Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Jornal do Meio-Dia com edição do Miguel Videra. Miguel, Portugal é o país da União Europeia que regista a subida mais acentuada do preço das casas no segundo trimestre do ano. São dados do Eurostat. Já lá vamos. Para já, as ondas de choque provocadas pela decisão de Cristiano Ronaldo de abandonar os trabalhos da Seleção Nacional.

Na véspera do jogo contra a Dinamarca, a contar para a Liga das Nações, e na sequência da conferência de imprensa do selecionador nacional, Jorge Jesus, que abordou o alegado desentendimento com Cristiano Ronaldo, a pretexto do jogo com a Noruega. Ronaldo não saiu do banco. Jorge Jesus reconhece que não devia ter colocado Ronaldo a aquecer durante tanto tempo para depois não entrar. Disse também que quem manda na seleção é o próprio, Jorge Jesus, e que hoje o avançado de Portugal frente aos dinamarqueses vai ser Gonçalo Ramos. Ede Aguirre, comentador de um programa desportivo em Espanha e amigo de Cristiano Ronaldo, falou ontem à noite sobre o caso para dizer que o jogador português se sentiu traído.

Jorge Jesus pediu perdão ao Cristiano na reunião em que também estava o presidente da federação. Pediu desculpa por ter feito com que ele aquecesse durante 30 minutos sem que entrasse em jogo. E não só lhe pediu desculpa em privado, como disse que iria fazê-lo publicamente. Essa foi a promessa de Jorge Jesus ao Cristiano. Mas na conferência de imprensa, disse mentiras em que ninguém acredita. Foi por isso que o Cristiano explodiu, porque sente traído.

Sendo que o internacional português prometeu, numa publicação nas redes sociais, contar toda a verdade sobre o que esteve na origem da decisão de abandonar o estágio e rumar a Madrid, onde chegou esta madrugada por volta das duas da manhã.

Cristiano Ronaldo, que é um protagonista mundial e, portanto, este caso está a ter eco na imprensa internacional.

Desde logo aqui ao lado, em Espanha, onde Cristiano Ronaldo jogou durante vários anos, a imprensa recorre a palavras fortes, Miguel Gato, para descrever o que aconteceu.

O caso Ronaldo caiu como uma bomba. É o que escreve esta manhã o diário "As", em Espanha, enquanto a "Marca" diz que o terramoto Cristiano continua a ter réplicas. O "L'Équipe", em França, escreve que o fim da carreira internacional do futebolista parece iminente e fala também num psicodrama de CR7. Este tema também faz eco no italiano "Gazzetta dello Sport", que resume tudo com uma palavra: incrível. Em Inglaterra, a "Sky Sports" nota que a saída do capitão deixa um sabor amargo na boca. Fora da Europa, a polémica de Ronaldo também é tema. Na Argentina, o "Olé" fala num escândalo e escreve que Cristiano bateu com a porta. Nos Estados Unidos, o "The Athletic" descreve a situação como uma crise e a imprensa desportiva brasileira dá outro ângulo à história. A ESPN Brasil escreve que Cristiano Ronaldo fica agora ameaçado com processo disciplinar, já que o regulamento da Federação Portuguesa de Futebol prevê uma multa entre €500 e €1.000 e também prevê uma suspensão de seis meses de representar a seleção.

Miguel Gato, com esta volta pela imprensa internacional e pelo que se escreve sobre o caso que envolve o até aqui capitão da Seleção Nacional portuguesa.

É um tema a que voltamos a seguir este Jornal do Meio-Dia, numa emissão especial conduzida pelo Miguel Cordeiro e que vai ter, entre outros convidados, Luís Lourenço, Dias Ferreira e Guilherme Aguiar. Seguimos entre agora com os dados do Eurostat, divulgados esta quinta-feira. Portugal, Miguel, é o país da União Europeia que regista a maior subida do preço das casas no segundo trimestre, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Muito acima da média dos 27 Estados membros e dos países da zona Euro. A subida em Portugal foi de 16,5%. A média da zona Euro é de 4%, valor que sobe para 4,7% se considerarmos todos os países da União Europeia. Por que a que fica a dever esta diferença tão acentuada? É a pergunta que faço à economista Vera Gouveia Barros, que há muito se dedica a este tema da habitação, com estudo publicado sobre este tema. Boa tarde, bem-vinda. Por quê? Por que Portugal lidera, neste caso, pelas piores razões, esta tabela?

Olá, bom dia. Pois, eu não tenho uma resposta para essa pergunta. Lamento desapontar quem achava que eu saberia dizer. Nós temos vários fatores e alguns são comuns à Europa, pelo menos à zona Euro, temos todos a mesma moeda e, portanto, temos a mesma taxa diretora. Não será por aí. Aliás, as taxas de juro têm estado a subir, o que à partida, segundo a teoria econômica, até faria contrariar aqui um bocadinho esta dinâmica de subida dos preços. Conjunturalmente, estamos numa boa fase do ciclo econômico, mas isto também é algo que cada vez mais as economias europeias estão muito integradas e, portanto, estão normalmente em sintonia nessa fase do ciclo. O que quer dizer que provavelmente este comportamento tem mais que ver com razões do país do que com estes aspetos macroeconômicos, que muitas vezes são aqueles que se trazem para explicar o comportamento do mercado imobiliário como um todo.

Temos, por exemplo, políticas públicas em Portugal diferentes das adotadas em outros países que eventualmente possam estar a contribuir para esta disparidade?

Sim, temos políticas públicas diferentes, naturalmente. Temos problemas diferentes, temos um parque habitacional também com características diferentes, mas eu aqui precisava mesmo ter muito Dados mais desagregados, perceber se isto é um fenômeno que tenha a ver com a composição das transações, porque estas estatísticas são sempre baseadas nas transações que efetivamente ocorrem. Portanto, não é como os preços de outros bens, em que eu não preciso ter uma compra para saber quanto ele custa, porque ele já tem um preço fixado. E aquilo que nós sabemos dos dados que o INE lançou há uns tempos, é que nós tivemos este aumento dos preços, mas tivemos uma redução do número de transações. Transacionaram-se menos casas e, portanto, pode ser por aí, porque na verdade, o mercado de habitação funciona sob a forma de um leilão e às vezes eu até faço a comparação com as médias das entradas na faculdade. Não é exatamente a mesma coisa, mas tem vários pontos em comum. Na questão das médias, por exemplo, muitas vezes vai-se comparar a última nota de entrada de cursos que têm o número de vagas muito diferente, que é uma comparação injusta. Eu às vezes estou a comparar o aluno 300 com o aluno 50 e aqui nas transações pode acontecer a mesma coisa.

Estamos a ficar sem tempo, deixe-me só fazer uma pergunta. Ontem escutávamos aqui o presidente da Associação de Inquilinos, que sugeria que Portugal deveria adotar a mesma medida que foi adotada em Espanha no âmbito da crise da habitação, proibir os fundos imobiliários de adquirirem casas para, dessa forma, tentar travar a especulação imobiliária. Parece um caminho acertado?

Mais uma vez, eu gostaria de ter dados para poder me pronunciar sobre uma medida dessa natureza. Olhando para aquilo que é o agregado nacional e quando nós olhamos para as transações, não se vê uma presença muito significativa do setor empresarial. Depois, dentro disso, nós não sabemos o que são os fundos e o que podem ser outras empresas.

Ontem o Jornal Público revelava que um quinto das casas na região de Lisboa eram de empresas.

Na verdade, eu suponho que estão a basear naquilo que são as estatísticas do INE relativamente ao arrendamento, que saíram na terça-feira, e aquilo que tem é por natureza institucional do senhorio. E atenção, não têm de ser empresas, na verdade. Para começar, estamos a falar de novos contratos e não têm de ser empresas. Aliás, se formos ver aquilo que é o destaque do INE relativamente às rendas, ao valor mediano das rendas, até vemos que em Lisboa, a mediana das rendas cobradas por senhorios institucionais, e portanto em senhorios institucionais não temos somente empresas, temos também misericórdias, temos cooperativas, temos todas essas outras instituições que não são as famílias, essa mediana até é ligeiramente mais baixa que a mediana dos senhorios que são famílias. Portanto, para Lisboa, isso não funciona muito bem. Na verdade, em Portugal, a comparação das medianas inverte-se, mas em Lisboa não é isso que lá temos. Esses dados de terça-feira, que eu penso que são aqueles a que o Público estará a reportar, são sempre de fluxo, ou seja, são dos últimos contratos que foram assinados, que é uma coisa diferente daquilo que é o stock, sendo que estes valores das transações também, obviamente, porque aí a transação, de facto, é apenas um momento no tempo, não é algo que persista como um arrendamento.

Seriam precisentam mais dados.

Mais dados, exatamente. Uma boa conclusão.

Para ver se esta decisão do governo de Espanha, de impedir os fundos imobiliários de adquirirem casas, seria uma boa medida para tentar travar esta subida vertiginosa do preço das habitações. Foi o pretexto para esta conversa com a economista Vera Gouveia Barros, a quem agradeço a sua disponibilidade para estar conosco. Dados da Eurostat que revelam que no segundo trimestre do ano foi em Portugal que se registou a subida mais acentuada do preço das casas, 16,5% em comparação com o mesmo período do ano passado.