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As notícias com Carla Jorge Carvalho. Estamos a oito horas e meia do eclipse. Os hotéis estão completamente lotados na região de Bragança. O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal destaca os benefícios econômicos do fenômeno para a região de Trás-os-Montes.
A zona do Parque Natural de Montesinho, em Bragança, vai ser o palco privilegiado para assistir ao eclipse. Mais logo, a região espera uma grande afluência de visitantes, com hotéis já lotados e restaurantes a notarem um aumento da procura e das reservas. Na Rádio Observador, Luís Pedro Martins diz que os dados apontam para uma afluência positiva, não só para hoje, como também para os dias seguintes.
Muitos cientistas, muitos estudantes de cursos de ciências que tinham a informação em primeira mão, esses fizeram as primeiras reservas. E depois, diria que em maio, já pelo cidadão comum, muito do mercado nacional, mas também muitos espanhóis. Curioso é que as pessoas reservaram não só para o dia do eclipse, mas julgo que aproveitaram para fazer dois em um. Por um lado, esta oportunidade de ver um eclipse que se vê apenas numa geração, mas, por outro lado, também uma oportunidade para conhecer um território, porventura, menos conhecido.
O presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, explica ainda como a região se preparou para receber estes milhares de visitantes.
Desde o dia 10 que foram organizadas uma série de iniciativas relacionadas com a ciência, mas de forma muito didática, para explicar também o fenômeno aos mais jovens, com muitos workshops, mas também com animação de rua e animação musical. Portanto, de certa forma, foi aproveitar esta oportunidade, onde se vão receber turistas num número que nem sempre acontece.
O presidente do Turismo do Porto e do Norte de Portugal revela também que a região de Trás-os-Montes teve um crescimento de 7,6% na procura. Foi a região que mais cresceu neste período em Portugal. O jornalista do Observador, Martim Andrade, está em Bragança. Dá conta de muito movimento desde ontem por parte de visitantes e de curiosos.
Nota-se logo à entrada da aldeia que há um elevado número de pessoas, fora os habitantes, que vieram de propósito para o eclipse, mas também não ajuda o facto de o parque de campismo ser mesmo à entrada da aldeia, o que nos dificultou um pouco a vida, até a estacionar. Mas foi curioso, porque, assim como nós, houve várias pessoas a tentar fazer um reconhecimento da zona 24 horas antes do eclipse, para tentar perceber qual seria o melhor local para ver o sol. Nós e outros que vieram de longe para cá. Encontramos, por exemplo, um casal que vive nos Países Baixos e que vieram de propósito para Rio de Onor para ver o eclipse, e encontramo-los a subir um monte para tentar perceber onde é que o sol estaria às 19h30 de hoje e quanto tempo teríamos de eclipse até o sol ficar tapado por um monte que há ali já do lado da fronteira espanhola.
A reportagem do jornalista do Observador, Martim Andrade, que vai passar o dia em Bragança, é a região de Portugal com melhor visibilidade para este eclipse, que não acontecia desde 1912.
Para quem ainda não tem óculos, ainda há esperança. As farmácias estão a receber um reforço de estoque esta manhã.
A garantia é deixada pela Associação Nacional de Farmácias, que ontem anunciou, ao final da tarde, que muitos estabelecimentos iriam receber esta manhã um reforço. Desde 1 de agosto, foram vendidos 63 mil pares. Só ontem foram 27 mil. Há rupturas de estoque, há farmácias que dizem que não conseguem fazer as habituais encomendas aos fornecedores. O Ricardo Lopes tem estado a fazer uma ronda por várias farmácias. Ricardo, tu tens dado conta de clientes que deixaram a compra dos óculos para o último dia, as últimas horas? Já há estoque? Já encontraste estoque?
Não, continuo sem encontrar óculos. Encontro é muitas pessoas à procura dos mesmos. Eu estou a umas centenas de metros ao lado de onde estava há pouco e o cenário é idêntico. Pelo que tenho percebido, as pessoas com quem falei dizem que a notícia de ontem a dar conta de um reforço do estoque de óculos, uma promessa que foi feita pela Associação Nacional de Farmácias, fez com que os portugueses que ainda não têm óculos para ver o eclipse ficassem com uma réstia de esperança de ainda os poder comprar. Só que depois, Carla, são confrontados com esta realidade, e não é uma realidade otimista, que corresponde a essa tal ínfima esperança de ainda poder adquirir o produto. Eu estou na Farmácia Marbel, em Lisboa, e além das pessoas que se deslocam até aqui para confirmar se há óculos, tem-se registado um elevado número de chamadas telefônicas. Era o que me dava conta Cláudia Portugal, farmacêutica adjunta substituta desta farmácia e que agora se junta a nós aqui em direto. Cláudia, tem ideia de quantas vezes já teve que dizer hoje que não tem óculos para vender?
Olá, bom dia. Eu acho que umas centenas para mais. Acho que até nem fizemos outra coisa senão atender telefones, o que se torna extremamente desagradável entre atendimentos.
O fluxo de chamadas é tão elevado que acaba por perturbar o atendimento a alguém que venha comprar medicamentos, por exemplo?
Sim, compromete. Aliás, chegam a ter as senhas prioritárias e acabamos por comprometer os atendimentos.
Chegaram a tentar contactar fornecedores para encomendar os óculos? Como eu disse há pouco, passei por cá numa outra reportagem. Não sei se tem ideia se chegaram a encomendar óculos a fornecedores ou se fizeram essa tentativa.
Eu calculo que sim. No entanto, as encomendas são feitas pela direção, por isso já me ultrapassa, mas calculo que sim.
As pessoas que têm vindo esta manhã à procura dos óculos referem, o que eu estava a dizer há pouco, que ouviram a notícia sobre este reforço anunciado pela Associação Nacional de Farmácias. Dizem-lhe isso?
Sim, com toda a certeza, garantem. E que na rádio está a passar constantemente que nós recebemos.
E têm quase essa certeza, só que depois são confrontados com a realidade. Houve algum contacto por parte da associação, alguma indicação, explicação de como seria efetuado este reforço?
Não, nada foi garantido.
Muito obrigado, doutora Cláudia Portugal, pelas suas explicações. É farmacêutica adjunta substituta aqui na Farmácia Marvel, em Alvalade, onde, Carla, o telefone não para de tocar com imensas pessoas a quererem saber se este reforço já chegou.
E a resposta é não. A reportagem do Ricardo Lopes, que também ainda não encontrou óculos disponíveis esta manhã em várias farmácias em Lisboa, quando estamos a poucas horas para o eclipse.
A Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública pede à população para que siga as recomendações das autoridades na observação do eclipse solar.
Foi esta manhã, no Explicador, que o vice-presidente da associação, João Paulo Magalhães, diz que a mensagem mais importante do dia é não olhar diretamente para o eclipse, mesmo que seja por uns segundos. E explica por quê.
Não tendo óculos, por favor, evitem mesmo olhar. Porque no nosso dia a dia, tendemos a não olhar diretamente para o sol. Não olhamos para o sol porque nos causa desconforto imediato. E quando acontecem estes fenômenos do eclipse, ou seja, em que se remove esse desconforto, a radiação não deixa de lá estar. E bastam pequenos segundos, é que são mesmo segundos, em que nós estamos a olhar diretamente a olho nu para nos causarem danos, que podem potencialmente ser irreversíveis na nossa visão.
João Paulo Magalhães é vice-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, diz ainda às pessoas para não retirarem os óculos de proteção e para estarem atentas a sintomas como a diminuição da visão ou dor ocular intensa. Nestes casos, a Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública pede para que a população ligue para a linha SNS 24 o mais rápido possível.
A presidente do Colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos também volta a alertar para os perigos de observar o eclipse sem a devida proteção.
Joana Ferreira repete que os óculos devem estar devidamente certificados e sem qualquer dano, e repete os alertas para os danos que podem ser causados se se olhar para o eclipse a olho nu.
Pode acontecer lesão das nossas células da retina, a retinopatia solar, que é como se fosse uma queimadura das células da retina. E isso vai originar uma diminuição da visão, uma área central do nosso campo com uma mancha escura, fixa, pode também haver distorção da imagem ou alteração da visão das cores.
A presidenta do Conselho do Colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos, a reforçar aqui os apelos à cautela.
A Rádio Observador vai também acompanhar o eclipse solar numa emissão especial que começa às 17h, a partir do Telhado do Mato, junto ao Tejo, em Belém, Lisboa. Carlos Moedas critica a libertação do suspeito de envolvimento no disparo contra uma turista na Baixa de Lisboa. O autarca fala numa decisão inaceitável da Justiça portuguesa, que prejudica a imagem de Portugal.
A mulher, uma sueca de cerca de 40 anos, foi atingida na segunda-feira por uma bala perdida, após um desacato entre dois grupos que vendiam droga falsa na Baixa de Lisboa. Os suspeitos fugiram. Um deles foi detido pela PSP num outro processo relacionado com violência doméstica. O homem foi ouvido em tribunal e acabou por sair em liberdade. Na reação, o presidente da Câmara de Lisboa fala numa decisão inaceitável da Justiça. Foi numa publicação na rede social X. Carlos Moedas escreve que foi libertado um criminoso, fala num exemplo socialmente reprovável e num sinal de falta de autoridade para as forças de segurança. Moedas avisa também que não é só a imagem de Lisboa que fica em causa, é a imagem de Portugal. A presidenta da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, eleita pelo PS, também alerta que moradores e comerciantes sentem cada vez mais medo nas ruas da Baixa de Lisboa e insiste que tem pedido uma reunião com o ministro da Administração Interna e com o autarca de Lisboa, mas sempre sem resposta.
São 10:10, já a seguir o Contracorrente. Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque?
A Ordem dos Médicos pede uma avaliação da resiliência de todos os hospitais de Portugal perante sismos e outras catástrofes. O pedido é feito através de comunicado, no qual os médicos manifestam solidariedade para com as famílias e vítimas do sismo na Colômbia. A Ordem sublinha a importância de se conhecer a capacidade nacional para manter serviços essenciais, como urgências, cuidados intensivos e blocos operatórios em funcionamento durante a ocorrência de um sismo. Entretanto, subiu para 250 o número de mortes na Colômbia. O sismo afetou, sobretudo, a região a oeste do país. Os hospitais que não sofreram danos estão sobrecarregados a tentar dar resposta a todos os sobreviventes. A Agência Portuguesa do Ambiente deu luz verde à construção do troço do TGV, que vai ligar Porto e Aveiro. A informação é avançada esta manhã pelo Jornal de Notícias, que revela os detalhes das alterações ao projeto inicial. Está prevista também a construção de apenas uma ponte rodoferroviária sobre o Douro, em vez de duas, como tinha sido proposto pelo consórcio. A Agência Portuguesa do Ambiente conclui que esta é uma solução de transporte sustentável. No futebol, é oficial, o croata Ivanović deixa o Benfica e reforça o Lan de França, por empréstimo. Os franceses pagam 2,5 milhões de euros ao Clube da Luz pelo empréstimo, podendo o negócio chegar aos 3 milhões. Ivanović chegou ao Benfica há um ano, soma 43 jogos de águia ao peito, marcou oito gols.
E voltamos aqui a falar do eclipse. Já sabemos que Bragança é o local, mas quem não pode ir até lá, o Observador preparou um mapa com os melhores sítios para observar o fenômeno por região. Por exemplo, em Lisboa, sabes qual é o melhor local, ou um dos melhores locais?
Quase que tenho uma ideia.
Estamos todos a espreitar os locais. Cabo da Roca.
Cabo da Roca. No Alentejo, o Alqueva também pode permitir uma boa possibilidade. Diz, José Manuel?
O Roca deve estar demasiado cheio.
Achas que não é assim?
Não, porque o Cabo da Roca é de facto num sítio, quer dizer, o sítio está virado a poente, não é? Porque ele é perto do tempo do pôr do sol.
Saúde!
Mais um pouquinho, já vamos recuperar. Sim, o Cabo da Roca é, por definição, um dos melhores locais, por isso mesmo, todos os dias já é muito movimentado. Hoje, então, deve ser uma loucura, não é, José Manuel?
Sabes qual é a melhor hora do dia do Cabo da Roca?
É o nascer do sol.
Exatamente. Não está ninguém.
Pois, também por isso, não é?
Não está ninguém. Está lá o nascer do sol.
Deve ser lindo, sim.
Mesmo do inverno, o pôr do sol está sempre cheio de gente.
Claro. Hoje, imagine-se. Hoje vai ser assim. Enfim, falámos do Alentejo. Há muitos sítios. É consultar o guia que está disponível no nosso site. Está lá tudo.
É isso mesmo.