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Aqui vamos nós. Depois da derrota nas eleições intercalares desta noite, Donald Trump admite voltar a lançar um grande ataque no Irão. Reação do presidente dos Estados Unidos depois de conhecidos os resultados das midterms. O Partido Democrata conseguiu recuperar a maioria no Congresso com uma vitória clara esta madrugada. Em entrevista à Fox News, o chefe de Estado norte-americano admite que a guerra no Irão teve impacto na derrota do Partido Republicano, apesar de dizer que os eleitores deveriam ter pensado no longo prazo.
As pessoas concordam com o que estou a fazer no Irão, mas provavelmente não estavam dispostas a assumir a consequência a curto prazo de pagar mais pelos combustíveis. Mas este é um problema a curto prazo para um ganho a longo prazo, mas temos que fazer algo em grande. Muitas pessoas gostariam que desse um golpe forte no Irão, muitas pessoas não. Mas a única coisa que vos posso dizer com certeza é que eles nunca terão uma arma nuclear.
E, por isso, Donald Trump admite voltar a atacar o Irão nesta entrevista à Fox News. Trump reconhece a derrota, apesar de recusar responsabilidades pessoais pelo resultado.
Não considero que esta derrota seja minha, eu não estava no boletim de votos. Se estivesse, seria diferente, mas ainda assim sinto-me mal pelos republicanos que perderam esta noite. Sei que é uma situação difícil para eles.
O presidente dos Estados Unidos, que cumpre mandato até 2028, vai ter agora de trabalhar com uma maioria democrata no Congresso. Trump admite utilizar o veto presidencial em várias medidas aprovadas pelo Partido Democrata nos próximos dois anos. E recordamos agora, Carla, os resultados das intercalares, que ainda não estão totalmente fechados, mas uma coisa é certa: houve um autêntico tsunami azul. Completamente. No Senado, o Partido Democrata conseguiu até agora 52 senadores, contra 44 republicanos. Os democratas que conseguiram virar sete Estados que tinham sido ganhos pelo Partido Republicano. Destaque para o Texas, onde os democratas venceram, conseguiram eleger um senador. Não acontecia há mais de 30 anos. Na Câmara dos Representantes, outra vitória clara dos democratas. Já ultrapassaram o número necessário para a maioria na Câmara Baixa. O Partido Democrata elegeu 241 congressistas até agora, contra 149 do Partido Republicano. E vamos a mais reações que têm surgido a conta-gotas ao longo da manhã. O presidente do governo espanhol celebra os resultados das eleições intercalares norte-americanas. Na rede social X, Pedro Sánchez considera que a vitória dos democratas é uma demonstração de resistência progressista e também um sinal de que os eleitores estão contra políticos que lançam medidas que empobrecem as pessoas. Sánchez acredita ainda que esta ultra-onda vai ter efeitos em Espanha, numa referência às eleições legislativas antecipadas, que vão acontecer no final deste mês. Também já demos aqui conta da reação de Barack Obama. O antigo presidente norte-americano, democrata, afirma que os resultados mostram que os eleitores querem uma política que una as pessoas, em vez de as dividir. Tempo agora para a análise. João Vale de Almeida, ex-embaixador da União Europeia nos Estados Unidos, recusa a ideia de que este resultado signifique o fim do trumpismo. Foi aqui na Rádio Observador. Diz, ainda assim, que a vitória clara dos democratas vai protagonizar mudanças na política norte-americana.
O resultado de hoje põe termo a dois anos de poder quase absoluto do senhor Trump, mas dá início a dois anos de grande instabilidade interna nos Estados Unidos e, a meu ver, de grande imprevisibilidade na atuação externa do presidente. Portanto, respondendo mais diretamente à sua pergunta, como diria Mark Twain, o anúncio da morte do trumpismo é manifestamente exagerado.
Uma derrota de Trump, não necessariamente do trumpismo. A análise do diplomata João Vale de Almeida, antigo embaixador da União Europeia nos Estados Unidos, um dos muitos convidados que a Rádio Observador teve ao longo desta manhã. Vamos agora olhar para estas eleições com mais pormenor e falamos agora de um dos Estados mais conservadores, o Iowa. Para falar de um tema que é sempre delicado quando falamos em eleições, o aborto. Bruno Vieira Amaral, o que está aqui em causa?
Em primeiro lugar, é preciso dizer, porque neste caso das eleições intercalares, há muito mais que vai a votos.
Vota-se muito mais. Há oportunidade para os eleitores tomarem outras decisões.
Outras decisões a nível estadual e também a nível local. Estavam previstas 145 propostas estaduais em 39 Estados e uma delas, precisamente no Estado do Iowa, que é um dos estados mais conservadores do país, em que foi rejeitada uma iniciativa destinada a revogar a proibição do aborto, que está em vigor no Estado. Bastaria uma maioria simples, acima dos 50%, para revogar essa proibição do aborto no Estado, mas 55% dos eleitores votaram contra. Ora, dois anos antes de o Supremo Tribunal ter revogado o direito constitucional ao aborto, os legisladores do Iowa já tinham aprovado uma proibição que tornava crime a interrupção da gravidez, ou seja, criminalizava a ação de médicos ou outros profissionais de saúde envolvidos numa interrupção da gravidez. Essa lei entrou em vigor quando o Supremo Tribunal voltou atrás na decisão histórica do processo Roe contra Wade. E esta iniciativa visava precisamente revogar esta proibição, porque desde que ela entrou em vigor, os abortos realizados no Estado praticamente acabaram. Para além disso, o Estado do Iowa também registou uma quebra acentuada do número de médicos que exercem obstetrícia. Um estudo publicado no ano passado concluiu que o Estado perdeu 94 dos 268 médicos que exerciam a obstetrícia quando a proibição entrou em vigor, uma redução de 35% nos primeiros dois anos, mesmo tendo em conta os médicos que, entretanto, entraram e foram trabalhar para o Estado. Quem era contra esta revogação da proibição diz que há muitos médicos a exercer. Não têm de estar fixados e viver no Estado para exercerem também a sua atividade no Estado. A verdade é que esta revogação da proibição do aborto não passou. É uma das muitas medidas que foram levadas a votos nesta terça-feira. Medidas que têm a ver com a política local, muitas vezes, algumas com impacto apenas ao nível do Estado, mas que mostram que a democracia americana, de facto, continua com uma vitalidade enorme. Nós muitas vezes concentramos apenas nas grandes eleições, nas eleições presidenciais e até nestas para o Congresso e para o Senado.
Têm mais impacto no resto do mundo.
Exatamente, claro, e são mais faladas, mas os americanos comuns estão muito envolvidos nestas pequenas questões que para eles são muito importantes para o dia a dia e também para a vida dos cidadãos de cada um dos Estados.
E este é só mais um exemplo que Bruno Vieira Amaral foste trazendo aqui ao longo da manhã, olhando com mais detalhe para partes das eleições intercalares nos Estados Unidos. E às 11 fazemos de novo ponto de situação dos resultados, mas a vitória é histórica e pertence ao Partido Democrata. 10:07, Carla. Daqui a pouco o Contracorrente também sobre o resultado das eleições intercalares, mas agora tempo para as outras notícias que estão em destaque. O diretor financeiro da Polícia Judiciária foi afastado do cargo. A notícia foi avançada pela RTP, foi entretanto confirmada ao Observador pelo próprio Álvaro Pires, que diz que teve conhecimento da decisão, mas explica que não lhe foram transmitidos os motivos. Álvaro Pires é próximo do atual ministro da Administração Interna. A RTP avança que foi ele que sugeriu a Luís Neves que o atrelado apreendido na Operação Pacoba ficasse à guarda da Constro Barcelos, a empresa que fez obras em casa do ministro. Agora, o atual diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, decidiu não renovar a comissão de serviço de Álvaro Pires, até agora diretor financeiro da PJ. O primeiro-ministro vai reunir-se amanhã com os líderes do Chega e do PS em São Bento. O objetivo é discutir propostas para a crise na habitação. O anúncio foi feito ontem à noite por Luís Montenegro, numa comunicação ao país, a partir de São Bento. Na reação, os líderes, quer do Chega, quer do PS, já se mostraram disponíveis para negociar a lei do arrendamento. Entretanto, a noite voltou a ser de acampamentos, tanto em Lisboa como no Porto. Os manifestantes montaram 60 tendas no Rossio e outras 20 na Praça Dom João I. O antigo presidente do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, anunciou a desfiliação do partido. Foi numa carta dirigida ao atual líder, Nuno Melo. O ex-dirigente justifica a decisão por não se rever no caminho seguido pela presente direção. Acusa o CDS de adotar discursos radicais e ultraconservadores. Apesar da ruptura com a direção, Francisco Rodrigues dos Santos garante que continua a defender os ideais da democracia cristã.