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Jornal do Meio Dia com Miguel Cordeiro. Em destaque a esta hora, Miguel Álvaro Beleza defende que o PS deve viabilizar o próximo orçamento do Estado, mas não deve participar nas negociações com o Governo.
O mandatário nacional da candidatura de Pedro Nuno Santos a essas últimas eleições legislativas, que desistiu de ser cabeça de lista de Vila Real nessas eleições também, quis hoje, aqui na Rádio Observador, deixar claro que não concorda com a estratégia socialista para o Orçamento do Estado.
Eu, por acaso, tinha defendido uma coisa diferente. Eu deixava passar este orçamento, dizia logo à partida, mas não negociava nada, porque eu acho que é mau para um orçamento ser-
O PS devia fazer isso, aprovar sem negociar. Isto é para não se vincular a este orçamento.
Eu estou sempre a dizer isso. Os portugueses são um bocadinho "segura-me que eu bato-lhe", mas depois ninguém bate. Muita conversa. Ter um orçamento a meias entre o PSD e o PS não é nada. Se o PSD está no Governo e se a direita é maioritária, então que façam o seu orçamento. Se defendem mais diminuição dos impostos, diminuição da carga fiscal, então façam as reformas que têm que fazer.
Um orçamento com medidas do PS vai responsabilizar também o PS?
Claro, se o orçamento tiver lá parte das propostas do PS.
Já tem algumas.
O PS está lá sem estar no Governo.
Álvaro Beleza defende que o Orçamento do Estado do próximo ano deve ser viabilizado sem incluir medidas do Partido Socialista. O presidente da CEDES esteve esta manhã aqui na Rádio Observador e considerou que deveria existir um acordo de cavalheiros para deixar passar o orçamento. Ainda assim, Álvaro Beleza confessa que ainda não falou desta ideia com Pedro Nuno Santos.
E haver um gentleman agreement entre os dois principais partidos. No primeiro ano, deixar passar o orçamento daquele que ganhou as eleições e que é Governo.
E Pedro Nuno Santos partilha essa visão?
Já disse isso a Pedro Nuno Santos. Não sei se partilha, não me perguntou a opinião. Só quando ele me pede a opinião é que eu dou. Eu não estou na direção do PS. E pede-lhe muitas vezes. Ultimamente não me tem pedido, mas também não precisa, porque ele é um jovem. Eu quando o apoiei não foi para ele andar-me a pedir opiniões, nem quero dar muitas opiniões. Ele sabe bem o que há de fazer, portanto, tem que seguir o seu caminho. Eu sou mais velho, como imagino, e portanto, ele é um jovem, nós temos que deixar os jovens voar.
Álvaro Beleza esta manhã no programa Comissão de Inquérito aqui na Rádio Observador.
Olhamos agora para o PSD com Luís Montenegro a interromper as suas férias porque vai marcar presença na Festa do Pontal.
Reentrada política dos social-democratas. Montenegro é cabeça de cartaz. Espera-se que lance alguns dos temas do próximo ano político, a começar pela discussão do Orçamento do Estado para o próximo ano. As negociações com os partidos estão a decorrer e estão novamente agendadas para setembro. O Governo depende da abstenção do PS ou da aprovação do Chega, sendo que Luís Montenegro já fez saber que até pode governar em duodécimos. Aqui na Rádio Observador, esta manhã escutámos José Menosbota, um dos impulsionadores desta Festa do Pontal, e explicou o que espera de Montenegro para esta noite.
Andam a querer coar Montenegro ou se calhar o Presidente da República naquela frase que é tentar colocar o rústico, apesar de não ter nada de rústico. Acho que o Montenegro está nada tão bem no meio rústico como no meio litoral, no meio citadino. Portanto, é um todo-o-terreno.
José Menosbota a discordar de Marcelo Rebelo de Sousa quando referiu que Luís Montenegro tinha uma imagem rural. O histórico social-democrata fala de um primeiro-ministro todo-o-terreno.
A Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos denuncia uma falta de investimento e de acompanhamento nas unidades de saúde.
A entidade reguladora da saúde divulgou hoje um relatório que revela que quase metade dos doentes indicados para unidades de cuidados paliativos no privado ou no social morreram sem ter acesso à vaga. A presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos faz uma lista de tudo o que está a faltar nesta resposta.
Um dos aspetos que está a falhar na nossa perspetiva é a comunicação, a articulação entre a Rede Nacional de Cuidados Paliativos e a Rede Nacional de Cuidados Continuados, que precisa, de facto, de funcionar e de haver uma comunicação fácil e célere, porque os doentes e as famílias necessitam dessa celeridade no momento da referenciação e da integração destas unidades. Mas o problema não é só isso. O problema tem que ver também com uma falha no investimento e no acompanhamento das unidades existentes, por um lado, e também ao nível da implementação de novas unidades, nomeadamente também onde elas são mais escassas.
A entidade reguladora da saúde concluiu também que mais de um em cada 10 utentes referenciados e admitidos no ano passado viviam a mais de uma hora de distância das unidades em que foram internados. Catarina Pazes, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, defende que é necessário melhorar a comunicação e a articulação entre a Rede Nacional de Cuidados Paliativos e a Rede Nacional de Cuidados Continuados para dar uma melhor resposta às necessidades dos doentes.
Estudar no ensino superior em Portugal custa em média 900 € por aluno, de acordo com um estudo divulgado hoje pelo ISCTE.
O acesso ao ensino superior tornou-se, durante os últimos anos, uma dificuldade para muitos jovens e para muitas famílias em Portugal. De acordo com um estudo divulgado hoje pelo ISCTE, as despesas dos estudantes vão na maioria para alojamento, alimentação e transportes. João Machado, vogal da direção do Conselho Nacional da Juventude, diz à Rádio Observador que as bolsas sociais são a maior ajuda para os jovens, mas não são tão práticas como se tem prometido.
Em teoria, as bolsas à ação social têm o complemento de alojamento, que se destina a ajudar os estudantes que não têm quarto e que não conseguiram quarto em residência a ficarem alojados no mercado privado. Qual é o problema? O complemento de alojamento, apenas para ser aplicado, requer a alegação de um contrato ou de um recibo, e muitos senhores não estão dispostos a fazer isso. E, portanto, isto em teoria é uma medida que funciona bem, que é importante, mas que se torna um pouco ineficaz, porque muitos estudantes não têm como apresentar estas despesas.
Olhando para os custos dos estudantes, João Machado, ouvido esta manhã aqui na Rádio Observador, apresenta também algumas soluções para este problema.
Nós temos, obrigatoriamente, parece-me, de reforçar as bolsas de ação social ou reduzir os custos de frequência do ensino superior, ou então, por outro lado, ter uma ação social mais forte que permita atenuar esses custos. Aquilo que demonstra é que a ação social tem um papel importantíssimo, e este estudo deixa isso em claro, naquilo que é o acesso, a continuidade e a finalização do ensino superior por parte dos estudantes.
Números recentes mostram que só 32% das necessidades dos estudantes deslocados estão garantidas pelo Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior.
Os proveitos do alojamento turístico nacional subiram mais de 12% nos primeiros seis meses deste ano.
Atingiram os 2.800 milhões de euros. Os dados foram hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, que explica que esta subida deve-se, sobretudo, às dormidas de não residentes, que cresceram quase 6% face ao mesmo período do ano anterior. Já as dormidas de residentes tiveram um crescimento menos notório, apenas 1,4% em relação a 2023. Ainda de acordo com o INE, no primeiro semestre deste ano, nos municípios de Lisboa e do Porto, em conjunto, ficaram alojados mais de metade do total de brasileiros, norte-americanos e italianos que visitaram Portugal. Numa análise apenas ao mês de junho, o Instituto Nacional de Estatística observou um abrandamento no crescimento dos proveitos da atividade turística, com o setor do alojamento a registar 3 milhões de hóspedes e quase 8 milhões de dormidas, o que gerou praticamente 700 milhões de euros de proveitos totais.
Vamos à atualidade internacional. Joe Biden diz que Kursk impõe um verdadeiro dilema a Putin.
A incursão das forças ucranianas na região russa de Kursk deve estar a criar um verdadeiro dilema ao presidente da Rússia. Isto foi o que disse hoje Joe Biden. O presidente norte-americano referiu que mantém também contacto direto e constante com Kiev e está a par das operações no terreno.
Kursk, de resto, já não é a única preocupação. Hoje a Rússia decretou estado de emergência em Belgorod.
É outra região russa junto à fronteira e que está a ser alvo de ataques ucranianos. O governador desta região publica um vídeo no Telegram, na rede social, a mostrar um edifício destruído por bombardeamentos ucranianos. Descreve uma situação que está a ficar cada vez mais difícil e relata ataques de drones a duas aldeias fronteiriças russas. Diz também que há casas destruídas e civis mortos, sem, no entanto, avançar qualquer número.
Durante a noite, a Ucrânia lançou um ataque em larga escala contra a Rússia, com mais de uma centena de drones e quatro mísseis.
E o ministro russo da Defesa diz que todos os ataques foram desviados e os drones destruídos. A confirmar-se, e de acordo com as contas do jornal Kyiv Independent, este será o maior ataque de drones da Ucrânia durante toda a guerra. Acontece numa altura em que as tropas ucranianas já controlam território em solo russo, na região de Kursk. Kiev diz que controla 1000 km². A informação ainda não foi confirmada por fontes independentes.
Olhemos para outras notícias também em destaque a esta hora.
O governo alemão emitiu um mandado de detenção a um mergulhador ucraniano que alegadamente terá sabotado os gasodutos Nord Stream há dois anos. Esta notícia é avançada pelos jornais alemães "Süddeutsche Zeitung" e também pelo canal de notícias ARD, com base em fontes não identificadas. O pedido terá sido entregue à Polónia em junho. No entanto, o suspeito terá fugido do país. O mergulhador, com o nome Volodymyr Z, terá integrado a equipa que fez explodir o Nord Stream 1 e 2, gasodutos que transportavam gás do Mar Báltico, em setembro de 2022, alguns meses depois do início da invasão russa na Ucrânia. O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela diz que os observadores eleitorais da ONU são lixo. Jorge Rodríguez quer uma reforma legal no país que proíba qualquer observador de entrar em altura de eleições. Diz que os estrangeiros não têm legitimidade para observar nada no país dos outros e acusa-os de desrespeitarem os pareceres oficiais da autoridade eleitoral venezuelana. Critica em especial as missões de observação eleitoral da ONU, que vê como um autêntico caixote de lixo. Essa é a expressão utilizada. A fechar, Carlos Paredes.
Os verdes anos de Carlos Paredes.
Aproxima-se o centenário do nascimento do músico português, fevereiro do próximo ano, mas o PCP anunciou já hoje, o Partido Comunista Português, um programa para assinalar esse centenário. O primeiro momento acontece já em setembro, na Festa do Avante. As comemorações têm o lema "O Povo e uma Guitarra". No primeiro dia da Festa do Avante, no dia 6 de setembro, Luísa Amaro, acompanhada da guitarrista Mafalda Lemos e Gonçalo Lopes no clarinete, vão todos subir ao palco para o concerto Sons da Guitarra para Carlos Paredes. O Partido Comunista divulgou outros eventos. Em fevereiro do próximo ano vai organizar um seminário dedicado ao guitarrista. Em abril, vai organizar um concerto de homenagem. São eventos que ainda não têm local nem data, mas começam as comemorações do centenário de Carlos Paredes.
Começam então a 6 de setembro, na Festa do Avante, com essa primeira homenagem ao inconfundível Carlos Paredes.