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Jornal do Meio-Dia. Jornal do Meio-Dia com a edição do Miguel Videra. Miguel, o Irão decidiu suspender as negociações com os Estados Unidos.
É isso que indica uma fonte do regime a duas agências de notícias estatais. A decisão é justificada com os ataques de Israel ao Líbano, em violação do que está acordado no memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e Irão nas últimas horas. O primeiro ponto do documento estipula a cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. A violação desta disposição por parte de Israel é também o motivo pelo qual o Irão decidiu não viajar para a Suíça para dar hoje início às negociações de 60 dias com os Estados Unidos, tendo em vista um acordo de paz definitivo. Por parte da Casa Branca, ainda não há qualquer reação à decisão do regime iraniano de suspender o processo negocial.
E é já daqui a pouco que o Parlamento vota a proposta de lei do governo que vai alterar o Código do Trabalho. José Luís Carneiro insiste que o PS não tem alternativa senão chumbar o diploma.
Foi o que disse o secretário-geral do PS à margem da conferência "A Europa Social é o Nosso Objetivo", que decorre na cidade do Porto. O líder socialista acusa o governo de se aliar ao Chega e de usar o trabalho feito com os parceiros sociais para dar corpo a essa aliança.
Acontece que o governo trouxe à Assembleia da República a pior versão, ou seja, todo aquele trabalho que foi feito pelos parceiros sociais foi literalmente deitado ao lixo pelo governo. E por quê? Aparentemente, pegou em algumas dessas propostas e utilizou-as para dizer ao partido da extrema-direita: "Leve essas propostas à Assembleia, porque nós vamos deixar passar algumas delas e com isso tu consegues salvar a face".
José Luís Carneiro considera que esta aproximação entre Chega e AD tem reflexo na sondagem hoje revelada, que coloca o PS em primeiro nas intenções de voto, com o Chega em segundo a ultrapassar a AD.
Aqueles que dançam com a extrema-direita, são vítimas da extrema-direita.
A sondagem da Intercampis para o Canal Nou e para o Correio da Manhã coloca o PS à frente, com 24,3% das intenções de voto, o Chega em segundo, com 20,3%, e AD em terceiro, com 19,5%. A sondagem tem uma amostra de 609 entrevistas.
E ainda sobre as alterações ao pacote laboral, o antigo deputado do PSD, Duarte Pacheco, lamenta a postura do PS.
Em concreto, a falta de disponibilidade para alcançar consensos.
Na negociação laboral, o Partido Socialista quis ficar de fora a partir do momento em que disse que, não havendo existido acordo na concertação social, assumia como suas as posições da UGT, que o governo não tinha aceito, e a partir daí, o diálogo morreu, ficou impossível de concretizar-se. Ora, ou o governo desistia, ou o governo procurava chegar a entendimento com outras forças políticas. E aqui, claramente, houve uma alteração, uma evolução, uma mudança por parte do Chega.
Duarte Pacheco, convidado do Explicador desta manhã, que contou também com a presença do antigo ministro socialista João Costa, diz que este processo negocial veio pôr a nu quem é o parceiro preferencial do governo.
Neste momento, eu não vejo o PSD como refém do Chega. Eu vejo o PSD completamente casado com o Chega e em um casamento que para os dois está a ser muito feliz. É melhor assumirem que o parceiro, a coligação do PSD é com o CDS e é com o Chega. É o que alguns de nós temos dito na brincadeira, que já não é uma AD, é uma ADEGA, porque integra o Chega nesta coligação.
Há, pelo menos, a expectativa de que neste diploma em concreto, as alterações ao Código do Trabalho, o Chega possa votar ao lado dos partidos que sustentam o governo, contribuindo dessa forma para a viabilização do diploma.
E o ministro da Agricultura assegura que, ao dia de hoje, não está previsto nenhum corte no financiamento europeu para o setor.
José Manuel Fernandes ressalva ainda assim que as negociações são uma maratona, mas que só espera boas notícias. O ministro da Agricultura e do Mar participa num debate na Assembleia da República e foi aí que vincou a importância de que a política agrícola comum continue a ser comum e que não esteja dependente do poderio econômico de cada país. Sobre a negociação do próximo pacote financeiro da PAC, assegura o ministro que até o momento não está previsto qualquer corte.
Se a negociação encerrasse hoje, não tínhamos nenhum corte, mas isto é uma maratona e há sempre surpresas, espero que positivas. Quando falamos de ring-fencing, de uma proteção, estamos a falar, no caso de Portugal, de 7,4 mil milhões de euros para apoio ao agricultor. E é importante aqui que se diga uma outra coisa: isto não é favor nenhum. O apoio ao agricultor é um subsídio indireto a cada cidadão, porque ele é obrigado a produzir alimentos respeitando os mais elevados padrões ambientais.
José Manuel Fernandes sublinhou ainda que Portugal viu o envelope financeiro para o setor aumentar em mais de mil milhões e meio de euros, devido à pressão exercida pelo governo junto da Comissão Europeia.
Falamos agora neste Jornal do Meio-Dia do caso do grupo neonazi desmantelado pelas autoridades, o Movimento Armilar Lusitano. Entre os principais visados, Miguel, está um agente da polícia. Ora, o diretor nacional da PSP considera este um caso excepcional.
O grupo foi desmantelado há um ano, mas só agora foi conhecido o despacho de acusação. O Ministério Público acusa nove pessoas ligadas ao grupo neonazi Movimento Armilar Lusitano de 29 crimes, incluindo o crime de terrorismo. Um dos acusados é Bruno Gonçalves, antigo agente da PSP, está em prisão preventiva. Teria tido acesso à informação sensível, por exemplo, a morada do primeiro-ministro Luís Montenegro, um dos nomes que este grupo planeava atacar. O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, reagiu há pouco, diz que é tempo de a Justiça atuar, mas deixa também uma garantia: este é um caso singular.
São casos excepcionais e, como disse
Neste momento, devemos deixar funcionar o sistema de justiça. Num Estado de direito democrático, há o princípio da presunção da inocência. Portanto, devemos colaborar com as entidades. A Polícia de Segurança Pública faz parte do sistema de justiça, do sistema de segurança e é composta por 20 mil homens e mulheres.
Um caso excepcional, afirma o diretor nacional da PSP. Foi esta manhã, um registo sonoro captado pela RTP. Quatro dos suspeitos do movimento Armilar Lusitano, entre eles o líder e o número dois, estão a aguardar julgamento em prisão preventiva. Para além do primeiro-ministro, também o ex-presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, constava de uma lista de indesejáveis com mais de uma centena de nomes.
E a madrasta suspeita de ter matado uma criança de oito anos em Valpaços fica hoje a conhecer as medidas de coação.
A criança foi morta em Valpaços, o corpo abandonado na serra da Padrela, em Vila Pouca de Aguiar. O jornalista do Observador Miguel Pinheiro Correia esteve na localidade de Carrazedo de Montenegro, onde vivia a menina, e conta o que aconteceu durante o dia do desaparecimento e como é que as autoridades e a população perceberam que algo estava mal.
Segundo os relatos de alguns pais aqui perto da escola e também de alguns vizinhos, esta criança apanhava sempre o autocarro e neste dia não foi diferente. Nesta quarta-feira não foi diferente, apanhou o autocarro e foi deixada na escola. Aí é que o trajeto fugiu à norma. Ela, em vez de entrar na escola, surgiu a madrasta que a impediu de entrar na escola por algum motivo, mas impediu-a de entrar na escola e levou-a com ela e entretanto foi dada como desaparecida. Foi nesse momento que foi vista pela última vez.
O pai da criança acredita que o crime foi premeditado, que a madrasta planeou o homicídio após uma desavença com o marido dias antes de tudo acontecer. A madrasta vai conhecer hoje as medidas de coação, vai ser apresente a um juiz de instrução criminal no Tribunal de Vila Pouca de Aguiar. Foi ontem detida pela Polícia Judiciária e já confessou o crime.
Meio-dia e nove, Miguel Cador, as notícias vão marcando a atualidade.
Há hoje uma greve no setor da saúde. A taxa de participação ronda os 60 a 85%. É isso que avança o sindicato que convocou este protesto. Os médicos exigem a abertura de processos negociais, dignificação e valorização profissional e a contratação de mais trabalhadores para o SNS. De seguida, dá-lhe conta que há hoje 23 concelhos em perigo máximo de incêndio em Portugal continental. Ficam nos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro. O perigo de incêndio rural vai agravar-se no fim de semana, com mais regiões em perigo máximo e muito elevado, devido à subida acentuada das temperaturas.
É o ponto final no jornal do meio-dia.