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A edição do Carlos Pedro.
Bom dia, Carlos. Começamos com a ativista Renata Câmara. Pede explicações a Carlos Moedas sobre o despacho que determina a saída da acampada de Lisboa, da Praça do Rossio. A defesa do protesto deu entrada em tribunal com uma providência cautelar.
O autarca baseia-se num parecer do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. O documento diz que o mercado de Natal, cujo nome oficial para este ano é Rossio Christmas Market, não é conciliável com a manifestação de Renata Câmara. As autoridades indicam que o mercado tem preponderância face ao protesto pela habitação. A porta-voz da Acampada de Lisboa acusa a autarquia de não executar a sentença do tribunal, que tinha autorizado Renata Câmara a colocar uma tenda na Praça Dom Pedro IV. Aos microfones da RTP, Renata Câmara explica o processo e lamenta que a Câmara não dê esclarecimentos.
Disse que saiu o despacho a dizer que a Acampada de Lisboa teria que sair para um sítio alternativo, que esse era o despacho da Câmara, estava lá também o parecer da PSP, e que a polícia, em algum momento, sem dizer quando, teria que intervir caso não nos retirássemos. A questão é que, como está explicado, a sentença do tribunal diz que, em primeiro lugar, a Câmara tem que tentar compatibilizar. E se não compatibiliza, se é manifestamente impossível, tem que mostrar por quê. E nós pedimos quais eram as soluções e por que elas não são viáveis. E a Câmara não deu essa resposta.
A ativista explica também que a defesa deu entrada no tribunal com uma providência cautelar.
A advogada Leonor Caldeira ter entrado com um requerimento junto do próprio Tribunal Administrativo de Lisboa a pedir que seja declarado este ato como nulo, precisamente porque a Câmara está a saltar à frente a primeira solução que é indicada pelo tribunal, sem dar justificação.
Estão a preparar uma providência cautelar.
Sim, e agora já entrou também, nos últimos minutos, uma providência cautelar, o que faz com que, com certeza, esta noite, com base no despacho de Carlos Moedas, a polícia não possa intervir.
E a noite decorreu sem incidentes na Praça do Rossio. A ativista sugere que o mercado de Natal passe para outro local da cidade. Entretanto, a Polícia Municipal já avisou os manifestantes de que vai cumprir com o despacho de Carlos Moedas. A autarquia lisboeta dá três alternativas para a acampada continuar: o Largo de São Domingos, a Praça do Martim Moniz ou os Restauradores.
No Porto, a acampada recusa também sair da Praça Dom João I para dar lugar a eventos natalícios.
Foi assim que propôs em e-mail à Câmara Municipal do Porto, liderada por Pedro Duarte, para que os manifestantes deixassem a Praça Dom João I. O pedido foi prontamente recusado. No entanto, ontem, a Lusa avança que a autarquia voltou a enviar um e-mail aos manifestantes sobre a conciliação do espaço. Isto porque a 13 de novembro arrancam os trabalhos de montagem de uma pista de gelo no local, diz a Câmara do Porto. Entretanto, na Invicta, os manifestantes montaram uma lona e quatro grandes tendas para fazer face à chuva que se avizinha para os próximos dias.
Na política, José Luís Carneiro insiste que o PS está disponível para construir soluções para a habitação, mas com justiça social.
Aviso deixado pelo líder dos socialistas, que lembra ainda que foi o Chega a aprovar na generalidade a lei das rendas. Carneiro admite negociar se o conceito de renda moderada do governo cair.
O governo também viabilizou com o Chega os €2.300 como uma renda moderada. Eu pergunto ao país: quem é que pode pagar uma renda moderada de €2.300? Se calhar, se vos perguntar a vós, talvez não tenham rendimento suficiente pra pagar uma renda moderada de €2.300 por mês. É disso que nós estamos a falar. Quando me perguntam se o PS está disponível para construir uma solução para a habitação, nós estamos. Agora, tem que ser com condições de justiça social.
José Luís Carneiro ontem, na guarda, a dizer que o Partido Socialista se recusa a viabilizar o que faz mal à vida das pessoas.
As autoridades portuguesas estão em alerta elevado para ameaças de bomba e ciberataques. Isto depois de três dias consecutivos de ameaças em vários países da Europa.
Em Portugal, um voo da Ryanair com destino a Roma foi impedido de descolar ontem, na hora prevista, por suspeitas de que teria uma bomba a bordo. O caso foi reportado publicamente pela PSP, mas o Observador sabe que não foi caso único. Também durante o dia de ontem, outros dois voos da TAP, um com destino a Paris e outro que viajava para Copenhaga, foram alvos de ameaças de bomba. Em todos estes casos, as informações foram transmitidas à PSP diretamente pelo FBI. Não há consenso acerca da origem destes ataques, mas tanto Rússia como Irão são suspeitos de tentar provocar o caos através de ataques híbridos. Também no início desta semana, sete lojas Intermarché anunciaram ter sido afetadas por ataques aos sistemas de refrigeração. Entretanto, dois grupos pró-Kremlin foram rápidos a reivindicar os ciberataques à tecnologia associada a estes sistemas.
Pode ler mais sobre este tema no site do Observador. Há um artigo assinado pelos jornalistas Pedro Rinho e Martim Andrade. Mudamos de assunto. Dois polícias ficaram ontem feridos na sequência de uma agressão no bairro do Pombal, em Oeiras, que envolveu um grupo de 30 pessoas.
A situação ocorreu quando uma equipa policial se encontrava em patrulhamento naquela zona. Conta a CNN que os agentes terão sido alvos de injúrias por parte de um grupo de aproximadamente 30 indivíduos. O grupo terá assumido um comportamento agressivo, obrigando ao envio de reforços policiais para o local. Os suspeitos começaram, entretanto, a arremessar pedras e garrafas contra os agentes, o que resultou no ferimento de dois polícias, um deles com gravidade. Ambos foram transportados pro Hospital de São Francisco Xavier. A CNN Portugal indica que há pelo menos um detido.
A União Europeia está a trabalhar na criação de leis para punir as lojas que recusem pagamentos em dinheiro.
A notícia é do jornal Público. Diz que Bruxelas já está a trabalhar nesta matéria desde 2023. Atenta também que alguns dos 27 já têm mesmo o direito de pagar com dinheiro físico inscrito nas respectivas constituições. Em Portugal, o PCP questiona o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças sobre as bilheteiras assistidas da Transtejo e Soflusa, que não aceitam pagamentos em numerário. Na resposta, o supervisor bancário admite que não tem poderes para tratar o assunto, mas saúda o passo, que não deverá ser dado, ainda assim, no imediato. O que é certo é que a União Europeia pretende implementar um diploma que prevê a aceitação de pagamentos em numerário como obrigatória, sendo que as exceções podem se prender com a apresentação de notas cujo valor manifestamente desproporcionado em relação ao valor do montante a liquidar.
No Brasil, um edifício de quatro andares colapsou ontem em São Paulo. Dezenas de pessoas ficaram feridas.
De acordo com a Folha de São Paulo, não há registro de mortes. Os bombeiros de São Paulo falam em 35 feridos, quatro deles tiveram de ser assistidos de urgência, mas sem correrem perigo de vida. Pelas imagens da TV brasileira e que circulam nas redes sociais, é possível ver que o prédio ficou completamente destruído. A Folha de São Paulo diz que se tratava de um edifício projetado para receber escritórios, que estava a ser utilizado como depósito de tecidos.
Fica por aqui o Jornal das 8, edição do Carlos Pedro. Temos mais notícias na Rádio Observador às 08h30.