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Miguel Cordeiro. E começamos este jornal da uma com o Miguel Cordeiro, num olhar para um novo estudo sobre comportamentos aditivos. Miguel, os jovens entre os 13 e os 18 anos estão a fumar, a beber e a tomar menos drogas.

Foram divulgados hoje os resultados do estudo sobre os comportamentos de consumo de álcool, de tabaco, drogas e outros comportamentos aditivos e dependências. Os dados são do último ano e fazem comparação com o mesmo estudo feito em 2019. O jornalista Vasco Maldonado Correia esteve a olhar para os dados, que permitem concluir que o cenário de hoje é menos gravoso entre os jovens, mas, Vasco, há fenômenos que se tornaram mais frequentes, como por exemplo, o consumo de analgésicos fortes para alterar os sentidos.

Que duplicou, especialmente quando falamos do consumo desse tipo de medicamentos sem indicação médica. São agora 3% os jovens que têm acesso a esse tipo de medicamentos. De acordo com o estudo, mais de 10% dos jovens considera que é fácil conseguir acesso a tranquilizantes ou sedativos fortes sem qualquer tipo de prescrição. Há pouco falámos com a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos, que lida com muitos destes casos, e explica que os jovens conseguem ter acesso a este tipo de substâncias através dos medicamentos que encontram em casa.

Na verdade, eu já tive alguns jovens com dependência aos analgésicos, e grave, parecida com a que se pode ter quer com as drogas, nomeadamente o haxixe, quer com outro tipo de comprimidos, os ecstasy, aqueles comprimidos que os miúdos tomavam nas discotecas. E na verdade, já tive agora alguns com analgésicos. Por um lado, os analgésicos são muito tomados pelos pais desses miúdos, portanto, é um comprimido que há em casa.

A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos, que alerta ainda que é preciso olhar para estes estudos com cuidado para compreender que mudanças são verdadeiramente conjunturais e quais se devem a alterações nos comportamentos dos jovens.

Os maiores consumidores desta substância são estudantes do sexo feminino. O mesmo acontece quando falamos de álcool, quando falamos de tabaco e até de tranquilizantes ou sedativos.

Ou seja, as raparigas bebem, fumam e tomam mais sedativos e analgésicos do que os rapazes. Ana Vasconcelos confirma.

Têm mais facilidade em que, por um lado, quando é preciso mesmo dar um ansiolítico, as miúdas sentem benefícios com o Xanax mais facilmente do que os rapazes, que por vezes temos que usar outro tipo de analgésicos.

Só o consumo de drogas ilícitas é que se mantém como uma prática mais comum entre os jovens do sexo masculino. De resto, o álcool é a principal substância psicoativa consumida entre os jovens. A maioria dos inquiridos ingeriu pelo menos uma bebida alcoólica ao longo da vida, mas atualmente a ingestão diária está a tornar-se pouco prevalente entre os consumidores atuais. A cerveja continua a ser a bebida mais ingerida numa base diária ou quase diária.

O tabaco é a segunda substância mais utilizada pelos jovens, mas aqui também se notam algumas mudanças.

Um quarto dos jovens diz já ter fumado, no mínimo, uma vez ao longo da vida. Os mais velhos, ou seja, os jovens acima dos 16 anos, preferem os cigarros tradicionais, mas o padrão altera-se, Miguel, quando falamos dos mais novos, ou seja, os jovens entre os 13 e os 15 anos, consomem com mais frequência cigarros eletrônicos. E o estudo revela que o consumo do cigarro tem registado uma descida cada vez mais acentuada e por causa disso mesmo, porque a quebra acontece às custas do decréscimo do consumo dos cigarros tradicionais.

Jornalista Vasco Maldonado Correia e os resultados do estudo sobre os comportamentos de consumo de álcool, tabaco, drogas e outros comportamentos aditivos e dependências. Este estudo diz também que a maioria dos jovens rapazes está a jogar mais a dinheiro, especialmente entre os estudantes do ensino secundário.

A via verde para a contratação de trabalhadores imigrantes entra hoje em vigor, mas o Sindicato dos Trabalhadores Consulares avisa que não há recursos humanos para cumprir os prazos definidos.

O governo assinou um protocolo com as confederações patronais e criou este mecanismo que permite a contratação direta de trabalhadores imigrantes pelas empresas portuguesas. Mas a secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares diz à Rádio Observador que estão, nesta altura, praticamente a navegar no escuro. Rosa Ribeiro detalha que não há funcionários suficientes para garantir o prazo que foi definido: 20 dias para atribuir vistos de trabalho.

Este processo vem falar em prazos. Os 20 dias e 10 dias, e isto parece-nos, no momento atual, um bocado difícil de garantir, porque, como lhe disse, as lacunas em recursos humanos são gritantes e não vemos como é que isto possa ter efeito útil já imediato.

Declarações da secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares, palavras deixadas hoje à Agência Lusa. O governo detalha que contratou 50 técnicos para agilizar os processos. O sindicato diz que os novos funcionários ainda não começaram a trabalhar e, portanto, neste momento, registam-se já atrasos na sede dos serviços consulares.

A Confederação dos Agricultores de Portugal considera natural que nos próximos dias cheguem mais pedidos de imigrantes para beneficiarem dessa via verde à imigração.

Falou à Rádio Observador o secretário-geral da CAP, diz que está confiante que o sistema vai ser capaz de dar resposta ao número de pedidos. Luís Mira aplaude até esta medida. Diz que o setor agrícola é dos principais beneficiários deste entendimento.

Em Portugal, temos cerca de 60 mil trabalhadores no setor agrícola, dos quais 50% são imigrantes. Desses 50%, 60% são asiáticos, que provêm do Bangladesh, do Nepal, da Índia e, portanto, aí há uma pressão maior do que noutros

Locais. A CAP tem uma equipe especializada só para isto, que quando há estas solicitações, já o fazia antes do protocolo e agora continuará a fazê-lo com mais capacidade de intervenção e com outro tipo de enquadramento.

Secretário-geral da CAP em entrevista à Rádio Observador. Questionado sobre o balanço em relação a este primeiro dia em que a medida entra em vigor, Luís Mira diz que é preciso esperar agora 20 dias para perceber como está a correr a implementação deste pacto.

O governo ucraniano demitiu o governador da cidade de Sumy.

Demissão que acontece depois do governador Volodymyr Artiuk teria admitido hoje que estava planeada uma cerimônia militar em Sumy para domingo, o dia em que aconteceu o ataque russo que matou 35 pessoas na região. O presidente da Câmara da cidade de Konotop acusou o governador de Sumy de, na altura, ter ignorado o risco elevado para civis e militares. Artiuk diz que não organizou essa cerimônia, mas que sabia que ia acontecer e diz até que foi convidado. De acordo com o Conselho da Cidade, por causa deste ataque, para além das 35 pessoas que morreram e mais de uma centena que ficaram feridas, 44 continuam hospitalizadas, sete estão nesta altura ainda em estado grave. Em declarações ao jornal Kyiv Independent, o representante do governo ucraniano informa também que o governador da região de Luhansk, Artem Lysohor, foi também afastado de funções.

Nos Estados Unidos, o Washington Post avança que Donald Trump quer cortar o financiamento à NATO e às Nações Unidas.

Quer cortar quase metade do orçamento do Departamento de Estado norte-americano. Portanto, tem como objetivo reduzir em áreas como a assistência humanitária, a saúde global e o financiamento de organizações internacionais. Há cortes para as Nações Unidas, há cortes para a NATO e também vão ser eliminados os apoios para outras 20 organizações. Estes cortes têm ainda de ser aprovados pelo Congresso. No entanto, os republicanos controlam o Senado e controlam também a Câmara dos Representantes.

Em Moçambique, foram instaurados mais de 740 processos-crime ligados às manifestações pós-eleitorais.

Dos mais de 700 processos, 31 envolvem membros da Polícia da República de Moçambique. As dados são do Ministério Público moçambicano. Do número total de processos, a grande maioria registou-se na cidade de Maputo. O crime de roubo agravado é o mais frequente. Além da agitação social que existe em Moçambique, nos últimos meses, mais de 1500 reclusos fugiram de estabelecimentos prisionais, dos quais as autoridades recapturaram 233. De acordo com a Procuradoria-Geral de Moçambique, pelo menos 35 reclusos perderam a vida durante a fuga. E de acordo com organizações não governamentais, nos últimos meses morreram cerca de 390 pessoas devido a estes protestos, mas o governo moçambicano confirma 80 vítimas mortais.

Vamos a outras notícias que estão a marcar a atualidade, Miguel.

O Hamas deverá dar uma resposta nas próximas 48 horas à nova proposta israelita de cessar-fogo. Citado pela France Presse, um oficial sênior do grupo islâmico afirmou que o grupo está a consultar várias fações para dar uma resposta unificada. Ontem, o Hamas recusou uma das imposições de Israel, nomeadamente o desarmamento. Para fechar, várias prisões em França foram atacadas durante a madrugada. Foram disparadas armas de fogo do lado de fora das prisões, foram incendiados vários veículos, há até relatos de intimidação a guardas prisionais. O ministro da Justiça francês confirma estes ataques a várias prisões em França e diz que, pelo menos, o ataque a três prisões foi feito de forma coordenada. O governo francês explica que isto pode estar a acontecer em retaliação contra a transferência de traficantes de droga.