Obama fala num comportamento preocupante e perigoso de certos agentes, disse num podcast do comentador político Brian Tyler Cohen. A diplomacia russa classificou como necropropaganda as acusações dos governos de cinco países ocidentais sobre o envenenamento do líder da oposição Alexei Navalny. Segundo a missão diplomática, as acusações feitas pela Alemanha, Reino Unido, França, Suécia e Países Baixos não são uma busca de justiça, mas sim um ultraje aos mortos. Estes países denunciaram ontem que Navalny morreu vítima de um envenenamento com uma toxina letal presente em rãs-dardo venenosas da América do Sul.

As notícias regressam às 10h30.