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Máxima. Está a começar o Jornal do Meio-Dia com a edição do João Gama. João, o primeiro-ministro acredita que não há razão para alarme por causa do aumento do preço dos combustíveis. Luís Montenegro promete tomar medidas, mas apenas se for necessário.

Declarações na Maia, durante a cerimónia que reconheceu a cidade como a capital portuguesa do voluntariado neste ano de 2025, aos jornalistas. Luís Montenegro reconhece que o preço dos combustíveis subiu hoje de forma significativa, mas, para já, diz que o governo não pretende mudar de política.

E não há, portanto, razão para alarme. Eu não estou com isso a desvalorizar aquilo que está a acontecer hoje, mas não é possível nós estarmos a comparar isto, e é a segunda mensagem que vos quero transmitir, com uma escalada e uma inflação de preços como aquela que aconteceu há dois, três anos a esta parte. Nós manteremos a nossa política sobre os combustíveis. Se atingirmos, em algum momento, um valor de subida constante, permanente, que coloque em causa este equilíbrio, o governo tomará as medidas para diminuir o impacto fiscal sobre a formação do preço.

As declarações de Luís Montenegro aos jornalistas na Maia. De acordo com dados do Automóvel Clube de Portugal, o gasóleo aumenta €0,055 por litro, já a gasolina sobe €0,03. Esta segunda-feira é o maior aumento de preços desde 2022.

E o primeiro-ministro não comenta a demissão do diretor executivo do SNS, diz apenas que o governo está à procura de uma nova solução.

Até porque descreve, Luís Montenegro, a situação nas urgências dos hospitais como muito complexa e, por isso, promete um novo nome para anunciar da liderança do SNS em breve.

Obviamente que as circunstâncias que motivaram essa decisão podem e devem ser acompanhadas por parte da Assembleia da República, e eu não vou envolver-me nisso. Aquilo que compete ao governo nesta circunstância é a substituição por outra personalidade. É nisso que estamos a trabalhar, eu e a Ministra da Saúde, e muito brevemente iremos dar nota do próximo responsável pela direção executiva do Serviço Nacional de Saúde.

Luís Montenegro, o primeiro-ministro, a comentar a demissão de Gandra de Almeida das funções de liderança do SNS. Aconteceu no final da semana passada, depois de suspeitas do diretor executivo do SNS ter acumulado funções de forma indevida.

E Donald Trump toma hoje posse como novo presidente dos Estados Unidos. Ontem prometeu um regresso histórico à Casa Branca.

Numa verdadeira ação de campanha, garantiu que vai avançar imediatamente com as medidas que prometeu durante a campanha eleitoral. Essa tomada de posse está marcada para mais logo, às 17h, hora de Lisboa, e ontem Donald Trump prometeu esse regresso histórico à Casa Branca. Junta-se a este jornal Diana Soler, especialista em relações internacionais. Diana Soler, muito bom dia. O Wall Street Journal escreve hoje que o novo presidente dos Estados Unidos vai promover uma revolução do bom senso no discurso da tomada de posse. É isso que devemos esperar da presidência de Donald Trump? Bom senso?

Bom senso? Não sei. Eu acho que a América está muito polarizada e o bom senso quer dizer uma coisa para um lado da América e quer dizer outra coisa para o outro lado da América. E, portanto, na realidade, só posso interpretar essa expressão dessa forma. Muitos dirão que Donald Trump vai trazer exatamente o contrário disso, ou seja, uma presidência errática, difícil de compreender. Muitos dirão, e eu penso que é isso que pode estar em questão, que Donald Trump tem capacidade de transformar a América em termos económicos, securitários e tem capacidade de transformar a América do ponto de vista da política internacional, tornando o mundo bastante mais pacífico do que ele é neste momento, nomeadamente através do final das guerras e da manutenção de um certo ambiente de paz pela força. E provavelmente é isso que quer dizer o Washington Post.

Deixe-me perguntar-lhe também, Diana Soler, a tomada de posse acontece hoje, 17h, hora de Lisboa. O presidente eleito dos Estados Unidos vai estar rodeado por políticos populistas de extrema-direita. Não vão estar presentes líderes da União Europeia. É um mau sinal para as relações entre a União Europeia e os Estados Unidos?

Eu acho que, apesar de tudo, não é assim muito relevante. Nas nossas festas não é que nós convidamos os nossos amigos e nós sabemos quem são os líderes com os quais Donald Trump tem boas relações. O que me parece é que as relações com a União Europeia vão ter que mudar. As relações com a União Europeia não vão estreitar, vão provavelmente tornar-se mais insignificantes, porque Donald Trump é um soberanista e não vê uma organização supranacional com a mesma legitimidade que vê os Estados. Mas isso não quer dizer que Donald Trump não venha a ter uma boa relação com os diversos Estados da Europa e que essa relação até não se possa vir a projetar numa relação pelo menos bastante cordial com a NATO. No entanto, não podemos ter ilusões em relação a isso. As regras do liberalismo internacionalista acabaram, o que dá à Europa menos margem de manobra, porque a identidade europeia vai se tornar muito diferente da identidade norte-americana, que é uma identidade agora, com Trump, mais rígida, menos valorativa, menos preocupada com questões de ordem internacional e com normas internacionais Mas a Europa terá que se adaptar a esta nova realidade do seu aliado para que a NATO continue a ser uma aliança com validade político-militar, mesmo que não seja a mesma validade que teve no sistema internacional e com outros presidentes.

E estamos perante uma verdadeira alteração da política externa dos Estados Unidos ou é mais uma questão de estilo que separa Donald Trump de Joe Biden?

Há duas coisas. Há o estilo, o estilo é evidente. Donald Trump vai ser sempre muito menos diplomático e vai ter sempre muito menos cuidado com aquilo que os aliados ou que os inimigos querem ouvir. Isso é absolutamente evidente desde o princípio, e isso é um problema para os europeus, que não gostam desse estilo brusco e desse estilo forte e direto, e às vezes malcriado e pouco simpático, como o Donald Trump nos habituou. Vai haver continuidades. Esta ideia de absoluta descontinuidade que já houve no passado não é verdadeira. Há uma continuidade grande, especialmente de Trump para Biden, especialmente em políticas relacionadas com o Indo-Pacífico, com a política económica, etc. Portanto, vai haver continuidades, ainda que Donald Trump as vá mascarar de descontinuidades, porque ele quer fazer parecer que tudo o que acontece nos Estados Unidos é feito por ele e se deve a ele, mas vai haver continuidades. Aliás, há uma certa continuidade no Médio Oriente entre Trump, Biden e agora Trump outra vez. E vai haver descontinuidades, nomeadamente no que diz respeito, por exemplo, à relação com a China, que ainda não percebemos exatamente como é que vai ser, mas não vai ser uma relação de semi-apaziguamento como aquela que Biden tinha. Vai haver descontinuidades relativamente à questão da Ucrânia. Vai haver descontinuidades. Agora, não há, em nenhuma política externa, de nenhuma grande potência, uma rutura total. A única coisa em que nós vemos uma rutura total está relacionada com a identidade americana, em que Biden era um velho cold warrior que trazia o ideário liberal internacionalista, e Trump é um nacionalista nativista que traz um novo ideário que ainda não se sabe bem qual é.

Agradeço. Diana Soler, especialista em relações internacionais, a ajudar-nos a olhar para esta notícia que marca o dia da tomada de posse de Donald Trump.

Vamos poder acompanhar aqui em direto na Rádio Observador, numa emissão especial que arranca depois das 17h. 12:09. João, que outras notícias vão marcando a atualidade?

Oito pessoas morreram, sete ficaram feridas hoje num incêndio num lar de idosos em Belgrado, de acordo com informações partilhadas com a televisão séria RTS. O incêndio começou por volta das 2h, hora de Lisboa. Em Moçambique, pelo menos 11 pessoas morreram depois da passagem do ciclone Dikeledi, na província de Nampula. Mais de 200 mil pessoas foram afetadas pela passagem deste ciclone.

João Gama e o Jornal do Meio-Dia.