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Sexta-feira, 10:02. O PSD continua disponível para negociar um novo nome para a Provedoria de Justiça, mas pede ao PS que tire ilações sobre Tiago Antunes. Já os socialistas insistem que primeiro deve ser Tiago Antunes a fazer essa avaliação. Nome que ontem falhou a maioria dos dois terços na Assembleia da República para ser eleito provedor. Isto apesar de um acordo prévio entre PS e PSD e dos apelos públicos dos líderes das bancadas parlamentares. O convidado do Explicador desta manhã, o deputado social-democrata António Rodrigues, pede que o PS faça agora uma avaliação.
Nós estaremos disponíveis para aceitar e para discutir um candidato que o Partido Socialista venha a apresentar, assumindo também que o próprio Partido Socialista tire as devidas ilações daquilo que aconteceu ontem. Não estamos aqui a dizer que somos nós que vamos escolher quem o Partido Socialista vai indicar, mas o Partido Socialista tem que olhar para o plenário, porque se votassem mesmo todos os deputados que estivessem cá, provavelmente o candidato também não seria eleito. E, portanto, é importante que o Partido Socialista também pense, faça a sua reflexão, é uma sugestão que faço, para encontrar alguém que seja suficientemente consensual, que consiga ir buscar votos a todas as bancadas e não apenas e só ao Partido Socialista ou ao PSD.
António Rodrigues diz que o chumbo de Tiago Rodrigues não coloca em causa o acordo entre os partidos para outros órgãos externos da assembleia, como os juízes do Tribunal Constitucional. O Observador chegou a noticiar que o nome do antigo secretário de Estado não era consensual nem dentro do Partido Socialista e que por isso a eleição podia estar mesmo em risco. Foi o que acabou por acontecer. O deputado do PS, Pedro Delgado Alves, afasta, no entanto, possíveis votos contra de deputados socialistas.
Posso dizê-lo de forma extraordinariamente categórica que é rigorosamente nenhum. Posso mesmo dizê-lo com este grau de confiança. Um nome que não motivou nenhuma reserva em momento algum, quer nas reuniões do grupo, quer nas conversas individuais que as pessoas mantiveram sobre o tema. Pura e simplesmente, não há eco, irei dizer. Portanto, estranhei muito a notícia que singularmente foi relatada pelo Observador, porque não consigo vislumbrar onde é que ela se pode ater.
Pedro Delgado Alves e António Rodrigues estiveram no Explicador desta manhã sobre a polémica da não eleição de Tiago Antunes, apesar de um acordo prévio entre PS e PSD. Entretanto, a Rádio Observador ouviu esta manhã também o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, que defende que não há tarefas impossíveis e pediu aos partidos que voltem a conversar para se conseguir eleger o próximo Provedor de Justiça. Hugo Soares, que ontem fez um apelo público aos deputados do PSD para que votassem em favor do nome de Tiago Antunes. Este foi um apoio muito criticado pela Iniciativa Liberal. Rui Rocha chegou a acusar Hugo Soares de estar a trair a direita por defender Tiago Antunes. Rui Rocha, que já foi o líder da Iniciativa Liberal, hoje é deputado, também é vereador na Câmara de Braga e agora está em direto no Jornal das 10. Bom dia, Rui Rocha. Obrigada por se juntar a esta discussão. Ontem acusou mesmo Hugo Soares de trair a história do PSD e da direita por causa da escolha deste nome. Hoje já o líder parlamentar do PSD voltou a pedir aos partidos para conversarem. É isso que deve acontecer? Deve haver um consenso em torno deste nome do Tiago Antunes ou é necessário haver uma outra candidatura?
Bom dia, antes de mais. Parece-me evidente que é necessária uma outra candidatura. O resultado da eleição que existiu ontem aqui na Assembleia da República foi absolutamente arrasador para Tiago Antunes, veja-se, proposto pelo PS, esse esforço titânico, diria, quase de submissão ao PS de Hugo Soares na tentativa de salvar essa eleição e depois a resposta dos deputados foi óbvia. Nós ouvimos Pedro Delgado Alves a dizer que no PS não tinha havido ninguém que não tivesse votado. Nunca poderemos saber, mas é evidente que no PSD houve uma grande parte dos deputados que não seguiram esse apelo lancinante de Hugo Soares para salvar a candidatura de Tiago Antunes. Ora, parece-me que o resultado foi evidente e que esse nome não passará no Parlamento, portanto, é necessário outro nome. Da minha parte, não ponho em causa que o PS, no âmbito do acordo que foi negociado, apresente esse nome. Agora, tem que ser um nome que não tenha os problemas de percurso que Tiago Antunes apresenta.
Rui Rocha, falemos desses problemas de percurso do Tiago Antunes. São o quê? A proximidade a José Sócrates e a António Costa? É porque não foi verdadeiramente colocada em causa a competência técnica ou o valor acadêmico do Tiago Antunes, pois não?
Não. Eu próprio estive na audição de Tiago Antunes e não fiz nenhum tipo de reserva relativamente ao percurso acadêmico. Devo dizer, entretanto, que, por exemplo, é um percurso acadêmico que não tem a notoriedade que tinha Maria Lúcia Amaral, que foi uma boa Provedora de Justiça, embora depois no cargo ministerial que exerceu, não tenha correspondido a isso, mas enquanto Provedora de Justiça fez um bom trabalho e tinha um percurso acadêmico de nível muito superior a Tiago Antunes. Agora, de facto, esse não é o problema. O problema é ter pertencido ao núcleo duro de José Sócrates, ter pertencido ao gabinete onde, sabe-se, foi montada uma operação de intoxicação da opinião pública, de manipulação, de intimidação de adversários políticos e de intimidação também de jornalistas e de todos aqueles que ousavam pôr em causa a resplandecência da gestão de José Sócrates. E, portanto, alguém com este percurso, com esta proximidade, com este envolvimento nessa máquina, não teria condições, obviamente, para garantir os direitos, liberdades e garantias dos portugueses, porque é essa a missão principal do Provedor de Justiça.
Que imagem passa da forma como o Parlamento funciona quando há um acordo entre partidos e depois há esta troca de acusações e os resultados que saem?
Eu penso que a imagem que tem que sair do Parlamento em si é uma imagem positiva. Eu, pela minha parte, fiz o meu trabalho. Fiz uma audição a Tiago Antunes em que expus os motivos, detalhadamente, de forma frontal, pelos quais eu considerava que não havia condições para ser eleito. E o Parlamento, pegando nos dados disponíveis, entendeu que, de fato, não havia condições para isso. Outra coisa são os tais entendimentos que são feitos nos gabinetes e que revelam duas coisas. Por um lado, que o PS ainda não entendeu o que aconteceu ao longo dos anos, ainda não fez um ato de contrição. Há uma ferida aberta na sociedade portuguesa contra o passado socrático e o PS não conseguiu resolver essa ferida aberta fazendo um ato de contrição. Nunca fez e continua a não fazer. E o PS tem que perceber que os portugueses, que estão representados no Parlamento por deputados, têm aversão a pessoas que tenham tido envolvimento, ainda para mais, no caso, nessa máquina de manipulação da opinião pública e de intimidação. Portanto, essa é uma primeira nota. A segunda é que Hugo Soares, e não podemos ignorar isso, é uma correia de transmissão do próprio Luís Montenegro, tem que perceber que não podem, em nome dos negócios que fazem de distribuição de lugares, tentar impor aos portugueses, e já agora, aos deputados do PSD, ficamos a saber, nomes que são contra natura relativamente à história do partido. Porque, na verdade, o alvo principal dessa máquina de intoxicação foram precisamente os deputados de então do PSD, as lideranças de então do PSD, o então presidente da República do PSD, Aníbal Cavaco Silva. E, portanto, quem não respeita a sua história, como o Hugo Soares fez, depois tem o resultado que vimos que aconteceu e, portanto, tem a humilhação correspondente à falta de respeito pelo passado do próprio partido.
Rui Rocha, muito obrigada por ter estado connosco em direto neste jornal das 10. Deputado da Iniciativa Liberal diz que é preciso tirar consequências da não eleição do nome indicado pelo PS para Provedor de Justiça.
A greve na administração pública contra o pacote laboral está a ter impacto, sobretudo, na educação e na Segurança Social. Carla, fazemos agora o ponto de situação na saúde.
Temos estado a fazer uma ronda ao longo da manhã pelos principais serviços afetados em Lisboa. Apuramos e encontrámos escolas fechadas. A sede da Segurança Social na capital também não abriu. A Nadine Soares está agora no Centro de Saúde de Sete Rios. Estão a ser atendidos os utentes esta manhã, Nadine?
Este centro de saúde está a funcionar a meio gás. Quem tem já marcação para este dia consegue ser atendido esta manhã, mas quem chega depois para tentar marcar uma consulta percebe que os serviços não estão a funcionar. Não há números ainda oficiais de adesão desta greve, mas é claro que no Centro de Saúde de Sete Rios há uma grande falta de administrativos. O sistema está embaixo, não há ninguém para marcar as consultas e os ecrãs de chamada estão também, na grande maioria, desligados. A Rádio Observador apurou no local, junto de vários utentes que tentaram ser atendidos e que já foram entretanto embora, que não é possível mesmo marcar consultas esta manhã, pelo menos neste centro de saúde de Sete Rios. Ainda não é possível adiantar, por exemplo, quantos profissionais de saúde aderiram a esta greve, mas é bastante claro que os efeitos da greve passam muito pela falta de administração neste centro de saúde. O setor da saúde que está a ser bastante afetado e esta manhã a Rádio Observador também passou por uma escola básica e secundária que não abriu, os alunos não tiveram aulas e também na sede da Segurança Social, várias pessoas que estavam na fila desistiram de esperar pelos atendimentos. As portas não chegaram a abrir. É uma greve marcada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, que ainda sem números, já se nota bastante o efeito esta manhã, o efeito da greve, pelo menos no setor da educação, da Segurança Social e também aqui na saúde.
O impacto da greve aqui relatado pela Nadine Soares, que tem estado durante a manhã a fazer uma ronda pelos principais serviços. Hoje há uma manifestação à tarde convocada pela CGTP. Ao mesmo tempo, vai decorrer no Ministério do Trabalho mais uma ronda negocial entre governo, patrões e UGT sobre a reforma laboral.
E vamos ao desporto, com destaque para o Sporting de Braga, que está nas meias-finais da Liga Europa, 15 anos depois. A equipa minhota venceu o Betis em Espanha por 4x2.
Ainda esteve a perder por 2x0, mas deu a volta, venceu, foi apurada, vai encontrar o Freiburg na próxima fase. Vamos em direto até Braga. A repórter Maria Rigo está a medir o pulso aos adeptos minhotos. Maria, o que tens ouvido por aí?
Acima de tudo, muita felicidade com este resultado, mas para percebermos melhor, tenho comigo Custódio Mota, ele que foi sócio de 50 anos aqui do Braga. Começo por lhe perguntar como é que acompanhou ontem este jogo.
Deitado no cadeirão e a ver como é que ia acabar.
Foi um jogo de muita emoção.
Foi muita emoção, porque o Braga perder 2x0 e depois ganhar 4x2 não é fácil, num clube daqueles. E eles para mais estavam, se não me engano, 32 mil pessoas, deles. Isso também puxa muito por equipa e os outros desmotivam-se. Mas não, foi o contrário. O Braga começou mal, mas depois engatou o jogo e desenvolveu.
Estava aqui a dizer-me há pouco que quando viu aquele resultado inicial dos 2x0, tinha perdido um bocadinho a esperança.
Pronto, estava claro, 2x0 já não é fácil, mas depois apareceu o 2x1, animou. Animou e o Braga acelerou e também tudo correu bem. Mas é preciso aparecer e é preciso um pouquinho de sorte, também. E ali apareceu e o Braga aproveitou.
Passados 15 anos, como é que se sente voltar à meia-final da Liga Europa?
Isso era bom. Isso era bom aqui para mim, para a cidade. Para a cidade e para o clube. O clube, chegamos à beira dos grandes, também quer ser um deles.
Muito obrigada, Custódio Mota, sócio há 50 anos do Braga. É como dizia a Carla, muita felicidade e muita expectativa para um resultado positivo nas meias-finais da Liga Europa.
Muito entusiasmo em Braga depois do apuramento de ontem.
São agora 10h15, já a seguir o Contracorrente. Primeiro, Carla, que outras notícias marcam a atualidade?
Paulo Rangel está no Líbano a reforçar a cooperação com Beirut. A visita foi tornada pública esta manhã. O ministro português dos Negócios Estrangeiros esteve reunido com o chefe de diplomacia do Líbano, na capital. Rangel reforçou a solidariedade para com Beirut e apelou ao respeito pelo acordo de cessar-fogo que começou ontem entre o Líbano e Israel. O diretor da Agência Internacional de Energia acredita que os mercados estão a subestimar as consequências do bloqueio do Estreito de Ormuz. Numa entrevista a um jornal suíço, o responsável admite que a produção de energia no Médio Oriente pode demorar dois anos até ser normalizado e avisa que se o estreito não for aberto, os países vão ter que se preparar para um aumento significativo dos preços da energia.